sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- XVII

Olá
Aqui fica o capítulo da semana.
Espero que gostem.
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XVII

Célia saiu a correr do Palácio. Tinha de contar a Afron o que descobriu. Até a sua Mestra Kirinah sabia de toda a história. Pois, antes de sair, ouvira uma conversa dela com Gorélia. Não só sabia como tinha guardado segredo durante todos aqueles anos! Por isso as respostas às perguntas que fazia sobre a Lua Branca eram tão vagas.

Só Célia tivera coragem de sair. Tarina estava demasiado confusa para sair do quarto. Queria estar longe do Palácio durante o máximo de tempo possível para poder arrumar as ideias. Com as lágrimas a misturarem-se com o suor devido à corrida mas também ao calor, correu como nunca correra na vida. Nem sequer quando corria em Manah com Tarina nos intervalos dos treinos se sentira tão cansada.

Percorreu todo o campo sem parar até chegar aos campos de treino militar. Também não parou junto aos portões, abrindo-os com ambas as mãos e entrando como um furacão, deixando a sentinela tonta. Atravessou o campo de treino e dirigiu-se ao Edifício da Guarda Real. As sentinelas tentaram impedi-la de entrar, dizendo que ali só podiam entrar membros da Guarda real e mais ninguém, mesmo pertencente á Família Real.

Mas em vão, Célia empurrou-os como se fossem bonecos e entrou. Atravessou os corredores até ir dar a uma porta. Do outro lado, uma reunião militar ocorria e Célia pôde ouvir a voz de Afron. Sem meias medidas, empurrou a porta e entrou na sala, onde estavam sentados militares da Guarda a uma mesa com mapas holográficos e outros instrumentos de estratégia militar. No topo da mesa, a presidir a reunião, estava Afron com o seu uniforme de Guarda, que se levantou. Célia avançou como se a sala estivesse vazia e só parou quando abraçou Afron com toda a força ocultando a cara no seu peito, ainda a chorar. Afron ficou surpreendido mas abraçou-a também com força. Entretanto, as sentinelas estavam à porta e um deles apenas disse:

- Nós tentámos impedi-la, senhor. Mas foi impossível. Ela forçou a entrada e nada podermos fazer.-

Afron ia dizer que estava tudo bem e que tratava do assunto, mas Célia levantou a cabeça e beijou-o. Afron, ainda mais atrapalhado, fez sinal para que todos se retirassem dando a reunião por terminada.    

Já sozinho e com Célia mais calma, Afron pôde então perguntar:

- Estás maluca? Não podias ter esperado até ao fim da reunião? Eu sei que estivemos muito tempo separados e que deves ter ficado com saudades, mas não era preciso fazer este escarcéu todo! O que é que te deu para fazeres isto? E porque estavas a chorar? O que aconteceu?-

Célia limpou as lágrimas e respondeu ainda com a voz ofegante:

- Descobri algo sobre mim e a minha família que não me agradou. E como não podia contar com mais ninguém, vim ter contigo. Eu não te queria envergonhar, peço desculpa, mas é que não aguentava mais. Precisava de falar com alguém. De preferência fora do Palácio.- 

Afron fez uma expressão interrogativa. Célia endireitou-se na cadeira, tinham-se sentado para ela recuperar o fôlego depois daquela corrida, olhou-o nos olhos e contou-lhe que tinha visto os quadros da sua mãe, a Rainha anterior e da sua filha mais velha e também da Primeira Conselheira Real. Depois, contou-lhe a história que Gorélia lhe contara. Quando acabou, Afron fez uma cara de espanto mas, ao mesmo tempo, de admiração, pois fora precisa muita coragem para contar a verdade ao fim destes anos, pois tal como Célia, também era a primeira vez que ouvia uma história daquelas.

- Compreendes agora porque não posso desabafar com mais ninguém?- Disse Célia depois de lhe ter contado.

Afron perguntou:

- E agora, o que vais fazer? Já pensaste se queres continuar a ser Rainha ou vais deixar o trono?-

Célia levantou-se e foi para a varanda da sala. Encostou as mãos ao peito e respondeu:

- Vou a Manah procurar o documento que a minha mãe redigiu para mudar as Leis mágicas e vou concretizar o que ele diz. Depois, vou criar um Exército próprio para nos defendermos da Lua Negra. Um que seja mais forte que a Guarda Real. Vou arranjar aliadas por esse Universo fora.-

Fez uma pausa e virou-se para Afron que estava junto à porta da varanda de pé. Continuou:

- Mas para conseguir tudo isto preciso da tua ajuda e de Tarina. E para ter a tua ajuda preciso de estar casada. Por isso, quando tiver feito um ano de estadia aui, casamos e eu vou a Manah já como Rainha.-

Afron aproximou-se dela e abraçaram-se. Depois, ele disse:

- É melhor voltares. Está a ficar tarde e devem estar preocupados contigo. Eu acompanho-te.-

Célia consentiu e saíram da sala e do Campo Militar para o Palácio da Lua. Quando lá chegaram, no cavalo de Afron, Gorélia estava á porta juntamente com Tarina, com um ar preocupado:

- Princesa! Onde esteve? Saiu daqui desenfreada! Sem dizer nada a ninguém! Já estava a pensar que lhe tinha acontecido alguma coisa!- Exclamou Gorélia.

Célia e Afron entraram no Palácio sem dizer uma palavra e subiram para o quarto. Gorélia tentou ainda intervir, mas Célia cortou-lhe a palavra:

- O Afron fica esta noite comigo. Por favor, manda servir qualquer coisa para comer no quarto. Depois, não nos incomodem mais.- E subiram as escadas.

Quando chegaram, entraram e Célia trancou a porta para que ninguém os incomodasse. A mesa na varanda já estava posta com fruta, sumos e alguns biscoitos. Comeram silenciosamente. Depois, sem dizerem uma única palavra, levantaram-se e entregaram-se aos prazeres do amor.


Entretanto, na Lua Negra, Dravna vasculhava no Arquivo real informações sobre a sua família. E descobriu coisas bastante interessantes, entre elas que existia um planeta chamado Lua Branca de quem a Lua Negra era rival. Mas o que mais a chocou foi o verdadeiro objectivo dos treinos em Infinus: proteger a Lua Negra e atacar a Lua Branca pra vingar os sacrifícios da sua mãe e Conselheira Real. Esse foi apenas o primeiro porque o segundo era ainda mais duro: todas as decisões em relação a casamentos e governo passaram apenas pelo Conselho Real e não podiam se refutados pela Rainha que apenas servia de escudo de interesses do Conselho.

Irritada, resolveu contar a Eliona o que tinha descoberto. Foi quando soube da história desta: ao conta-lhe que tivera de ir para casa dos pais de Orquédia enquanto Dravna foi para Infinus depois de ter sido iniciada como Conselheira Real, foi então que ter com a Princesa.

Dravna ficou furiosa com todas aquelas revelações e declarou:

- Eliona, temos de mudar as Leis Mágicas. Não podemos continuar a ser usadas pelo Conselho Real. Mas, para isso precisamos de ir a Infinus e procurar o documentos que a minha mãe redigiu e para ter acesso a ele, preciso de ser Rainha e para o ser preciso de casar. Portanto, quando fizer um ano de estadia, caso e vou a Infinus.-

Fez uma pausa. Estavam as duas sentadas na varanda do quarto de Dravna e tinham os papéis espalhados pela mesa. Dravna levantou-se e foi para o pé da varanda. Continuou:

- Vou criar um exército próprio que seja mais forte que a Guarda Real e que nos possa ajudar a derrotar a Lua Branca.- 

E, dito isto, saiu da varanda abriu a porta e disse:

- Vamos! Temos muito que fazer! A primeira coisa é activar a Sala de Reuniões Reais.-

E saíram do quarto.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Para a semana, virá mais cedo e será o último da primeira parte.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana

 

 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- XVI

Olá
Aqui fica o capítulo da semana.
Espero que gostem.
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XVI

Nessa noite, depois de ter sido ajudada a vestir por Tarina, Célia foi até à varanda do quarto e ficou a contemplar as estrelas. Tinha um ar tranquilo e feliz. Depois virou-se para Tarina que estava sentada na sua cama e disse com uma voz tranquila:

- Sabes, Tarina, nunca pensei vir a ser tão feliz aqui como sou agora.- Fez uma pausa. Entrou no quarto e sentou-se ao lado dela. Retomou o discurso:

- Quando aterrei pela primeira vez aqui, há apenas dois dias, nunca pensei que pudesse vir a apaixonar-me assim por este Reino, nem tão pouco por alguém que mal conheço. Julguei que era impossível gostar da Lua Branca por ser um lugar distante e desconhecido, mas agora acho-o bastante acolhedor. Kirinah bem me disse para não fazer muitas perguntas, para descobrir por mim, como seria o meu Reino.- Respirou um pouco e acrescentou:

- No dia em que te conheci, estava a ler uma inscrição de uma das colunas do Templo de Manah que dizia «O amor é uma dádiva da vida». Na altura, não percebi o que queria dizer, mas hoje compreendo. Aquela inscrição não tem só a ver com o respeito pelo povo tem também a ver com o meu amor-próprio que eu descobri com a nossa amizade mas também através do amor de Afron. E isso é bem mais importante que tudo o resto que me ensinaram.-

Sorriu e Tarina sorriu com ela como no dia em que se conheceram há vinte anos em Manah.


Entretanto, na Lua Negra, Dravna fora aconselhada por Eliona a deixar de ver Zircónia durante algum tempo para que ninguém soubesse do que acontecera na noite do segundo dia em Lua Negra.

Por isso, durante os dias que se seguiram, Dravna começou a tomar conhecimento dos seus deveres enquanto Princesa da Lua Negra e de Dark Millennium, o principal Reino do Planeta.

Foi durante esse tempo que Dravna conheceu melhor o Palácio. Decidiu que, se queria ser uma boa Rainha, deveria conhecer o palácio onde estava a viver. Para isso precisava da ajuda de Orquédia já que esta conhecia melhor o Palácio. Não precisou de começar pela Sala do Trono nem pelo seu quarto ou a Sala de Visitas, porque já conhecia. Havia outras divisões do Palácio por explorar e eram essas que deviam ser mostradas.

No rés-do-chão, para além do corredor que dava para a Sala de Visitas, havia outro que dava para outra sala um pouco mais pequena, mas igualmente bela. Tinha um varandim com longas cortinas de veludo cinzento. No centro, havia, tal como na outra, um tapete, mas esta tinha apenas motivos geométricos. Nas paredes, estavam quadros dos retractos de Xamãs da Lua Negra.

De entre todos aqueles rostos, houve um que prendeu a atenção de Dravna: tratava-se de uma mulher, com o cabelo comprido preto, olhos pretos, boca e nariz finos. Usava um longo vestido cinzento e parecia sorrir para ela como se a pudesse ver.

Dravna perguntou:

- Quem é esta mulher do retracto?-

 Orquédia estava distraída e não se apercebeu da pergunta. Então, Dravna tocou-lhe ao de leve no ombro e ela deu um pequeno salto. Depois, apontou para o quadro como se estivesse a perguntar mentalmente.

Orquédia olhou para o quadro e depois para Dravna e respondeu com um ar sério:

- Essa era Ordélia. A Primeira Rainha da Lua Negra. Por outras palavras, era a sua mãe.-

Dravna ficou a olhar um momento para o quadro e as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Sem tirar os olhos do quadro, perguntou:

- Como é que ela era? Tu conheceste-a, não foi? Quer dizer, vocês devem ter andado juntas em Infinus. Conta-me, quero saber tudo sobre ela.-

Orquédia sentou-se numa cadeira ali perto e indicou outra ao lado para Dravna. Esta sentou-se e, então, Orquédia começou a falar:

- Sim, eu conheci-a. Era uma mulher corajosa e muito determinada. Mas nunca andei com ela em Infinus. Nem sequer fomos colegas.- Fez uma pausa e apontou para o outro retracto ao lado do de Ordélia. Este, mais pequeno, representava uma mulher de cabelo e olhos castanhos, boca e nariz finos. Usava um vestido cinzento. Dravna olhou para o retracto e depois para Orquédia que prossegiu respondendo à pergunta mental de Dravna:

- Esta era a sua Conselheira Real, Roxana. Ela andou com a sua mãe em Infinus. Mas infelizmente também se sacrificou para salvar a filha que é agora a sua Conselheira Real, Eliona.-

Dravna ficou comovida com aquelas palavras. Depois levantou-se e saiu da sal disposta a descobrir mais sobre a sua mãe e a mãe de Eliona.


Entretanto, na Lua Branca, Célia e Tarina também decidiram explorar o Palácio, já que só conheciam a Sala do Trono, das Visitas e os quartos de ambas.

Primeiro, foram conduzidas a uma sala ao aldo da Sala de Visitas, mas mais pequena. Tinha uma pequena varanda, um tapete com motivos floridos, uma pequena mesa e algumas cadeiras. As paredes estavam cobertas por quadros, quase todos retractos. Célia e Tarina passaram os olhos por todos até pararem num conjunto de retractos de vários tamanhos. O maior representava uma mulher com cabelo louro apanhado num toutiço, deixando cair duas madeixas, tinha os olhos azuis, boca e nariz finos e usava um vestido comprido branco. O outro ao lado, um pouco mais pequeno, representava uma rapariga de cabelo curto castanho-claro, olhos azuis, boca e nariz finos. Usava um vestido azul-claro. Ao lado deste, estava outro de mulher, mas com o cabelo comprido preto solto, olhos castanhos boca e nariz finos. Usava um vestido azul-escuro.

Gorélia, que estava a ver os quadros dos Xamãs da Lua, viu que as duas estavam diante daqueles e aproximou-se. Foi Célia quem perguntou sem tirar os olhos dos quadros:

- Quem são estas mulheres?-

Gorélia sentou-se numa cadeira ali perto e as raparigas seguiram-lhe o exemplo. Depois olhou para elas e respondeu:

- A mulher do quadro maior foi Silewe a Primeira Rainha da Lua Branca. A segunda era Selene, a sua filha mais velha. A terceira era Rosemary a sua Conselheira Real.-

Fez uma pausa e depois prosseguiu:

- Silewe era a sua mãe, Célia e Selene a sua irmã. Quanto à outra mulher, era a sua mãe, Tarina.-

As raparigas ficaram chocadas e maravilhadas ao mesmo tempo. Depois foi Tarina quem perguntou:

- O que lhes aconteceu?-

Gorélia levantou-se e foi até à varanda. Respondeu olhando o jardim:

- Nos primeiros tempos, houve uma grande batalha contra a Lua Negra. A Rainha e a sua filha lutaram corajosamente para a proteger, Célia, já que, na altura, era apenas um bebé. Também Rosemary lutou para proteger a sua filha Tarina. Mas a Lua Negra era muito forte e acabaram por se sacrificar. A Princesa Célia foi enviada para Manah logo após a batalha. Já Tarina foi criada por Xamãs até aos dez anos, altura em que foi para Manah- Fez nova pausa, durante a qual saiu da varanda e voltou a sentar-se junto das raparigas. Prosseguiu olhando para elas:

- A Princesa foi enviada logo para Manah a fim de ser protegida pela Sacerdotisa-Mor de Manah, pois Lua Branca já não era um lugar seguro. Já a Conselheira Real precisava de ser iniciada como tal para que fosse mais fácil de treinar quando tivesse dez anos. Por isso, não foi logo para Manah.- Respirou fundo e continuou:

- A Rainha quis que as duas fossem levadas para Manah, mas os Xamãs acharam que a Conselheira Real só deveria ir aos dez anos, por isso a minha mãe levou-a para nossa casa, Tarina, para que pudesse ser criada sem que a Lua Negra a detectasse, porque se soubessem que estavam as duas em Manah decerto que atacariam por isso foram criadas em separado. Nessa altura, eu já era uma Xamã-chefe e não estava a viver com a minha mãe nas montanhas. Soube, mais tarde, que tinha sido levada para lá e depois para Manah.- Fez uma pausa e prosseguiu logo de seguida:

- Eu sei que vocês vão dizer que não podíamos ignorar as ordens da Rainha, mas o Conselho Real decidiu antes de a Rainha ter ordenado que ambas saíssem. Sei, também, que a Rainha não estava presente porque estava consigo, Célia porque nesse dia tinha acabado de nascer. Ela ainda tentou refutar a decisão mas foi em vão. O Conselho já tinha decidido.-

Quando acabou, Célia e Tarina tinham lágrimas nos olhos. Levantaram-se, em silêncio, e saíram da sala.

Finalmente perceberam para que serviram os treinos, não só foram para serem Rainha e Conselheira Real mas também para proteger o Planeta da Lua Negra tal como as suas mães no passado.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
  

 

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- XV

Olá
Aqui fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
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XV

Entretanto, na Lua Branca, Célia e Afron passeavam pelo Campo Militar. Afron vestia apenas a camisa e as calças da farda já que estava muito calo para a usar completa.

- Lembras-te? Foi aqui que nos vimos pela primeira vez. Cheguei a odiar-te mas ao mesmo tempo não conseguia deixar de pensar em ti. Foi como se me tivesses enfeitiçado.- Recordou Célia.

Passeavam de mãos dadas à sombra das árvores que deixavam passar os raios de sol por entre as folhas, reflectindo os dourados e os prateados na relva fresca e macia. De vez em quando, Célia encostava a sua cabeça ao ombro largo e forte de Afron. Quando este se apercebia, ela levantava-a e corava um pouco.

Andaram um pouco mais até que se sentaram à beira do riacho onde tinham ficado no passeio anterior. A sombra era fresca e agradável e, de vez em quando, soprava uma brisa suave que acariciava os rostos do casal.


Na Lua Negra, Elion saíra do seu quarto para ir ao encontro de Dravna. Os quartos encontravam-se um em frente ao outro tal como na Lua Branca, pelo que Eliona apenas teve que dar alguns passos para chegar à porta do quarto de Dravna.

Estendeu a mão e bateu na madeira escura e lisa da porta. Do outro lado não obteve resposta. Bateu outra vez e de novo o silêncio. Um pouco preocupada, resolveu bater terceira vez. Como voltou a não obter resposta, resolveu chamar Orquédia.

Esta veio logo a correr:

- O que se passa?- Perguntou, ainda ofegante.

Ao que Eliona respondeu ainda meio aflita:

- Já bati três vezes mas ninguém responde! Começo a ficar preocupada! Normalmente, ela abre à primeira!-

Então, Orquédia bateu uma vez e chamou:

- Alteza, está tudo bem? Responda, por favor! Alteza!- Não obteve resposta. Quando foi bater segunda vez, ouviu-se um pequeno estrondo e depois um grito. Depois, novamente o silêncio. Apreensiva, Orquédia ia bater outra vez, mas a porta abriu-se e Dravna apareceu do outro lado com o ar mais calmo do mundo.

Ninguém ousou fazer perguntas. Dravna fez sinal para que só Eliona entrasse e a porta fechou-se.

Assim que se encontraram sozinhas, Eliona começou a bombardear Dravna com perguntas:

- O que se passou? Porque não abrias a porta? Que estrondo e que grito foi aquele? Aleijaste-te?-

Dravna conseguiu impedir Eliona de continuar, pois já estava a ficar sem fôlego com tantas perguntas:

- Acalma-te! Respira fundo!- Disse Dravna.

Eliona deu um longo suspiro e depois acalmou-se.

- Agora que estás mais calma podemos conversar.- Tronou Dravna.

Sentaram-se as duas na cama, uma ao lado da outra e Dravna começou a contar:

- Respondendo às tuas perguntas: não me aleijei, está tudo bem. Quanto ao que se passou para que não ter aberto logo a porta… isso já é mais complicado.-

Fez uma pausa. Eliona olhava para ela com espectativa. Dravna retomou o discurso um pouco hesitante:

- Bom… Aconteceu que eu e Zircónia passámos a noite juntos.-

Eliona arregalou os olhos com aquela notícia. Depois, meio surpresa, conseguiu articular algumas palavras:

- Como é que isso aconteceu? Vocês só se conhecem há dois dias! Como é possível que só um passeio tenha sido o suficiente! Eu bem reparei que vieram muito animados ontem, mas daí a passarem a noite juntos, parece-me um pouco demais! E depois, não era contra as Leis Mágicas dormir com o comprometido antes do casamento?-

As Leis Mágicas dizem que só se deve dormir com o comprometido depois de casar, oque ainda não era o caso de Dravna e Zircónia. E ainda para mais só se tinham conhecido há dois dias e por isso era cedo para travarem um conhecimento mais íntimo.

Dravna ficou atónica com o discurso de Eliona. Era suposto aconselhá-la e apoiá-la não dar-lhe sermões. Isso caberia a Orquédia e a Gorélia. Ainda hesitou durante uns momentos antes de começar a responder aquelas perguntas que mais pareciam de uma mãe do que propriamente de uma Conselheira Real e amiga. Mas respirou fundo e respondeu, corando as faces brancas:

- Bem sei que é contra as Leis Mágicas mas que querias? Percebi que estava realmente apaixonada por ele e não consegui resistir. E antes que comeces a criticar-me deixa-me dizer que ele foi muito gentil comigo. Quando percebeu que eu ainda não tinha experimentado as artes do amor, guiou-me pelos seus trilhos e foi tão intenso!-

As suas faces ficaram ainda mais vermelhas quando se recordou dos acontecimentos da noite anterior. Continuou:

- Quando bateste à porta, estávamos na varanda a tomar o pequeno-almoço. Eu pensei que fosse Orquédia e, como não queria que ela visse o Zircónia, comecei a pensar numa maneira de ele sair…-

Levantou-se e foi até à varanda aberta entrou, agarrou-se ao parapeito de ferro. Eliona foi ao seu encontro e ambas olharam para baixo. Depois, Dravna disse, sorrindo:

- …e foi por aqui que ele saiu! Chamou o cavalo lá de baixo e saltou-lhe para cima. Originado o estrondo que ouviste. O grito era eu a verificar que não se tinha magoado.-

Quando Dravna acabou, Eliona olhou para baixo e depois para cima vezes sem conta até que olhou para Dravna e as duas começaram aa rir-se ás gargalhadas com o irónico da situação.


Na Lua Branca, Célia e Afron voltaram ao Palácio vindos do seu segundo passeio de mãos dadas seguidos por Tarina.

Quando chegaram aos portões dos Jardins Reais, despediram-se com um beijo e Célia entrou seguida por Tarina. Ainda se detiveram um pouco junto ao portão para que o casal se despedisse mais uma vez e depois entraram no Palácio.
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- XIV

Olá
Aqui fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
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XIV

Dravna acordou no dia seguinte a sentir-se uma traidora por ter passado a noite com o General da Guarda Real, mas era uma traidora muito satisfeita. Sentou-se na cama e olhou para o lado, a comtemplar o belo corpo adormecido a seu lado. Era esbelto e musculado, com a pele branca como mármore, parecendo os músculos esculpidos. Estava deitado de barriga para baixo com a cabeça virada para o lado, encaixada na almofada de seda com um tufo de cabelo preto a cobrir-lhe o rosto. O lençol tapava-lhe apenas as pernas e a cintura deixando ver as costas nuas e musculadas.

As roupas do dia anterior estavam espalhadas pela cama e pelo quarto como se de uma festa se tivesse tratado. Fora uma noite inesquecível: cheia de beijos, abraços e carícias de prazer que se prolongaram até aquela manhã que, pela primeira vez, na Lua Negra, deixava ver os raios de sol por entre as nuvens como que a saudar o casal e o seu amor.

Completamente nua e com o cabelo a esvoaçar nas costas, Dravna levantou-se da cama e encaminhou-se para a casa de banho a fim de se banhar nas águas quentes e perfumadas do tanque. Mergulhou o corpo e só depois a cabeça, nadando um pouco como se de uma piscina se tratasse. A água era suave e quente, aconchegando-lhe o corpo.

Ao voltar para trás para se encostar á parede, deparou-se com uma superfície suave e quente que a abraçou delicadamente. Era Zircónia que acordara e, não dando pela presença de Dravna, se levantara para a procurar. Como não a encontrou no quarto foi até à casa de banho e encontrou-a a banhar-se no tanque qual ninfa das águas e decidiu surpreende-la com um abraço.

Dravna espreitou por entre os braços e viu a cara sorridente de Zircónia que a olhava fascinado como uma criança olha para uma montra no Natal. Beijaram-se. Foi um beijo longo e molhado, até Dravna lhe pedir que esfregasse as costas com a esponja. Os movimentos suaves da esponja eram tão relaxantes que quando Zircónia terminou, ela também lhe quis lavar as costas. Depois das massagens, voltaram a abraçar-se e entrelaçaram as mãos. Foi então que Dravna disse:

- Amo-te, sabias?-

Não foi precisa uma resposta de Zircónia para ter a certeza que o sentimento era mútuo.

….

Entretanto, na Lua Branca, Célia já se levantara, vestira um vestido de linho fino branco e saíra com Tarina decidida a falar com Afron sobre o que se tinha passado durante o passeio do dia anterior. Iria encontrá-lo no Campo de Treino Militar da Guarda Real.

Tarina ficou um pouco atrás de maneira a permitir que Célia falasse sozinha com Afron.

O sol brilhava em todo o seu esplendor. Estava um dia de Verão muito agradável e sereno. De vez em quando soprava uma brisa suave. Naquela manhã, os treinos militares tinham sido muito duros e todos se tinham ido refrescar no rio perto do Campo. Incluindo Afron. Por isso, quando as raparigas chegaram, tiveram de perguntar a um sentinela para onde tinha ido a Guarda Real pois não se via ninguém. O guarda disse-lhes que seguissem na direcção do rio e foi o que fizeram.

Quando lá chegaram, viram um grupo de homens, todos de tronco nu, à beira da água. Não puderam evitar ficar coradas perante aquele cenário tão vigoroso. Célia ainda demorou alguns minutos a descobrir Afron no meio do grupo. Mas, passado um tempo, lá conseguiu avistá-lo: estava ainda dentro de água pelo que só se via a cabeça molhada. Tinha o cabelo colado á nuca e Célia pôde ver-lhe o pescoço: era elegante e um pouco musculado.

Como estava de costas, não se apercebeu da presença de Célia e Tarina. Apenas quando um soldado lhe chamou a atenção. Então, rapidamente, Afron saiu da água e foi ao encontro de Célia. Quando se aproximou, Célia ficou vermelha como um tomate, pois era a primeira vez que via um homem de tronco nu de peto. Afron tinha um tronco fino e musculado, havendo algumas zonas onde os músculos se notavam mais, mas era perfeito. Célia estava tão atrapalhada que tapou a cara com as mãos e apenas conseguiu dizer:

- Por favor, veste qualquer coisa para podermos conversar. Não te deves apresentar a uma Princesa nesses preparos.-

Afron respondeu-lhe com um sorriso:

- Lamento, Princesa mas sou obrigado a desobedecer-te. É que está muito calor e a farda é muito pesada. Além disso, ainda estou molhado pois acabei de sair da água. Por isso, se não te importas, tira as mãos da cara e diz o que tens a dizer.-

Célia destapou a cara muito timidamente e depois começou a falar ainda meio atrapalhada:

- Vim para te pedir desculpa pelo beijo que te dei ontem no nosso passeio. Foi sem querer, mas é que quando escorreguei não consegui evitar e quando dei por mim já tinha acontecido. Peço desculpa.-

Afron riu-se e disse:

- Era só isso? E eu a pensar que me vinhas convidar para outro passeio! Afinal foi para pedir desculpa por causa de um beijo! Imaginem! Um beijo!-

Voltou a rir-se. Célia corou e gritou meio irritada:

- Não te rias! O assunto é sério! Não sei o que fazer! Estou confusa! Preciso de espaço e de tempo para pensar no que devo fazer! Por favor pára de rir!-

Então, Afron ficou sério. Os seus olhos brilhavam à luz do sol, bem como os de Célia. Viraram-se um para o outro e Afron disse com uma voz suave:

- Só há uma maneira de remediar as coisas.-

Pegou delicadamente no rosto de Célia com as duas mãos e beijou-a nos lábios. Depois largaram-se e sorriram. Abraçaram-se e Célia pôde sentir o calor do corpo de Afron. Depois, beijaram-se outra vez. Largaram-se novamente e Célia disse, abraçando-se com força a Afron:

- Agora estamos quites.-


Entretanto, na Lua Negra, o ambiente entre Dravna e Zircónia era igualmente romântico. Já tinham saído do banho e vestido. Tomavam o pequeno-almoço na varanda do quarto de Dravna para aproveitarem o sol que espreitava por entre as nuvens.

- Então como é que te sentes depois destes momentos tão intensos?- Perguntou Dravna ao seu amado enquanto saboreava uma colherada de iogurte.

Estavam os dois sentados em frente a uma mesa de ferro com cadeiras a condizer. A mesa estava cheia de comida e bebida: desde sumos a fruta passando pelos bolos e pelos biscoitos entre outras coisas.

Dravna escolhera um iogurte de fruta enquanto Zircónia bebia uma chávena de café. Respondeu a Dravna com um longo sorriso e seguir a um gole de café:

- Nunca me senti tão feliz em toda a minha vida. Não imaginava que nos fôssemos entender logo depois de nos conhecermos. Não pensei que fosses tão fugaz!-

Dravna riu-se. Levantou-se, foi até ao lugar de Zircónia, puxou a cadeira dele um pouco para trás, sentou-se no seu colo e sussurrou-lhe ao ouvido:

- Eu também estou muito feliz! E confesso que também não sabia que era assim tão ‘directa’. Acho que se pode dizer que tiveste muita sorte.-

E, dito isto, agarrou no rosto de Zircónia e beijou-o nos seus lábios finos. 
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana