Aqui fica o capítulo da semana.
Espero que gostem.
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XVII
Célia saiu a correr do Palácio. Tinha de contar a
Afron o que descobriu. Até a sua Mestra Kirinah sabia de toda a história. Pois,
antes de sair, ouvira uma conversa dela com Gorélia. Não só sabia como tinha
guardado segredo durante todos aqueles anos! Por isso as respostas às perguntas
que fazia sobre a Lua Branca eram tão vagas.
Só Célia tivera coragem de sair. Tarina estava
demasiado confusa para sair do quarto. Queria estar longe do Palácio durante o
máximo de tempo possível para poder arrumar as ideias. Com as lágrimas a
misturarem-se com o suor devido à corrida mas também ao calor, correu como
nunca correra na vida. Nem sequer quando corria em Manah com Tarina nos
intervalos dos treinos se sentira tão cansada.
Percorreu todo o campo sem parar até chegar aos
campos de treino militar. Também não parou junto aos portões, abrindo-os com
ambas as mãos e entrando como um furacão, deixando a sentinela tonta.
Atravessou o campo de treino e dirigiu-se ao Edifício da Guarda Real. As
sentinelas tentaram impedi-la de entrar, dizendo que ali só podiam entrar
membros da Guarda real e mais ninguém, mesmo pertencente á Família Real.
Mas em vão, Célia empurrou-os como se fossem bonecos
e entrou. Atravessou os corredores até ir dar a uma porta. Do outro lado, uma
reunião militar ocorria e Célia pôde ouvir a voz de Afron. Sem meias medidas,
empurrou a porta e entrou na sala, onde estavam sentados militares da Guarda a
uma mesa com mapas holográficos e outros instrumentos de estratégia militar. No
topo da mesa, a presidir a reunião, estava Afron com o seu uniforme de Guarda,
que se levantou. Célia avançou como se a sala estivesse vazia e só parou quando
abraçou Afron com toda a força ocultando a cara no seu peito, ainda a chorar.
Afron ficou surpreendido mas abraçou-a também com força. Entretanto, as
sentinelas estavam à porta e um deles apenas disse:
- Nós tentámos impedi-la, senhor. Mas foi impossível.
Ela forçou a entrada e nada podermos fazer.-
Afron ia dizer que estava tudo bem e que tratava do
assunto, mas Célia levantou a cabeça e beijou-o. Afron, ainda mais atrapalhado,
fez sinal para que todos se retirassem dando a reunião por terminada.
Já sozinho e com Célia mais calma, Afron pôde então
perguntar:
- Estás maluca? Não podias ter esperado até ao fim
da reunião? Eu sei que estivemos muito tempo separados e que deves ter ficado
com saudades, mas não era preciso fazer este escarcéu todo! O que é que te deu
para fazeres isto? E porque estavas a chorar? O que aconteceu?-
Célia limpou as lágrimas e respondeu ainda com a voz
ofegante:
- Descobri algo sobre mim e a minha família que não
me agradou. E como não podia contar com mais ninguém, vim ter contigo. Eu não
te queria envergonhar, peço desculpa, mas é que não aguentava mais. Precisava
de falar com alguém. De preferência fora do Palácio.-
Afron fez uma expressão interrogativa. Célia
endireitou-se na cadeira, tinham-se sentado para ela recuperar o fôlego depois
daquela corrida, olhou-o nos olhos e contou-lhe que tinha visto os quadros da
sua mãe, a Rainha anterior e da sua filha mais velha e também da Primeira
Conselheira Real. Depois, contou-lhe a história que Gorélia lhe contara. Quando
acabou, Afron fez uma cara de espanto mas, ao mesmo tempo, de admiração, pois
fora precisa muita coragem para contar a verdade ao fim destes anos, pois tal
como Célia, também era a primeira vez que ouvia uma história daquelas.
- Compreendes agora porque não posso desabafar com
mais ninguém?- Disse Célia depois de lhe ter contado.
Afron perguntou:
- E agora, o que vais fazer? Já pensaste se queres
continuar a ser Rainha ou vais deixar o trono?-
Célia levantou-se e foi para a varanda da sala.
Encostou as mãos ao peito e respondeu:
- Vou a Manah procurar o documento que a minha mãe
redigiu para mudar as Leis mágicas e vou concretizar o que ele diz. Depois, vou
criar um Exército próprio para nos defendermos da Lua Negra. Um que seja mais
forte que a Guarda Real. Vou arranjar aliadas por esse Universo fora.-
Fez uma pausa e virou-se para Afron que estava junto
à porta da varanda de pé. Continuou:
- Mas para conseguir tudo isto preciso da tua ajuda
e de Tarina. E para ter a tua ajuda preciso de estar casada. Por isso, quando
tiver feito um ano de estadia aui, casamos e eu vou a Manah já como Rainha.-
Afron aproximou-se dela e abraçaram-se. Depois, ele
disse:
- É melhor voltares. Está a ficar tarde e devem
estar preocupados contigo. Eu acompanho-te.-
Célia consentiu e saíram da sala e do Campo Militar
para o Palácio da Lua. Quando lá chegaram, no cavalo de Afron, Gorélia estava á
porta juntamente com Tarina, com um ar preocupado:
- Princesa! Onde esteve? Saiu daqui desenfreada! Sem
dizer nada a ninguém! Já estava a pensar que lhe tinha acontecido alguma
coisa!- Exclamou Gorélia.
Célia e Afron entraram no Palácio sem dizer uma
palavra e subiram para o quarto. Gorélia tentou ainda intervir, mas Célia
cortou-lhe a palavra:
- O Afron fica esta noite comigo. Por favor, manda
servir qualquer coisa para comer no quarto. Depois, não nos incomodem mais.- E
subiram as escadas.
Quando chegaram, entraram e Célia trancou a porta
para que ninguém os incomodasse. A mesa na varanda já estava posta com fruta,
sumos e alguns biscoitos. Comeram silenciosamente. Depois, sem dizerem uma única
palavra, levantaram-se e entregaram-se aos prazeres do amor.
…
Entretanto, na Lua Negra, Dravna vasculhava no
Arquivo real informações sobre a sua família. E descobriu coisas bastante
interessantes, entre elas que existia um planeta chamado Lua Branca de quem a
Lua Negra era rival. Mas o que mais a chocou foi o verdadeiro objectivo dos
treinos em Infinus: proteger a Lua Negra e atacar a Lua Branca pra vingar os
sacrifícios da sua mãe e Conselheira Real. Esse foi apenas o primeiro porque o
segundo era ainda mais duro: todas as decisões em relação a casamentos e
governo passaram apenas pelo Conselho Real e não podiam se refutados pela
Rainha que apenas servia de escudo de interesses do Conselho.
Irritada, resolveu contar a Eliona o que tinha
descoberto. Foi quando soube da história desta: ao conta-lhe que tivera de ir
para casa dos pais de Orquédia enquanto Dravna foi para Infinus depois de ter
sido iniciada como Conselheira Real, foi então que ter com a Princesa.
Dravna ficou furiosa com todas aquelas revelações e
declarou:
- Eliona, temos de mudar as Leis Mágicas. Não
podemos continuar a ser usadas pelo Conselho Real. Mas, para isso precisamos de
ir a Infinus e procurar o documentos que a minha mãe redigiu e para ter acesso
a ele, preciso de ser Rainha e para o ser preciso de casar. Portanto, quando
fizer um ano de estadia, caso e vou a Infinus.-
Fez uma pausa. Estavam as duas sentadas na varanda
do quarto de Dravna e tinham os papéis espalhados pela mesa. Dravna levantou-se
e foi para o pé da varanda. Continuou:
- Vou criar um exército próprio que seja mais forte
que a Guarda Real e que nos possa ajudar a derrotar a Lua Branca.-
E, dito isto, saiu da varanda abriu a porta e disse:
- Vamos! Temos muito que fazer! A primeira coisa é
activar a Sala de Reuniões Reais.-
E saíram do quarto.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Para a semana, virá mais cedo e será o último da primeira parte.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana