Depois de umas quantas faltas de inspiração e alguns retoques de última hora, eis que finalmente chega o segundo capítulo da minha fic.
Espero que gostem.
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II
O dia-a-dia no Palácio era sempre o mesmo: de manhã,
as Princesas tinham aulas onde lhes eram ensinadas todas as técnicas de magia
básica. Depois, á tarde, tinham treinos associados às lições dadas durante a
manhã. Estas aulas eram dirigidas pelas Sacerdotisas-Mor de cada Ordem Sagrada.
A seguir ás aulas, as Princesas recebiam ainda aulas
de etiqueta e boas maneiras de modo a começarem a aprender como ser uma boa
governante.
Mas como todas as crianças, as Princesas da Lua
Negra detestavam estas aulas porque achavam que era uma ‘perda de tempo’, pois
se estavam no Palácio porque não podiam aprender com a mãe? Zaronda, a
Sacerdotisa-Mor de Infinus, explicava sempre pacientemente que os pais passavam
grande parte do tempo a tratar de assuntos do Reino e raramente tinham tempo
para estar com a família, daí que tinham de aprender com ela.
Enquanto as filhas estavam nos Templos, Nehelenia
aproveitava para tratar de assuntos mais urgentes do Reino e o resto do tempo
para aperfeiçoar uns feitiços, escrevê-los e mandá-los para a Biblioteca de
Infinus.
A Rainha Serena aproveitava para tratar das questões
governativas com Ondine. Por vezes, ia visitar o marido ao Quartel da Guarda
Real onde Soron se encontrava a orientar as tropas e passeavam pelo jardim.
Eram um par muito apaixonado. Talvez um dos mais apaixonados de que havia
memória na Lua Branca. Sempre sorridente e de mãos dadas, o Casal Real era
feliz.
Sempre depois das aulas, as Princesas esperavam as
suas mães nos hangares dos Templos para voltarem para casa.
Todos os dias, as mães iam buscar as filhas aos
Templos e todos os dias treinavam com elas um pouco das suas técnicas nos
jardins dos Palácios.
E assim foram passando os dias até que numa bela
manhã de Primavera, na Lua Branca, a Rainha Serena e o Rei Soron chamaram a sua
filha para a Sala do Trono pois tinham algo a comunicar-lhe. Era raro irem para
a Sala do Trono conversar a menos que o assunto fosse sério ou de Ordem Real
como parecia ser o caso. Serenity entrou no salão iluminado pela luz do sol que
entrava pelas enormes janelas laterais. Aproximou-se do estrado onde estavam os
tronos dos pais. Fez uma vénia e perguntou:
- A que se deve tudo isto?-
Serena sorriu e respondeu:
- Minha querida filha, amanhã vamos receber a
Família Real de Exekalor.- Fez uma pausa e continuou: - Vêm acertar os
pormenores da Aliança e trazem os filhos para poderem brincar.-
Serenity ficou tão feliz por voltar a ver Endimyon
que esqueceu as formalidades e correu a abraçar a mãe. Serena retribuiu. A
filha segredou-lhe ao ouvido: «Obrigada.»
Durante o resto do dia, Serenity andou a preparar-se
para receber o amigo. Apanhou um ramo de flores do jardim para lhe oferecer,
arrumou o quarto e preparou o seu melhor vestido para o receber.
Na manhã seguinte, Serenity acordou cedo. Estava
animada por voltar a ver Endimyon. Levantou-se devagar e abriu a porta do
quarto sem fazer barulho. Espreitou para o lado de fora. O corredor de acesso
aos outros quartos estava deserto e escuro. Fez-lhe um pouco de medo, mas se
queria encontrar Lunis tinha de o atravessar. Respirou fundo e saiu do quarto.
O chão frio de mármore do Palácio fazia-lhe gelar os pés, mas continuou até á
última porta no fundo do corredor. Era o quarto de Lunis. Bateu ao de leve na
porta e chamou-a baixinho. Lunis veio abrir meio ensonada.
- O que queres? Ainda é muito cedo.- Protestou entre
bocejos.
Serenity respondeu:
- Quero ver o Endimyon, mas não consigo esperar que
amanheça.-
Lunis olhou-a com uma expressão ensonada e surpresa.
Antes de fechar a porta e voltar para a cama, disse:
- É mesmo melhor esperares que amanheça. A esta hora
ele deve estar a dormir.- Acrescentou: - Tu devias fazer o mesmo.- Fechou a
porta.
Serenity ficou chateada e voltou para o quarto.
Fechou a porta e deitou-se na cama. Passado pouco tempo, estava a dormir.
…
Entretanto, na Lua Negra, as Princesas despertavam
para mais um dia de aulas e treinos em Infinus. Naquela manhã, Icy estava
particularmente bem-disposta já que o primeiro dia não tinha corrido nada mal.
As irmãs Darcy e Stormy também se mostravam bastante animadas embora um pouco
mais discretas. Apesar de serem gémeas, as três tinham personalidades muito
diferentes. Icy gostava de exteriorizar as emoções, fossem elas boas ou más,
Darcy era tímida e gostava de ambientes mais calmos, já Stormy tinha uma
personalidade parecida com a de Icy embora não fosse tão rebelde. Como eram
três irmãs, não precisavam de Conselheira Real pelo que se ajudavam mutuamente.
Depois de se arranjarem, foram ter com a mãe á sala
refeições para tomarem o pequeno-almoço todos juntos. A Rainha Nehelenia já
estava sentada á espera das filhas. Sorriu quando as viu. Sentaram-se nos seus
lugares e saborearam o delicioso manjar que tinham á sua frente. Depois
seguiram para o hangar da Lua Negra a fim de apanharem uma nave de recreio que
as levou para Infinus.
…
Quando os soberanos de Exekalor chegaram, mais á
tarde, numa grande e imponente nave, foram recebidos com grande pompa e
circunstância.
O Rei Atlas estava vestido com um fato azul-escuro,
uma espada á cintura, sapatos pretos e uma capa grande e preta. Trazia, ainda,
a sua coroa na cabeça com o símbolo do planeta.
A Rainha Tellus trazia um longo vestido de cetim
azul-claro com um grande laço atrás e uma tiara com o mesmo símbolo que a coroa
do marido. Trazia o cabelo apanhado num toutiço.
O Príncipe Endimyon trazia uma roupa parecida com a
do pai, mas mais pequena e não trazia espada apenas um cinto prateado. Tinha,
tal como o pai, cabelo preto e olhos castanhos como os da mãe. Com ele, vinha
uma rapariga, também de cabelo preto, mas com os olhos claros como os do Rei.
Tinha o cabelo apanhado uma trança e vestia um vestido parecido com o da Rainha
mas mais escuro. Era a Princesa Amber, a irmã mais nova de Endimyon.
Nesse dia, toda a Cidade da Lua se preparara para a
chegada da Família Real de Exekalor: as ruas estavam enfeitadas com grinaldas
de flores e as casas tinham cristais coloridos. No Palácio da Lua, as fontes do
jardim Real tinham sido ligadas e jorravam água para um canal comprido. O
jardim tinha sido aparado e tinham plantado flores novas.
Para comemorar a Aliança, os soberanos da Lua Branca
organizaram um baile em que convidaram todos os membros. Mas antes de começarem
as celebrações, os soberanos de cada planeta foram encontrar-se na Sala de
Visitas, uma sala ampla, mas mais pequena que a Sala do Trono, tinha uma grande
mesa com tampo de jade onde era servido o chá. Havia vários quadros espalhados
pela sala. Eram quadros das anteriores Famílias Reais da Lua. Uma grande e
comprida janela, com varanda e, no chão de madeira, um enorme tapete com
motivos geométricos e floridos.
Enquanto os pais conversavam, os filhos aproveitavam
para se reencontrarem no caso de Endimyon e Serenity e para se conhecerem no
caso de Amber. Estavam sentados em frente uns aos outros. Serenity segurava um bouquet de flores brancas que apanhara
no jardim. Endimyon a sua bola colorida. Amber olhava timidamente para Serenity
enquanto segurava o braço do irmão. O Silêncio era constrangedor. De repente, é
quebrado por Serenity:
- É muito bom ver-te outra vez, Endimyon.- Olhou
para Amber. – E também de te conhecer, Amber.-
A rapariga corou antes de responder:
- Também é um prazer conhecer-te.-
Depois, novamente o silêncio. Ainda que só as
crianças estivessem caladas, pois ouviam-se as gargalhadas dos Reis e os
risinhos das Rainhas atrás deles.
De forma a evitar mais constrangimentos, Serenity
levantou-se, pousou as flores na cadeira e foi até ao quarto. Veio de lá pouco
depois com o seu brinquedo favorito, o mesmo que mostrara a Endimyon em Manah:
o Luna-P. Bateu com ele novamente no chão e este voltou a transformar-se numa
bola. Atirou-a a Amber que a apanhou com ambas mãos por instinto. Levantou-se
também e pôs-se em frente de Serenity. Sorriu timidamente. Atirou-lhe a bola de
volta. Endimyon não conseguiu ficar só a assistir e juntou-se á brincadeira
deixando a sua bola em cima da cadeira. Os três brincavam alegremente. Os risos
atraíram Lunis que estava com a mãe a tratar dos preparativos para a festa
daquela noite. Juntou-se ao grupo e brincaram todos juntos até á hora do baile.
Á hora do baile, todo o Palácio estava apinhado de
gente: desde criados que corriam de um lado para o outro a levar e a trazer
bebidas e aperitivos, até aos convidados que iam chegando á Sala do Trono onde
se realizava a festa.
Nessa noite, as Famílias estavam muito bem vestidas.
As Rainhas traziam vestidos compridos de pregas; os Reis os seus fatos de
cerimónia.
Quando os filhos desceram as escadas, todos ficaram
em silêncio. A Princesa Serenity vestia um longo vestido branco com bolas
amarelas á frente e pérolas brancas por baixo do peito. Trazia, ainda, um
penteado igual ao da mãe mas as madeixas ainda eram curtas. Tinha também pérolas
no cabelo. O Príncipe Endimyon trazia um fato de calça e casaco preto de cetim
com uma camisa branca e um laço preto. A terminar, uma capa preta com forro
vermelho. Os sapatos eram pretos. A Princesa Amber desceu logo a seguir. Trazia
um vestido comprido branco com uma capa branca. O cabelo estava solto e tinha
um laço branco atrás.
Assim que acabaram de descer as escadas, começou a
valsa. Endimyon pegou na mão de Serenity e levou-a para o centro do Salão.
Amber foi para o pé dos pais assistir. Era encantadora a forma como dançavam: a
graciosidade dos movimentos, apesar de serem crianças, dançavam melhor que os
adultos. No final da dança, fizeram uma vénia e foram para a varanda da sala.
Ficaram a olhar-se durante um bocado até que o Príncipe disse, timidamente:
- Danças muito bem, Princesa.-
Serenity corou ligeiramente antes de responder:
- Obrigada.-
Depois, muito timidamente, tirou do bolso do vestido
as flores que apanhara e deu-as a Endimyon. Este ficou muito sensibilizado com
o gesto e, em troca, deu-lhe a sua bola colorida. A seguir a esta pequena troca
de presentes e depois de respirarem um pouco de ar fresco, voltaram para dentro
da sala e continuaram a dançar pela noite dentro. Desta vez, Amber também se
lhes juntou.
Passaram vários dias desde o encontro entre Serenity
e Endimyon. Apesar de só se terem visto duas vezes parecia que já se conheciam
há mais tempo. A amizade entre eles era profunda. De vez em quando, iam
visitá-la a Manah e treinavam juntos. Amber também se revelara uma boa companheira
de treinos e brincadeiras. O seu ar vivaz complementava o de Serenity e os seus
poderes desenvolviam-se ao mesmo tempo.
Serena e Tellus assistiam a tudo sentadas no
alpendre. Estava um belo dia de sol. As mães tinham vindo assistir ao treino
dos filhos e aproveitavam para conversar sobre a Aliança.
…
Entretanto, na Lua Negra, a tensão aumentava. A
Rainha Nehelenia estava furiosa porque a Aliança da Lua Branca estava cada vez
mais forte, sobretudo com o Planeta Exekalor.
Havia que reforçar a Aliança Negra ou estava tudo
perdido. «Uma guerra nesta altura seria
demasiado.» Pensou. As filhas brincavam no jardim enquanto a mãe as via da
varanda do Palácio. Nesse momento, o Rei Norion aproximou-se. Sentou-se ao pé
da mulher e sorriu. Nehelenia corou ligeiramente. Quando a situação era
difícil, gostava de ouvir os conselhos do marido. Olhou para as filhas antes de
falar:
- Eu sei que a situação é complicada, mas vais
conseguir dar a volta.- Começou Norion.
Nehelenia sorriu. Respondeu:
- Obrigada, é sempre bom poder contar contigo.-
Levantou-se, foi até ao lugar do marido e beijou-o.
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Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana