Olá
Eis o último capítulo da história.
Espero que gostem.
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XVII
Uma luz prateada e outra azul emaram dos corpos de
Songoku e Vegeta. Os seus novos poderes concentrados estavam prestes a
despertar. Pela primeira vez, desde que começaram a treinar artes marciais, não
precisaram de gritar para libertar o poder. Ela fluiu de forma natural pelos
seus corpos até atingir o seu ponto máximo. Enquanto os cabelos de Vegeta se
tingiam de azul brilhante, os de Songoku tinham uma tez prateada. O olhar era
sério, determinado. Todos estavam expectantes para ver como iam usar esta nova
técnica.
Avançaram quase ao mesmo tempo sobre Surya que se
desviou por muito pouco. Encostou-se atrás de umas rochas e ficou á espreita.
Songoku e Vegeta deambulavam pelo campo de batalha como se estivessem a
passear. Os seus corpos e mentes estavam ligados á natureza, por isso seria
fácil detectarem Surya. Mas não foi preciso porque esta surgiu por trás de
Songoku que lhe acertou com um golpe de punho, deixando-a imobilizada. Vegeta
apareceu pouco depois para lhe dar apoio.
Apesar de estarem em desvantagem, a Equipa Omega
parecia não estar preocupada e isso inquietava Julie. Essa parte não tinha
previsto.
- Não te preocupes.- Tranquilizou-a Whis.- Tenho a
certeza que eles vão encontrar uma solução.- Sorriu e acrescentou: - Afinal,
são o Songoku e o Vegeta.-
Julie pareceu mais tranquila, mas, lá no fundo, a
apreensão continuava. Uniu as mãos no peito como vira uma vez a sua avó fazer
quando a sua mãe foi para a Lua Branca lutar. Naquela altura, era muito pequena
para entender o significado daquele gesto. Agora, conseguia compreender. Era de
esperança mas ao mesmo tempo de algum conforto. Sentiu uma mão no seu ombro.
Olhou e viu Bills comum meio sorriso como se lhe dissesse: «Vai tudo correr
bem.» Ela desviou o olhar e concentrou-se o campo de batalha.
…
A batalha durava há alguns dias e toda a aérea
abrangida pela barreira estava parcialmente destruída. Nenhum dos lados queria
ceder e o combate parecia interminável. Apesar de estarem habituados a combates
longos, Songoku e Vegeta já mostravam sinais de desgaste. As suas técnicas eram
potentes, mas gastavam muita energia e mal tinham tempo de recarregar. Surya,
pelo contrário, parecia que nunca se cansava. Deviam ser os efeitos de ser
parte mecânica, um pouco como Lápis e Lazuli.
«Só mais um pouco» Pensava Julie. «Aguentem só mais
uns instantes e o Universo estará salvo».
O General, que até então tinha estado calado, sorriu
e disse:
- Surya, podes iniciar o ataque.-
Surya olhou para ela como se estivesse a perguntar
se tinha a certeza do que queria fazer. Ele acenou afirmativamente com a
cabeça. Então, a rapariga começou a concentrar toda a energia que possuía num
só ponto, quase como no Treino dos Quatro Elementos, mas em vez de a concentrar
mentalmente esta era visível. A gigantesca bola de energia foi crescendo até
ocupar toda a área de barreira que começou a ceder. Songoku e Vegeta
aproximaram-se devagar, mas a energia era tanta que começou a absorver a sua,
fazendo com que eles cambaleassem acabando por cair de joelhos.
Nesse momento, Julie tentava por todos os meios sair
da bancada para os ajudar, mas Whis impedi-a. «Tu és a única que nos garante a
sobrevivência se algo acontecer, porque só tu controlas as Bolas de Cristal.»
Ela olhou para ela e depois para o pendente. Se para salvar toda a gente tinha
se abdicar das Bolas de Cristal, então não havia outra solução. Largou a mão de
Whis e atirou-se da bancada. Antes de ir, sorriu. As lágrimas corriam-lhe pela
cara á medida que se aproximava do chão.
Quando aterrou, tirou o pendente do pescoço e, entre
soluços, disse, pousando o pendente no chão:
- Eu rendo-me e entrego-vos todo o meu poder, mas
por favor não magoes a minha família!-
Surya, ao ver aquele gesto, começou também a chorar,
pois as suas memórias estavam a voltar. O sacrifício do pai para a proteger, o
acidente, a manipulação do General, tudo. Começou a redireccionar a energia,
quase por instinto, para a bancada da Equipa Omega, mas esta começou a
descontrolar-se e espelhou-se por toda a área.
A barreira já estava quase desfeita, quando Julie
abriu os braços e formou uma mais pequena á volta dela, de Songoku, Vegeta e
Surya. Songoku olhou-a e perguntou:
- O que estás a fazer? Deixa-nos tratar disto!-
Ela, de lágrimas nos olhos e sorriso, respondeu:
- Isto é tudo o que posso fazer por vocês agora. Não
te preocupes, vai tudo correr bem.- Continuou, olhando para o irmão: - Songoku,
foi um prazer conhecer-te…Nunca deixes de ser assim… Mas, peço-te, passa mais
tempo com tua família…Eles são o que tens de mais precioso…O treino é
importante, mas a família é mais…-
Depois, olhou para o resto do grupo:
- Kika…Continua a ser a grande mulher e mãe que tens
sido…Eles precisam de ti…Bulma… tens uma família maravilhosa…Cuida deles sempre
como até aqui…Quanto ao resto…Tenshin…Trata bem da Launch…Ela precisa de
ti…Tenho a certeza que vão ser muito felizes…-
As lágrimas não paravam de correr pela sua cara á
medida que o seu corpo era absorvido pela energia. Terminou o discurso antes de
ser engolida:
- Por fim…Gostava de vos pedir que tomem conta da
Surya…E, querido irmão, preciso que fiques com o pendente…As Bolas de Cristal
estão seladas lá e…quero que cuidem bem delas…-
Depois, a energia envolveu o seu corpo e Julie
desapareceu dentro dela. Todos ficaram em choque.
…
Julie…
Uma
voz ecoava no vazio. Julie, o que estás a
fazer? Abriu os olhos devagar. Estava num espaço branco e brilhante. A
silhueta da mãe surgiu á sua frente. Mãe…murmurou.
Sim, sou eu, minha querida. Julie
sorriu. Lunis aproximou-se. Mãe, queria
tanto ver-te! Murmurou Julie. Há
tanta coisa que te quero contar. Lunis sorriu antes de falar: Eu sei de tudo o que passaste, estive sempre
a ver-te. Acrescentou: Por isso é que
quero que voltes para junto deles, ainda não estás pronta para te sacrificares.
Além disso, o que diriam a Mestra e a tua avó? Elas não iam aguentar perder-te!
Vai, a tua família e os teus amigos esperam por ti!
Nesse momento, o espaço começou a brilhar e uma luz
prateada envolveu Julie e levou-a para fora dali. A luz materializou-se no
irmão que a carregou ao colo com algumas lágrimas nos olhos. Ela abriu os
olhos. Ele sorriu e ela retribuiu. O combate tinha terminado e o Universo
estava a salvo.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Para a semana, será o epílogo.
Bjs
Joana