Olá
Há já algum tempo que não vinha aqui. Tenho estado a preparar uma nova história para publicar, mas enquanto esperam, fiquem com mais um texto da série dos 'excluídos'.
Espero que gostem.
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Lucille
«Ridículo.»
Pensou a mulher, pousando o jornal em cima das pernas. «Desde quando é que dançar é uma forma de provocar? A dança é uma arte,
toda a gente sabe isso.»
Estava sentada em cima de uma cama vestida com uma
camisa de noite provocante. O quarto era estilo anos 20, com toques de veludo,
uma cama larga, uma janela com cortinas grossas, mas com uma fisga de luz entre
elas. Perto da cama, uma mesa-de-cabeceira com um copo de água para humedecer a
garganta durante a noite e um pequeno candeeiro cheio de arrebiques. Mesmo em
frente á cama, um armário de roupa.
Lucille, a mulher, tinha o cabelo preto num
desalinho, como era habitual depois de acordar. «Se uma mulher acordasse com o
cabelo impecável era sinal que não tinha passado bem a noite ou que o penteado
era mais importante que o travesseiro» Costumava dizer. A cara era redonda, já
com alguns sinais de idade, apesar de ainda se considerar muito jovem. Os olhos
eram escuros e pouco expressivos. Outra consequência da guerra e da idade.
Apesar disso, ainda conseguia sorrir. Era dona de um
dos mais elegantes cabarets de Paris, frequentado por pessoas ilustres do mundo
da política mas também das artes. Tinha acabado mais uma noitada, cheia de
música, bebida e mulheres sensuais. Acordara e abrira o jornal que lhe trouxera
a sua assistente Angeline juntamente com o pequeno-almoço numa bandeja como era
seu hábito todas as manhãs. Angeline trabalhava para ela havia mais de 20 anos.
Desde que viera para Paris ainda era uma jovem sonhadora. A idade tornara-as
amigas e uma sabia tudo sobre a outra. Desde os hábitos do dia-a-dia até aos
segredos mais íntimos.
No jornal daquele dia, para além das notícias que
eram sempre «mais do mesmo», vinha
uma crítica ao espectáculo que apresentara na noite anterior.
Nesse momento, bateram á porta e Angeline entrou depois
de Lucille dizer «entre» secamente. Vinha recolher a bandeja do pequeno-almoço.
- Bom dia.- Cumprimentou a mulher de vestido simples
e cabelo grisalho apanhado num toutiço. Os olhos eram claros e bondosos.
Lucille sorriu enquanto pousava o jornal no meio das
pernas.
- Bom dia, querida Angeline.-
Já se tinham cumprimentado, mas gostavam de o
repetir para terem a certeza que o dia ia correr mesmo bem. Angeline
aproximou-se um pouco e espreitou o jornal meio amachucado entre os lençóis e
perguntou:
- Então, as notícias não são boas? O crítico não
gostou do espectáculo?-
Lucille olhou para o jornal com um ar indiferente.
Respondeu:
- É sempre a mesma coisa! Estes críticos não sabem
apreciar a arte!-
Angeline soltou uma risadinha e saiu do quarto
levando a bandeja.
Lucille ainda ficou mais um pouco na cama com sua
cigarrilha. Depois, fartou-se e resolveu levantar-se e arranjar-se. Naquele
dia, ia receber alguém especial e tinha de estar á altura.
Há muito tempo, Lucille vivia no sul de França com a
família. Os pais e os avós, todos numa casa de campo. Era simples, mas
acolhedora. Nessa altura, o quadro do campo de morangos era a janela do quarto.
E como eram doces os morangos! Sabia tão bem comê-los ali mesmo, ao pé da
planta debaixo do sol quente do Verão na companhia da avó que os sabia arranjar
de maneira muito especial.
Aquela lembrança veio-lhe enquanto se arranjava.
Sentada no tocador do quarto em frente ao espelho, qual diva de Hollywood! Á
sua frente, em da mesa, a sua maquilhagem e acessórios. Escovas, pentes,
ganchos e outros. Deu um toque nos olhos, depois de se pentear e outro nos
lábios para os realçar. Costumava maquilhar-se todas as noites antes de cada
espectáculo, mas aquela era uma ocasião que também pedia algum glamour. Desde que viera para Paris,
logo depois da Guerra ou pouco tempo depois, não se lembrava bem, que tinha
alguém. Um homem que a ajudara muito no início do negócio. Com dinheiro entre
outras coisas. Envolveram-se algumas vezes, sim, mas nada de importante. Nada
que impusesse um compromisso mais sério. Ainda assim, não deixava de ser alguém
por quem nutria um carinho, uma admiração. Mesmo passados todos aqueles anos
ainda sentia que devia estar apresentável.
Terminou de se arranjar e desceu as escadas na
direcção da sala do bar agora vazia. A casa era dividida em dois. No andar de
baixo, funcionava o bar e as festas e no andar de cima eram os quartos, a zona
mais privada resguardada de olhares indiscretos. Lembrava-se bem de como a
encontrara pela primeira vez. Fora há mais de 20 anos. Estava a cair aos
bocados, nada parecida com a casa que lhe disseram que havia na zona comercial.
Nesse dia, conheceu o seu proprietário, ou responsável por cuidar dela. «Foi
uma sorte não ter caído durante a Guerra, senão tinha de a reconstruir e isso
sair-lhe-ia mais caro» Dissera-lhe na altura. Depois de uma limpeza e de alguns
pequenos arranjos, conseguiu fazer dela o que é hoje: um cabaret muito bem
frequentado.
Dirigiu-se á mesa mais resguardada. Mesmo vazio,
gostava de preservar a sua identidade. Algo que combinara com ela na altura da
compra. «Posso ser o teu amante ou até o teu patrocinador, mas nunca fales de
mim a quem não confies» Dissera-lhe pouco tempo depois de ter comprado a casa.
Apenas Angeline sabia daquela combinação pois era da confiança de ambos.
Ele estava de costas, pelo que não se apercebeu de
imediato da sua presença. Lucille pousou-lhe delicadamente a mão no ombro
depois de se aproximar discretamente. Sobressaltou-se um pouco, depois virou-se
e sorriu quando a viu.
Convidou-a a sentar-se á sua frente como era seu
hábito quando a conversa ia ser longa. Ela puxou a cadeira e sentou-se. Fez
sinal a Angeline para que lhes servisse qualquer coisa. Passado pouco tempo,
Angeline pousava um copo ao pé de cada um e retirava-se para a cozinha. Não era
seu hábito ficar a ouvir as conversas dos outros.
Lucille quebrou aquele silêncio desconfortável indo
directa ao assunto como era seu hábito:
- Então, Phillipe porque quiseste ver-me tão cedo?
Não me digas que vens cobrar-me alguma coisa! Que eu saiba, as nossas dívidas
estão saudadas.-
Apesar daquela atitude, Lucille ainda se sentia
intimidada na sua presença. Devia ser por causa da aparência. Um homem alto, de
cabelo castanho, elegante, sempre de fato bem aprumado, um pequeno bigode e
olhos verdes penetrantes. Eram os olhos que a faziam sentir-se assim. Já na
altura em que se conheceram sentira a mesma coisa. Aqueles olhos destabilizavam
qualquer mulher.
Phillipe corou ligeiramente. Bebericou um pouco do
copo antes de a olhar nos olhos e responder:
- Não foi nada disso! A razão pela qual te vim
visitar não tem nada a ver com o passado, mas com o futuro ou se quiseres, uma
mistura dos dois.-
Lucille estava confusa. Ele explicou de um modo mais
claro:
- Há um tempo que ando a pensar nisto e acho que
agora é a altura certa.-
Lucille continuava sem perceber o rumo da conversa.
Normalmente, ele era directo, tal como ela, com os assuntos que lhe
interessavam. Mas agora, parecia escolher as palavras como se receasse a sua
reacção ou magoá-la de alguma forma. Resolveu dar um empurrão:
- Vá lá, não enroles! Diz o que tens a dizer e
pronto!-
Phillipe corou outra vez. Bebericou um pouco mais do
copo para ganhar coragem. Acrescentou num tom determinado que ela nunca tinha
ouvido:
- Pensei em recuperar o campo de morangos em frente
á casa da tua família, no sul. Era o teu sonho, o que achas?-
Lucille fez um esgar. Depois, bebeu a bebida toda de
uma vez como se fosse um medicamento. Respirou fundo e respondeu:
- Estás doido!? Isso já foi há muito tempo! Nessa
altura, eu era uma miúda com poucas ambições! Já não sou essa pessoa!-
Acrescentou:- Estou muito bem como estou, não preciso de mais nada!-
Phillipe sorriu. Ela corou. Acrescentou, depois de
terminar a bebida:
- Mas pensa nisto como uma segunda oportunidade! Já
tens dinheiro mais que suficiente para comprares os terrenos de volta e, assim,
é uma maneira de homenageares a tua família!-
Levantou-se e, antes de sair, ainda acrescentou:
- Pensa nisso!-
Lucille ficou sentada a olhar para os copos vazios.
De repente, vieram-lhe á mente os momentos felizes passados com a avó e com os
morangos.
-Se eu fosse a si, não desperdiçava uma oportunidade
destas!- Uma voz trouxe-a dos seus pensamentos. Era Angeline. Lucille
levantou-se. Sorriu-lhe. Antes de subir, foi até ao balcão e tirou a garrafa da
bebida servida antes da parte de trás. Andou até ás escadas e disse, enquanto
as subia:
- Não me incomodem até logo á noite.-
Angeline sabia de cor o que aquela frase queria
dizer. Era raro Lucille usa-la. Até aquele momento, só a usara duas vezes.
Quando estava indisposta ou quando discutira com Phillipe. Naquele caso, não
tinha sido uma discussão, mas mexera muito com ela.
Fechou a porta do quarto com alguma força. Pousou a
garrafa em cima da mesa-de-cabeceira. Sentou-se na borda da cama e olhou para o
quadro em frente. Pintara-o na véspera do dia fatídico. Exactamente no dia a
seguir, os aviões sobrevoaram aquela zona. Eram alemães. Tinham de ser! Eram
sempre os primeiros a causar estragos! Lançaram uma bomba em cima da casa e dos
terrenos. Ficou tudo arrasado. A vida, a família, a casa, tudo debaixo de
ruinas! Das pessoas, só ela sobrevivera. Tinha ido às compras, á vila. Os sacos
pelo chão, algumas latas a rolar, mas não importava. Ali parada, em choque. As
lágrimas corriam-lhe pela cara em desespero. Da casa, apenas o quadro e
meia-dúzia de coisas que fez questão de trazer. Alguns vizinhos deram-lhe
dinheiro para a viagem. E assim chegou a Paris. Assim conheceu Phillipe, depois
Angeline. Assim abriu o cabaret.
Mas o sonho nunca esmoreceu. Esteve sempre lá.
Sempre que olhava para o quadro lembrava-se da razão que a trouxera até ali.
Mas com o passar dos anos, ele foi ficando para trás, cada vez mais para trás,
até não passar de uma mera memória de uma rapariga de 20 anos em choque.
Pegou na garrafa, já sem tampa, e bebeu até onde
conseguiu aguentar. Não era de beber para esquecer, muito menos fazer disso um
vício. Nunca fora, não era agora que ia começar. Mas a bebida ajuda-a a pôr as
ideias no lugar, a ver com mais clareza. Depois da bebida, vem o seu vício. O
tabaco. Acendeu a cigarrilha. Inspirou um pouco e soprou o fumo para cima do
quadro. «Maldito passado» Pensou. «Porque é que tinhas de voltar? Hã? Estava
muito melhor onde estava!» Entre goles e sopradelas, conseguiu que as
lágrimas voltassem. Fumou e bebeu tudo até ao fim. Só depois se estatelou na
cama com rios de água salgada a correr-lhe pela cara até fazerem marcas
vermelhas e olhos inchados. A bebedeira e a choradeira deram origem a sono.
Adormeceu passado um bocado.
Acordou com o barulho de alguém a bater á porta.
Apesar de se conseguir mexer, permaneceu imóvel. Era como se o seu corpo não
reagisse. A porta abriu-se e Angeline entrou com um café bem forte e um
comprimido para a ressaca. A noite já tinha começado e ela tinha de descer e
fazer a sua melhor cara para os clientes. Depois de se levantar a contragosto,
bebeu o café e tomou o comprimido, arranjou-se minimamente e preparou-se ara
descer as escadas e encarar as pessoas. Era a última coisa de que precisava.
Pela sua vontade, tinha ficado no quarto. Não lhe apetecia ver nem estar com
ninguém. Estava demasiado angustiada. Mas enquanto dona de um cabaret tinha de
dar a cara. Era como diziam: «O Espectáculo tem de continuar» e aquela sala não
era a mesma sem ela.
Lavou a cara na casa de banho anexa ao quarto e
desceu as escadas para a sala principal. A festa já tinha começado. As luzes, a
cor e o brilho que tanto caracterizavam aquele cabaret enchiam cada canto. As
meninas dançavam no palco enquanto alguns cavalheiros as olhavam deliciados. Outros
jogavam ás cartas enquanto tomavam uma bebida espirituosa.
Ela aproximou-se da mesa mais discreta. Phillipe
estava sentado de frente para o palco e não a viu chegar. Tomava uma bebida
quando ela se sentou na cadeira em frente. Sorriu quando a viu. Ela fez o
mesmo. Angeline nem se aproximou da mesa pois sabia que Lucille não ia querer
beber mais nada depois do que já bebera no quarto. Nessa altura, era melhor
deixar como estava.
-Espero que a noite esteja do teu agrado.- Começou
por dizer Lucille.
Phillipe olhou-a de solsaico. Bebeu um pouco e
depois respondeu:
- Está agradável como sempre.-
O silêncio entre os dois era constrangedor.
Lembrou-lhe a primeira vez que se viram. Ele, um homem com um ar austero e ela,
uma miúda de 20 anos acabada de chegar do campo. Não conseguiam dizer nada que
fizesse sentido. Foi preciso virem ver o prédio para finalmente começarem a
conversar.
-Então, que querias falar comigo?- Aquela pergunta
trouxe-a de volta dos seus pensamentos. Olhou-o com um ar confuso. Por momentos,
esquecera-se que estava ali com um propósito. Apressou-se a responder:
- Bom…- Começou hesitante. Queria escolher as
palavras certas mas elas não lhe saíam. Acabou por dizer:
- Estive a pensar na tua proposta.- Acrescentou: - E
resolvi arriscar. Afinal, não tenho nada a perder.-
Phillipe ficou surpreendido, mas feliz. Não esperava
resposta tão rápida. A proposta fora absolutamente espontânea ainda não pensara
nos pormenores. Respondeu:
- Fico feliz que tenhas ponderado. Quando tiver algo
mais concreto, falaremos melhor.-
Agora foi Lucille a surpreender-se. Acabara de
aceitar uma proposta que mais parecia um plano de adolescente. Nunca gostara de
coisas feitas à pressa, mas também não queria demorar demais.
Ele levantou-se depois de terminar a bebida e saiu
com um ar constrangido e satisfeito ao mesmo tempo. Lucille ainda ficou mais um
pouco sentada na mesa a olhar para o copo vazio deixado por Phillipe instantes
antes. Angeline aproximou-se e recolheu-o antes que a patroa se pusesse com
ideias.
No fim da noite, depois de todos os clientes saírem
e de as raparigas se recolherem, Angeline fez um chá e Lucille resolveu
acompanhá-la. Serviu-o em cima do balcão. «As mesas são para os clientes»
Costumava dize. Apesar de não dizer, Angeline estava curiosa em relação á
conversa com Phillipe.
- Se queres saber se fizemos as pazes, pode dizer-se
que sim.- Disse Lucille, sorrindo.
Angeline bebericou um pouco de chá e respondeu:
- Ainda bem.- Quis perguntar-lhe mais mas hesitou.
Lucille, percebendo o seu embraço, riu-se ligeiramente. Bebeu um gole de chá e
acrescentou:
- Quanto á proposta, resolvi aceitar. Acho que
preciso de voltar ás minha raízes.-
Angeline sorriu, mas logo ficou apreensiva. Lucille
percebeu o que a afligia e disse:
- Não te preocupes. Não vou para lá viver! São só
uns dias até saber o que fazer com os terrenos e depois volto!-
Angeline pareceu mais aliviada. Terminaram o chá e
cada uma subiu para os quartos.
…
Passados alguns meses, Phillipe voltou com «propostas
mais concretas» como ela gostava de chamar. Pousou as pastas em cima da mesa.
Lucille espantou-se com tudo aquilo. A última vez que tantos papéis juntos fora
quando assinara a escritura do prédio que mais tarde viria a ser o cabaret.
Olhou para as pastas com um ar confuso. Phillipe abriu-as uma a uma e explicou
o seu conteúdo como se ela nunca tivesse ouvido falar de empreendimentos. Quis
interrompe-lo, mas ele falava com tanto entusiasmo que nem se atreveu. Ouviu-o
com toda a atenção e só depois perguntou:
- Mas não era só uma cultura de morangos?-
Ele corou de atrapalhação. Ela suspirou e disse:
- Se calhar, é melhor irmos ver o terreno. Tenho a
certeza que será mais fácil de pensar nalguma coisa estando lá.-
Phillipe pareceu concordar. Arrumou as pastas e
levou-as de volta para o carro. Lucille foi buscar a mala que já estava
preparada e partiram nesse mesmo dia em direcção a sul. Aquelas paisagens
traziam-lhe recordações. Umas felizes outras nem tanto, mas todas as suas
memórias estavam naquele lugar. Aproximaram-se da propriedade onde passara a
infância. Phillipe parou o carro em frente ao que restava do portão. Lucille
abriu a porta e saiu. Ao deparar-se com aquele cenário, não pôde evitar que as
lágrimas lhe começassem a correr pela cara. Eram assim os destroços de guerra:
parados no tempo. Parecia que tinha voltado 20 anos no tempo, quando a casa foi
atacada pelos aviões alemães. Estava tudo exactamente como deixara. A terra
ainda cheirava a queimado e ainda conseguia ouvir os gritos dos vizinhos quando
a viram em estado de choque em frente às ruínas.
Phillipe pôs-lhe a mão no ombro trazendo-a de volta.
Ela olhou-o com os olhos húmidos e abraçou-o. Ficaram assim durante algum tempo
até ela o largar e avançar até ao sítio onde estivera o campo de morangos.
Apesar da terra negra, ainda conseguia sentir o cheiro dos morangueiros e
sentir na brisa que de vez em quando passava, os seus risos de criança e a avó
a apanhar os morangos para uma cesta enquanto lhe dizia para não correr perto
das plantas. Agarrou num punhado de terra com ambas as mãos e mostrou-o a
Phillipe. Ele sorriu. Era ali que ia nascer a sua plantação. Exactamente ali.
Num instante, pensaram em tudo. A estufa, as plantações, uma pequena casa e,
talvez, um loja para vender doces e tartes daqueles morangos «que haviam de ser
os melhores de todos» disse no caminho de volta para a vila onde passaram a
noite. Voltaram no dia seguinte cheios de ideias e entusiasmados. O cabaret não
ia fechar apenas se juntava ao negócio. E assim nasceu outra marca de sucesso.
Os morangos da avó Melanie.