Depois de vos aguçar a curiosidade com o prólogo da semana passada, achei que deviam querer a continuação.
Por isso, aqui fica o primeiro capítulo.
Espero que gostem.
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I
-Serenity?- Chamou Serena. – Serenity, onde estás?
Temos de ir.-
Estava uma manhã de sol radiosa na Lua Branca. A
Rainha Serena e a sua filha iam para
Manah a fim de a Princesa começar os seus ensinamentos e Serena ter uma reunião
dos Planetas Guardiões.
A nave estava pronta para partir, apenas faltavam as
suas ocupantes. Serena procurava pela filha no jardim, quando Ondine apareceu
com uma menina vestida com um vestido comprido, com pérolas brancas e um
rebordo amarelo, pela mão.
-Aqui está a sua pequena fugitiva, Majestade.- Disse
Ondine, Serena sorriu.
Serenity tinha uma expressão contrariada. Ripostou
quando a mãe lhe pegou na mão e a levou para a nave:
- Porque é que temos de ir? Eu gosto de aprender
aqui magia, porque é que tem de ser em Manah? A Lunis nem sequer vai lá estar!
Que seca!-
Serena franziu o sobrolho:
- Não sejas assim! Manah é o sítio certo para
aprender magia e aperfeiçoares as tuas aptidões para seres uma Rainha no
futuro. E depois não vais estar sozinha a Mestra Ikinah estará lá para te
ajudar e Lunis também.-
Serenity ficou surpreendida:
- A serio? Lunis vai lá estar? Porque é que não me
disseste antes?-
Serena sorriu.
-Ora, não perguntaste! Agora vamos que já estamos
atrasadas.-
Subiram para a nave que descolou de imediato assim
que elas entraram.
Quando chegaram a Manah, Serena foi ao encontro de
Ikinah que a esperava na Sala do Conselho Mágico, enquanto Serenity foi ter com
Lunis á Zona dos Quartos.
…
Em Lua Negra, a situação era semelhante. As três
Princesas iam começar os seus treinos e ensinamentos em Infinus pelo que
Nehelenia as foi levar ao Templo. Naquele dia, também ia ter uma reunião com os
seus aliados. Assim que chegaram foram recebidas por Zorinda, a Sacerdtisa-Mor
que as guiou até á Zona dos Quartos onde as Princesas iam passar os próximos
tempos.
…
Uma nave aterrou suavemente no hangar de Manah. Era
uma nave de recreio que servia para pequenos passeios ou para visitas oficiais
como era o caso.
A proveniência desta nave era Exekalor, um planeta
semelhante á Terra mas um pouco maior. O Reino deste planeta era Gaia e era
governado por duas irmãs gémeas Tellus e Terra. Ambas faziam parte da Aliança
do Millennium criada pela Primeira Rainha da Lua Branca há mais de 1.000 anos.
Esta aliança tinha por objectivo proteger o Universo Mágico dos ataques
recentes da Lua Negra.
Por isso, de vez em quando, a Rainha Serena
convocava uma Reunião de Guardiãs para delinear uma estratégia de defesa.
Normalmente, as reuniões realizavam-se na Lua Branca, mas como forma de fazer
progredir os estudos da sua filha, Serenity, Serena resolveu que seria na Sala
do Conselho em Manah. Daí que as Guardiãs se tenham deslocado ao Templo da Lua.
A primeira a chegar foi Tellus de Exekalor. Apesar
de a sua irmã também fazer parte da aliança, bastava vir um representante de
cada planeta para a reunião. Tellus não vinha só. O seu filho mais velho,
Endimyon, acompanhava-a. Apesar de não fazerem parte da mesma Ordem Sagrada, os
laços entre os dois planetas era muito estreitos, pelo que era frequente que um
membro da Família Real de um planeta aliado passasse um tempo em Manah, no caso
da Lua Branca e Exekalor.
A porta da nave abriu-se e de lá saiu uma mulher de
cabelo preto acastanhado, comprido apanhado numa parte com uma trança. Tinha os
olhos castanhos vivos e meigos como os olhos de uma mãe devem ser. Usava um
vestido simples castanho comprido com uma pérola verde com o símbolo de
Exekalor gravado na frente. Calçava sapatos verdes-escuros.
O rapaz que a acompanhava tinha o cabelo preto e
olhos da mesma cor. Devia ter onze anos, mas aparentava sinais de grande
maturidade para uma criança. Vestia um fato azul-escuro, constituído por um
casaco e umas calças. Os sapatos eram pretos. Tinha, também, um cinto com uma
espada fina e uma capa preta. O Príncipe Endimyon era muito popular já nessa
altura no seu planeta não só entre os rapazes que admiravam a sua técnica a
lutar, mas também e sobretudo, entre as raparigas devido á sua beleza. Por
causa dessa popularidade, muitas foram as tentativas de compromisso com ele,
embora estivesse comprometido com a filha da Conselheira Real da sua mãe,
Oriel. Era uma rapariga encantadora, mas faltava a emoção da paixão. Não que o
Príncipe fosse muito romântico, mas admitia que tinha de existir amor numa
relação para ela dar certo.
Desceram da nave, ajudados pelo piloto e logo
enrugaram os olhos devido á luz intensa do sol. Estava uma manhã quente de
Verão que convidava a um passeio pelo jardim se as circunstâncias o
permitissem.
Foram recebidos por uma Sacerdotisa que os levou até
ao local da reunião. No caminho, passaram por um jardim cheio de flores de
muitas cores e formas. Depois, atravessaram um corredor ladeado por colunas que
deixavam entrar alguns raios de sol por entre as sombras. Ao chegarem á porta
da Sala do Conselho, Tellus virou-se para Endimyon e disse, sorrindo:
- Porque não vais explorar o Templo? A reunião vai
demorar algum tempo e não quero que te aborreças.-
O rapazinho assentiu com a cabeça, largou a mão da
mãe, que entrou para a sala e foi a correr pelo corredor até chegar ao jardim.
Aquele sentimento de liberdade era muito agradável.
Não era sempre que podia andar á vontade por um sítio como uma criança devia
andar.
Perto do jardim, ouviu uma risada. Curioso como era,
resolveu seguir o som e foi dar a um pequeno largo rodeado de canteiros e com
uma fonte de água no meio. Num dos cantos, havia uma árvore e debaixo dela
estava um banco de pedra branco e brilhante. Sentadas em cima do banco estavam
duas meninas vestidas de branco.
Uma tinha o cabelo louro apanhado em dois ondangos
que caíam em duas madeixas. A outra tinha o cabelo castanho solto. Estavam as
duas a ler um livro e de vez em quando davam uma risada. A rapariga de cabelo
castanho parecia mais séria, com os olhos pretos que, embora vivos, pareciam
mais distantes. A outra, pelo contrário, tinha os olhos azuis e cheios de
alegria. Uma alegria genuína, típica de uma criança inocente. Foi essa
inocência e ingenuidade que captaram a atenção do Príncipe. Aproximou-se com
cuidado e quando achou que estava suficientemente perto, apresentou-se muito
timidamente:
- Olá. Chamo-me Endimyon e vocês como se chamam?-
Quando elas o viram, assustaram-se. Mas depois a
rapariga do cabelo louro respondeu-lhe também muito timidamente:
- Olá. Chamo-me Serenity e esta é a minha melhor
amiga Lunis. Prazer eme conhecer-te.- Sorriu. O seu sorriso era tão doce que
ele sorriu também.
Num instante, travaram uma intensa amizade. Ficaram
a saber que era o Príncipe de Exekalor que tinha vindo com a mãe, a Rainha
Tellus, a uma Reunião das Guardiãs da Aliança do Millennium e ele tinha vindo
como forma de aperfeiçoar as suas técnicas.
Ela era filha da Rainha Serena a Líder da Aliança do
Millennium, logo era a Princesa e estava ali juntamente com Lunis para aprender
a ser Rainha e Lunis Conselheira Real. Naquele momento, estavam a fazer uma
pausa pois já tinham estudado bastante e a Mestra Ikinah dizia que uma pausa
depois de um dia de trabalho fazia bem á mente e ao corpo.
Mas como gostavam de ler e queriam aproveitar o sol,
decidiram sentar-se ali por ser um local fresco e agradável, para além de que
se podia apanhar com leves raios de sol por entre as folhas da árvore.
A certa altura, Lunis sentiu-se cansada e decidiu
abandonar o local deixando Serenity e Endimyon a sós.
O silêncio entre os dois tornou-se constrangedor.
Depois da retirada quase forçada de Lunis, Serenity e Endimyon sentiam-se
desconfortáveis. Era a primeira vez que cada um ficava a sós com o outro. As
palavras ficaram presas na garganta de cada um á espera do momento certo para
saírem, o que tornava o diálogo e a situação ainda mais constrangedora.
Serenity, decidia a terminar com aquele desconforto, levantou-se do banco e
entrou numa porta ali perto. Depois reapareceu com um aparelho que Endimyon
nunca tinha visto: tratava-se de uma cabeça de gato preta com uma lua amarela
na testa. No topo da cabeça, tinha uma pequena antena. Curioso, decidiu quebrar
o silêncio e perguntou ainda timidamente:
- O que é isso que tens aí?-
Serenity deu uma risadinha. Pousou o aparelho no
banco e respondeu com a maior descontracção do mundo:
- É um Luna-P. Foi o meu pai que me deu no meu
primeiro aniversário.- Pegou no Luna-P e mostrou-o a Endimyon que voltou a
perguntar confuso:
- Um Luna-P? Nunca tinha ouvido falar. E o que faz?-
Serenity fz uma expressão de espanto, mas voltou a
sorrir e respondeu:
- Um Luna-P é um novo tipo de brinquedo. Pode
transformar-se em tudo o que quisermos. É exclusivo da Lua, por isso é natural
que nunca tenhas ouvido falar.- Fez uma pausa e, vendo o ar curioso do rapaz,
acrescentou:
- Para se activar a transformação, basta bater com
ele no chão, assim.- Afastou-se e bateu com a cabeça de gato no chão do jardim
como se fosse uma bola. – E dizer em que queremos que ele se transforme.-
Gritou:- Quero uma bola!- A cabeça de gato desapareceu numa nuvem de fumo e no
lugar dela apareceu uma bola vermelha lisa.
-Apanha!- Gritou Serenity atirando a bola a
Endimyon. Ele agarrou-a com as duas mãos. -Agora, atira para mim outra vez.-
Explicou Serenity. E ele assim fez. Sorriu. Era divertido brincar com a bola,
mas acima de tudo era divertido brincar com ela. A brisa acariciou-lhes o
cabelo, enquanto corriam e atiravam a bola um ao outro.
Com tantos risos, Lunis apareceu á porta da
biblioteca e viu Serenity e Endimyon a brinca com uma bola. Não resistiu a
juntar-se a eles. A tarde foi passada a jogar á bola. Até uma Sacerdotisa vir
avisar que a reunião tinha terminado e todos tinham de ir para a porta
principal. Então, os três meninos seguiram-na até á porta do templo.
Lá estavam Serena e Tellus. As outras Rainhas já tinham
ido embora. Sorriram quando viram as crianças que correram para os seus braços.
- Então, divertiram-se?- Perguntou Serena á filha.
- Sim!- Respondeu Serenity- Brincámos com o Luna-P e
foi muito engraçado.-
Depois, dirigiu-se a Endimyon, pegou-lhe nas mãos e
disse-lhe:
- Para a próxima vem ao Palácio. Tenho muitos mais
brinquedos com que podemos brincar. Adeus e até á próxima.- Deu-lhe um beijo na
face que o deixou corado.
- Até á próxima, Serena. Foi um prazer rever-te.-
Despediu-se Tellus. Serena retribuiu a despedida com um agradecimento.
Tellus e Endimyon entraram na nave de regresso a
Exekalor. Desta vez, o jovem Príncipe vinha sorridente e confiante de que iria
voltar a ver Serenity. Uma bela e sólida amizade tinha nascido.
…
Nessa noite, Soron foi dar as boas noites á filha
como era hábito. Serenity ainda estava acordada. Soron sentou-se na beira da
cama, pousou-lhe a mão na cabeça e afagou-lha. Depois perguntou com um sorriso:
- Então, coelhinha, divertiste-te hoje?-
Serenity respondeu também sorrindo:
- Sim, hoje fui a Manah com a mãe porque ela tinha
uma Reunião da Aliança. E sabes que mais? Conheci um rapaz muito engraçado.-
Soron sorriu e perguntou:
- Ai sim? E quem era esse rapaz?-
Serenity respondeu:
- Era o Príncipe Endimyon de Exekalor. Um dos
Planetas Aliados. Brincámos com o Luna-P e foi muito giro.- Deu um bocejo.
Soron ajudou-a a aconchegar-se nos lençóis. Deu-lhe um beijo na testa e disse:
- Boa noite. Dorme bem.-
Quando ia a sair, Serenity ainda conseguiu dizer
antes de adormecer:
- Pai, ele pode vir cá brincar comigo outra vez?
Convence a mãe. Ia ser muito giro.- Acrescentou: - E pai, adoro-te, boa noite.-
- Também te adoro, coelhinha. Boa noite.-
Soron saiu do quarto, apagou a luz e fechou a porta.
No corredor, encontrou Serena. Abraçaram-se e Soron beijou-a carinhosamente.
Depois foram para o quarto.
Enquanto se estavam a preparar para ir dormir, Serena
comentou:
- Ela falou-te no Endimyon, não foi?- Soron assentiu
com a cabeça. Serena sorriu. Soron disse:
- Eu acho bem ela fazer amizade com as Princesas e
os Príncipes da Aliança. É uma maneira de aproximar ainda mais os nossos
Reinos.-
Serena aproximou-se de Soron e beijou-o. Depois
foram dormir.
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Mais uma vez, espero que gostem.
Vemo-nos por aí.
Bjs
Joana