sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 7- I

Olá
Depois de vos aguçar a curiosidade com o prólogo da semana passada, achei que deviam querer a continuação.
Por isso, aqui fica o primeiro capítulo.
Espero que gostem.
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I

-Serenity?- Chamou Serena. – Serenity, onde estás? Temos de ir.-

Estava uma manhã de sol radiosa na Lua Branca. A Rainha Serena  e a sua filha iam para Manah a fim de a Princesa começar os seus ensinamentos e Serena ter uma reunião dos Planetas Guardiões.

A nave estava pronta para partir, apenas faltavam as suas ocupantes. Serena procurava pela filha no jardim, quando Ondine apareceu com uma menina vestida com um vestido comprido, com pérolas brancas e um rebordo amarelo, pela mão.

-Aqui está a sua pequena fugitiva, Majestade.- Disse Ondine, Serena sorriu.

Serenity tinha uma expressão contrariada. Ripostou quando a mãe lhe pegou na mão e a levou para a nave:

- Porque é que temos de ir? Eu gosto de aprender aqui magia, porque é que tem de ser em Manah? A Lunis nem sequer vai lá estar! Que seca!-

Serena franziu o sobrolho:

- Não sejas assim! Manah é o sítio certo para aprender magia e aperfeiçoares as tuas aptidões para seres uma Rainha no futuro. E depois não vais estar sozinha a Mestra Ikinah estará lá para te ajudar e Lunis também.-

Serenity ficou surpreendida:

- A serio? Lunis vai lá estar? Porque é que não me disseste antes?-

Serena sorriu.

-Ora, não perguntaste! Agora vamos que já estamos atrasadas.-

Subiram para a nave que descolou de imediato assim que elas entraram.

Quando chegaram a Manah, Serena foi ao encontro de Ikinah que a esperava na Sala do Conselho Mágico, enquanto Serenity foi ter com Lunis á Zona dos Quartos.


Em Lua Negra, a situação era semelhante. As três Princesas iam começar os seus treinos e ensinamentos em Infinus pelo que Nehelenia as foi levar ao Templo. Naquele dia, também ia ter uma reunião com os seus aliados. Assim que chegaram foram recebidas por Zorinda, a Sacerdtisa-Mor que as guiou até á Zona dos Quartos onde as Princesas iam passar os próximos tempos.


Uma nave aterrou suavemente no hangar de Manah. Era uma nave de recreio que servia para pequenos passeios ou para visitas oficiais como era o caso.

A proveniência desta nave era Exekalor, um planeta semelhante á Terra mas um pouco maior. O Reino deste planeta era Gaia e era governado por duas irmãs gémeas Tellus e Terra. Ambas faziam parte da Aliança do Millennium criada pela Primeira Rainha da Lua Branca há mais de 1.000 anos. Esta aliança tinha por objectivo proteger o Universo Mágico dos ataques recentes da Lua Negra.

Por isso, de vez em quando, a Rainha Serena convocava uma Reunião de Guardiãs para delinear uma estratégia de defesa. Normalmente, as reuniões realizavam-se na Lua Branca, mas como forma de fazer progredir os estudos da sua filha, Serenity, Serena resolveu que seria na Sala do Conselho em Manah. Daí que as Guardiãs se tenham deslocado ao Templo da Lua.

A primeira a chegar foi Tellus de Exekalor. Apesar de a sua irmã também fazer parte da aliança, bastava vir um representante de cada planeta para a reunião. Tellus não vinha só. O seu filho mais velho, Endimyon, acompanhava-a. Apesar de não fazerem parte da mesma Ordem Sagrada, os laços entre os dois planetas era muito estreitos, pelo que era frequente que um membro da Família Real de um planeta aliado passasse um tempo em Manah, no caso da Lua Branca e Exekalor.

A porta da nave abriu-se e de lá saiu uma mulher de cabelo preto acastanhado, comprido apanhado numa parte com uma trança. Tinha os olhos castanhos vivos e meigos como os olhos de uma mãe devem ser. Usava um vestido simples castanho comprido com uma pérola verde com o símbolo de Exekalor gravado na frente. Calçava sapatos verdes-escuros.

O rapaz que a acompanhava tinha o cabelo preto e olhos da mesma cor. Devia ter onze anos, mas aparentava sinais de grande maturidade para uma criança. Vestia um fato azul-escuro, constituído por um casaco e umas calças. Os sapatos eram pretos. Tinha, também, um cinto com uma espada fina e uma capa preta. O Príncipe Endimyon era muito popular já nessa altura no seu planeta não só entre os rapazes que admiravam a sua técnica a lutar, mas também e sobretudo, entre as raparigas devido á sua beleza. Por causa dessa popularidade, muitas foram as tentativas de compromisso com ele, embora estivesse comprometido com a filha da Conselheira Real da sua mãe, Oriel. Era uma rapariga encantadora, mas faltava a emoção da paixão. Não que o Príncipe fosse muito romântico, mas admitia que tinha de existir amor numa relação para ela dar certo.

Desceram da nave, ajudados pelo piloto e logo enrugaram os olhos devido á luz intensa do sol. Estava uma manhã quente de Verão que convidava a um passeio pelo jardim se as circunstâncias o permitissem.

Foram recebidos por uma Sacerdotisa que os levou até ao local da reunião. No caminho, passaram por um jardim cheio de flores de muitas cores e formas. Depois, atravessaram um corredor ladeado por colunas que deixavam entrar alguns raios de sol por entre as sombras. Ao chegarem á porta da Sala do Conselho, Tellus virou-se para Endimyon e disse, sorrindo:

- Porque não vais explorar o Templo? A reunião vai demorar algum tempo e não quero que te aborreças.-

O rapazinho assentiu com a cabeça, largou a mão da mãe, que entrou para a sala e foi a correr pelo corredor até chegar ao jardim.

Aquele sentimento de liberdade era muito agradável. Não era sempre que podia andar á vontade por um sítio como uma criança devia andar.

Perto do jardim, ouviu uma risada. Curioso como era, resolveu seguir o som e foi dar a um pequeno largo rodeado de canteiros e com uma fonte de água no meio. Num dos cantos, havia uma árvore e debaixo dela estava um banco de pedra branco e brilhante. Sentadas em cima do banco estavam duas meninas vestidas de branco.

Uma tinha o cabelo louro apanhado em dois ondangos que caíam em duas madeixas. A outra tinha o cabelo castanho solto. Estavam as duas a ler um livro e de vez em quando davam uma risada. A rapariga de cabelo castanho parecia mais séria, com os olhos pretos que, embora vivos, pareciam mais distantes. A outra, pelo contrário, tinha os olhos azuis e cheios de alegria. Uma alegria genuína, típica de uma criança inocente. Foi essa inocência e ingenuidade que captaram a atenção do Príncipe. Aproximou-se com cuidado e quando achou que estava suficientemente perto, apresentou-se muito timidamente:

- Olá. Chamo-me Endimyon e vocês como se chamam?-

Quando elas o viram, assustaram-se. Mas depois a rapariga do cabelo louro respondeu-lhe também muito timidamente:

- Olá. Chamo-me Serenity e esta é a minha melhor amiga Lunis. Prazer eme conhecer-te.- Sorriu. O seu sorriso era tão doce que ele sorriu também.

Num instante, travaram uma intensa amizade. Ficaram a saber que era o Príncipe de Exekalor que tinha vindo com a mãe, a Rainha Tellus, a uma Reunião das Guardiãs da Aliança do Millennium e ele tinha vindo como forma de aperfeiçoar as suas técnicas.

Ela era filha da Rainha Serena a Líder da Aliança do Millennium, logo era a Princesa e estava ali juntamente com Lunis para aprender a ser Rainha e Lunis Conselheira Real. Naquele momento, estavam a fazer uma pausa pois já tinham estudado bastante e a Mestra Ikinah dizia que uma pausa depois de um dia de trabalho fazia bem á mente e ao corpo.

Mas como gostavam de ler e queriam aproveitar o sol, decidiram sentar-se ali por ser um local fresco e agradável, para além de que se podia apanhar com leves raios de sol por entre as folhas da árvore.

A certa altura, Lunis sentiu-se cansada e decidiu abandonar o local deixando Serenity e Endimyon a sós.

O silêncio entre os dois tornou-se constrangedor. Depois da retirada quase forçada de Lunis, Serenity e Endimyon sentiam-se desconfortáveis. Era a primeira vez que cada um ficava a sós com o outro. As palavras ficaram presas na garganta de cada um á espera do momento certo para saírem, o que tornava o diálogo e a situação ainda mais constrangedora. Serenity, decidia a terminar com aquele desconforto, levantou-se do banco e entrou numa porta ali perto. Depois reapareceu com um aparelho que Endimyon nunca tinha visto: tratava-se de uma cabeça de gato preta com uma lua amarela na testa. No topo da cabeça, tinha uma pequena antena. Curioso, decidiu quebrar o silêncio e perguntou ainda timidamente:

- O que é isso que tens aí?-

Serenity deu uma risadinha. Pousou o aparelho no banco e respondeu com a maior descontracção do mundo:

- É um Luna-P. Foi o meu pai que me deu no meu primeiro aniversário.- Pegou no Luna-P e mostrou-o a Endimyon que voltou a perguntar confuso:

- Um Luna-P? Nunca tinha ouvido falar. E o que faz?-

Serenity fz uma expressão de espanto, mas voltou a sorrir e respondeu:

- Um Luna-P é um novo tipo de brinquedo. Pode transformar-se em tudo o que quisermos. É exclusivo da Lua, por isso é natural que nunca tenhas ouvido falar.- Fez uma pausa e, vendo o ar curioso do rapaz, acrescentou:

- Para se activar a transformação, basta bater com ele no chão, assim.- Afastou-se e bateu com a cabeça de gato no chão do jardim como se fosse uma bola. – E dizer em que queremos que ele se transforme.- Gritou:- Quero uma bola!- A cabeça de gato desapareceu numa nuvem de fumo e no lugar dela apareceu uma bola vermelha lisa.

-Apanha!- Gritou Serenity atirando a bola a Endimyon. Ele agarrou-a com as duas mãos. -Agora, atira para mim outra vez.- Explicou Serenity. E ele assim fez. Sorriu. Era divertido brincar com a bola, mas acima de tudo era divertido brincar com ela. A brisa acariciou-lhes o cabelo, enquanto corriam e atiravam a bola um ao outro.

Com tantos risos, Lunis apareceu á porta da biblioteca e viu Serenity e Endimyon a brinca com uma bola. Não resistiu a juntar-se a eles. A tarde foi passada a jogar á bola. Até uma Sacerdotisa vir avisar que a reunião tinha terminado e todos tinham de ir para a porta principal. Então, os três meninos seguiram-na até á porta do templo.

Lá estavam Serena e Tellus. As outras Rainhas já tinham ido embora. Sorriram quando viram as crianças que correram para os seus braços.

- Então, divertiram-se?- Perguntou Serena á filha.

- Sim!- Respondeu Serenity- Brincámos com o Luna-P e foi muito engraçado.-

Depois, dirigiu-se a Endimyon, pegou-lhe nas mãos e disse-lhe:

- Para a próxima vem ao Palácio. Tenho muitos mais brinquedos com que podemos brincar. Adeus e até á próxima.- Deu-lhe um beijo na face que o deixou corado.

- Até á próxima, Serena. Foi um prazer rever-te.- Despediu-se Tellus. Serena retribuiu a despedida com um agradecimento.

Tellus e Endimyon entraram na nave de regresso a Exekalor. Desta vez, o jovem Príncipe vinha sorridente e confiante de que iria voltar a ver Serenity. Uma bela e sólida amizade tinha nascido.


Nessa noite, Soron foi dar as boas noites á filha como era hábito. Serenity ainda estava acordada. Soron sentou-se na beira da cama, pousou-lhe a mão na cabeça e afagou-lha. Depois perguntou com um sorriso:

- Então, coelhinha, divertiste-te hoje?-

Serenity respondeu também sorrindo:

- Sim, hoje fui a Manah com a mãe porque ela tinha uma Reunião da Aliança. E sabes que mais? Conheci um rapaz muito engraçado.-

Soron sorriu e perguntou:

- Ai sim? E quem era esse rapaz?-

Serenity respondeu:

- Era o Príncipe Endimyon de Exekalor. Um dos Planetas Aliados. Brincámos com o Luna-P e foi muito giro.- Deu um bocejo. Soron ajudou-a a aconchegar-se nos lençóis. Deu-lhe um beijo na testa e disse:

- Boa noite. Dorme bem.-

Quando ia a sair, Serenity ainda conseguiu dizer antes de adormecer:

- Pai, ele pode vir cá brincar comigo outra vez? Convence a mãe. Ia ser muito giro.- Acrescentou: - E pai, adoro-te, boa noite.-

- Também te adoro, coelhinha. Boa noite.-

Soron saiu do quarto, apagou a luz e fechou a porta. No corredor, encontrou Serena. Abraçaram-se e Soron beijou-a carinhosamente. Depois foram para o quarto.

Enquanto se estavam a preparar para ir dormir, Serena comentou:

- Ela falou-te no Endimyon, não foi?- Soron assentiu com a cabeça. Serena sorriu. Soron disse:

- Eu acho bem ela fazer amizade com as Princesas e os Príncipes da Aliança. É uma maneira de aproximar ainda mais os nossos Reinos.-

Serena aproximou-se de Soron e beijou-o. Depois foram dormir.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Vemo-nos por aí.
Bjs
Joana
        

         

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 7- Prólogo


Olá
Eu sei que esperavam a continuação da segunda parte da minha fic.
Só que não vai acontecer. E explico porquê: após alguma reflexão, decidi que iria retomar a fic numa parte mais interessante, onde o crossover se torna mais evidente. É que as outras partes, na minha modesta opinião, iriam ser muito repetitivas, no sentido em que não passariam daquilo que é descrito na primeira parte.
Pode ser que um dia retome as partes que faltam e que as venha a publicar.
Por agora, vou publicar a parte 7 da minha fic.
Espero que gostem e que compreendam a minha decisão.
Mais uma vez lembro: as persongens principais não são minhas, algumas secundárias são.
Sem mais demoras, aqui fica o prólogo da parte 7.
Mais uma vez, espero que gostem.
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Parte 7- Prólogo

Passaram alguns anos desde o desaparecimento dos soberanos da Lua Negra e da Lua Branca.

As Princesas Serena e Nehelenia transformaram-se em duas belas mulheres. Nesta altura, ambas estavam casadas e tinham filhos. Serena tinha uma linda menina de olhos azuis, como a avó e a mãe, o cabelo louro, como o pai, boca e nariz finos. Serena pôs-lhe o nome de Serenity.

A pequena Princesa adorava passear pelos jardins do Palácio acompanhada pela sua mãe e por Ondine, a Conselheira Real desta que também tinha uma filha da mesma idade chamada Lunis, com a qual gostava de brincar.

A Rainha Nehelenia tinha três filhas gémeas que, apesar de serem belas, eram tão cruéis como a mãe. As Princesas chamavam-se Icy, Darcy e Stormy. Eram conhecidas pelo seu povo como Small Black Ladies. A Princesa Icy tinha os olhos azuis e o cabelo da mesma cor. Darcy tinha o cabelo e os olhos castanhos e Stormy tinha o cabelo e os olhos roxos. Todas vestiam roupas diferentes. Icy vestia azul-escuro, Darcy castanho e Stormy roxo. As três irmãs adoravam passear pelos jardins junto ao Palácio com a sua mãe e a sua ama e Conselheira Real da mãe, Xena. As brincadeiras preferidas eram transformar os pequenos insectos do jardim em cristais negros.

Na Lua Branca, Serenity gostava de correr pelos jardins e fazer coroas de flores.

No dia em que completou dez anos, Serenity teve de iniciar os ensinamentos em Manah.

E é nesse dia que conhece aquele que virá a ser o seu grande amor.
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E pronto.
Não tenho data certa para a publicação do primeiro capitulo.
Se não for na próxima semana, será daqui a 15 dias.
Tenham um bom fim-de-semana.
Vemo-nos por aí.
Bjs
Joana
 

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Nota Breve

Olá
Escrevo apenas para informar que hoje não vai haver capitulo.
Não sei se por falta de inspriação ou por outra razão qualquer, a publicação dos capitulos passa a ser quinzenal, para permitir que tenha mais ideias e que a história fique mais interessante.
Por isso, voltamos a ver-nos no dia 7 de Dezembro.
Até lá, podem sempre ler ou reler os cpaitulos anteriores para ficarem a saber ou simplesmente para recordar toda a história até aqui.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 2- V

Olá
Aqui fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
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V

Célia estava feliz por ter conseguido formar uma aliança com os outros planetas, mas especialmente com Saturno. Segundo lera nos antigos pergaminhos de Manah, Saturno fora um planeta isolado durante muito tempo por causa do seu imenso poder e isso causara estranheza e mesmo medo entre todos á sua volta. Apenas os planetas do Circuito Outter concordaram em juntar forças com ele pelos seus poderes serem parecidos e combinarem.

O Casal Real ficara mais uns dias em Saturno para acertar os pormenores mas também porque para uma viagem tão longa iam precisar de mantimentos pelo que abasteceram a nave com tudo o que precisavam.


Entretanto, em Glaesis, Dravna também estava satisfeita sobretudo pela rapidez com que conseguira negociar a aliança. Segundo o que lera nos pergaminhos de Infinus, o povo daquele planeta pode ser muito leal mas também bastante hostil. Já com a sua mãe a negociação também fora rápida.

Antes da viagem de regresso a Lua Negra, a nave teve se ser reabastecida de combustível e mantimentos por isso Dravna e toda a sua comitiva ficaram mais um pouco no planeta. Zircónia não viera, não por falta de insistência, mas porque Dravna achara que a sua Conselheira e mais alguns membros da Assembleia Real seriam suficientes para as negociações. Levara também alguns Guardas Reais caso alguma coisa não corresse com o previsto.

-Partimos dentro de 2 dias.- Anunciou Eliona. Estavam no quarto de hóspedes do Palácio Real de Gleasis. Não era muito grande, mas tinha espaço suficiente para as duas. Uma cama de dossel encostada a uma das paredes, outra logo a seguir, um armário de roupa e uma casa de banho anexa.

Dravna estava na varanda que dava para o jardim traseiro do Palácio. Não era muito diferente do de Lua Negra, embora aquele parecesse mais sombrio. Aproximou-se de Eliona.

- Muito bem.- Disse. – Vou informar Zircónia e Orquédia da nossa chegada.- Saiu da varanda e acrescentou:- Estou ansiosa por contar a todos as novidades.- Sorriu enquanto Eliona fechava as portas da varanda e se preparava para dormir.


Em Saturno, o Casal Real ficara num quarto de hóspedes no Palácio Real. Era ligeiramente mais pequeno que o de Lua Branca mas igualmente acolhedor. Tinha uma grande cama de casal com dossel, no meio, um tocador com espelho em frente, um armário de roupa logo a seguir. Depois, estava uma varanda que dava para um bonito jardim traseiro do Palácio. Logo a seguir á cama, havia uma porta que dava para a casa de banho.

- Partimos dentro de 3 dias.- Anunciou Afron. O casal banhava-se nas águas quentes da banheira que, tal como a da Lua Branca, parecia uma piscina. Os dois corpos entrelaçados no meio do vapor como se de um só se tratasse. Desde que tivera as filhas, que Célia não tinha um momento a sós com o marido. Muitas vezes passeavam pelos jardins mas num instante transformavam-se em passeios animados com a filha mais velha.

Célia beijou-o antes de responder:

- Muito bem.- Sorriu. Não precisou de perguntar se já tinha informado toda a gente em Lua Branca pois Afron encarregou-se do assunto.

Saíram do banho em depois de vestirem as roupas de dormir, foram para a varanda tomar um pouco do ar fresco da noite. Afron abraçou Célia delicadamente pelas costas enquanto observavam as estrelas.

- Pergunto-me como seria se não estivesses a meu lado.- Indagou Célia virando-se para Afron. O seu olhar era de alguém apaixonado mas, ao mesmo tempo, frágil que precisava de protecção e cuidado. Afron olhou-a com um olhar semelhante. Desta vez, foi ele que a beijou antes de responder:

- Provavelmente estarias com Tarina, mas acho que te sairias muito bem na mesma.- Célia sorriu. Abraçaram-se. Depois, voltaram para o quarto, fecharam as portas da varanda e entregaram-se ao amor.


No dia seguinte, Dravna acordou com os primeiros raios de sol a entrarem-lhe pelas fisgas da cortina da varanda do quarto. Sentou-se na cama meio ensonada. Olhou para o lado. Eliona já se tinha levantado. «As rotinas da Lua Negra mantém-se em qualquer lado» Pensou. Sorriu ligeiramente.

Levantou-se e dirigiu-se à casa de banho. Depois de se arranjar, abriu as cortinas e as portadas da varanda. Saiu para a varanda e olhou para o jardim de Gleasis. O jovem Príncipe brincava ali perto enquanto a Rainha o observava sentada numa cadeira. Ao pé dela, estava Eliona. Dravna resolveu juntar-se-lhes e desceu até ao jardim.

-Vejo que já são amigas.- Disse, aproximando-se. A Rainha cumprimentou-a:

- Bom dia, cara Dravna, Rainha de Lua Negra.- a sua voz era áspera mas ao mesmo tempo cortês. Eliona retribuiu com um aceno. Dravna sentou-se junto á sua Conselheira Real. Rubla não pôde deixar de perguntar num tom irónico:

- Diz-me, porque decidiram pedir-nos aliança? Não tinham gente que chegasse no vosso planeta?-

Dravna respondeu:

. Até temos, mas nenhum deles estava disposto a ouvir-me. Acham que é muito cedo para começar uma guerra. Por isso, viemos pedir ajuda de fora.-

Rubla sorriu olhando para Chilled que brincava no meio das flores. Olhou de esguelha para Dravna. O seu olhar era frio mas quando olhava para o Príncipe enchia-se de mágoa. Recostou-se na cadeira e disse:

- Bom, já que é assim espero que tudo corra pelo melhor.-

Dravna concordou.


Célia acordou nos braços de Afron no dia seguinte. Sentia-se nas nuvens. Apesar de acordar todos os dias assim, ali era diferente. Estavam só os dois, não havia o barulho das filhas nem de Tarina ou Gorélia a chamá-los para mais um dia atarefado no Palácio. Afron também se sentia tranquilo pois não tinha de ir para o quartel da Guarda Real treinar os soldados. Era quase uma segunda Lua-de-Mel. Olharam-se apaixonados como na primeira vez que dormiram juntos em Lua Branca. Beijaram-se mais uma vez.

Célia levantou-se e convidou o marido a tomar banho consigo. Dirigiram-se á casa de banho. Depois de se arranjarem, desceram e foram ao encontro de Kali que estava perto do jardim com o filho que brincava no meio das flores. Estava um dia de sol radioso e o jardim transbordava de luz e cor.

Célia não pôde deixar de sentir saudades da filha. Afron abraçou-a e olhou-a com ternura como se dissesse: «Ela está bem, não te preocupes». Célia sorriu. Kali convidou-os a juntarem-se a ela e eles aproximaram-se.

- Estou muito contente por ter aceitado esta aliança.- Disse Kali.

Célia respondeu:

- Sim, eu também estou feliz. Afinal, é pelo futuro dos nossos filhos que estamos a lutar.-

Ambas olharam na direcção do Príncipe e sorriram.


Os dias passados em Saturno e Glaesis chegaram ao fim. Quando chegou o dia da partida, Célia e Kali despediram-se emocionadas com a promessa de um reencontro muito brevemente.

Em Glaesis, Dravna despediu-se de Frozen e Rubla com muita formalidade. Naquele planeta as regras eram muito restritas no que ás emoções dizia respeito.

As naves descolaram rumo aos planetas de origem, pouco depois. Na da Lua Negra, Dravna e Eliona levavam a promessa de um aliado poderoso.

Já na da Lua Branca, Célia e Afron levavam mais que a promessa de uma aliança. Levavam uma amizade.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
 

 

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 2- IV

Olá
Aqui fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
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IV

Depois de todos terem saído e voltado para os seus planetas, Célia ainda ficou na sala. Mandou Tarina chamar Afron, era a única pessoa que lhe apetecia ver naquele momento.

Este surgiu á porta passado pouco tempo. Célia ainda estava sentada na cabeceira da mesa no lugar da Rainha. Assim que viu o marido correu para os seus braços. As lágrimas corriam-lhe pela cara quando se abraçaram. Caíram de joelhos e deixaram-se ficar durante algum tempo. Era a maneira de Célia se acalmar e libertar todo o stress acumulado durante a reunião. Desencostou a cabeça do peito do Rei, olhou-o com os olhos ainda húmidos. Beijaram-se ternamente. Depois, Célia voltou a abraçá-lo. Sussurrou-lhe: «Tira-me daqui». Afron pegou nela ao colo e levou-a para fora da Sala de Reuniões. Percorreram os corredores do Palácio até pararem na varanda que dava ara o jardim. Nele, brincavam duas meninas e uma terceira dormia no berço á sombra. Afron pousou Célia junto do parapeito da varanda. Agarrou-se ao ferro branco e sorriu. Uma leve brisa veio acariciar-lhe a face ainda com marcas do choro. Só de olhar para as suas filhas já se sentia melhor.


Entretanto, na Lua Negra, Dravna também recebia o consolo do marido. Zyona brincava no jardim do Palácio enquanto o casal a observava. A outra Princesa dormia num berço á sombra ali perto. Dravna sorria sempre que via as filhas. Trazia-lhe paz mas também esperança. Sempre fora assim, desde que a segurara nos seus braços pela primeira vez.


- Se a única maneira é percorrer o Universo, então que seja.- Disse Célia. Afron olhou-a com admiração. Ela sorriu. Voltou a olhar para as filhas. Sem desviar o olhar, acrescentou:

- Vou usar o método da Rainha anterior. Irei a cada um dos planetas da antiga Aliança para lhes pedir que se juntem a mim contra a Lua Negra. Vou fazê-los ver que juntos seremos mais fortes.-

Afron sorriu. Abraçou a mulher e disse:

- Se é assim que queres, então acompanhar-te-ei por todo o Universo. Não quero que estejas sozinha numa altura destas. – Célia sorriu e depois beijou-o ternamente.


Na Lua Negra, a decisão tinha sido a mesma: Dravna também iria viajar pelo Universo em busca de aliados para derrotar a Lua Branca.

Durante o tempo que se seguiu, as Rainhas viajaram pelo Universo em busca de aliados. Célia visitou todos os planetas cujas Rainhas estiveram presentes na Reunião. Ficou impressionada com a biblioteca de Mercúrio, a arquitectura de Marte, os jardins de Júpiter, as esculturas de Vénus as belas paisagens de Exekalor, o calor de Solaris, o ar de Úrano, os oceanos de Neptuno, o controlo do tempo de Plutão, mas sobretudo com a tecnologia de Saturno. Agora compreendia a objecção da Rainha Kali em juntar-se á Aliança.

Tanto o Palácio como a Cidade estavam equipados com a mais avançada tecnologia, quer de segurança quer de bem-estar dos habitantes. Tudo era digital: desse os equipamentos mais básicos como os utensílios de cozinha até aos militares. Mas a parte magica também tinha uma grande importância em Saturno. Sobretudo para a Família Real, pois era uma forma de preservar as tradições ancestrais.

Célia e Afron foram recebidos em Saturno com toda a pompa e circunstância. Afinal, não era todos os dias que recebiam visitas de fora, ainda para mais do planeta mais poderoso do Universo.

A Rainha Kali recebeu-os com o marido o Rei Alonzo um homem corpulento de cabelo escuro e olhos arroxeados. Vestia uma armadura roxa e cinzenta com uma capa preta, umas botas e um cinto com uma espada.

Apesar do seu ar austero, revelou ser um homem gentil e simpático bem como a mulher. Nesta altura, os Reis de Saturno tinham um filho mais ou menos da idade de Alexnadrya, chamado Alastor. Tinha os olhos lilases e cabelo preto. Vestia um fato roxo-claro, umas botas e um cinto mas sem espada.

Quando o Casal Real da Lua Branca se aproximou, fez uma vénia em sinal de respeito.

Tal como no Palácio da Lua, o de Saturno também tinha uma sala de visitas onde se sentaram para discutir a Aliança.


Entretanto, Dravna viajava para a outra parte do Universo, para um planeta gelado chamado Glaesis. Nesse planeta, viviam umas criaturas semelhantes a lagartos com capacidades de luta muito superiores. O Rei desse planeta, Frozen, era uma criatura enorme, com a pele roxa e branca e uma armadura castanha. A mulher, Rubla, era mais pequena, tinha a pele laranja e roxa e não usava armadura. Tinha os olhos vermelhos e o marido os olhos verde. O casal tinha um filho único chamado Chilled. Era pequeno, tinha os olhos vermelhos, a pele laranja e roxa e um capacete com longas hastes pretas. Todos tinham uma cauda comprida.

A nave da Lua Negra aterrou no hangar de Glaesis suavemente. Uma armada de guardas esperava a Rainha do Segundo planeta mais poderoso do Universo e escoltou-a até ao Palácio Real onde foi recebida pelos soberanos com toda a cortesia. Tal como Célia, Dravna também foi conduzida a uma sala de visitas onde se sentaram a discutir uma possível Aliança.

- Então, o que acham da minha proposta?- Perguntou Dravna. – É bastante generosa e benéfica para ambos.-

Estavam sentados a uma mesa na sala de visitas do Palácio Real de Glaesis. O Rei Frozen pensou antes de responder:

- Parece-me bem. Há muito tempo que não me junto com ninguém para uma guerra. Suponho que não haverá problema.-

Dravna sorriu. O seu primeiro acordo estava selado.


Em Saturno, a Rainha Kali levara Célia a conhecer a Sala do Talismã. Muito semelhante à de Manah em termos de dimensão, mas ao contrário desta última, tinha menos luz, penas um foco roxo iluminava uma vara comprida que terminava numa espécie de espada.

- Este é o Silence Grave.- Explicou Kali.- A nossa arma mais forte.- Célia olhou-a fascinada. Já tinha lido sobre ela nos pergaminhos de Manah mas vê-la ao vivo era fascinante. Kali continuou:

- Com ela, os nossos antepassados lutaram contra muitas ameaças do exterior. Até foi usada na última Batalha Final.-

A Rainha de Saturno virou-se para Célia. O seu olhar era triste, mas ao mesmo tempo era possível desvendar algum brilho ainda que pouco. Conclui o seu discurso:

- Apesar de não o querermos admitir, foi graças á Lua Branca que conseguimos recuperar o nosso antigo poder e também evoluir para o que vês agora.-

Célia fez uma expressão confusa como a que fizera quando Kirinah lhe explicou a inscrição na coluna do Templo de Manah. Kali apercebeu-se e explicou:

- Segundo o que me contou a minha Mestra de Amelesko, a nossa Ordem Sagrada, antigamente, Saturno era um planeta sombrio quase sem vida e, por isso, vulnerável a ataques exteriores. Os primeiros Xamãs que formaram este Reino, criaram uma arma poderosa que afastava não só os inimigos como também restaurava tudo á sua volta para que pudesse recomeçar sem que ninguém se lembrasse de nada.- Fez uma pausa. Saíram para o jardim. Era semelhante ao de Lua Branca. Com as suas flores roxas e de outras cores. O sol irradiava por entre as flores e iluminava tudo. O pequeno Príncipe brincava por entre as flores como Alexandrya também fazia. Estava feliz. Kali sorriu ao vê-lo.

Sentaram-se em cadeiras perto e a Rainha continuou:

- Mas esse poder tinha consequências ainda mais terríveis que a perda de memória: todos os que o utilizavam caíam num sono profundo e só acordavam quando outra guerra começava.- Fez nova pausa. Continuou:

- Este ciclo vicioso continuou até que a Primeira Rainha, a minha mãe, Shimento se aliou à Rainha Silewe da Lua Branca e a outras para lutar contra a Lua Negra. Foi uma batalha difícil mas acabamos por ganhar. – Kali olhou mais uma vez para o filho antes de continuar:

- Depois dessa batalha e quase a perder as forças, a Rainha Silewe juntou uma parte do Cristal Prateado ao nosso Slience Grave e transformou-o num poder capaz de purificar os corações e as almas de quem o utilizava e quem fosse atingido por ele. Isso fez com que o ciclo vicioso em estava mergulhado o planeta desaparecesse. Todos ficaram felizes e, assim, pudemos evoluir.-

Célia sorriu. Pegou nas mãos de Kali como fazia sempre que o assunto era delicado. Pediu-lhe uma última vez:

- Quero ajudar-vos mais uma vez. Por favor, vamos trabalhar juntas para que o futuro dos nossos filhos possa ser uma realidade.-

Kali sorriu em retribuição. Sem largar as mãos de Célia, respondeu:

-  Podem contar com a nossa ajuda.-  
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
     

 

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 2- III

Olá
Aqui fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
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III

Na Lua Negra, Dravna acabava de dar á luz a sua segunda filha a quem pôs o nome de Tendra. Era uma menina bonita com o cabelo castanho e olhos da mesma cor. Zircónia e Zyona estavam radiantes bem como Eliona e Orquédia.


Célia e Dravna recuperam rapidamente dos partos e puderam retomar as suas funções de Rainha.

Célia convocou a Primeira Reunião com as Rainhas dos planetas que formaram a Aliança do Millennium, tal como a Rainha Silewe havia feito há muito tempo. Esta Aliança era constituída pelos Planetas do Circuito Inner: Mercúrio, Marte, Júpiter, Vénus, Exekalor e Solaris; e do Circuito Outter: Úrano, Neptuno, Plutão e Saturno.

Do Circuito Inner vieram as Rainhas Nike de Mercúrio, que tinha o cabelo azul-escuro, olhos da mesma cor, apanhado numa trança virada para a frente, boca e nariz finos. Usava um vestido comprido azul-claro com uma capa terminava numa pregadeira com o símbolo de Mercúrio; Até de Marte, com o cabelo preto comprido apanhado num rabo-de-cavalo, olhos verdes, boca e nariz finos. Usava um vestido comprido vermelho com uma capa que terminava com uma pregadeira com o símbolo de Marte; Indum de Júpiter, com o cabelo curto verde-escuro, olhos da mesma cor, boca e nariz finos. Usava um vestido verde-claro com uma capa e uma pregadeira com o símbolo de Júpiter; Metzi de Vénus, com o cabelo comprido louro, olhos azul-celeste, um laço rosa na parte de trás da cabeça, boca e nariz finos. Usava um vestido laranja comprido com uma capa e uma pregadeira com o símbolo de Vénus; Ateagina de Exekalor, com o cabelo castanho comprido solto, olhos da mesma cor. Usava um vestido verde-escuro com uma capa com uma pregadeira com o símbolo de Exekalor; Hella de Solaris, com o cabelo laranja, apanhado num carrapito com uma madeixa de cada lado, olhos da mesma cor. Usava um vestido amarelo-torrado, com uma capa que terminava numa pregadeira com o símbolo de Solaris.

Do Ciscuito Outter, vieram as Rainhas: Aether de Úrano, de cabelo dourado, curto, olhos da mesma cor. Usava um vestido comprido azul-escuro, com uma capa e uma pregadeira com o símbolo de Úrano; Calypso de Neptuno, de cabelo azul-esverdeado, apanhado num penteado elaborado, olhos da mesma cor. Usava um vestido azul-marinho com um capa e uma pregadeira com símbolo de Neptuno; Maat de Plutão, de cabelo vermelho-escuro comprido solto, olhos da mesma cor. Usava um vestido comprido grená com uma capa e uma pregadeira com o símbolo de Plutão e, finalmente, Kali de Saturno, de cabelo comprido preto-arroxeado, apanhado numa trança longa, os olhos eram escuros. Usava um vestido comprido roxo com um capa e uma pregadeira com o símbolo de Saturno.

Como nenhuma das presentes tinha experiência quer em estratégia militar, quer em combate, apesar de terem treinado nas Ordens Sagradas dos respectivos Planetas, as Rainhas contaram com a ajuda não só dos Xamãs do Conselho Real mas também da informação recolhida por Célia em Manah sobre o Exercito Real anterior. A mesa era redonda como a Távora Redonda, assim estavam todas em igualdade.


Entretanto, na Lua Negra, Dravna reuniu com os Xamãs do Conselho Real e alguns Generais da Guarda Real na Sala de Reuniões do Palácio Negro. Estavam sentados á volta de uma mesa com muitos esquemas em papel mas também vídeos de batalhas anteriores.

Tal como Célia, Dravna também optara por consultar a informação disponível sobre o Exército anterior.

- Muito bem, meus senhores.- Começou Dravna. Estava ligeiramente nervosa visto ser a sua primeira reunião como Rainha, pelo que a voz soou trémula. Eliona encorajava-a com o olhar. Prosseguiu:

- Como sabem, chamei-vos aqui para discutirmos uma estratégia de combate de modo a destruir de uma vez por todas a Lua Branca. Para isso, recorri não só á informação disponível no Arquivo de Infinus mas também aos relatos feitos pela Sacerdotisa-Mor.-

Houve um leve murmúrio na sala. Depois, um dos Generais da Guarda, Erigon, levantou-se e falou:

- Minha Rainha, se me permite, acho que ainda é cedo para discutir uma estratégia no sentido de iniciar uma guerra. Sugiro, por isso, que se concentre em temas mais urgentes.-

Dravna ficou irritada com aquelas palavras. Respirou fundo e perguntou com um tom de voz calmo:

- Então, o que sugere, General?-

Erigon respondeu:

- Simplesmente saber o que pretende fazer em relação ao Reino. As questões externas devem ser tratadas mais adiante.-

O General era um homem altivo, corpulento, de olhos escuros e cabelo tão curto que não dava para distinguir a cor. Tinha sido nomeado por Zircónia para chefear as tropas da Guarda Real logo após o casamento. Vestia uma farda semelhante á de Zircónia mas mais clara e com menos medalhas pois a sua experiência em combate era pouca.

Dravna não se deixou intimidar pelas palavras. Por muita importância que tivessem na tomada de decisões, ela continuava a ser a Rainha e sempre lhe ensinaram que a palavra da Rainha era sagrada. Por isso, disse, levantando-se com um ar determinado:

- Bem sei que ainda é cedo para se estar a discutir um assunto desta natureza, mas as circunstâncias levaram-me a isso.- Continuou:- Com isso, peço que, pelo menos, dêem uma vista de olhos nestes papéis e depois me comuniquem a vossa decisão.-

Eliona distribuiu uma cópia dos documentos encontrados por Dravna acerca da sua família e da Lua Branca a cada um dos presentes na reunião. Quando terminou, Dravna disse:

- E assim dou por terminada a reunião. Até à próxima, meus senhores.-

 


Na Lua Branca, a situação era bem diferente. Todas pareciam estar de acordo com a estratégia apresentada pela Rainha Célia. Quanto á aliança, só algumas Rainhas estavam dispostas a cooperar com a Lua Branca. Mercúrio, Marte, Júpiter, Vénus, Exekalor e Solaris do Circuito Inner já o Circuito Outter com Ùrano, Neptuno, Plutão e Saturno parecia mais resistente. As relações entre todos estavam cortadas há muito tempo e era difícil chegar a um consenso mas tinham de o fazer pelo bem do Universo Magico.

- Os nossos planetas são perfeitamente capazes de combater com os seus próprios meios. Não precisamos da ajuda de outros.- Diziam as Rainhas Outter.

O principal objector era Saturno, uma vez que era considerado o planeta mais poderoso a seguir á Lua Branca. Célia lera nos apontamentos da sua mãe que a aliança com Saturno tinha sido a mais difícil de negociar uma vez que este planeta dispunha não só da tecnologia como da magia mais fortes e, consequentemente, eram mais auto-suficientes de todo o Universo. Contavam com uma longa descendência de guerreiros que sempre lutaram de forma independente. Já os outros três formavam uma aliança própria e pareciam não estar dispostos a incluir mais elementos.

Célia voltou a insistir:

- Mas se nos unirmos conseguimos alcançar a vitória mais facilmente. Por favor, pensem ao menos nisto.-

Todas pareceram concordar e Célia deu por encerrada a reunião. 
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E pronto. 
Mais uma vez, espero que gostem. 
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana  

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 2- II

Olá
Aqui fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
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II

Célia largou Kirinah e limpou as lágrimas. Depois disse, sorrindo:

- Ainda não me disse o que aconteceu às informações referentes a Chastity.-

Kirinah corou, pois com aquelas revelações esquecera-se de lhe contar o que acontecera com Chastity. Então, recomeçou a falar:

- Bom, em relação à tua sobrinha, o que aconteceu foi que, como o Palácio foi destruído com a guerra, toda a informação disponível foi destruída também. Apenas a sua pintura foi recuperada e está algures na Zona Proibida.-

Célia voltou à Biblioteca e recomeçou a procurar entre os pergaminhos e manuscritos. Passado um bocado, apareceu á porta com um quadro de uma rapariga com o cabelo castanho curto, olhos claros e um vestido branco com alguns adornos. Kirinah sorriu ao olhar para o quadro, mas também se mostrou surpreendida:

- É esse mesmo. Ainda bem que o encontraste.-

Célia pousou-o em cima do banco e disse:

- Agora só falta levá-lo para o Palácio e pô-lo ao lado dos outros.-

Kirinah sorriu:

- Sim para que as gerações futuras o possam admirar e saber quem foram os seus antepassados.-

Célia pousou a mão no ventre e sorriu. Kirinah sorriu também. Uma nova vida vinha a caminho para encher de alegria um Palácio vazio.

E assim, passados 8 meses, nasceu Alexandrya.


Dravna também tinha ido a Infinus recolher informações e também descobrira que nascera no Templo e não na Lua Negra.

Tal como Célia, Dravna conseguiu perdoar Gorélia por lhe ter escondido a verdade. Afinal, estava só a tentar protegê-la. E depois não havia motivo para ficarem zangadas. Era tempo de sorrir porque a Rainha esperava uma nova vida.

Passados 8 meses, nasceu Zyona.


Depois de ir a Manah e de ter nascido a Princesa Alexandrya, Célia já tinha convocado as Rainhas para uma reunião, mas apenas para depois do nascimento da sua segunda filha.

Também Tarina tinha casado, mas com o escudeiro do Rei, Elion, e tinha uma filha chamada Ondine. Tinha o cabelo preto como o da mãe e os olhos castanhos como o pai. Vestia um vestido azul com um laço e usava uma trança como a mãe quando era criança. Tinha a mesma idade da Princesa o que fazia com que gostassem das mesmas coisas e fossem as melhores amigas tal como as mães o foram em tempos.

Como Célia estava debilitada com a gravidez, Afron ficava mais tempo com ela dentro do Palácio. Por isso, Tarina era quem tomava conta das pequenas traquinas.


Na Lua Negra, a situação era a mesma.


-Meninas, não vão para muito longe, por favor!- ralhava Tarina, ofegante depois de andar atrás delas.

Célia observava a cena da varanda acompanhada por Afron e Gordélia que decidira ficar para ajudar Tarina com as crianças. A barriga redonda e lisa de Célia sobressaía e ela gostava de a acariciar como que para dizer que, quando nascesse, estaria em segurança. Fora Gorélia, com a ajuda de Tarina, que realizara o primeiro parto da Rainha. Alexandrya nascera num dia de sol tal como o que estava naquele momento. Os raios entravam pela janela aberta com que a dar as boas-vindas à Princesa.  

E agora não ia ser diferente. O nascimento estava próximo, pelo que o quarto já estava preparado para o segundo parto. Os lençóis tinham sido tirados bem como as almofadas ficando apenas a de Célia. A janela estava aberta para que o ar circulasse de modo a que, quer a mãe quer o bebé pudessem respirar a brisa primaveril.

As dores de parto não tardaram a aparecer. Gordélia chamou Tarina que trouxe as crianças para dentro e deixou-as com Afron. Ajudaram Célia a deitar-se na cama e fecharam a porta do quarto. Do lado de fora, Afron e as meninas aguardavam com grande expectativa e nervosismo.

Tudo aconteceu tão rápido como no primeiro parto, e assim que se ouviu o choro do bebé, Afron e as meninas foram chamadas a entrar por Tarina.

As lágrimas e o suor corriam pela cara de Célia, ainda a recuperar do esforço mas muito feliz. Os cabelos em desalinho, espalhados pela almofada. A cama tinha sido novamente feita, pelo que os lençóis manchados já lá não estavam e Célia estava tapada. Nos seus braços, segurava, enrolada em tecidos finos e suaves, uma bebé com o cabelo azul, olhos castanhos. Afron e Alexandrya aproximaram-se da cama. A alegria estava estampada na cara dos dois, um por ter sido pai novamente e a outra por ter uma irmã com quem brincar para além de Ondine.

Afron beijou a testa da mulher e sorriu olhando para a sua filha recém-nascida.

- Vai chamar-se Kimi.- Disse Célia sorrindo.

- Sê bem-vinda, Kimi.- Acrescentou Afron também sorrindo.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
   

 

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 2- I

Olá
Aqui fica o primeiro capítulo da segunda parte.
Espero que gostem.
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I

Alexandrya era uma menina traquina. No auge dos seus 4 anos de idade, conseguia ser mais arisca que a sua mãe. Tinha o cabelo castanho-claro apanhado em dois ondangos que terminavam em duas madeixas entrançadas. Os olhos eram castanhos e vivos. Gostava de correr pelos jardins do Palácio e de comer morangos e outros frutos silvestres que os Jardineiros Reais lhe traziam para o lanche. Usava um vestido bege com um laço azul- escuro atrás.

Passaram-se alguns anos desde o casamento de Célia e Afron. Alexandrya era a primeira filha do casal, já que Célia esperava outra Princesa.


Na Lua Negra, a situação era idêntica. Dravna também já tinha uma filha. Chamava-se Zyona e tinha o cabelo preto e sedoso, olhos da mesma cor, boca e nariz finos. Tinha a mesma idade de Alexandrya. E, tal como Célia, também Dravna esperava outra Princesa.


Antes de Alexandya nascer, Célia foi a Manah para saber mais sobre a sua família e encontrou coisas interessantes, entre as quais a constituição do Primeiro Exército Real. Reunia algumas das mais poderosas Rainhas do Universo Mágico e que a própria Rainha fizera parte dele como Guardiã. Enquanto estava em Manah, recebera treinos para se tronar Rainha mas também Guardiã do seu planeta. Por isso, recebera um medalhão em forma de losângulo com a lua gravada e o nome de Guardiã de Sailor Crystal Moon e a sua mãe recebera um medalhão em forma de flor e o título de Sailor Royal Moon. Mas não encontrara referentes à sua sobrinha Chastity.

- Mestra, onde estão as informações referentes à minha sobrinha? Porque não estão aqui? O que lhes aconteceu?-

Kirinah, que estava distraída com uns pergaminhos, surpreendeu-se com as perguntas. Virou-se para a antiga discípula e respondeu-lhe com um sorriso:

- Estou a ver que não te contaram todos os pormenores. Foi por isso que vieste até aqui. Pois muito bem. Eu vou contar-te. Vamos para um sítio mais arejado para podermos conversar mais à vontade.-

Saíram da Zona Proibida da Biblioteca e dirigiram-se ao banco de jardim debaixo da árvore. Célia sorriu ao lembrar-se de todos os momentos passados ali.

- Como sabes, a Primeira Rainha teve duas filhas. Selene e tu.- respirou fundo antes de continuar:

- Também sabes que nesse tempo, a Lua Branca e a Lua Negra estavam em paz. E que durante esse tempo nasceu Selene.- Fez nova pausa e continuou:

- Mas o que não sabes é que Selene casou antes de tu nasceres.- Célia mostrava-se cada vez mais curiosa. Kirinah continuou e desta vez sem rodeios:

- Naquele tempo, quando eu era criança, e Selene casou, a Rainha Silewe esteve para abdicar do trono por não ser permitido que a Lua Branca fosse governada por duas Rainhas. Mas Selene não quis ser Rainha apesar do seu imenso poder e de ter casado. E Silewe teve de continuar no trono. Passado um tempo, nasceu Chastity. Depois de ela crescer e se fazer mulher, a guerra recomeçou e durou mais tempo do que previsto. E desta vez a Rainha não pôde participar em grande parte porque estava grávida de ti.-

Célia fez um ar de espanto. Kirinah continuou:

- Sim, é verdade. Ninguém esperava que acontecesse mas aconteceu.- Kirinah levantou-se e foi até ao sítio onde Célia costumava dormir. Virou-se para ela e continuou:

- Quando chegou a altura do teu nascimento, a guerra parecia não ter fim. Por isso, eu e a Rainha decidimos que nascerias aqui. Concedemos a que o Rei viesse assistir ao parto e assim foi. Tu não foste enviada para aqui. Nasceste aqui e foste mantida em segurança e em sigilo durante 20 anos. Quanto a Tarina, a história que te contaram é verdadeira.-

Quando Kirinah terminou, as lágrimas corriam pelo rosto de Célia, que se levantou bruscamente e disse entre soluços:

- Porque não me contou antes a verdade? Porquê? Foi por medo que eu quisesse voltar a Lua Branca?-

Kirinah respondeu de forma calma e tentando ignorar o choro de Célia:

- Não te contei porque a Rainha me pediu.- Célia foi ao encontro de Kirinah que estava ao pé da porta daquele que outrora tinha sido o seu quarto. A Sacerdotisa pôs-lhe a mão no ombro para a tentar consolar mas Célia desviou-a com brusquidão. Kirinah continuou:

- Naquela altura, eu era muito jovem. Tinha acabado de me tornar Sacerdotisa-Mor após o retiro da minha antecessora Arinah, mas percebi a razão do pedido. Estávamos em guerra e o sítio mais seguro era aqui.- Virou-se para Célia que ainda tinha os olhos com lágrimas mas conseguiu olhar de novo para Kirinah, que rematou:

- Compreendes agora porque não te contei? Queria proteger a Princesa, mas ao mesmo tempo, a única esperança da Rainha Silewe para que a paz pudesse perdurar.-

 Kirinah ia afastar-se para deixar Célia sozinha com os seus pensamentos, mas foi impedida por esta que a agarrou por um braço e a abraçou. Entre soluços ainda conseguiu dizer:

- Obrigada.-
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana