sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- XIII

Olá
Depois da pausa, a história continua.
Aqui está o capitulo da semana.
Espero que gostem.
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XIII

No dia seguinte, tal como tinham combinado, Célia e Afron saíram para passear por Lua Branca. Foram ambos a cavalo naquela manhã de sol.

Apesar de nunca ter montado, pois em Manah não havia cavalos, Célia parecia que já montava há muito tempo, tal foi a eficácia com que subiu para cima do animal e seguiu Afron a galope. Ambos os cavalos eram belos e elegantes. O de Afron era castanho e o de Célia branco. Para além dos cavalos, levaram ainda um cesto com alguma comida preparada por Tarina e pelos cozinheiros reais.

Naquele dia, Célia vestia um vestido azul-claro, sabrinas brancas e uma longa capa branca.  Já Afron vestia um fato castanho, botas de montar pretas e um cinto com uma espada.

Gordénia e Tarina estavam muito confiantes em relação a este passeio pois tinham a certeza de que seria uma maneira de aproximar os dois e talvez fazer com que se entendessem melhor.


Na Lua Negra, também Dravna e Zircónia davam um passeio a cavalo pelo Reino. O cavalo de Dravna era negro e o de Zircónia cinzento.

Dravna levava um longo vestido cinza e Zircónia um fato de montar preto, botas castanhas e um cinto com uma espada. Dravna calçava sabrinas pretas.

Tal como Célia e Afron, Dravna e Zirc´nia levaram um cesto de pic-nic preparado por Gordélia que, juntamente com Orquédia, também partilhava muitas expectativas para este passeio dados os desenvolvimentos da noite anterior.

Dravna, como Célia também não mostrou grande dificuldade em montar a cavalo. Até se surpreendeu como o conseguira fazer sabendo que nunca o tinha experimentado.


Entretanto, na Lua Branca, Célia e Afron já tinham iniciado o seu passeio pelo Reino: foram à Cidade da Lua onde compraram peças de artesanato local e provaram as especialidades gastronómicas como os bolos da lua ou o sumo de cristal. Depois, seguiram caminho até à Floresta da Lua onde comeram a comida que tinham trazido. A Floresta da Lua era um local fresco e agradável, com grandes árvores que tapavam o céu, mas deixavam entrar os raios de sol por entre os ramos, fazendo o efeito de precianas ao amanhecer. O pó que se levantava do chão ao entrar a lua brilhava e parecia magia.

Os cavalos tinham sido presos a uma árvore, tinham estendido uma manta numa clareira perto de um pequeno riacho com uma cascata e um caminho de pedras que ia desde a margem onde estavam até à outra. O chão estava coberto de relva verde e fresca e pintalgado aqui e ali por flores de várias cores. De vez em quando, ouviam-se os pássaros no cimo das árvores a cantar e o zumbido dos insectos perto das flores.

Estavam os dois sentados sobre a manta com o cesto aberto a um canto. Já tinham comido grande parte da comida e estavam a aproveitar o ar fresco da floresta. Célia estava maravilhada como tudo o que já tinham visto: a Cidade, os campos cultivados, as montanhas circundantes do Reino, os vales verdejantes e a floresta. 

- Obrigada por me teres mostrado este Reino. Não imaginava que fosse tudo tão lindo e alegre!- agradeceu Célia depois de comerem.

Afron respondeu, sorrindo:

- Não foi nada. Afinal, foi por isso que combinámos. Por isso, tinha de te levar a todos os lugares que achava que ias gostar.-

Célia sorriu com aquela resposta. Levantou-se, tirou a capa, descalçou-se e, como uma criança, começou a correr pela relva a dançar, convidando Afron para se juntar a ela. Dançaram os dois descalços na relva até se cansarem e se deitarem de barriga para cima ofegantes, olharem um para o outro e rirem às gargalhadas. Por fim, Célia levantou-se e foi até à ao riacho onde molhou os pés para os lavar. Afron juntou-se a ela e ambos refrescaram os pés.

Célia levantou-se, mas como ainda tinha os pés molhados, escorregou e caiu em cima de Afron que se levantou para a aparar. Os seus rostos ficaram tão próximos que cada um podia ver os detalhes da cara do outro. Nesse momento, Célia sentiu um arrepio, voltou a desequilibrar-se, agarrou-se com tanta força a Afron e encostou tanto o seu rosto ao dele que acabou por beijá-lo.

Ficaram assim durante um bocado até Célia o largar e se afastar coada e atrapalhada. Foi até á manta, voltou a calçar-se e disse ainda corada:

- É melhor voltarmos, está a ficar tarde e já devem estar preocupados.-

Aforn voltou a calçar-se, desarmaram o pic-nic, amarraram a manta dobrada aos cavalos e seguiram de volta para o Palácio sem dizer uma única palavra.


Entretanto, na Lua Negra, o passeio de Dravna e Zircónia fora muito semelhante ao de Célia e Afron. Também passearam pela Cidade Negra e provaram as especialidades: os bolos negros e o suco cristalite. Depois, foram fazer o pic-nic para a Floresta Negra que era escura e sombria, mas não deixava de ser um local bastante romântico para um casal Negro como eles. Comeram quase toda a merenda preparada por Gordélia e, entre beijos e abraços, mas também alguns passeios, Dravna disse:

- Obrigada por me teres mostrado o Reino, não fazia ideia que era assim tão maravilhoso.-

Ao que Zircónia respondeu:

- Ainda bem que gostaste. Fico contente.-

Depois, arrumaram as coisas e puseram-se a caminho do Palácio.


Célia e Afron chegaram ao Palácio ao entardecer. Vinham muito sérios e desviavam o olhar um do outro cada vez que este se encontrava, virando a cara muito corados. Ainda estavam ressentidos com o que acontecera na floresta.

 Célia entrou no Palácio sem dirigir uma palavra a ninguém. Nem sequer a Tarina que achou estranho aquela atitude. Até Gorélia ficou surpreendida. Mas Tarina como Conselheira Real e amiga tinha o dever de saber o que se passava, por isso seguiu Célia até ao quarto.


Na Lua Negra, o cenário era diferente. Dravna e Zircónia chegaram muito animados do passeio e subiram juntos para o quarto deixando Orquédia e Eliona bastante surpreendidas.


Na Lua Branca, Célia subiu as escadas de acesso ao quarto apressadamente, seguida por Tarina. Ao entrarem no quarto, Célia fechou a porta com força e lançou-se nos braços de Tarina. Ficaram em silêncio durante um tempo, até Tarina perguntar sem largar Célia:

- Queres contar-me o que se passou no passeio ou vais continuar chateada?-

Célia largou-a e sentou-se na cama batendo no espaço ao lado para que a outra de sentasse. Assim que se sentaram, Célia segurou nas mãos de Tarina tal como fizera no primeiro dia que se viram em Manah. Depois, disse ainda um pouco hesitante:

- Tarina, promete-me que não contas a ninguém, nem a Gordélia. É muito importante. Isto tem de ficar só entre nós. Pelo menos até ter a certeza do que é definitivo.-

Tarina assentiu com a cabeça, sem dizer nada. Célia já sabia o que aquilo significava: que não ia contar a ninguém. Fazia sempre aquela expressão quando queria fazer uma promessa. Acontecia o mesmo em Manah quando alguma delas queria proteger a outra de um sermão de Kirinah por causa de algum disparate que alguma delas tinha feito e não queria que se soubesse. E Tarina cumpria sempre as suas promessas por mais difíceis que fossem. E, naquele momento, não era excepção.

Então, Célia disse, sem largar as mãos de Tarina:

- Eu e o Afron beijámo-nos na floresta. Foi muito rápido: eu tinha ido molhar os pés no riacho e depois escorreguei e ele amparou-me mas ficámos tão próximos que acabei por beijá-lo. E agora não sei se deva pedir desculpas ou simplesmente ignorá-lo. Estou confusa, acho que ainda não me sinto preparada para começar uma relação tão rapidamente. Preciso de ajuda e tu és a única que me compreende.-

Tarina sorriu e depois riu-se às gargalhadas sonoras. Depois disse ainda meio a rir:

- Mas era só por causa disso que estavas chateada? Pensei que fosse mais grave! Que se relacionava com a governação ou outra coisa qualquer! Agora isso! Célia, não deves ter medo daquilo que sentes! Se gostas dele, então vai à luta! Não desistas!-

Célia corou e tentou ripostar:

- Pára com os disparates o assunto é sério!- Depois levantou-se, largou as mãos de Tarina e foi até à varanda. Pousou as mãos no ferro e, olhando para o jardim, disse:

- Sabes, pensei que ia ser fácil esta coisa de ser Rainha e de casar, mas depois percebi que era mais difícil do que suportar os treinos de Manah que já de si eram duros. A vida real é mais dura.-

Virou-se, sorriu e continuou:

- Por isso ainda não me habituei á ideia do amor e gostava de ir com calma, mas parece que quer andar mais depressa e isso deixa-me confusa mas ao mesmo tempo ansiosa. Entendes?-

Quando acabou de falar, sentiu Tarina ao seu lado na varanda e depois a abraçá-la de novo e a sussurrar:

- Não tenhas pressa. Faz tudo a seu tempo.- Largou-a e acrescentou:

- E se fôssemos tomar um banho, mudar de roupa e descer? Gordélia já deve estar à nossa espera para jantar.-

Célia concordou. Voltaram para o quarto, fechando a porta da varanda atrás de si.


Entretanto, na Lua Negra, Drvana e Zircónia agiam como se já estivessem casados, entregando-se aos prazeres do amor, no quarto de Dravna onde declaram algo pela primeira vez que iria mudar as suas vidas: Amo-te.
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
 

 

domingo, 19 de agosto de 2018

Nota Breve

Olá
Sei que esperavam mais um capítulo, mas resolvi fazer uma pausa na publicação que prometo que será breve.
Até lá continuem a desfrutar do Verão!
Vemo-nos por aì.
Bjs
Joana

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- XII

Olá
Aqui fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
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XII

No Salão de baile da Lua Branca, Célia e Afron dançavam. Tal como em Lua Negra, também Célia demonstrava uma grande capacidade nesta arte, apesar de nunca o ter feito antes. Afron sabia acompanhá-la e isso mostrava como eles combinavam perfeitamente em tudo. Até Tarina e Gordélia estavam surpreendidas. Talvez Tarina estranhasse mais porque nunca tinha visto ninguém fazer as pezes e zangar-se tão depressa.

Tarina estava tão concentrada em Célia e Afron que quase não reparou no convite para dançar que recebera de um rapaz. Foi preciso Gordélia chamar-lhe a atenção. Era o pajem de Afron. Chamava-se Elion e já há algum tempo que tentava convencer a ir dançar. Tarina aceitou e foram para a pista.

Agora, dois pares brilhavam na pista: Célia e Afron e Tarina e Elion. Tal como Célia, também Tarina demonstrava que tinha talento para a dança, apesar de nunca o ter feito antes. Até a própria estava admirada.

Quando a música parou, ambos fizeram uma vénia e retiraram-se para dar lugar a outros, no meio de uma salva de palmas que muito os surpreendeu e comoveu. Até Gordélia bateu palmas e se emocionou com a cena.

Depois, os rapazes foram buscar bebidas pois todos tinham ficado com sede depois de toda aquela dança. Entretanto, as raparigas foram para a varanda apanhar um pouco de ar.

O nervosismo e a ansiedade que sentiam tinham desaparecido com a dança e a agitação da festa, quer os rapazes quer as raparigas estavam muito descontraídos e falavam alegremente enquanto tomavam as suas bebida.


Entretanto, na Lua Negra, o cenário era bem diferente. Dravna e Zircónia pareciam entender-se cada vez melhor o que muito agradava a Orquédia, pois sentia que a sua retirada para Infinus iria estar para breve.

Depois dos agradecimentos, Dravna e Zircónia ainda estavam atrapalhados e em choque. Dravna tentou desculpar-se:

- Aquilo foi inesperado. Desculpa! Não era bem isto que queria dizer! Saiu-me e pronto!-

Fez uma pausa e continuou:

- Deve ser dos copos que bebi! Fazem-me dizer coisas que não quero! Espero que me desculpes.-

Zircónia riu-se e disse:

- Não! Eu é que tenho de pedir desculpa! Afinal fui eu que te trouxe a bebida!-

Dravna ripostou:

- Não, não! Eu é que peço desculpa! Fui eu que te beijei! Tu não tiveste culpa de nada!-

Então, Zircónia agarrou o rosto de Dravna como quem segura um objecto frágil e beijou-a delicadamente. Depois disse:

- Desculpas aceites. Não se fala mais nisso.-

Dravna corou e com um ligeiro sorriso e aproximando-se de Zircónia segredou-lhe ao ouvido:

- Eu sei que ainda agora nos conhecemos e que não devia estar a propor isto, mas queres passear comigo amanhã pelo reino? É que eu ainda não o conheço bem e como tu estás aqui há mais tempo pensei que talvez me quisesses mostrar as redondezas.-

Zircónia sorriu e, tal como Dravna, também lhe segredou ao ouvido:

- Eu aceito a tua proposta. Vou levar-te a conhecer o reino.-
 
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Vemo-nos por aí.
Boas Férias.
Bjs
Joana

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- XI

Olá
Depois de uma pequena pausa, já estou de volta com mais um capítulo.
Espero que gostem.
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XI

Entretanto, na Lua Negra, Dravna e Zircónia dançavam ao som da Valsa Negra. Apesar de nunca ter dançado, Dravna parecia que sempre tinha dançado: a delicadeza dos passos e a graciosidade dos movimentos saíam-lhe tão naturalmente que parecia que era ela que conduzia a dança e não Zircónia.

Todos os convidados, incluindo Eliona e Orquédia, estavam espantados não só com a dança mas também com o par: durante toda a noite, a Princesa não estivera com mais ninguém senão Zircónia.

Quando a dança acabou, todos bateram palmas e ambos agradeceram com uma vénia. Sairam da pista para dar lugar a outros pares e Dravna pediu uma bebida a Zircónia pois a dança tinha-a deixado com sede.

Enquanto ele foi buscar a bebida, ela encaminhou-se para a varanda para apanhar um pouco de ar. Estava uma noite calma e sombria. Tudo á volta do Palácio parecia escuro e assustador. Dravna fechou os olhos para melhor apreciar a aragem que se fazia sentir de vez em quando. Estava tão descontraída que não reparou que Eliona estava a seu lado. Apenas quando esta disse:

- Estou a ver que te dás muito bem com o General Zircónia. Não o largaste toda a noite!-

Dravna respondeu não deixando de olhar em frente:

- É um homem muito gentil e educado. E, além disso, dança bem. Acho que dará um bom Rei no futuro.-

Eliona ia responder, mas foi interrompida por Zircónia que trazia as bebidas. Entregou um copo a Dravna e ofereceu outro a Eliona mas esta recusou dizendo que já tinha bebido demais. Fez uma vénia e retirou-se para o salão, deixando Dravna e Zircónia sozinhos na varanda.

Dravna segurava o copo do lado de fora da varanda. Estava de pé virada para a frente e Zircónia estava a seu lado na mesma posição. Estavam em silêncio a olhar a noite. Foi Zircónia quem quebrou o silêncio:

- Dança muito bem, Princesa.-

Dravna soltou uma gargalhada. Depois olhou para ele e respondeu ainda meio a rir:

- Desculpe, nunca ninguém me tinha tratado com tanto gentileza e respeito, mas a cara séria que fez quando me disse isso é que me fez rir.-

Fez uma pausa em se acalmou e continuou:

- Não é preciso falar comigo como se estivesse a falar com as suas tropas. Afinal, somo comprometidos, não é? Por isso, devíamos deixar as formalidades de lado e tratarmo-nos de uma forma mais descontraída. O que achas?-

Zircónia respondeu:

- Acho bem. Até porque não sou muito dado a formalidades. Principalmente com mulheres.-

Dravna fez um trejeito. Zircónia ficou atrapalhado e tentou explicar:

- Não ma interpretes mal, por favor! Ultimamente até nem tenho estado com muitas mulheres por causa da Guarda Negra. A não ser com a minha mãe, claro, por causa do compromisso, mas de resto mais ninguém! Também não precisas de ficar com essa cara. Afinal, acabámos de nos conhecer! Ainda é cedo para ficares com ciúmes!-

Fez uma pausa e ia continuar, mas foi ‘calado’ por Dravna que cobriu a sua boca com a dela num beijo inesperado. Ficaram assim durante algum tempo, até se largarem e Dravna exclamar ainda meio atrapalhada:

- Não sei o que me deu, a sério. Peço desculpa, mas é que tinha de arranjar uma forma de te calar e a única que encontrei foi esta… Por isso espero que me perdoes.-

Desta vez foi Zircónia que interrompeu Dravna com um beijo. Ficaram mais algum tempo assim, até se largarem novamente e Zircónia responder:

- Eu perdoo-te. Não te preocupes. Agora, estamos quites.-

Ficaram um tempo em silêncio e depois disseram os dois ao mesmo tempo:

- Obrigado.-
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana