Depois da pausa, a história continua.
Aqui está o capitulo da semana.
Espero que gostem.
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XIII
No dia seguinte, tal como tinham combinado, Célia e
Afron saíram para passear por Lua Branca. Foram ambos a cavalo naquela manhã de
sol.
Apesar de nunca ter montado, pois em Manah não havia
cavalos, Célia parecia que já montava há muito tempo, tal foi a eficácia com
que subiu para cima do animal e seguiu Afron a galope. Ambos os cavalos eram
belos e elegantes. O de Afron era castanho e o de Célia branco. Para além dos
cavalos, levaram ainda um cesto com alguma comida preparada por Tarina e pelos
cozinheiros reais.
Naquele dia, Célia vestia um vestido azul-claro,
sabrinas brancas e uma longa capa branca.
Já Afron vestia um fato castanho, botas de montar pretas e um cinto com
uma espada.
Gordénia e Tarina estavam muito confiantes em
relação a este passeio pois tinham a certeza de que seria uma maneira de
aproximar os dois e talvez fazer com que se entendessem melhor.
…
Na Lua Negra, também Dravna e Zircónia davam um
passeio a cavalo pelo Reino. O cavalo de Dravna era negro e o de Zircónia
cinzento.
Dravna levava um longo vestido cinza e Zircónia um
fato de montar preto, botas castanhas e um cinto com uma espada. Dravna calçava
sabrinas pretas.
Tal como Célia e Afron, Dravna e Zirc´nia levaram um
cesto de pic-nic preparado por Gordélia que, juntamente com Orquédia, também
partilhava muitas expectativas para este passeio dados os desenvolvimentos da
noite anterior.
Dravna, como Célia também não mostrou grande
dificuldade em montar a cavalo. Até se surpreendeu como o conseguira fazer
sabendo que nunca o tinha experimentado.
…
Entretanto, na Lua Branca, Célia e Afron já tinham
iniciado o seu passeio pelo Reino: foram à Cidade da Lua onde compraram peças
de artesanato local e provaram as especialidades gastronómicas como os bolos da
lua ou o sumo de cristal. Depois, seguiram caminho até à Floresta da Lua onde
comeram a comida que tinham trazido. A Floresta da Lua era um local fresco e
agradável, com grandes árvores que tapavam o céu, mas deixavam entrar os raios
de sol por entre os ramos, fazendo o efeito de precianas ao amanhecer. O pó que
se levantava do chão ao entrar a lua brilhava e parecia magia.
Os cavalos tinham sido presos a uma árvore, tinham
estendido uma manta numa clareira perto de um pequeno riacho com uma cascata e
um caminho de pedras que ia desde a margem onde estavam até à outra. O chão
estava coberto de relva verde e fresca e pintalgado aqui e ali por flores de
várias cores. De vez em quando, ouviam-se os pássaros no cimo das árvores a
cantar e o zumbido dos insectos perto das flores.
Estavam os dois sentados sobre a manta com o cesto
aberto a um canto. Já tinham comido grande parte da comida e estavam a
aproveitar o ar fresco da floresta. Célia estava maravilhada como tudo o que já
tinham visto: a Cidade, os campos cultivados, as montanhas circundantes do
Reino, os vales verdejantes e a floresta.
- Obrigada por me teres mostrado este Reino. Não
imaginava que fosse tudo tão lindo e alegre!- agradeceu Célia depois de comerem.
Afron respondeu, sorrindo:
- Não foi nada. Afinal, foi por isso que combinámos.
Por isso, tinha de te levar a todos os lugares que achava que ias gostar.-
Célia sorriu com aquela resposta. Levantou-se, tirou
a capa, descalçou-se e, como uma criança, começou a correr pela relva a dançar,
convidando Afron para se juntar a ela. Dançaram os dois descalços na relva até
se cansarem e se deitarem de barriga para cima ofegantes, olharem um para o
outro e rirem às gargalhadas. Por fim, Célia levantou-se e foi até à ao riacho
onde molhou os pés para os lavar. Afron juntou-se a ela e ambos refrescaram os
pés.
Célia levantou-se, mas como ainda tinha os pés
molhados, escorregou e caiu em cima de Afron que se levantou para a aparar. Os
seus rostos ficaram tão próximos que cada um podia ver os detalhes da cara do
outro. Nesse momento, Célia sentiu um arrepio, voltou a desequilibrar-se,
agarrou-se com tanta força a Afron e encostou tanto o seu rosto ao dele que
acabou por beijá-lo.
Ficaram assim durante um bocado até Célia o largar e
se afastar coada e atrapalhada. Foi até á manta, voltou a calçar-se e disse
ainda corada:
- É melhor voltarmos, está a ficar tarde e já devem
estar preocupados.-
Aforn voltou a calçar-se, desarmaram o pic-nic,
amarraram a manta dobrada aos cavalos e seguiram de volta para o Palácio sem
dizer uma única palavra.
…
Entretanto, na Lua Negra, o passeio de Dravna e
Zircónia fora muito semelhante ao de Célia e Afron. Também passearam pela
Cidade Negra e provaram as especialidades: os bolos negros e o suco cristalite.
Depois, foram fazer o pic-nic para a Floresta Negra que era escura e sombria,
mas não deixava de ser um local bastante romântico para um casal Negro como
eles. Comeram quase toda a merenda preparada por Gordélia e, entre beijos e
abraços, mas também alguns passeios, Dravna disse:
- Obrigada por me teres mostrado o Reino, não fazia
ideia que era assim tão maravilhoso.-
Ao que Zircónia respondeu:
- Ainda bem que gostaste. Fico contente.-
Depois, arrumaram as coisas e puseram-se a caminho
do Palácio.
…
Célia e Afron chegaram ao Palácio ao entardecer.
Vinham muito sérios e desviavam o olhar um do outro cada vez que este se
encontrava, virando a cara muito corados. Ainda estavam ressentidos com o que
acontecera na floresta.
Célia entrou
no Palácio sem dirigir uma palavra a ninguém. Nem sequer a Tarina que achou
estranho aquela atitude. Até Gorélia ficou surpreendida. Mas Tarina como
Conselheira Real e amiga tinha o dever de saber o que se passava, por isso
seguiu Célia até ao quarto.
…
Na Lua Negra, o cenário era diferente. Dravna e
Zircónia chegaram muito animados do passeio e subiram juntos para o quarto
deixando Orquédia e Eliona bastante surpreendidas.
…
Na Lua Branca, Célia subiu as escadas de acesso ao
quarto apressadamente, seguida por Tarina. Ao entrarem no quarto, Célia fechou
a porta com força e lançou-se nos braços de Tarina. Ficaram em silêncio durante
um tempo, até Tarina perguntar sem largar Célia:
- Queres contar-me o que se passou no passeio ou
vais continuar chateada?-
Célia largou-a e sentou-se na cama batendo no espaço
ao lado para que a outra de sentasse. Assim que se sentaram, Célia segurou nas
mãos de Tarina tal como fizera no primeiro dia que se viram em Manah. Depois,
disse ainda um pouco hesitante:
- Tarina, promete-me que não contas a ninguém, nem a
Gordélia. É muito importante. Isto tem de ficar só entre nós. Pelo menos até
ter a certeza do que é definitivo.-
Tarina assentiu com a cabeça, sem dizer nada. Célia
já sabia o que aquilo significava: que não ia contar a ninguém. Fazia sempre
aquela expressão quando queria fazer uma promessa. Acontecia o mesmo em Manah
quando alguma delas queria proteger a outra de um sermão de Kirinah por causa
de algum disparate que alguma delas tinha feito e não queria que se soubesse. E
Tarina cumpria sempre as suas promessas por mais difíceis que fossem. E,
naquele momento, não era excepção.
Então, Célia disse, sem largar as mãos de Tarina:
- Eu e o Afron beijámo-nos na floresta. Foi muito
rápido: eu tinha ido molhar os pés no riacho e depois escorreguei e ele
amparou-me mas ficámos tão próximos que acabei por beijá-lo. E agora não sei se
deva pedir desculpas ou simplesmente ignorá-lo. Estou confusa, acho que ainda
não me sinto preparada para começar uma relação tão rapidamente. Preciso de
ajuda e tu és a única que me compreende.-
Tarina sorriu e depois riu-se às gargalhadas
sonoras. Depois disse ainda meio a rir:
- Mas era só por causa disso que estavas chateada?
Pensei que fosse mais grave! Que se relacionava com a governação ou outra coisa
qualquer! Agora isso! Célia, não deves ter medo daquilo que sentes! Se gostas
dele, então vai à luta! Não desistas!-
Célia corou e tentou ripostar:
- Pára com os disparates o assunto é sério!- Depois
levantou-se, largou as mãos de Tarina e foi até à varanda. Pousou as mãos no
ferro e, olhando para o jardim, disse:
- Sabes, pensei que ia ser fácil esta coisa de ser
Rainha e de casar, mas depois percebi que era mais difícil do que suportar os
treinos de Manah que já de si eram duros. A vida real é mais dura.-
Virou-se, sorriu e continuou:
- Por isso ainda não me habituei á ideia do amor e
gostava de ir com calma, mas parece que quer andar mais depressa e isso
deixa-me confusa mas ao mesmo tempo ansiosa. Entendes?-
Quando acabou de falar, sentiu Tarina ao seu lado na
varanda e depois a abraçá-la de novo e a sussurrar:
- Não tenhas pressa. Faz tudo a seu tempo.- Largou-a
e acrescentou:
- E se fôssemos tomar um banho, mudar de roupa e
descer? Gordélia já deve estar à nossa espera para jantar.-
Célia concordou. Voltaram para o quarto, fechando a
porta da varanda atrás de si.
…
Entretanto, na Lua Negra, Drvana e Zircónia agiam
como se já estivessem casados, entregando-se aos prazeres do amor, no quarto de
Dravna onde declaram algo pela primeira vez que iria mudar as suas vidas:
Amo-te.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
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