terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Uma pinga por gota- Um brinde ao absurdo

Olá
Hoje, deixo-vos com uma fanfction de um só capitulo, o chamado 'One Shot', de Sailor Moon.
Espero que gostem.
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Uma pinga por gota- Um brinde ao absurdo

Chove. Um vulto aproxima-se subindo a rua mal iluminada. Dá passadas largas e ritmadas com os pingos da chuva grossa.

Ao aproximar-se de uma candeeiro com luz fraca e trémula, vê-se tratar-se de um rapaz alto, vestido com uma gabardina castanho-escura, com a gola para cima de modo a proteger o pescoço e a cara da chuva. O cabelo preto recebia os pingos que se acumulavam nas pontas. 

Nesse momento, só pensava em chegar rapidamente a casa. Embora, não se importasse com a chuva, apetecia-lhe estar num sítio quente e acolhedor como o seu apartamento que gostava de chamar «apartamento para um». Mais alguns passos e estaria na sua rua.

Resolveu tirar as chaves do bolso da gabardina. No momento em que as sentia na mão, passou por ele, em passo acelerado, uma rapariga com longos cabelos louros esvoaçantes apanhados de cada lado por dois ondangos no alto da cabeça que caíam em duas madeixas. Estava vestida com uma gabardina amarela e um par de galochas da mesma cor. Tinha, ainda, um guarda-chuva vermelho. Roçou-lhe ao de leve no ombro. Justamente o ombro do braço que terminava na mão que segurava as chaves! Estas caíram-lhe novamente para o fundo do bolso. A rapariga continuou o seu caminho desaparecendo na sombra.

«Devia ser uma dessas raparigas do liceu que perdera a noção do tempo no salão de jogos ou noutro sítio e agora voltava a correr para casa.» Pensou. Instantes depois interrogou-se sobre aquele pensamento. Porque raio pensara aquilo? Não tinha nada a ver com a vida daquela rapariga.

Sem se aperceber, recuperara as chaves e estava á porta de casa. Será que o embalo do encontrão que levara o fizera andar mais depressa? Tirou as chaves do bolso, procurou a da porta principal do prédio e enfiou-a na fechadura que abriu com um clique. Depois, como era seu hábito, foi ver o correio. Contas. Da luz, água, telefone e gás. Como era possível que um rapaz que vivia sozinho gastasse tanto em casa? Afastou o pensamento absurdo da sua mente e chamou e elevador que não tardou a chegar com leve rangido. Carregou no botão do 3º andar.

Quando chegou, e depois de fechar a porta castanha, entrar no apartamento solitário e sombrio, tirou a gabardina molhada e pendurou-a num cabide para secar. Descalçou-se e foi para a casa de banho tomar um banho quente. Vestiu o pijama. Com a toalha na cabeça, acendeu a luz do pequeno candeeiro da sala e serviu-se de um whisky. Duas pedras de gelo. Nunca fora de beber, mas depois do dia stressante no trabalho, sabia-lhe bem relaxar. Comera qualquer coisa no bar da empresa, por isso considerou-se jantado.

Sentou-se na poltrona de braços. O copo pousado na mesa em frente. Gonçalo pegou nele, levantou-o na direcção da janela pingada da chuva que continuava a cair e, num brinde ao absurdo, murmurou: «Uma pinga por gota.»     
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bjs
Joana

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