Olá
Aqui está o 1º capitulo!
Espero que gostem.
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I
O
Desaparecimento
Fazer
amor com o maior criminoso de Gothan
é algo improvável mas quando esse criminoso é a pessoa que amamos transforma-se
num prazer. As carícias, os beijos, as palavras segredadas ao ouvido faziam o
meu corpo tremer por inteiro.
Estávamos
na nossa suite habitual num luxuoso
hotel, talvez o mais caro de Gothan.
Para nós, o crime compensara e muito. Depois de uma festa alucinante, nada
melhor que terminá-la na cama. Os nossos corpos eram perfeitos um para o outro.
-Amo-te,
sabias?- segredei-lhe ao ouvido. Ele sorriu. Desta vez genuinamente. Há muito
tempo que não o fazia.
Desde
o nosso primeiro encontro naquela prisão psiquiátrica que ele mexera comigo.
Fizera despertar o meu lado mais selvagem, mais louco. Um lado que eu não sabia
que tinha. Ou talvez só estivesse adormecido, á espera do momento certo para
sair. A partir daí, começou a minha aventura no mundo da loucura, da paixão, do
crime e do poder. Perdera a conta às vezes que fora presa. Sempre numa cela de
alta segurança como um animal do Zoo. «Perigo para a sociedade», «Risco de
fuga» eram sempre os argumentos usados pelo juiz no final de cada julgamento.
Quando não tinham argumentos, inventavam. Mas depois, acabava sempre em
liberdade. Ia para um programa de reabilitação, que terminava sempre de mesma
maneira. Voltava para a prisão.
Até
que um dia decidimos fazer uma pausa no crime. Dar uma folga às autoridades.
Moderar o nosso estilo de vida, já de si bastante excêntrico. Ele sempre
vestido com roupas coloridas, cabelo pintado de verde e um ar misterioso. Eu
também vestia coisas coloridas, mas sempre com um toque provocante e sensual.
Comecei com um fato vermelho e preto com um chapéu de guizos e uma máscara
preta. Depois passei para uns calções curtos, um top sem mangas, botas altas e
totós rosa e azul. A maquilhagem também se tornara mais chamativa. Tudo para o
impressionar. Não éramos casados mas era como se fôssemos. Apesar disso, outros
homens podiam aproximar-se e ver, não podiam tocar. Esse privilégio era só
dele.
Agora,
naquela suite de hotel, parecíamos um
casal como outro qualquer. Apenas a celebrar a vida e o amor. Levantei-me e fui
á casa de banho. Sempre com um sorriso maroto. Gostava de o provocar. Ele
segui-me e envolvemo-nos de novo. Desta vez, na banheira entre a espuma e os
sais de banho. O calor da água confundia-se com o calor dos nossos corpos tal
era o desejo de nos tocarmos, de nos amarmos.
Quando
a energia se gastou, já mais arrefecidos e vestidos, voltámos para a cama.
Antes de adormecermos, olhámos um para o outro. O olhar dele era profundo, mas
apaixonado. Finalmente encontrara a mulher perfeita para partilhar as suas
loucuras. Beijei-o mais uma vez antes de fechar os olhos e adormecer abraçada
ao seu peito quente.
…
Na
manhã seguinte, ainda parecia estar a sonhar. Era como se não existisse mais
nada para além de nós. Sentia-me a flutuar, sempre que me via a cair, ele
amparava-me e sorria. O brilho no seu olhar dizia tudo. O amor era belo e o
mundo também. Levantei-me e fui á casa de banho. Não tardou muito para que ele
se juntasse a mim como fizera na noite anterior. Abraçou-me e sussurrou o meu
nome baixinho como se me quisesse acordar. «Harley».
«Pára!» disse, sorrindo. Mas ele continuava «Harley». De repente, tudo começou a andar á roda. A casa de banho
transformou-se numa discoteca com luzes e cores brilhantes. Aquilo continuou
até voltar a ouvir o sussurro «Harley»
chamava a voz, como se me quisesse trazer de volta á realidade.
Acordei
muito sobressaltada. Olhei em volta. Ainda estava na suite do hotel. As cortinas estavam fechadas, mas havia um fio de
luz a espreitar entre elas. Saí da cama devagar e abri-as. A vista da cidade
ainda era a mesma mas com mais luz. Depois olhei para a cama. Os lençóis ainda
estavam mexidos. Sorri. Aproximei-me para o acordar mas ele já lá não estava.
Deduzi que estivesse na casa de banho. Fui até lá mas estava vazia.
Confusa,
sentei-me na borda da cama. Só então me apercebi de um papel dobrado na
mesa-de-cabeceira. Era um bilhete. Peguei nele, abriu-o e li-o. Dizia apenas
«Volto já». No canto da folha tinha o símbolo de umas asas e as iniciais AC.
«Deve ser do hotel» Pensei pousando o papel na mesa.
Arranjei-me
minimamente e desci para tomar o pequeno-almoço. A noite passada abrira-me o
apetite. Sentei-me perto da janela do restaurante do hotel com um tabuleiro de
comida. Só no hotel conseguia comer assim. Normalmente, comia muito pouco.
Depois
do pequeno-almoço, voltei para o quarto na esperança de o encontrar á minha
espera, impaciente para começarmos mais uma aventura, mas não estava ninguém.
Apenas o serviço de limpeza tinha passado por lá. Sentei-me na cama, confusa.
De repente, senti um enjoo e fui a correr para a casa de banho. «A ressaca foi
maior do que o esperado» Pensei. «Não devia ter comido tanto». Passei a cara
por água depois de puxar o autoclismo. Olhei-me ao espelho. Tinha um ar
péssimo. Quando não tinha maquilhagem, podia ver os contornos do meu rosto.
Ligeiramente bicudo no queixo, olhos castanhos, cabelo comprido claro, ainda
com restos de tinta nas pontas.
Voltei
para o quarto e sentei-me novamente na cama. Sentia-me melhor, apesar de ainda
estar fraca por causa de ter vomitado. Precisava de comer qualquer coisa, mas
tinha receio que voltasse a enjoar por isso decidi não arriscar.
Passado
um bocado, baterem á porta. Levantei-me de um salto. Fui abrir, ansiosa que
fosse ele. Abri a porta e o meu sorriso desvaneceu. Para minha desilusão, era
uma mulher. Lembrava-me de já a ter visto mas nãos sabia onde. Era mais robusta
que eu, tinha o cabelo grisalho, apanhado num toutiço, olhos leitosos de uma
avó. Usava um vestido simples e sapatos rasos. Entrou no quarto fechando a
porta. Sentou-se na cadeira perto da janela. Voltei a sentar-me na cama. De
repente, o enjoo voltou e fui novamente a correr para a casa de banho. Entrei
no quarto ainda zonza mas melhor.
-Há
quanto tempo é que estás enjoada?- Perguntou a mulher quebrando o silêncio.
Respondi
com uma voz fraca:
-
Desde esta manhã. Deve ser da ressaca de ontem. Não me devia ter empanturrado
daquela maneira ao pequeno-almoço.-
Ela
sorriu. Tirou do bolso uma caixa com um teste de gravidez da farmácia. Deu-mo e
disse:
-Vai
á casa de banho e faz o teste. Acho que a ‘ressaca’ tem outro nome.- Acrescentou:
-Para o caso de estares esquecida, sou a Margaret.-
Agora
já me lembrava de onde a conhecia! Era a directora da prisão onde conhecera o Joker. Mas como é que ela sabia que
estava ali? Afastei este pensamento e fui para casa de banho como mandado. Abri
a caixa e tirei o aparelho que parecia um termómetro. Depois, li as instruções.
Só tinha de urinar para uma das partes e esperar cinco minutos. Se aparecesse
um traço estava grávida e não aparecesse nada era da ressaca. Passado cinco
minutos, olhei para o aparelho. Numa das partes, estava um traço negro. Fiquei
confusa. Esperei que voltasse a ficar branco e repeti o teste. O traço voltou a
aparecer. Saí da casa de banho e abracei-me a Margaret que me afagou a cabeça.
Chorei durante um bocado no seu colo.
Passado
um bocado e já mais calma, levantei a cabeça e fiquei de joelhos no chão do
quarto. Limpei os olhos e perguntei:
-Como
é que isto aconteceu de um dia para o outro? E porque é que estás aqui? Mais
importante, porque é que ele não está aqui? Como é que me encontraste?-
Margaret
sorriu antes de responder:
-Eu
estou aqui porque tu me pediste para vir ou já te esqueceste que eu te
encontrei a deambular pela cidade meia bêbeda e enjoada à procura dele?-
Acrescentou:- Também foste tu que me pediste para arranjar o teste de gravidez
pois estavas desconfiada.- Rematou:
-Depois,
trouxe-te para aqui e fui comprar o teste.-
Fiquei
confusa e perguntei:
-Quando
é que isso aconteceu? A última coisa que me lembro foi de estar aqui com ele
ontem à noite.-
Margaret
fez uma expressão de surpresa antes de responder:
-Então,
alguém te deve ter posto alguma coisa na bebida ou então sonhaste porque ontem
à noite ligaste-me aflita porque tinhas encontrado um bilhete com um símbolo
esquisito escrito por ele. Disseste que era habitual ele sair sem avisar
durante algum tempo, mas como já tinham passado alguns dias desde que
encontraste aquele bilhete, estavas a ficar preocupada, então vim e saímos à
sua procura novamente.- Acrescentou:
-No
final das buscas, como não o encontramos, entrámos num bar e, apesar dos meus
avisos em relação à desconfiança de gravidez, tu bebeste até não aguentares.
Tive de te trazer de volta quase arrastada. Adormeceste mal eu te pus na cama.-
Levantei-me
e fui à mesa-de-cabeceira. O bilhete estava lá, a folha estava amachucada e com
marcas de lágrimas depois de uma melhor observação. Tinha-o mesmo visto antes.
Mas como era possível não me lembrar? Estaria assim tão fora de mim? Virei-me
para Margaret e, com um ar desesperado, perguntei:
-Há
quanto tempo estou aqui? E quando foi a festa a que fui com o Joker?-
Ela
respondeu serenamente:
-Foi
há mais ou menos duas semanas.-
Até para a semana.
Bjs
Joana
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