Olá
Hoje, resolvi voltar áquela secção dos «Excluídos» e trazer-vos mais um. Desta vez, um conto.
Espero que gostem.
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A
Cápsula do Tempo
Era mais um dia nas férias de Verão. Estava uma
linda manhã de sol. Isabel acordou com os raios de luz a espreitarem por entre
as cortinas da janela do quarto. Abriu os olhos devagar, ainda pouco habituada
à luz intensa. Sentou-se na cama e espreguiçou-se.
Levantou-se e abriu a janela. A luz inundou o quarto
de cor. Depois, foi para a casa de banho arranjar-se. Vestiu o seu vestido
preferido, branco com flores cor-de-rosa e penteou o cabelo castanho. Por fim,
calçou as sandálias.
Passado pouco tempo, ouviu a voz da mãe a chamá-la
da cozinha que ficava no andar de baixo:
- Isabel, o pequeno-almoço está pronto! Anda comer!-
Desceu as
escadas alegremente para a cozinha onde se sentou ao pé da mãe para tomar o
pequeno-almoço que mais gostava. Leite e cereais.
- Bom dia, Isabel.- Cumprimentou a mulher de olhos
castanhos, como os seus, cabelo preto, vestida com uns calções azuis e uma t-shirt vermelha, sorrindo.
-Bom dia, mãe! – Respondeu a menina enquanto
começava a comer.
Depois de acabarem de comer e de arrumarem a
cozinha, a mãe disse:
- Preciso que me ajudes a arrumar umas coisas no
sótão, por favor. Há muita coisa que se está a acumular e que já não
precisamos.-
Isabel respondeu:
- Está bem, mãe.-
Seguiu-a até ao andar de cima da casa. Mesmo ao pé
do quarto da mãe, havia outro lanço de escadas de madeira. Eram mais estreitas
e davam para uma porta no tecto. Isabel já tinha reparado naquela porta mas
nunca se atrevera a subi-la. O sótão parecia ser muito assustador. A mãe
tranquilizou-a:
- Não precisas de ter medo, querida. Eu estou aqui
contigo.-
Isabel corou de atrapalhação. Subiu as escadas atrás
da mãe, que abriu a porta quando chegaram lá a cima. A mãe entrou primeiro para
verificar que era seguro e para a deixar mais tranquila, e depois foi a vez da
filha. O sótão não era muito grande, mas como estava cheio de coisas parecia
ainda mais pequeno. Tinha o tecto inclinado e uma janela redonda por onde
entrava alguma luz.
Depois de
entrarem, a mãe começou a dar as instruções:
- Muito bem, podes começar por ver o que há naquela
pilha de caixas ali ao fundo ao pé da janela e eu vejo estas aqui mais ao pé da
porta. Tudo o que achares que é para deitar fora, pões num monte que depois
juntamos com as minhas e levamos lá para baixo.-
Isabel assentiu e foi para o sítio que a mãe lhe
indicou. Começou a mexer no meio das caixas cheias de pó que levantavam uma
pequena neblina fazendo-a espirrar um pouco. Com cuidado para não partir nada.
Distraiu-se a olhar pela janela quando viu um papagaio de papel ao longe e uma
delas caiu no chão com um ruido seco, que levantou algum pó e a assustou.
Baixou-se para a apanhar depois de desviar o pó com as mãos, mas estava
entreaberta e algo caiu lá de dentro. Pousou a caixa ao pé das outras e foi
apanhar o que caíra. Era uma folha de papel dobrada como os mapas dos tesouros
piratas. Sempre gostara dessas coisas. Curiosa, resolveu abrir para ver o que
era. Ficou surpresa com o que encontrara. Era uma espécie de mapa que
representava o parque onde costumava brincar com menos árvores, mas com a
grande ao centro perto da escola. De uns locais para os outros, tinha uma linha
tracejada vermelha que ia dar a um local assinalado com um X.
Voltou a dobrar o mapa, aproximou-se da mãe que já
quase arrumara as caixas, e perguntou:
- Mãe, que mapa é este? Posso ficar com ele?-
A mãe olhou para a folha e sorriu.
- Esse mapa foi desenhado pelo teu pai quando tinha
mais ou menos a tua idade. Era uma brincadeira que costumávamos fazer.
Escondíamos coisas no parque e depois íamos procurar como se fossem tesouros.-
Acrescentou: -Era muito divertido, podes ficar com ele se quiseres.-
Isabel ficou entusiasmada.
- A sério? Obrigada!- Agradeceu Isabel. Acrescentou:
-Mas como é que brinco a isto se não tenho nada escondido no parque?-
A mãe pensou um pouco antes de responder:
- Ora vejamos A maior parte dos objectos já lá não
estão, mas acho que existe um que ias gostar de descobrir. Foi lá deixado pelo
teu pai e por mim há muito tempo.-
Isabel sorriu. Depois, perguntou:
- Posso mostrar isto aos meus amigos? Acho que eles
iam gostar.-
A mãe respondeu:
- Claro que
podes! Quantos mais forem a procurar mais divertido se torna!-
Isabel desceu as escadas entusiasmada depois de agradecer
á mãe, mas com cuidado para não cair pois os degraus eram estreitos. Quando
estava a chegar á sala, bateram á porta. Pousou o mapa na mesa da entrada e foi
abrir.
Do outro lado, estava uma rapariga loura de olhos
azuis vestida com um vestido lilás e umas sandálias castanhas. Era Leonor a sua
melhor amiga.
- Bom dia, Isabel! – Cumprimentou ela.
-Bom dia.- Respondeu Isabel.
Leonor
acrescentou:
-Estava aqui perto e resolvi passar para te
perguntar se queres vir ao parque.- Olhou para dentro de casa e viu as caixas.-
O que estás a fazer? Espero não estar a atrapalhar.-
Isabel respondeu:
-Não atrapalhas nada! Claro que quero ao parque! Mas
entra, quero mostrar-te uma coisa.-
Leonor agradeceu e entrou, depois de Isabel fechar a
porta. Ao ver o mapa, ficou curiosa e perguntou:
- O que é aquilo?-
Isabel pegou nele e levou-o até à amiga que
arregalou os olhos quando lhe mostrou.
- Parece ser um mapa com várias pistas para seguir,
muito divertido. Onde o encontraste?-
A amiga respondeu:
- Foi no sótão. Estava a ajudar a minha mãe a juntar
umas coisas para deitar fora e isto caiu. Era do meu pai quando era pequeno.-
Leonor olhou para o mapa. Perguntou novamente:
-E por onde começamos?-
Isabel explicou-lhe que havia um objecto perdido no
parque para ser encontrado e só tinham de seguir os desenhos.
- Podíamos ir chamar os outros!- Sugeriu Leonor. –
Assim, é mais divertido!-
Isabel concordou. Depois de avisar a mãe, saíram de
casa e foram procurar os amigos para começarem a brincadeira.
O primeiro que encontraram foi, Duarte, um menino de
cabelo ruivo e olhos verdes que vestia una calções castanhos e uma t-shirt azul. Tinha umas sandálias
castanhas. Estava a sair de casa e foi logo ter com elas quando as viu.
-Olá, o que estão a fazer?- Perguntou curioso.
Leonor respondeu:
- Olá, a Isabel encontrou um mapa do tesouro e
pensámos que seria divertido procurarmos o tesouro todos juntos. Queres
juntar-te a nós?-
Ele nem pensou duas vezes.
- Claro que quero! Isso parece divertido!-
E lá foram os três a caminho do parque. No caminho,
Isabel explicou como funcionava o mapa a Duarte que ficou ainda mais
entusiasmado com o tesouro no parque.
Quando chegaram ao parque, encontraram Simão a ler
um livro. Tinha o cabelo preto, olhos da mesma cor, usava uns calções azuis,
uma t-shirt roxa e óculos redondos.
- Olá! – Cumprimentou quando os viu e depois de
pousar o livro. Reparou no papel que Isabel trazia e ficou curioso:
– O que é isso que trazes aí, Isabel?-
Ela pousou o mapa em cima de uma mesa de merendas e
abriu-o para que todos pudessem ver.
- É um mapa do tesouro! Encontrei-o esta manhã
quando estava a ajudar a minha mãe a arrumar o sótão e achei que seria
divertido procura-lo juntos!-
Simão sorriu.
-Também acho.-
Isabel olhou para o desenho do parque. Havia um
tracejado até um relógio. Como eram três traços, presumiram que fossem três
passos até á escola, já que era o único edifício que tinha um relógio. Foram
para o pé da escola com o mapa em riste para se orientarem.
-Bom, os primeiros passos já demos. O que se segue?-
Perguntou Duarte.
Isabel voltou a olhar para o desenho. Desta vez, a
linha dividia-se em quatro e seguia até um conjunto de árvores que já não
existiam por causa das obras no parque pelo que continuaram a seguir a linha do
mapa. O caminho seguinte, dividido em cinco, levava-os até á árvore velha ao
centro. Lá era o local do X onde estava o tesouro.
Aproximaram-se da árvore. A princípio, não viram
nada, mas depois Isabel reparou num buraco no tronco.
-Vejam, acho que encontrei qualquer coisa!-
Exclamou.
Os outros
foram logo ver o que era. Espreitaram para dentro do buraco e viram que tinha
algo lá dentro. Isabel estendeu a mão e tirou um caixa de metal um pouco
enferrujada. Tinha um desenho de uma bailarina na tampa.
Levaram a caixa para a mesa do parque. Isabel
abriu-a com cuidado. Lá dentro, estavam vários objectos. Fotografias, pedaços
de tecido, cadernos e desenhos.
-O que é isto?- Perguntou Leonor um pouco
desiludida. Todos estavam admirados. De repente, Simão lembrou-se:
-Acho que sei o que isso é!- Todos olharam para ele
que ficou atrapalhado. Acrescentou: -É uma cápsula do tempo.- Explicou.- Uma
caixa onde se guardam coisas que gostamos para que outras pessoas possam encontrar
e aprender como as pessoas viviam numa determinada época.-
Todos sorriram e concordaram que Isabel devia levar
a caixa para casa pois o mapa era dela. Já estava a ficar tarde. O tempo passa
mais depressa enquanto se estavam a divertir. Despediram-se e prometeram voltar
a ver-se no dia seguinte.
…
Isabel chegou a casa e foi arrumar o mapa no quarto.
Pousou a caixa na mesa da sala para mais tarde. Depois foi para a cozinha
jantar com a mãe. Logo a seguir, foram para a sala e Isabel mostrou á mãe a
caixa que encontrara no parque. A mãe sorriu ao lembrar-se.
-Estes das fotografias éramos eu e o teu pai quando
éramos pequenos.-
Isabel perguntou:
-Achas que pudemos fazer uma cápsula do tempo como
esta, mãe?-
A mãe respondeu:
-Claro que podes. Quando voltares á escola, fala
nisso á tua professora, ela ajuda-vos.-
Ficaram mais um pouco a ver a caixa até serem horas
de dormir.
Já na cama, a mãe aconchegou a filha e deu-lhe um
beijo de boas noites. Antes de sair para também ir dormir, disse:
-Sabes, o teu pai deixou-me um grande tesouro e eu
não podia estar mais feliz.-
Sorriram as duas.
-Boa noite, Isabel. Dorme bem.- Disse a mãe.
-Boa noite, mãe.-
Adormeceu pouco depois, feliz ao lembrar-se do dia
maravilhoso que tivera com os amigos. Esses eram os seus verdadeiros tesouros.
Fim
E pronto. Mais uma vez, espero que gostem.
Vemo-nos por aí.
Bjs
Joana
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