segunda-feira, 6 de junho de 2022

Excluídos - A Cápsula do Tempo

 Olá

Hoje, resolvi voltar áquela secção dos «Excluídos» e trazer-vos mais um. Desta vez, um conto. 

Espero que gostem. 

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A Cápsula do Tempo

Era mais um dia nas férias de Verão. Estava uma linda manhã de sol. Isabel acordou com os raios de luz a espreitarem por entre as cortinas da janela do quarto. Abriu os olhos devagar, ainda pouco habituada à luz intensa. Sentou-se na cama e espreguiçou-se.

Levantou-se e abriu a janela. A luz inundou o quarto de cor. Depois, foi para a casa de banho arranjar-se. Vestiu o seu vestido preferido, branco com flores cor-de-rosa e penteou o cabelo castanho. Por fim, calçou as sandálias.

Passado pouco tempo, ouviu a voz da mãe a chamá-la da cozinha que ficava no andar de baixo:

- Isabel, o pequeno-almoço está pronto! Anda comer!-

 Desceu as escadas alegremente para a cozinha onde se sentou ao pé da mãe para tomar o pequeno-almoço que mais gostava. Leite e cereais.

- Bom dia, Isabel.- Cumprimentou a mulher de olhos castanhos, como os seus, cabelo preto, vestida com uns calções azuis e uma t-shirt vermelha, sorrindo.

-Bom dia, mãe! – Respondeu a menina enquanto começava a comer.

Depois de acabarem de comer e de arrumarem a cozinha, a mãe disse:

- Preciso que me ajudes a arrumar umas coisas no sótão, por favor. Há muita coisa que se está a acumular e que já não precisamos.-

Isabel respondeu:

- Está bem, mãe.-

Seguiu-a até ao andar de cima da casa. Mesmo ao pé do quarto da mãe, havia outro lanço de escadas de madeira. Eram mais estreitas e davam para uma porta no tecto. Isabel já tinha reparado naquela porta mas nunca se atrevera a subi-la. O sótão parecia ser muito assustador. A mãe tranquilizou-a:

- Não precisas de ter medo, querida. Eu estou aqui contigo.-

Isabel corou de atrapalhação. Subiu as escadas atrás da mãe, que abriu a porta quando chegaram lá a cima. A mãe entrou primeiro para verificar que era seguro e para a deixar mais tranquila, e depois foi a vez da filha. O sótão não era muito grande, mas como estava cheio de coisas parecia ainda mais pequeno. Tinha o tecto inclinado e uma janela redonda por onde entrava alguma luz.

 Depois de entrarem, a mãe começou a dar as instruções:

- Muito bem, podes começar por ver o que há naquela pilha de caixas ali ao fundo ao pé da janela e eu vejo estas aqui mais ao pé da porta. Tudo o que achares que é para deitar fora, pões num monte que depois juntamos com as minhas e levamos lá para baixo.- 

Isabel assentiu e foi para o sítio que a mãe lhe indicou. Começou a mexer no meio das caixas cheias de pó que levantavam uma pequena neblina fazendo-a espirrar um pouco. Com cuidado para não partir nada. Distraiu-se a olhar pela janela quando viu um papagaio de papel ao longe e uma delas caiu no chão com um ruido seco, que levantou algum pó e a assustou. Baixou-se para a apanhar depois de desviar o pó com as mãos, mas estava entreaberta e algo caiu lá de dentro. Pousou a caixa ao pé das outras e foi apanhar o que caíra. Era uma folha de papel dobrada como os mapas dos tesouros piratas. Sempre gostara dessas coisas. Curiosa, resolveu abrir para ver o que era. Ficou surpresa com o que encontrara. Era uma espécie de mapa que representava o parque onde costumava brincar com menos árvores, mas com a grande ao centro perto da escola. De uns locais para os outros, tinha uma linha tracejada vermelha que ia dar a um local assinalado com um X.

Voltou a dobrar o mapa, aproximou-se da mãe que já quase arrumara as caixas, e perguntou:

- Mãe, que mapa é este? Posso ficar com ele?-

A mãe olhou para a folha e sorriu.

- Esse mapa foi desenhado pelo teu pai quando tinha mais ou menos a tua idade. Era uma brincadeira que costumávamos fazer. Escondíamos coisas no parque e depois íamos procurar como se fossem tesouros.- Acrescentou: -Era muito divertido, podes ficar com ele se quiseres.-

Isabel ficou entusiasmada.

- A sério? Obrigada!- Agradeceu Isabel. Acrescentou: -Mas como é que brinco a isto se não tenho nada escondido no parque?-

A mãe pensou um pouco antes de responder:

- Ora vejamos A maior parte dos objectos já lá não estão, mas acho que existe um que ias gostar de descobrir. Foi lá deixado pelo teu pai e por mim há muito tempo.-

Isabel sorriu. Depois, perguntou:

- Posso mostrar isto aos meus amigos? Acho que eles iam gostar.-

A mãe respondeu:

 - Claro que podes! Quantos mais forem a procurar mais divertido se torna!-

Isabel desceu as escadas entusiasmada depois de agradecer á mãe, mas com cuidado para não cair pois os degraus eram estreitos. Quando estava a chegar á sala, bateram á porta. Pousou o mapa na mesa da entrada e foi abrir.

Do outro lado, estava uma rapariga loura de olhos azuis vestida com um vestido lilás e umas sandálias castanhas. Era Leonor a sua melhor amiga.

- Bom dia, Isabel! – Cumprimentou ela.

-Bom dia.- Respondeu Isabel.

 Leonor acrescentou:

-Estava aqui perto e resolvi passar para te perguntar se queres vir ao parque.- Olhou para dentro de casa e viu as caixas.- O que estás a fazer? Espero não estar a atrapalhar.-

Isabel respondeu:

-Não atrapalhas nada! Claro que quero ao parque! Mas entra, quero mostrar-te uma coisa.-

Leonor agradeceu e entrou, depois de Isabel fechar a porta. Ao ver o mapa, ficou curiosa e perguntou:

- O que é aquilo?-

Isabel pegou nele e levou-o até à amiga que arregalou os olhos quando lhe mostrou.

- Parece ser um mapa com várias pistas para seguir, muito divertido. Onde o encontraste?-

A amiga respondeu:

- Foi no sótão. Estava a ajudar a minha mãe a juntar umas coisas para deitar fora e isto caiu. Era do meu pai quando era pequeno.-

Leonor olhou para o mapa. Perguntou novamente:

-E por onde começamos?-

Isabel explicou-lhe que havia um objecto perdido no parque para ser encontrado e só tinham de seguir os desenhos.

- Podíamos ir chamar os outros!- Sugeriu Leonor. – Assim, é mais divertido!-

Isabel concordou. Depois de avisar a mãe, saíram de casa e foram procurar os amigos para começarem a brincadeira.

O primeiro que encontraram foi, Duarte, um menino de cabelo ruivo e olhos verdes que vestia una calções castanhos e uma t-shirt azul. Tinha umas sandálias castanhas. Estava a sair de casa e foi logo ter com elas quando as viu.

-Olá, o que estão a fazer?- Perguntou curioso.

Leonor respondeu:

- Olá, a Isabel encontrou um mapa do tesouro e pensámos que seria divertido procurarmos o tesouro todos juntos. Queres juntar-te a nós?-    

Ele nem pensou duas vezes.

- Claro que quero! Isso parece divertido!-

E lá foram os três a caminho do parque. No caminho, Isabel explicou como funcionava o mapa a Duarte que ficou ainda mais entusiasmado com o tesouro no parque. 

Quando chegaram ao parque, encontraram Simão a ler um livro. Tinha o cabelo preto, olhos da mesma cor, usava uns calções azuis, uma t-shirt roxa e óculos redondos.

- Olá! – Cumprimentou quando os viu e depois de pousar o livro. Reparou no papel que Isabel trazia e ficou curioso:

– O que é isso que trazes aí, Isabel?-

Ela pousou o mapa em cima de uma mesa de merendas e abriu-o para que todos pudessem ver.

- É um mapa do tesouro! Encontrei-o esta manhã quando estava a ajudar a minha mãe a arrumar o sótão e achei que seria divertido procura-lo juntos!-

Simão sorriu.

-Também acho.-

Isabel olhou para o desenho do parque. Havia um tracejado até um relógio. Como eram três traços, presumiram que fossem três passos até á escola, já que era o único edifício que tinha um relógio. Foram para o pé da escola com o mapa em riste para se orientarem.

-Bom, os primeiros passos já demos. O que se segue?- Perguntou Duarte.

Isabel voltou a olhar para o desenho. Desta vez, a linha dividia-se em quatro e seguia até um conjunto de árvores que já não existiam por causa das obras no parque pelo que continuaram a seguir a linha do mapa. O caminho seguinte, dividido em cinco, levava-os até á árvore velha ao centro. Lá era o local do X onde estava o tesouro.

Aproximaram-se da árvore. A princípio, não viram nada, mas depois Isabel reparou num buraco no tronco.

-Vejam, acho que encontrei qualquer coisa!- Exclamou.

  Os outros foram logo ver o que era. Espreitaram para dentro do buraco e viram que tinha algo lá dentro. Isabel estendeu a mão e tirou um caixa de metal um pouco enferrujada. Tinha um desenho de uma bailarina na tampa.

Levaram a caixa para a mesa do parque. Isabel abriu-a com cuidado. Lá dentro, estavam vários objectos. Fotografias, pedaços de tecido, cadernos e desenhos.

-O que é isto?- Perguntou Leonor um pouco desiludida. Todos estavam admirados. De repente, Simão lembrou-se:

-Acho que sei o que isso é!- Todos olharam para ele que ficou atrapalhado. Acrescentou: -É uma cápsula do tempo.- Explicou.- Uma caixa onde se guardam coisas que gostamos para que outras pessoas possam encontrar e aprender como as pessoas viviam numa determinada época.-

Todos sorriram e concordaram que Isabel devia levar a caixa para casa pois o mapa era dela. Já estava a ficar tarde. O tempo passa mais depressa enquanto se estavam a divertir. Despediram-se e prometeram voltar a ver-se no dia seguinte.

Isabel chegou a casa e foi arrumar o mapa no quarto. Pousou a caixa na mesa da sala para mais tarde. Depois foi para a cozinha jantar com a mãe. Logo a seguir, foram para a sala e Isabel mostrou á mãe a caixa que encontrara no parque. A mãe sorriu ao lembrar-se.

-Estes das fotografias éramos eu e o teu pai quando éramos pequenos.-

Isabel perguntou:

-Achas que pudemos fazer uma cápsula do tempo como esta, mãe?-

A mãe respondeu:

-Claro que podes. Quando voltares á escola, fala nisso á tua professora, ela ajuda-vos.-

Ficaram mais um pouco a ver a caixa até serem horas de dormir.

Já na cama, a mãe aconchegou a filha e deu-lhe um beijo de boas noites. Antes de sair para também ir dormir, disse:

-Sabes, o teu pai deixou-me um grande tesouro e eu não podia estar mais feliz.-

Sorriram as duas.

-Boa noite, Isabel. Dorme bem.- Disse a mãe.

-Boa noite, mãe.-

Adormeceu pouco depois, feliz ao lembrar-se do dia maravilhoso que tivera com os amigos. Esses eram os seus verdadeiros tesouros.

Fim

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E pronto. Mais uma vez, espero que gostem. 

Vemo-nos por aí.

Bjs 

Joana 

 

 


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