quarta-feira, 2 de maio de 2018

Crónicas de uma rapariga singular- X

Olá
Aqui fica o último capítulo da minha fic.
Espero que gostem.
Amanhã publico o epílogo.
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X

Na manhã da exposição, Bunny foi ver como estavam os preparativos.

À Porta da galeria, estava uma carrinha que descarregava caixas de cartão fechadas com fita adesiva grossa. Eram as esculturas para a exposição. Myo estava no interior a compor os expositores. Quando viu Bunny, acenou-lhe e ela entrou. O espaço não era muito grande, mas, ainda assim, era acolhedor e as peças ficavam muito bem ali.

Era o dia de folga de Bunny, por isso viera.

- Está a ficar lindo.- Felicitou Bunny.

Estavam sentadas no bar da galeria onde iria ser servido o cocktail aos convidados. Bunny não pôde deixar de reparar nalguns canapés que lhe pareciam deliciosos, mas não teve coragem de os provar. Os seus hábitos tinham mudado muito desde que estava com o Gonçalo e desde que se tornara adulta. Já não comia desalmadamente como dantes. Agora, tinha cuidado com a alimentação. Sorriu ao lembrar-se desses tempos.

Nesse momento, entrou uma rapariga vestida com um vestido preto e branco, sapatos a condizer, cabelos ruivos compridos e olhos claros. Aproximou-se de Myo que sorriu ao vê-la. Bunny perguntou quem era aquela rapariga que parecia saída de uma banda desenhada.

- Lisa, quero apresentar-te a Bunny. Bunny esta é a Lisa Parkings. Foi ela que me ajudou com a exposição. Se não fosse ela, nunca teria conseguido realizar o meu sonho.-

A rapariga corou tanto que a cara quase ficou da cor do cabelo.

- Ora, não foi nada!- Disse, meio atrapalhada. – Este espaço não era usado. Foi só fazer uns telefonemas e pronto.-

Conversaram um pouco mais sobre arte e outros assuntos. Até que Gonçalo apareceu à porta. Tinha terminado o trabalho mais cedo e resolvera passar para ver como estavam as coisas.

- Posso?- Perguntou divertido. Myo respondeu-lhe:

- Claro, entra! Quero que conheças o sítio da exposição. Ainda não está terminado, mas logo verás como ficou. Tenho a certeza que vais gostar.-

Abraçaram-se. Depois, dirigiu-se a Bunny e deu-lhe um beijo nos seus lábios pequenos. Foi então que repararam em Lisa, corada até à ponta dos cabelos. Gonçalo sorriu:

-Como estás, Lisa? Continuas a trabalhar no mesmo sítio?-

Lisa respondeu ainda meio envergonhada:

- Sim… Continuo.-

Bunny achou aquilo muito estranho. Ia perguntar a Gonçalo de onde se conheciam, mas Myo interveio:

- Sabes, Bunny, também foi a Lisa que arranjou um sítio para o Gonçalo morar. Ela trabalha numa imobiliária é por isso que conhece tantos espaços.-

Depois, Myo fez uma expressão de culpa como se fosse confessar algo bastante embaraçoso:

- Espero que não sintas ciúmes por causa disto, Bunny. O Gonçalo disse-me que tu eras muito ciumenta.-

Bunny sorriu para surpresa de todos:

- Não tem importância nenhuma. Afinal foi só para escolher a casa. E depois, os ciúmes doentios já lá vão. Tenho plena confiança no Gonçalo.-

Esclarecidas as dúvidas, Gonçalo dirigiu-se a Bunny novamente:

- Vamos? Ainda tenho de passar em casa para deixar umas coisa que trouxe do trabalho.-

Sem se darem conta tinham passado a manhã toda ali. Bunny assentiu. Ainda precisava de fazer umas compras antes da noite de inauguração e queria aproveitar o resto do dia. Despediram-se e saíram do edifício.

Assim que saíram, Lisa perguntou a Myo:

- Porque é que não lhe disseste que eu ajudei o Gonçalo porque gostava dele?-

Myo respondeu com um sorriso:

- A Bunny percebeu perfeitamente por isso é que respondeu daquela maneira. Ela sabe que pode confiar no Gonçalo e que ele era incapaz de a trair por muito que quisesse.-

Lisa não pôde deixar de disfarçar a sua surpresa. Sabia que Gonçalo nunca a vira mais que uma amiga, mas nunca pensou que fosse tão fiel ao seu amor.

- Bom, tenho de ir andando.- Disse, de repente, Lisa. – Vemo-nos logo à noite.-

Enquanto se preparavam para a exposição, Bunny estava ansiosa, mais do no dia em que decidira ir viver para os EUA.

- Não precisas de estar nervosa. Afinal, a exposição não é tua.- Gonçalo tentava acalmá-la enquanto a ajudava a fechar o vestido.

- Tens razão, mas não consigo evitar! Quando há grandes eventos fico sempre em pulgas! Especialmente se forem pessoas queridas para mim.- Calou-se. Ela sabia que Gonçalo não gostava quando se lembrava dos Starlights, mas não podia evitar. Afinal, foram grandes amigos. Tentou redimir-se:

- Desculpa. Eu sei que ainda tens alguns ciúmes quando me lembro deles, mas quero que saibas que o Seiya foi um grande apoio tal como todos os outros naquela altura.-

Gonçalo sorriu:

- Eu sei que sentes falta dele como sentes a das tuas amigas e da tua família.- Acrescentou:- Além disso, não guardo rancores porque sei que vias o Seiya como um amigo tal como todos os teus amigos especiais.-

Bunny abraçou-o confortada pelas suas palavras. Beijaram-se. Depois, saíram de casa, já arranjados, a caminho da exposição.

Quando chegaram, foram recebidos por Lisa, que vestia um vestido cor de salmão e maquilhagem berrante. Bunny vestia um vestido azul-escuro, sapatos a condizer, os cabelos apanhados em dois ondangos que terminavam em duas madeixas, lábios pintados de rosa suave, um colar com um pendente em forma de estrela e anel simples, na mão direita de modo a enfatizar o facto de ser comprometida com Gonçalo, que estava de Smoking. Lisa recebeu os convites e eles entraram. As esculturas estavam dispostas um pouco por toda a sala contrastando com as luzes de várias cores que incidiam sobre elas. Gonçalo serviu-se de um ponche de uma das bandejas que passavam trazidas por empregados de fato e ofereceu outro a Bunny.

Nesse momento, Myo apareceu para os cumprimentar:

- Então, estão a gostar? Está linda, não está?- Sorriram e assentiram com a cabeça. Myo vestia um vestido carmim, de saia curta com um laço mais escuro à frente. Trazia uma flor no cabelo a condizer com o vestido. Tinha os lábios pintados e uma sombra nos olhos. O cabelo preto comprido estava apanhado numa trança. Os sapatos condiziam com o resto.

Sorria a todos os convidados piscando, de vez em quando o olho a Bunny e Gonçalo que retribuíam com um abanar da cabeça.

Chamaram para a conferência de imprensa e Myo apressou-se a ir para os bastidores. Dirigiram-se todos à sala onde iria realizar-se a conferência. Sentaram-se numa fila de cadeiras reservada aos convidados especiais. Lisa sentou-se um pouco atrás.

Nesse momento, Myo entrou na sala e fez-se silêncio. Dirigiu-se ao púlpito e falou para o microfone:

- Antes de mais, queria agradecer a todos por terem vindo.- Acrescentou depois: - Especialmente ao meu irmão e à minha cunhada.- Piscou o olho na direcção do casal que sorriu.

- Como sabem, ao longo dos últimos meses, tenho estado a trabalhar não só na exposição que hoje inauguro e de que muito me orgulho, mas também numa escultura muito especial, que dedico e ofereço ao meu irmão como prenda de casamento e que faço questão de a apresentar aqui hoje a todos vocês.-

Atrás dela, uma luz iluminou uma escultura tapada com um pano. Myo retirou-o. Ao vê-la, Bunny não pôde conter as lágrimas. Tratava-se de uma peça de arte branca com uma meia lua que na base tinha esculpida a silhueta de um rapaz com uma longa capa que abanava ao vento, segurando uma rosa que estendia a uma silhueta de uma rapariga com um longo vestido branco e cabelos esvoaçantes que se encontrava no topo da lua.

Os flaches não tardaram a disparar. Todos queriam apanhar a artista e a sua obra. Os jornalistas faziam toda a espécie de perguntas sobre a obra e ela respondia-lhes pacientemente. Quando a inauguração terminou e a sala ficou vazia, Bunny e Gonçalo dirigiram-se a Myo a fim de a felicitar pela exposição e também agradecer o presente.

Bunny perguntou que nome pusera À escultura. Myo respondeu com o mesmo tom misterioso:

- Quando o receberem em vossa casa, descobrirão.-
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bjs
Joana
   

 

 

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