quarta-feira, 18 de julho de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- X

Olá
Aqui fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

X

O Salão Negro estava todo enfeitado com cristais negros. Algumas velas faziam a iluminação da sala, deixando-a um pouco menos sombria.

Os convidados começavam a chegar para a festa de recepção á Princesa Dravna da Lua Negra. Traziam vestidos os seus melhores trajes cujas cores variavam entre o preto e o cinzento.

Dravna ainda estava no quarto a acabar de se arranjar quando a festa começou. Tinha um vestido longo preto de cetim. O cabelo solto era penteado por Eliona em frente ao espelho do quarto.

O quarto de Dravna era amplo. Tinha uma grande cama de dossel decorada com motivos geométricos negros. Ao lado da cama, estava uma mesa-de-cabeceira. Ao lado da porta, havia um grande armário negro onde era guardada a sua roupa. Em frente á cama, estava um enorme tocador com um espelho, também grande e largo, com um banco onde Dravna estava sentada, estando Eliona atrás a pentear-lhe o cabelo. No lado oposto, estava uma grande varanda que dava para o jardim.

Dravna estava surpreendentemente calma. Era a primeira vez que ia a uma festa da Lua Negra onde iria conhecer o seu noivo e, no entanto, sentia-se demasiado tranquila. Era como se nunca tivesse saído dali e aquela fosse mais uma festa a que ia.

Eliona estava mais apreensiva. Não sabia como lidar com tanta gente e muito menos com nobres numa festa. Mas sabia que Dravna ia estar ali para a ajudar e que tudo iria correr bem.

Estava Eliona mergulhada nos seus pensamentos, quando bateram á porta. Largou o que estava a fazer e foi abrir. Era Orquédia a avisar para descerem pois a festa já tinha começado e requeria-se a presença da Princesa e da Conselheira Real. Dravna levantou-se e seguiram Orquédia até ao Salão Negro.

Quando Dravna e Eliona desceram as escadas para o Salão, todos se viraram e fizeram uma vénia em sinal de respeito ás recém-chegadas. Orquédia guiou-as até um grupo de Xamãs que se encontrava num dos cantos do Salão. Entre eles, estava um rapaz mais ou menos da mesma idade de Dravna. Era alto, de cabelo preto, olhos da mesma cor, boca e nariz finos. Tinha vestido um fato cinzento constituído por um casaco e umas calças com um cinto e uma espada. A completar a indumentária, uma capa também cinzenta e umas botas pretas.

Quando Orquédia e as raparigas se aproximaram, todos fizeram uma vénia, até o rapaz. Depois, Orquédia pegou nas mãos de Dravna e do rapaz uniu-as a disse:

- Princesa, apresento-lhe o seu noivo o General Zircónia da Guarda Real Negra.-

Dravna não ficou muito impressionada com aquele noivo. Mas fez uma vénia e disse:

- Encantada por conhecê-lo.-

Zircónia retribuiu o cumprimento:

- Igualmente, Princesa.-     


Entretanto, na Lua Branca, a festa de recepção a Célia e Tarina também tinha começado. O Salão da Lua estava enfeitado com cristais prateados e flores brancas e rosa.

Todos aguardavam com grande expectativa o momento da chegada da Princesa e da Conselheira Real. No meio dos convidados, estava aquele que Célia e Tarina menos esperavam: o rapaz do campo de treinos com o seu pajem e amigo.

No andar de cima, no Quarto Real, Célia e Tarina ultimavam os preparativos para a festa.

Célia estava sentada em frente ao espelho do tocador do quarto. O vestido que usava ea rosa claro com flores rosa mais escuras á frente e um laço branco atrás.

O quarto, esse, era amplo. Tinha uma grande cama de dossel com lençóis de linho fino. Ao lado, uma pequena mesa-de-cabeceira. Do lado direito, uma grande janela com varanda que dava para o jardim. Em frente á janela, do lado esquerdo da porta, um enorme armário de madeira onde estavam guardadas as roupas da Princesa e, no lado oposto, o tocador onde estava Célia.

Tarina encontrava-se atrás de si e dava os últimos acertos no cabelo. Célia estava séria mas nitidamente nervosa, apesar de querer parecer calma. Tarina já notara essa ansiedade na Princesa e sabia que se devia ao facto de estar prestes a conhecer o seu noivo.

Quando finalmente acabou de lhe arranjar o cabelo, Tarina murmurou: ‘Já está’. E, nesse momento, bateram á porta. Tarina foi abrir. Era Gordélia a anunciar que deveriam ir para o recinto da festa. Então, Célia e Tarina seguiram-na até ao Salão Real.

Quando os seus nomes foram anunciados, a música parou e todos os convidados pararam e olharam para as escadas de acesso ao andar superior. Delas desceram Célia e Tarina, acompanhadas por Gordélia.

Ao chegarem lá a baixo, Gordélia pediu-lhes que a seguissem mais uma vez até a outra ponta da sala. Lá estava, de costas, um rapaz vestido com um fato militar de festa.

Gordélia dirigiu-se ao rapaz e disse:

- General Afron, deixe-me apresentar-lhe a sua noiva, a Princesa Célia.-

Quando Célia se virou para o cumprimentar, fez um ar surpreendido bem como Afron: era o mesmo rapaz que, naquela manhã, a tinha expulso do Campo Militar. Ficaram em silêncio até Gorélia o quebrar dizendo:

- Vejo que já se conhecem. Por isso, que tal ficarem um pouco a sós para conversarem?-

Mas Célia virou as costas e disse:

- Vamos, Tarina. Não tenho nada para dizer a esse rapaz.-

Tarina seguiu-a um pouco confusa com a situação.


Entretanto, na Lua Negra, a situação era bem diferente: Dravna não conversara com mais ninguém na festa sem ser Zircónia e parecia que os dois se estavam a dar muito bem.

Eliona e Orquédia até estavam surpreendidas como é que em tão pouco tempo a Princesa já confraternizava com o seu noivo, apesar de isso naquele momento ser irrelevante.

Nesse momento, começou a tocar a Valsa Negra, música que abria o baile. Então, Zircónia pegou na mão de Dravna convidando-a para dançar. Foram para o centro da sala, puseram-se em posição e começaram a dançar. Apesar de nunca ter dançado antes, Dravna parecia que já o sabia há muito tempo. Com movimentos suaves e delicados, dançaram a valsa completa. Sendo, depois, acompanhados pelos outros convidados.


Na Lua Branca, Célia tentava ainda recuperar da surpresa. Estava na varanda com Tarina e segurava nas mãos um copo de bebida. Tinha um ar surpreendido mas também chateado. Olhava com indiferença para as estrelas que iluminavam o céu nocturno como mil luzes.

Estava tão concentrada nos seus pensamentos que nem se apercebeu que Afron estava a seu lado. Só deu por isso quando ele disse:

- Ainda está chateada por causa do que aconteceu esta manhã? Peço-lhe desculpa. Afinal, não sabia quem era.-

Célia olhou para ele e perguntou ainda com um ar sério:

- Costuma ser assim com toda a gente? Ou é só por eu ser uma Princesa?-

Fez uma pausa, voltou a olhar para as estrelas e continuou:

- Se tivesse sabido quem eu era, talvez não me tivesse tratado daquela maneira. Se eu lhe tivesse dito, talvez não fosse tão indelicado.-

Então, Afron disse:

- Sim, talvez tivesse agido de maneira diferente se soubesse que estava a falar com a Princesa.- Fez uma pausa e continuou:

- Mas, sabe, eu nunca tinha visto uma rapariga muito menos uma Princesa no Campo Militar. Não é muito habitual que as mulheres visitem os lugares onde os militares estão.-

Célia disse ainda concentrada nas estrelas:

- Estava com curiosidade. É a primeira vez que estou neste planeta. É natural que não conheça bem as redondezas e que não soubesse que aquele espaço era um campo de treinos militar. Como é que eu ia adivinhar? Não tem nada a assinalar! Pensei que fosse um simples jardim.- Acrescentou: - Mas não estou apenas chateada por causa disso. Aliás, nem foi por causa disso que fiquei chateada. Fiquei por outro motivo muito mais válido.-

Ao que Afron perguntou:

- E que motivo foi esse?-

Célia respondeu, olhando-o nos olhos:

- O motivo que me levou a agir daquela maneira foi o modo como falou de Manah e de Kirnah. Como se fossem um sítio e uma professora quaisquer. Que troçasse de mim e da minha amiga ainda consigo tolerar, mas de  Manah ninguém troça muito menos de Kirinah.-

Com este discurso, Célia começou a chorar enquanto continuava no meio de soluços e lágrimas:

- Manah foi a minha casa durante todos estes anos. Foi o lugar onde me senti realmente feliz e acarinhada. E Kirinah foi mais que uma professora, foi uma mãe para mim. Nâo me deu só a educação também me deu o afecto e isso representa muito mais que do eu poderia imaginar. Ela preparou-me para o mundo e para ser Rainha, isso é certo, mas também me preparou para ser mulher. Para ser amada e respeitada pelo meu povo. E isso é algo que nunca irá compreender.-

Quando terminou, voltou-lhe as costas e continuou a chorar. Afron ficou espantado com aquelas palavras. Deu uma pequena risada e depois disse:

- Vou tomar isso como um pedido de desculpas ao qual eu retribuo. E como forma do meu arrependimento, convido-a a dar um passeio amanhã por Silver Millennium. Para conhecer melhor. O que diz?-

Célia parou de chorar. Virou-se para ele, sorriu ligeiramente e disse muito timidamente:

- Aceito, mas com uma condição: já que vamos ser amigos e, um dia, casados será que nos podíamos tratar por ‘tu’? É que somos da mesma idade e isso constringe-me um pouco.-

Afron respondeu:

- De acordo. Também acho que devemos deixar as formalidades de lado. Então, queres dançar?-

Célia respondeu com um sorriso:

- Aceito. Até porque está na hora de abrir o baile.-

E foram para o salão.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Esta semana veio mais cedo porque vou fazer uma pequena pausa, mas volto!
Vemo-nos por aí.
Bjs
Joana
  

 

 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- IX

Olá
Aqui fica o capítulo desta semana.
Espero que gostem.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

IX

Entretanto, na Lua Negra, a nave de Dravna e Eliona acabara de aterrar. Tal como na Lua Branca, havia uma multidão á espera da Princesa e da Conselheira Real.

A Xamã-Chefe que as esperava chamava-se Orquédia e, como na Lua Branca, também ela tinha acompanhado os treinos das duas e sabia que viriam naquele dia.

Conduziu-as a uma carruagem que as iria levar até ao Palácio Negro. No caminho, puderam ver que na Lua Negra era tudo escuro e sombrio. Não havia um único campo florido nem camponeses a saudá-las. Apenas diabretes e plantas negras.

Depois de passarem pela zona rural, dirigiram-se para a cidade. Dark Tokyo, como lhe chamavam, era constituída por casas negras onde habitavam as famílias e os comerciantes de artigos amaldiçoados.

Ao atravessarem a Praça Negra, Dravna e Eliona viram que todas as casas e lojas tinham sido enfeitadas com cristais negros e pequenas luzes terríficas.

Iam tão distraídas a olhar para os enfeites que foi preciso Orquédia chamar-lhes a atenção de que estavam a chegar ao Palácio. Quando olharam ficaram maravilhadas: no alto de uma colina, estava o Palácio Negro. Um gigantesco edifício de pedra negra, rodeado, por um fosso de lava incandescente superficial, flores de gelo e espinhos pontiagudos. Na torre principal e mais alta, estava, como em Lua Branca, o símbolo do planeta em pedra. O Palácio era guardado por demónios que impunham a ordem e o respeito.

Tal como na Lua Branca, também a Princesa e a Conselheira Real tinham o símbolo do planeta gravado na testa. Uma lua negra virada para baixo.

A carruagem aproximou-se do Palácio até chegarem junto de uma porta de madeira negra com uma maçaneta em forma de demónio.

Orquédia, Dravna e Eliona desceram da carruagem, ajudadas pelo cocheiro, que lhes carregou as malas. Depois, Orquédia abriu a porta e as três entraram dentro do Palácio. O hall de entrada era um enorme salão negro onde se viam alguns quadros com imagens de Xamãs Negros. Avançaram até chegarem a uma outra sala, mais pequena, que tinha uma varanda onde estava uma mesa e cadeiras e onde tinha sido servido um chá. Entraram e sentaram-se á mesa.

Então, Orquédia disse:

- Como sabem, hoje será realizada uma festa em vossa honra. Nessa festa, terá, Dravna a oportunidade de conhecer o seu noivo, o General Zircónia. É claro que vos será dado algum tempo para se conhecerem melhor até decidirem casar. Mas quando essa altura chegar, serei avisada para preparar a Cerimónia de Coroação. Por agora, descansem porque a viagem deve ter sido cansativa.-


Entretanto, na Lua Branca, Célia saíra para explorar as redondezas com Tarina. Andaram a passear pelos jardins nos arredores do Palácio depois de terem estado na cidade. Célia tinha apanhado algumas flores e com elas fazia coroas mas também outros adornos para o cabelo como ganchos. Tarina acompanhava-a sempre vigilante para ver se ela não fazia nenhum disparate.

Andaram durante um bocado até Célia dizer que estava cansada e se sentarem num banco de jardim ali perto. Foi nesse momento que apareceu um rapaz acompanhado do seu pajem. Era alto, tinha o cabelo castanho-escuro, olhos da mesma cor, boca e nariz finos. Vestia uma farda constituída por uma armadura azul-escura, umas calças pretas, botas da mesma cor, um cinto com uma espada e uma capa azul-escura. O pajem vestia umas calças castanhas, uma camisa branca e botas pretas. Não era muito alto, tinha o cabelo preto, olhos da mesma cor, boca e nariz finos.

Aproximaram-se os dois das raparigas que dormitavam. O mais alto baixou-se na direcção de Célia e segredou-lhe com uma voz suave:

- Quem são vocês e o que fazem aqui?-

Célia abriu os olhos de repente e quando viu o rapaz assustou-se e deu um salto para trás, gritando:

- Mas quem pensa o senhor que é para me acordar dessa maneira?-

O rapaz começou a rir. Célia não achou muita piada. Fez um trejeito e disse com um ar zangado:

- Não sei onde está a graça.-

Ele respondeu:

- Desculpe, não era minha intensão assusta-la. Mas é que estão no Campo de Treino da Guarda Real. E é proibido passear ou dormir aqui.-

Célia olhou em volta mas não viu nada que se parecesse com um campo de treino militar. Ia responder-lhe, mas Tarina cortou-lhe a palavra:

- Desculpe. Nós não sabíamos. Só estávamos a passear. Acabámos de chegar e ainda não conhecemos o sítio. Por favor, desculpe-nos. Nós já vamos embora.-

Iam começar a andar quando o rapaz disse:

- Perdoem-me também não fazia ideia que fossem novas. Vieram de onde?-

 Desta vez foi Célia que respondeu:

- De Manah. Porquê?-

O rapaz respondeu com um sorriso:

- De Manah, hein? Então deduzo que tenham sido lá discípulas.-

Célia respondeu:

- Sim, fomos. E digo-lhe mais: fomos discípulas de Kirinah.-

O rapaz ficou admirado e disse:

- De Kirinah? Têm a certeza? Não parecem nada do tipo que tenha sido ensinadas por ela.-

Célia estava irritada e perguntou:

- Então porquê?-

Ao que o rapaz respondeu:

- Porque só os membros da realeza é que são ensinados por ela. E desculpe que lhe diga, mas não me parece que seja da realeza com esses modos.-

Célia ia responder, mas Tarina interrompeu-a:

- Vai ter de nos desculpar, mas temos de ir para o Palácio a fim de nos prepararmos para a festa desta noite. Presumo que o senhor vá fazer o mesmo, não?-

O rapaz fez uma vénia e disse:

- Sim de facto tenho de me preparar também.- Acrescentou: - Veja lá se acalma a sua amiga. Parece-me que está muito nervosa.-

Célia ficou ainda mais irritada com aquele comentário e ia responder, mas foi impedida por Tarina que lhe lembrou que tinha de se preparar para festa dessa noite.

Abandonaram o campo de treino e dirigiram-se para o Palácio, deixando para trás o rapaz e o seu pajem.

Quando chegaram, Célia já estava mais calma, mas ainda tinha uma réstia de fúria que a fez dizer:

- Neste planeta, existem pessoas mesmo irritantes.-

Tarina deduziu que se tratava do rapaz de há pouco e decidiu ignorar.   
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- VIII

Olá
Aqui fica o capítulo da semana.
Espero que gostem.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

VIII

A nave aterrou suavemente no aeródromo da Lua Branca. A porta abriu-se e a rampa surgiu automaticamente. Célia e Tarina, escoltadas pela tripulação, saíram pela rampa. Cá fora, uma multidão aguardava pela nova Princesa e pela sua Conselheira Real.

Era, na sua maioria, constituída por Xamãs que tinham determinado que Célia seria a Rainha. Do meio da multidão, surgiu uma mulher, baixa, velha, vestida com um vestido azul-escuro, calçava sabrinas da mesma cor, tinha o cabelo grisalho apanhado num toutiço e usava um medalhão com o mesmo símbolo que a pregadeira de Célia. Dirigiu-se às recém-chegadas, fazendo uma vénia e dizendo:

- Princesa Célia e Conselheira Tarina sejam bem-vindas á Lua Branca. Eu sou Gordénia, a Xamã-Chefe. Fui eu que vos nomeei para governantes deste planeta.-

Fez uma pausa, durante a qual Célia aproveitou para agradecer. Gordénia continuou:

- Aguardávamos a vossa chegada e acompanhámos todos os vossos treinos através de Kirinah que nos foi informando de todos os vossos progressos até á data da vossa chegada.-

Agora foi a vez de Tarina se pronunciar:

- Então, segundo percebi, já sabia que viríamos hoje, não é assim?-

Ao que Gordénia respondeu:

- Exactamente.-

Depois, acrescentou, desenrolando um pergaminho que outra mulher, que entretanto se chegou ao seu lado, lhe entregou:

- E para provar, aqui está a carta que Kirinah nos enviou na véspera da vossa chegada.-

As raparigas observaram-no com atenção e reconheceram a letra retorcida de Kirinah bem como o selo de Manah.

Prestados os esclarecimentos e feitas as apresentações, a tripulação foi dispensada e as raparigas foram escoltadas por Gordénia e por alguns membros da Guarda Real até uma carruagem puxada por cavalos brancos unicórnios. Entraram com Gordénia e esta partiu rumo ao Palácio da Lua.

No caminho, Célia e Tarina iam deslumbrando a paisagem: havia flores por todo o lado. O sol brilhava e o céu era de um azul suave. A carruagem subiu por uma colina que atravessava campos verdejantes onde pastavam ovelhas e cavalos. Por onde passavam, os habitantes daqueles campos acenavam em sinal de boas-vindas á Princesa e á Conselheira Real. Estas retribuíam com mais acenos. Depois atravessaram uma floresta onde o ar era límpido e fresco e onde um doce aroma a frutos do bosque se fazia sentir.

Passada a parte rural, começou a aparecer a parte urbana da Lua Branca. Esta zona era constituída por uma cidade chamada Crystal Tokyo, que tinha casas e lojas. Ao passarem pela Avenida da Lua, as raparigas puderam ver que as casas tinham sido enfeitadas com flores rosa e brancas e pequenos cristais.

Estavam tão distraídas a olhar para os enfeites que foi preciso que Gordénia lhes chamasse a atenção para o próximo destino. Quando olharam, nem queriam acreditar no que viam: á sua frente, estava o Palácio da Lua, um gigantesco e imponente edifício todo feito de pedra e tijolos brancos. Na torre mais alta, que era a principal, estava o símbolo da Lua Branca uma lua amarela virada para cima.

Este símbolo estava gravado na testa de todos os habitantes do planeta incluindo Célia e Tarina, que o tinham gravado desde bebé. A ladear o palácio, havia um enorme campo de flores de todas as cores que estava sempre a ser arranjado por um grupo de 5 jardineiros reais. De cada lado do jardim, havia um conjunto de colunas com jorros de água que lembravam as colunas romanas.

O Palácio da Lua Branca era guardado por guardas grandes, fortes e robustos que eram também a polícia do planeta, que impunha a ordem e o respeito.

Na Lua Branca, os trabalhadores, na sua maioria, eram agricultores homens. As mulheres trabalhavam como cozinheiras e criadas no Palácio. Na cidade, havia muitos comerciantes e artesãos que vendiam os seus trabalhos a toda a gente.

Na agricultura, metade das colheitas eram para o Palácio e a outra metade era para alimentar as famílias.

Durante muito tempo, a Lua Branca tinha sido governada por Xamãs e era Gordénia que chefiava a governação. Mas agora com a chegada de Célia e Tarina, o regime ia mudar: passava a ser uma Monarquia. Para ajudar Célia e Tarina nas decisões de governação, fora nomeado um Conselho de Ministros com a ajuda de Kirinah e Gordénia.

A carruagem atravessou o cominho ladeado pelas colunas que dava acesso directo á porta principal do Palácio da Lua. Esta era castanha e tinha uma maçaneta prateada. Quando a carruagem parou, o cocheiro abriu a porta e as passageiras saíram.

As malas foram desamarradas do tejadilho e colocadas no chão. Gordénia deu sinal para que as portas se abrissem. Depois, fez sinal para que as raparigas a seguissem. Assim que entraram, as portas fecharam-se atrás de si e elas puderam vislumbrar uma enorme sala ladeada por colunas e com umas escadas ao fundo. Em frente, havia um corredor que dava para uma porta que Gordénia abriu. Por detrás desta, estava uma sala mais pequena que a outra, com uma mesa e cadeiras. Tinha, ainda, um tapete com motivos floridos e geométricos. A mesa estava posta numa pequena varanda que dava para o jardim. Sentaram-se á mesa e Gordénia mandou servir chá. Depois anunciou:

- Esta noite daremos uma festa em honra da Princesa e da Conselheira Real. Será nesta festa que irá conhecer o seu noivo e formalizar o compromisso. O casamento ainda não está agendado, dado que vocês ainda precisam de tempo para se conhecerem. Quando acharem que chegou a altura de casar, comuniquem-me. Nessa altura, tratarei dos preparativos da coroação. Depois disso, retirar-me-ei para Manah e a senhora, Célia será a Rainha. Por agora, descansem que a viagem foi longa e devem estar cansadas. Depois, podem explorar as redondezas.-

E, dito isto, ficaram sentadas a tomar chá na varanda do Palácio da Lua.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana