Aqui fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
X
O Salão Negro estava todo enfeitado com cristais
negros. Algumas velas faziam a iluminação da sala, deixando-a um pouco menos
sombria.
Os convidados começavam a chegar para a festa de
recepção á Princesa Dravna da Lua Negra. Traziam vestidos os seus melhores
trajes cujas cores variavam entre o preto e o cinzento.
Dravna ainda estava no quarto a acabar de se
arranjar quando a festa começou. Tinha um vestido longo preto de cetim. O
cabelo solto era penteado por Eliona em frente ao espelho do quarto.
O quarto de Dravna era amplo. Tinha uma grande cama
de dossel decorada com motivos geométricos negros. Ao lado da cama, estava uma
mesa-de-cabeceira. Ao lado da porta, havia um grande armário negro onde era
guardada a sua roupa. Em frente á cama, estava um enorme tocador com um
espelho, também grande e largo, com um banco onde Dravna estava sentada,
estando Eliona atrás a pentear-lhe o cabelo. No lado oposto, estava uma grande
varanda que dava para o jardim.
Dravna estava surpreendentemente calma. Era a
primeira vez que ia a uma festa da Lua Negra onde iria conhecer o seu noivo e,
no entanto, sentia-se demasiado tranquila. Era como se nunca tivesse saído dali
e aquela fosse mais uma festa a que ia.
Eliona estava mais apreensiva. Não sabia como lidar
com tanta gente e muito menos com nobres numa festa. Mas sabia que Dravna ia
estar ali para a ajudar e que tudo iria correr bem.
Estava Eliona mergulhada nos seus pensamentos,
quando bateram á porta. Largou o que estava a fazer e foi abrir. Era Orquédia a
avisar para descerem pois a festa já tinha começado e requeria-se a presença da
Princesa e da Conselheira Real. Dravna levantou-se e seguiram Orquédia até ao
Salão Negro.
Quando Dravna e Eliona desceram as escadas para o Salão,
todos se viraram e fizeram uma vénia em sinal de respeito ás recém-chegadas.
Orquédia guiou-as até um grupo de Xamãs que se encontrava num dos cantos do
Salão. Entre eles, estava um rapaz mais ou menos da mesma idade de Dravna. Era
alto, de cabelo preto, olhos da mesma cor, boca e nariz finos. Tinha vestido um
fato cinzento constituído por um casaco e umas calças com um cinto e uma
espada. A completar a indumentária, uma capa também cinzenta e umas botas
pretas.
Quando Orquédia e as raparigas se aproximaram, todos
fizeram uma vénia, até o rapaz. Depois, Orquédia pegou nas mãos de Dravna e do
rapaz uniu-as a disse:
- Princesa, apresento-lhe o seu noivo o General
Zircónia da Guarda Real Negra.-
Dravna não ficou muito impressionada com aquele
noivo. Mas fez uma vénia e disse:
- Encantada por conhecê-lo.-
Zircónia retribuiu o cumprimento:
- Igualmente, Princesa.-
…
Entretanto, na Lua Branca, a festa de recepção a
Célia e Tarina também tinha começado. O Salão da Lua estava enfeitado com
cristais prateados e flores brancas e rosa.
Todos aguardavam com grande expectativa o momento da
chegada da Princesa e da Conselheira Real. No meio dos convidados, estava
aquele que Célia e Tarina menos esperavam: o rapaz do campo de treinos com o
seu pajem e amigo.
No andar de cima, no Quarto Real, Célia e Tarina
ultimavam os preparativos para a festa.
Célia estava sentada em frente ao espelho do tocador
do quarto. O vestido que usava ea rosa claro com flores rosa mais escuras á
frente e um laço branco atrás.
O quarto, esse, era amplo. Tinha uma grande cama de
dossel com lençóis de linho fino. Ao lado, uma pequena mesa-de-cabeceira. Do
lado direito, uma grande janela com varanda que dava para o jardim. Em frente á
janela, do lado esquerdo da porta, um enorme armário de madeira onde estavam
guardadas as roupas da Princesa e, no lado oposto, o tocador onde estava Célia.
Tarina encontrava-se atrás de si e dava os últimos
acertos no cabelo. Célia estava séria mas nitidamente nervosa, apesar de querer
parecer calma. Tarina já notara essa ansiedade na Princesa e sabia que se devia
ao facto de estar prestes a conhecer o seu noivo.
Quando finalmente acabou de lhe arranjar o cabelo,
Tarina murmurou: ‘Já está’. E, nesse momento, bateram á porta. Tarina foi
abrir. Era Gordélia a anunciar que deveriam ir para o recinto da festa. Então,
Célia e Tarina seguiram-na até ao Salão Real.
Quando os seus nomes foram anunciados, a música
parou e todos os convidados pararam e olharam para as escadas de acesso ao
andar superior. Delas desceram Célia e Tarina, acompanhadas por Gordélia.
Ao chegarem lá a baixo, Gordélia pediu-lhes que a
seguissem mais uma vez até a outra ponta da sala. Lá estava, de costas, um
rapaz vestido com um fato militar de festa.
Gordélia dirigiu-se ao rapaz e disse:
- General Afron, deixe-me apresentar-lhe a sua
noiva, a Princesa Célia.-
Quando Célia se virou para o cumprimentar, fez um ar
surpreendido bem como Afron: era o mesmo rapaz que, naquela manhã, a tinha
expulso do Campo Militar. Ficaram em silêncio até Gorélia o quebrar dizendo:
- Vejo que já se conhecem. Por isso, que tal ficarem
um pouco a sós para conversarem?-
Mas Célia virou as costas e disse:
- Vamos, Tarina. Não tenho nada para dizer a esse
rapaz.-
Tarina seguiu-a um pouco confusa com a situação.
…
Entretanto, na Lua Negra, a situação era bem
diferente: Dravna não conversara com mais ninguém na festa sem ser Zircónia e
parecia que os dois se estavam a dar muito bem.
Eliona e Orquédia até estavam surpreendidas como é
que em tão pouco tempo a Princesa já confraternizava com o seu noivo, apesar de
isso naquele momento ser irrelevante.
Nesse momento, começou a tocar a Valsa Negra, música
que abria o baile. Então, Zircónia pegou na mão de Dravna convidando-a para
dançar. Foram para o centro da sala, puseram-se em posição e começaram a
dançar. Apesar de nunca ter dançado antes, Dravna parecia que já o sabia há
muito tempo. Com movimentos suaves e delicados, dançaram a valsa completa.
Sendo, depois, acompanhados pelos outros convidados.
…
Na Lua Branca, Célia tentava ainda recuperar da
surpresa. Estava na varanda com Tarina e segurava nas mãos um copo de bebida.
Tinha um ar surpreendido mas também chateado. Olhava com indiferença para as
estrelas que iluminavam o céu nocturno como mil luzes.
Estava tão concentrada nos seus pensamentos que nem
se apercebeu que Afron estava a seu lado. Só deu por isso quando ele disse:
- Ainda está chateada por causa do que aconteceu
esta manhã? Peço-lhe desculpa. Afinal, não sabia quem era.-
Célia olhou para ele e perguntou ainda com um ar
sério:
- Costuma ser assim com toda a gente? Ou é só por eu
ser uma Princesa?-
Fez uma pausa, voltou a olhar para as estrelas e
continuou:
- Se tivesse sabido quem eu era, talvez não me
tivesse tratado daquela maneira. Se eu lhe tivesse dito, talvez não fosse tão
indelicado.-
Então, Afron disse:
- Sim, talvez tivesse agido de maneira diferente se
soubesse que estava a falar com a Princesa.- Fez uma pausa e continuou:
- Mas, sabe, eu nunca tinha visto uma rapariga muito
menos uma Princesa no Campo Militar. Não é muito habitual que as mulheres
visitem os lugares onde os militares estão.-
Célia disse ainda concentrada nas estrelas:
- Estava com curiosidade. É a primeira vez que estou
neste planeta. É natural que não conheça bem as redondezas e que não soubesse
que aquele espaço era um campo de treinos militar. Como é que eu ia adivinhar?
Não tem nada a assinalar! Pensei que fosse um simples jardim.- Acrescentou: -
Mas não estou apenas chateada por causa disso. Aliás, nem foi por causa disso que
fiquei chateada. Fiquei por outro motivo muito mais válido.-
Ao que Afron perguntou:
- E que motivo foi esse?-
Célia respondeu, olhando-o nos olhos:
- O motivo que me levou a agir daquela maneira foi o
modo como falou de Manah e de Kirnah. Como se fossem um sítio e uma professora
quaisquer. Que troçasse de mim e da minha amiga ainda consigo tolerar, mas
de Manah ninguém troça muito menos de
Kirinah.-
Com este discurso, Célia começou a chorar enquanto
continuava no meio de soluços e lágrimas:
- Manah foi a minha casa durante todos estes anos.
Foi o lugar onde me senti realmente feliz e acarinhada. E Kirinah foi mais que
uma professora, foi uma mãe para mim. Nâo me deu só a educação também me deu o
afecto e isso representa muito mais que do eu poderia imaginar. Ela preparou-me
para o mundo e para ser Rainha, isso é certo, mas também me preparou para ser
mulher. Para ser amada e respeitada pelo meu povo. E isso é algo que nunca irá
compreender.-
Quando terminou, voltou-lhe as costas e continuou a
chorar. Afron ficou espantado com aquelas palavras. Deu uma pequena risada e
depois disse:
- Vou tomar isso como um pedido de desculpas ao qual
eu retribuo. E como forma do meu arrependimento, convido-a a dar um passeio
amanhã por Silver Millennium. Para conhecer melhor. O que diz?-
Célia parou de chorar. Virou-se para ele, sorriu
ligeiramente e disse muito timidamente:
- Aceito, mas com uma condição: já que vamos ser
amigos e, um dia, casados será que nos podíamos tratar por ‘tu’? É que somos da
mesma idade e isso constringe-me um pouco.-
Afron respondeu:
- De acordo. Também acho que devemos deixar as
formalidades de lado. Então, queres dançar?-
Célia respondeu com um sorriso:
- Aceito. Até porque está na hora de abrir o baile.-
E foram para o salão.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Esta semana veio mais cedo porque vou fazer uma pequena pausa, mas volto!
Vemo-nos por aí.
Bjs
Joana