sexta-feira, 13 de julho de 2018

A Lenda da Lua Branca- Parte 1- IX

Olá
Aqui fica o capítulo desta semana.
Espero que gostem.
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IX

Entretanto, na Lua Negra, a nave de Dravna e Eliona acabara de aterrar. Tal como na Lua Branca, havia uma multidão á espera da Princesa e da Conselheira Real.

A Xamã-Chefe que as esperava chamava-se Orquédia e, como na Lua Branca, também ela tinha acompanhado os treinos das duas e sabia que viriam naquele dia.

Conduziu-as a uma carruagem que as iria levar até ao Palácio Negro. No caminho, puderam ver que na Lua Negra era tudo escuro e sombrio. Não havia um único campo florido nem camponeses a saudá-las. Apenas diabretes e plantas negras.

Depois de passarem pela zona rural, dirigiram-se para a cidade. Dark Tokyo, como lhe chamavam, era constituída por casas negras onde habitavam as famílias e os comerciantes de artigos amaldiçoados.

Ao atravessarem a Praça Negra, Dravna e Eliona viram que todas as casas e lojas tinham sido enfeitadas com cristais negros e pequenas luzes terríficas.

Iam tão distraídas a olhar para os enfeites que foi preciso Orquédia chamar-lhes a atenção de que estavam a chegar ao Palácio. Quando olharam ficaram maravilhadas: no alto de uma colina, estava o Palácio Negro. Um gigantesco edifício de pedra negra, rodeado, por um fosso de lava incandescente superficial, flores de gelo e espinhos pontiagudos. Na torre principal e mais alta, estava, como em Lua Branca, o símbolo do planeta em pedra. O Palácio era guardado por demónios que impunham a ordem e o respeito.

Tal como na Lua Branca, também a Princesa e a Conselheira Real tinham o símbolo do planeta gravado na testa. Uma lua negra virada para baixo.

A carruagem aproximou-se do Palácio até chegarem junto de uma porta de madeira negra com uma maçaneta em forma de demónio.

Orquédia, Dravna e Eliona desceram da carruagem, ajudadas pelo cocheiro, que lhes carregou as malas. Depois, Orquédia abriu a porta e as três entraram dentro do Palácio. O hall de entrada era um enorme salão negro onde se viam alguns quadros com imagens de Xamãs Negros. Avançaram até chegarem a uma outra sala, mais pequena, que tinha uma varanda onde estava uma mesa e cadeiras e onde tinha sido servido um chá. Entraram e sentaram-se á mesa.

Então, Orquédia disse:

- Como sabem, hoje será realizada uma festa em vossa honra. Nessa festa, terá, Dravna a oportunidade de conhecer o seu noivo, o General Zircónia. É claro que vos será dado algum tempo para se conhecerem melhor até decidirem casar. Mas quando essa altura chegar, serei avisada para preparar a Cerimónia de Coroação. Por agora, descansem porque a viagem deve ter sido cansativa.-


Entretanto, na Lua Branca, Célia saíra para explorar as redondezas com Tarina. Andaram a passear pelos jardins nos arredores do Palácio depois de terem estado na cidade. Célia tinha apanhado algumas flores e com elas fazia coroas mas também outros adornos para o cabelo como ganchos. Tarina acompanhava-a sempre vigilante para ver se ela não fazia nenhum disparate.

Andaram durante um bocado até Célia dizer que estava cansada e se sentarem num banco de jardim ali perto. Foi nesse momento que apareceu um rapaz acompanhado do seu pajem. Era alto, tinha o cabelo castanho-escuro, olhos da mesma cor, boca e nariz finos. Vestia uma farda constituída por uma armadura azul-escura, umas calças pretas, botas da mesma cor, um cinto com uma espada e uma capa azul-escura. O pajem vestia umas calças castanhas, uma camisa branca e botas pretas. Não era muito alto, tinha o cabelo preto, olhos da mesma cor, boca e nariz finos.

Aproximaram-se os dois das raparigas que dormitavam. O mais alto baixou-se na direcção de Célia e segredou-lhe com uma voz suave:

- Quem são vocês e o que fazem aqui?-

Célia abriu os olhos de repente e quando viu o rapaz assustou-se e deu um salto para trás, gritando:

- Mas quem pensa o senhor que é para me acordar dessa maneira?-

O rapaz começou a rir. Célia não achou muita piada. Fez um trejeito e disse com um ar zangado:

- Não sei onde está a graça.-

Ele respondeu:

- Desculpe, não era minha intensão assusta-la. Mas é que estão no Campo de Treino da Guarda Real. E é proibido passear ou dormir aqui.-

Célia olhou em volta mas não viu nada que se parecesse com um campo de treino militar. Ia responder-lhe, mas Tarina cortou-lhe a palavra:

- Desculpe. Nós não sabíamos. Só estávamos a passear. Acabámos de chegar e ainda não conhecemos o sítio. Por favor, desculpe-nos. Nós já vamos embora.-

Iam começar a andar quando o rapaz disse:

- Perdoem-me também não fazia ideia que fossem novas. Vieram de onde?-

 Desta vez foi Célia que respondeu:

- De Manah. Porquê?-

O rapaz respondeu com um sorriso:

- De Manah, hein? Então deduzo que tenham sido lá discípulas.-

Célia respondeu:

- Sim, fomos. E digo-lhe mais: fomos discípulas de Kirinah.-

O rapaz ficou admirado e disse:

- De Kirinah? Têm a certeza? Não parecem nada do tipo que tenha sido ensinadas por ela.-

Célia estava irritada e perguntou:

- Então porquê?-

Ao que o rapaz respondeu:

- Porque só os membros da realeza é que são ensinados por ela. E desculpe que lhe diga, mas não me parece que seja da realeza com esses modos.-

Célia ia responder, mas Tarina interrompeu-a:

- Vai ter de nos desculpar, mas temos de ir para o Palácio a fim de nos prepararmos para a festa desta noite. Presumo que o senhor vá fazer o mesmo, não?-

O rapaz fez uma vénia e disse:

- Sim de facto tenho de me preparar também.- Acrescentou: - Veja lá se acalma a sua amiga. Parece-me que está muito nervosa.-

Célia ficou ainda mais irritada com aquele comentário e ia responder, mas foi impedida por Tarina que lhe lembrou que tinha de se preparar para festa dessa noite.

Abandonaram o campo de treino e dirigiram-se para o Palácio, deixando para trás o rapaz e o seu pajem.

Quando chegaram, Célia já estava mais calma, mas ainda tinha uma réstia de fúria que a fez dizer:

- Neste planeta, existem pessoas mesmo irritantes.-

Tarina deduziu que se tratava do rapaz de há pouco e decidiu ignorar.   
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
 

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