Aqui fica o capítulo desta semana.
Espero que gostem.
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IX
Entretanto, na Lua Negra, a nave de Dravna e Eliona
acabara de aterrar. Tal como na Lua Branca, havia uma multidão á espera da
Princesa e da Conselheira Real.
A Xamã-Chefe que as esperava chamava-se Orquédia e,
como na Lua Branca, também ela tinha acompanhado os treinos das duas e sabia
que viriam naquele dia.
Conduziu-as a uma carruagem que as iria levar até ao
Palácio Negro. No caminho, puderam ver que na Lua Negra era tudo escuro e
sombrio. Não havia um único campo florido nem camponeses a saudá-las. Apenas
diabretes e plantas negras.
Depois de passarem pela zona rural, dirigiram-se
para a cidade. Dark Tokyo, como lhe chamavam, era constituída por casas negras
onde habitavam as famílias e os comerciantes de artigos amaldiçoados.
Ao atravessarem a Praça Negra, Dravna e Eliona viram
que todas as casas e lojas tinham sido enfeitadas com cristais negros e
pequenas luzes terríficas.
Iam tão distraídas a olhar para os enfeites que foi
preciso Orquédia chamar-lhes a atenção de que estavam a chegar ao Palácio.
Quando olharam ficaram maravilhadas: no alto de uma colina, estava o Palácio
Negro. Um gigantesco edifício de pedra negra, rodeado, por um fosso de lava
incandescente superficial, flores de gelo e espinhos pontiagudos. Na torre
principal e mais alta, estava, como em Lua Branca, o símbolo do planeta em
pedra. O Palácio era guardado por demónios que impunham a ordem e o respeito.
Tal como na Lua Branca, também a Princesa e a
Conselheira Real tinham o símbolo do planeta gravado na testa. Uma lua negra
virada para baixo.
A carruagem aproximou-se do Palácio até chegarem
junto de uma porta de madeira negra com uma maçaneta em forma de demónio.
Orquédia, Dravna e Eliona desceram da carruagem,
ajudadas pelo cocheiro, que lhes carregou as malas. Depois, Orquédia abriu a
porta e as três entraram dentro do Palácio. O hall de entrada era um enorme salão negro onde se viam alguns
quadros com imagens de Xamãs Negros. Avançaram até chegarem a uma outra sala,
mais pequena, que tinha uma varanda onde estava uma mesa e cadeiras e onde
tinha sido servido um chá. Entraram e sentaram-se á mesa.
Então, Orquédia disse:
- Como sabem, hoje será realizada uma festa em vossa
honra. Nessa festa, terá, Dravna a oportunidade de conhecer o seu noivo, o
General Zircónia. É claro que vos será dado algum tempo para se conhecerem
melhor até decidirem casar. Mas quando essa altura chegar, serei avisada para
preparar a Cerimónia de Coroação. Por agora, descansem porque a viagem deve ter
sido cansativa.-
…
Entretanto, na Lua Branca, Célia saíra para explorar
as redondezas com Tarina. Andaram a passear pelos jardins nos arredores do
Palácio depois de terem estado na cidade. Célia tinha apanhado algumas flores e
com elas fazia coroas mas também outros adornos para o cabelo como ganchos.
Tarina acompanhava-a sempre vigilante para ver se ela não fazia nenhum
disparate.
Andaram durante um bocado até Célia dizer que estava
cansada e se sentarem num banco de jardim ali perto. Foi nesse momento que apareceu
um rapaz acompanhado do seu pajem. Era alto, tinha o cabelo castanho-escuro,
olhos da mesma cor, boca e nariz finos. Vestia uma farda constituída por uma
armadura azul-escura, umas calças pretas, botas da mesma cor, um cinto com uma
espada e uma capa azul-escura. O pajem vestia umas calças castanhas, uma camisa
branca e botas pretas. Não era muito alto, tinha o cabelo preto, olhos da mesma
cor, boca e nariz finos.
Aproximaram-se os dois das raparigas que dormitavam.
O mais alto baixou-se na direcção de Célia e segredou-lhe com uma voz suave:
- Quem são vocês e o que fazem aqui?-
Célia abriu os olhos de repente e quando viu o rapaz
assustou-se e deu um salto para trás, gritando:
- Mas quem pensa o senhor que é para me acordar
dessa maneira?-
O rapaz começou a rir. Célia não achou muita piada.
Fez um trejeito e disse com um ar zangado:
- Não sei onde está a graça.-
Ele respondeu:
- Desculpe, não era minha intensão assusta-la. Mas é
que estão no Campo de Treino da Guarda Real. E é proibido passear ou dormir
aqui.-
Célia olhou em volta mas não viu nada que se
parecesse com um campo de treino militar. Ia responder-lhe, mas Tarina
cortou-lhe a palavra:
- Desculpe. Nós não sabíamos. Só estávamos a
passear. Acabámos de chegar e ainda não conhecemos o sítio. Por favor,
desculpe-nos. Nós já vamos embora.-
Iam começar a andar quando o rapaz disse:
- Perdoem-me também não fazia ideia que fossem
novas. Vieram de onde?-
Desta vez foi
Célia que respondeu:
- De Manah. Porquê?-
O rapaz respondeu com um sorriso:
- De Manah, hein? Então deduzo que tenham sido lá
discípulas.-
Célia respondeu:
- Sim, fomos. E digo-lhe mais: fomos discípulas de
Kirinah.-
O rapaz ficou admirado e disse:
- De Kirinah? Têm a certeza? Não parecem nada do
tipo que tenha sido ensinadas por ela.-
Célia estava irritada e perguntou:
- Então porquê?-
Ao que o rapaz respondeu:
- Porque só os membros da realeza é que são
ensinados por ela. E desculpe que lhe diga, mas não me parece que seja da
realeza com esses modos.-
Célia ia responder, mas Tarina interrompeu-a:
- Vai ter de nos desculpar, mas temos de ir para o
Palácio a fim de nos prepararmos para a festa desta noite. Presumo que o senhor
vá fazer o mesmo, não?-
O rapaz fez uma vénia e disse:
- Sim de facto tenho de me preparar também.- Acrescentou:
- Veja lá se acalma a sua amiga. Parece-me que está muito nervosa.-
Célia ficou ainda mais irritada com aquele
comentário e ia responder, mas foi impedida por Tarina que lhe lembrou que
tinha de se preparar para festa dessa noite.
Abandonaram o campo de treino e dirigiram-se para o
Palácio, deixando para trás o rapaz e o seu pajem.
Quando chegaram, Célia já estava mais calma, mas
ainda tinha uma réstia de fúria que a fez dizer:
- Neste planeta, existem pessoas mesmo irritantes.-
Tarina deduziu que se tratava do rapaz de há pouco e
decidiu ignorar.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
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