quarta-feira, 26 de junho de 2019

A Guerreira Perdida- Parte 3- I

Olá
Como não demorou muito, aqui fica o primeiro capitulo da terceira parte.
Espero que gostem.
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I

A nave aterrou suavemente na superfície do planeta Namek. Da janela, conseguia ver as paisagens verdejantes e as montanhas, mas também as árvores e alguns animais. Ikinah tinha-lhe falado naquele planeta e de como os seus habitantes eram pacíficos e hospitaleiros. «Podem parecer assustadores ao início pela sua aparência estranha, mas depois os conheceres verás que são boas pessoas.» Dissera-lhe uns dias antes de partir.

Saiu da nave depois de desligou o motor. Avançou pela relva macia com cuidado, pois sabia que tinham ouvidos sensíveis e não queria perturbar demasiado a sua tranquilidade. Com os seus três sois, o planeta era quente mas acolhedor pois cada vez que um sol se punha, a temperatura ficava mais amena.

Não precisava de usar o radar ali, as Bolas de Cristal estavam na Terra e aquela paragem servia apenas para abastecer a nave e descansar um pouco. Demorara um mês a chegar aquele planeta, mais do que tivera previsto, por isso o descanso ia saber-lhe bem.

Foi andando até avistar uma pequena aldeia. Não passava de um pequeno aglomerado de casas brancas com formas irregulares. Á volta, pequenas hortas e um riacho. A sua Mestra também lhe falara do estilo de vida simples dos Namekians. «A sua alimentação é essencialmente vegetal mas só com água ficam bem.» Também lhe dissera certa vez.

Começou a ouvir risadas. Quando se aproximou, viu um grupo de crianças que brincavam perto do riacho. Assim que a viram, assustaram-se e correram para uma das casas perto. Deviam ter ido chamar um adulto. Antes de se afastarem, Julie viu que vestiam roupas simples em tons de branco e roxo. Os sapatos eram castanhos e bicudos. Tinham a pele verde e unhas brancas sendo que algumas zonas do corpo eram rosadas. Os olhos eram grandes e vivos

Esperou meio atrapalhada perto do riacho. Um pequeno grupo não tardou a aparecer muito timidamente. As crianças e um outro um pouco maior com a mesma aparência mas mais velho. Só então se lembrou que naquele planeta não havia mulheres. Aproximou-se da estranha rapariga que se parecia com alguém que viram há muito tempo. Ela sorriu ainda meio atrapalhada. O adulto aproximou-se. Agarrou-lhe na mão e fechou os olhos. Estava a ler-lhe a mente. Os Namekians tinham essa capacidade. A sua Mestra falara-lhe nisso. Era uma técnica para distinguir os amigos dos inimigos. Largou-lhe a mão e sorriu. Julie respirou de alívio. Depois, convidou-a para entrar. Ela aceitou.

Por dentro, a casa não era muito grande mas era acolhedora. Tinha uma pequena divisão onde preparavam as refeições, uma espécie de sala de estar com sofás e cadeiras esculpidos na pedra e uma porta em arco que devia dar para a zona dos quartos. Sentaram-se nos sofás que se revelaram mais confortáveis do que pensara. As crianças formaram uma pequena roda perto de Julie. Olhavam-na com um ar curioso. Ela voltou a sorrir e eles desviaram rapidamente o olhar.

O adulto juntou-se ao grupo com uma bandeja de bebidas. Todos tiraram um copo. Julie hesitou em servir-se, mas o Namekian mais velho sorriu e disse:

- Não faças cerimónia. É apenas água.-

Julie serviu-se e bebeu um gole. Era fresca.

Depois, o Namekian voltou a falar:

- Bem-vinda a Namek. Chamo-me Toupelin e vou acolher-te durante o tempo que aqui estiveres.-

Julie pareceu confusa. Toupelin levantou-se e foi buscar um pedaço de pergaminho, entregou-o a Julie. Reconheceu logo a letra retorcida da sua Mestra. Apesar de estar escrita em Namekiano, ela conseguia ler pois tinha aprendido todas as línguas do Universo. Depois de ler a carta, pareceu mais esclarecida, mas ainda assim perguntou:

- Se já sabiam que vinha, porque me leu a mente?- Acrescentou: - Não quero ser indelicada, apenas tenho curiosidade.-

Toupelin pareceu impressionado com a educação e cortesia de Julie. Muito diferente daqueles que conhecera. Sorriu e respondeu:

- É uma prática comum. Desde que formos atacados há muito tempo, que gostamos de ter a certeza que os que nos visitam são amigos. Foi só por isso, não te preocupes.-

Julie pareceu mais tranquila. A primeira paragem fora uma boa escolha para iniciar a sua jornada.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana

    

terça-feira, 25 de junho de 2019

Breve Nota


Olá
Escrevo apenas para avisar que os capitulos ainda estão em desenvolvimento e que vai le var algum tempo até que estejam tudo pronto.
Até lá, podem sempre ler ou reler as partes anteriores da história.
Bjs e até breve
Joana

segunda-feira, 24 de junho de 2019

A Guerreira Perdida- Parte 3- Prólogo

Olá
Hoje começa a terceira parte da história.
Fica o prólogo.
Espero que gostem.
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Parte 3- Viajando pelo Universo

Prólogo

Tinha saído de Manah há apenas 3 semanas, mas parecia que tinha sido há mais tempo. Sozinha na imensidão do espaço, Julie perguntava-se como seria para um Saiyan andar por ali. «Devia ser aborrecido» Pensava. Para os Lunerians, era diferente. Não estavam tão habituados a andar pelo espaço por isso fartavam-se ao fim de pouco tempo.

No início da jornada, passara pela Lua Branca e pelos outros planetas aliados. Parecia uma pérola perdida no espaço rodeada de outros planetas. Achou-a bela mas frágil ao mesmo tempo apesar de saber que era um dos planetas mais fortes do Universo.

A nave continuou a sua trajectória. Estava quase a chegar à sua primeira paragem.
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E pronto.
Eu sei que é curto, mas mesmo assim espero que gostem.
Em breve, virá o resto.
Bjs
Joana

  

 

quarta-feira, 19 de junho de 2019

A Guerreira Perdida- Parte 2- VIII

Olá
Aqui fica o último capitulo da segunda parte.
Espero que gostem.
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VIII

O ano que se seguiu foi passado a terminar o radar. As reparações e testes eram feitos no quarto mas toda a parte de reflexão era feita no jardim. Julie gostava de pensar à sombra da árvore sentada no banco. Trazia-lhe calma.

Ikinah gostava de admirar o trabalho da sua Discípula. Lembrava-se bem da primeira vez que a vira. Era apenas um bebé recém-nascido e agora estava prestes a embarcar na maior jornada da sua vida.


O último ano de treino passou depressa. Julie tinha agora 20 anos e estava pronta para iniciar a sua jornada.

No dia da partida, o sol brilhava como sempre. A nave já estava posicionada na rampa do hangar de Manah. Lá dentro, estavam as coisas de Julie. Esta vestia um top azul e uma saia curta laranja. Ao pescoço, o pendente da mãe. Calçava botas azuis e no pulso o radar portátil. Era a primeira vez que ia sair do Templo por isso estava ansiosa e nervosa ao mesmo tempo. Ikinah acalmava-a:

- Não te preocupes. Vai correr tudo bem. Já sabes que estarei sempre disponível se precisares de ajuda e podes vir visitar-me sempre que quiseres.-

As lágrimas corriam pela cara de Julie. Limpou-as e disse:

- Eu sei, Mestra. Mas fico emocionada.-

Ikinah sorriu. Abraçaram-se. Estavam sentadas à sombra da árvore pela última vez. Levantaram-se e caminharam lentamente até ao hangar. Á medida que passavam pelos sítios, Julie recordava o treino e todos os momentos passados com Ikinah, mas também com a avó que embora breves foram intensos e jamais os iria esquecer.

Chegaram ao hangar e voltaram a abraçar-se emocionadas. Era um círculo que chegava ao fim. Depois, Julie entrou na nave que se fechou de imediato. Pressionou o botão de ignição e programou-a para a Terra. Iria chegar dentro de 3 meses. Ligou também o radar da nave. O portátil só quando lá chegasse. Antes de descolar, olhou uma última vez para o Templo que tinha sido a sua casa. «Obrigada por tudo». Pensou. A nave descolou pouco depois.

Uma nova etapa estava prestes a começar.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
A terceira parte começa em breve.
Bjs
Joana
 

  

segunda-feira, 17 de junho de 2019

A Guerreira Perdida- Parte 2- VII

Olá
Aqui fica mais um capitulo.
Espero que gostem.
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VII

Durante o tempo que se seguiu, Julie aperfeiçoou a sua técnica dos Quatro Elementos na Sala de Treino Especial de Manah.

Quando saiu, passado um ano de treino, nem Ikinah a reconheceu. Estava diferente, o seu corpo estava mais definido sentia-se mais forte, mais madura, mais mulher. Tinha um olhar determinado.

-Estás mais forte, sem dúvida.- Disse Ikinah quando Julie saiu da sala de treino. – No entanto, ainda tens mais um ano de treino pela frente.- Acrescentou.

-Esse não vai ser para treinar.- Apressou-se a dizer Julie. Até a sua voz suava mais confiante. Mostrou o pergaminho a Ikinah e acrescentou:

- O próximo ano vai ser para aperfeiçoar o radar.-

Ikinah concordou. Afinal, o treino físico e mental estava concluído, apenas faltava preparar-se para a viagem e isso incluía terminar o radar.

Nessa altura, já com 19 anos, Julie usava uma saia curta, sapatos castanhos e um top azul e vermelho. Baseara-se nas cores usadas pelo irmão pois gostava da combinação. Trazia-lhe confiança. O cabelo preto curto estava ligeiramente espetado à frente e continuava a usar o pendente da mãe.

Assim que saiu da sala de treino, foi para o quarto trabalhar no radar. Já tinha feito bastantes progressos porque o levara para o treino especial, por isso apenas lhe faltavam uns pequenos ajustes e mais alguns testes e estaria pronto a usar.

Sentou-se na secretária e começou a arranjar o aparelho. Era semelhante a um relógio com um ecrã e um botão na parte de cima. Estava a construir dois radares: um para levar na nave e outro portátil. O da nave já estava instalado e pronto a funcionar. Era o portátil que lhe dava mais trabalho. Queria que tivesse um projector de terreno para que se vissem melhor os sítios onde poderiam estar as bolas de cristal. Mas não era fácil de calibrar, sempre que p testava a projecção tremia e desligava-se. «Deve ser algo no sistema de calibragem, só pode». Pensava enquanto abria o aparelho e olhava para os fios e outras ligações. «Fiz tudo como dizia nos pergaminhos, mas parece que ainda falta algo.» Estava a começar a ficar irritada, quando a imagem da mãe voltou a passar-lhe pela mente como um flache. Tentou concentrar-se no que estava a fazer mas não conseguia. A cara da mãe sorridente estava sempre a invadir-lhe os pensamentos, tal como acontecera durante o treino na Sala Especial. Resolveu, então, levantar-se e sair um pouco para o jardim. «Talvez uma pausa me faça bem» Pensou.

Andou durante um bocado por entre os canteiros de flores e chegou ao local do banco. Era o seu sítio preferido. Desde pequena que gostava de se sentar ali a ler e a reflectir nas pausas dos treinos. Aquele local tinha algo de místico que conseguia fazer com que os seus pensamentos ficassem mais claros e a sua mente mais leve. Já na Sala de Treino tivera de recorrer muitas vezes ao jardim para se conseguir concentrar. Foi então que percebeu: precisava de estar perto da Natureza. Sempre a relaxara e agora estava a menosprezá-la por causa do projecto do radar e da viagem. Por isso, foi ao quarto buscar os pergaminhos e o resto das ferramentas e continuou a trabalhar no banco do jardim.

Ikinah, que ouvira barulho, foi ver o que se passava. Quando viu Julie no jardim, não pôde deixar de sorrir e de pensar: «Saiu mesmo à mãe.»
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana

 

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A Guerreira Perdida- Parte 2- VI

Olá
Depois de uma breve demora, aqui fica mais um capitulo.
Espero que gosem.
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VI

«Julie…» uma voz ecoava na sua mente. «Julie» A voz tornou-se cada vez mais nítida. A silhueta da mãe surgiu no meio do nevoeiro suave da zona dos banhos. Sorriu-lhe docemente. Antes de desaparecer, sussurrou-lhe ao ouvido: «Lembra-te da tua missão».

Julie abriu os olhos devagar. Olhou em volta. Ainda estava na Sala de Treino Especial. Levantou a cabeça. O quarto ainda era o mesmo. «Devo ter adormecido.» Pensou. Voltou a pousar a cabaça na almofada. Ficou a olhar para o tecto do quarto durante um bocado antes de se levantar e ir comer qualquer coisa.

Depois de comer, decidiu dar um pequeno passeio pelo jardim anexo á sala. Não era muito diferente do que estava do lado de fora. Apenas tinha mais colunas e sítios onde sentar. Lembrava-se de Ikinah lhe dizer que a mãe costumava ir para ali com ela nos braços por ser um sítio mais sossegado. Nessa altura, a porta era deixada aberta por não se tratar de um treino.

Uma nostalgia invadiu-a por momentos e lembrou-se do sonho. «A minha mãe deve ter algo para me dizer mas não sei o quê.» Pensou. «Algo relacionado com a missão.» Desviou esses pensamentos da sua mente por momentos. Tinha de se concentrar no treino. Por isso, voltou para o espaço vazio e retomou a posição. Sentou-se de pernas cruzadas no chão e uniu as mãos. Concentrou novamente a energia até formar uma pequena bola branca e brilhante que começou a crescer lentamente.

Passado um bocado, a concentração voltou a falhar. O rosto da mãe voltou a surgir na sua mente. Sorria-lhe como no sonho. Estendia-lhe a mão e sussurrava-lhe: «Não te esqueças da missão, Julie…» Depois, um feixe de luz atravessou-lhe a mente e ela voltou a abrir os olhos como se acordasse de um sonho. Olhou em volta um pouco assustada. Ainda estava sentada na sala de treino, mas a bola de energia tinha desparecido. Levantou-se e decidiu voltar ao jardim. Lá conseguia pensar com mais clareza. «Porque estarei sempre a ver a minha mãe?» Pensava enquanto caminhava por entre as flores na relva macia do jardim. A pouca luz do sol que atravessava a barreira da sala iluminava parte do jardim com pequenos raios brancos e dourados. «O que quererá dizer-me?» Estas perguntas continuavam a pairar na sua mente sem resposta. Desde que soubera da missão da sua família, que as visões e sonhos com a mãe se tornavam mais frequentes. Como se a mensagem que ele lhe deixou estivesse incompleta. Sentou-se num dos bancos e olhou para o pendente que Lunis lhe deixara com a carta. Era a única coisa que tinha da mãe para além das vagas lembranças de quando era pequena. Veio-lhe á memória a mais trágica. A última vez que a vira antes da ida para a batalha. Os seus olhos estavam cheios de lágrimas mas orgulhosos por ter tido uma filha tão especial. Lembra-se de ter ficado confusa de não perceber porque naquele momento a sua mãe a tinha de deixar. Uma menina de apenas 5 anos.

Segurava-o na mão e olhava-o quase hipnotizada. Foi então que, ao tocar numa parte lateral do pendente, notou que havia uma espécie de botão. Pressionou-o e este abriu-se com um estalido.

Pela pequena abertura, conseguiu planar o pendente em duas metades. Numa estava um baixo-relevo do Dragão Sagrado e noutra estava uma inscrição em Língua Mágica Antiga. Como tinha estudado esta língua com Ikinah, foi simples de decifrar. Tratava-se de uma espécie de cântico para invocar o Dragão, o que fazia sentido dada a sua missão. Isto numa primeira leitura. Porque, depois de o analisar melhor, concluiu que se tratava de uma fórmula para selar o poder as Bolas de Cristal juntamente com as memórias dos utilizadores. «Para que quereriam os membros da minha família esta fórmula?» Pensou. O sonho veio-lhe novamente à mente. «Seria disto que a minha mãe estava a falar?» Perguntou-se mentalmente.

Rapidamente afastou esses pensamentos e fechou o pendente. Levantou-se e encaminhou-se novamente para a sala de treino. Havia mais mistérios naquela missão do que ela pensava. Mas agora devia focar-se nos treinos, depois preocupava-se em resolvê-los.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana
 

      

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A Guerreira Perdida- Parte 2- V

Olá
Aqui fica mais um capitulo.
Espero que gostem.
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V

Passaram-se 3 anos desde o início do treino avançado de Julie. Nesta altura, já tinha 18 anos e estava quase a terminar faltavam apenas 2 anos, depois disso podia partir em busca do irmão e da 8ª Bola de Cristal.

Depois do treino básico, Ikinah propôs-lhe finalmente o treino avançado na Sala Especial.

- Já é tempo de começares o mesmo tipo de treino que a tua mãe.- Disse certo dia. Encaminharam-se para a Sala de Treino Especial. Aquele cenário não lhe era completamente estranho, uma vez que já o vira quando a Rainha e a Princesa da Lua lá estiveram.

No entanto, naquela altura, ainda não estava autorizada a entrar na sala, apesar de ser uma aprendiza de Conselheira. Apenas vira a porta e um pouco do espaço atrás dela, depois disso mais nada. Agora, era a oportunidade de ver como era a Sala de Treino Especial e porque era tão difícil realizar aquele treino que nem a sua mãe conseguiu completar apesar de ter conseguido usar parte da técnica.

A sua Mestra explicara-lhe que a Técnica dos Quatro Elementos não era uma técnica fácil, exigia uma grande concentração e controlo da energia e para isso era necessário ter um grande domínio das técnicas básicas e isso ela tinha.

O radar estava quase terminado, faltavam apenas alguns ajustes e testes e podia começar a usá-lo.

A sua ida para a Sala de Teino Especial foi feita tranquilamente. Ikinah guiou-a pelo corredor até à porta. Levou o projecto do radar para ir trabalhando nas pausas do treino. Abraçaram-se antes de Julie entrar na sala e fechar a porta atrás de si.

Era maior do que pensara e mais quente por causa dos banhos no anexo. Pousou as coisas na cama e dirigiu-se para o grande espaço branco vazio à sua frente. Sentou-se de perna cruzada, uniu as mãos tal como a sua Mestra lhe ensinara e começou a concentrar a energia. Não era fácil mesmo com todas as técnicas básicas. De repente, a imagem da mãe veio-lhe à mente e as lágrimas começaram a correr-lhe pela cara. «Tenho saudades tuas.» Pensou. Deixou-se ficar a meditar até que a imagem da mãe se tornou mais nítida e teve de parar.

Levantou-se ainda com os olhos húmidos e foi para o anexo. Talvez um banho e uma sesta ajudassem à concentração. Despiu-se e mergulhou no tanque de água morna. Os vapores suaves vieram-lhe acariciar e aconchegar a pele. Sentiu-se mais leve e calma.

A seguir ao banho, vestiu uma toga semelhante à das Sacerdotisas mas mais curta, calçou umas sandálias também semelhantes às das Sacerdotisas e sentou-se na cama com os pergaminhos do projecto do radar no colo. Recostou-se antes de os desenrolar e começou a reler. Já os tinha lido uma série de vezes mas era sempre como se os visse pela primeira vez porque encontrava sempre algo para acrescentar. Estava quase pronto, mas os pormenores eram aqueles que mais a intrigavam porque deles dependia o sucesso da sua viagem.

Passado um bocado, começou a ficar com os olhos pesados e acabou por adormecer.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana
 

 

quinta-feira, 6 de junho de 2019

A Guerreira Perdida- Parte 2- IV

Olá
Aqui fica mais um capitulo.
Espero que gostem.
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IV

Durante o tempo que se seguiu, Julie treinou sem descanso. Estava determinada em ficar mais forte para completar a missão da mãe mas também para encontrar o irmão. Sempre quisera ter um e agora que sabia que existia estava ansiosa para o conhecer.

Para além dos treinos, também pesquisou bastante sobre o planeta de origem do pai e do irmão mas também sobre a missão da família da mãe e descobriu coisas bastante interessantes.

Sempre que podia, perguntava a Ikinah, mas a sua resposta era sempre a mesma: «Quando chegar o momento, saberás». Esta resposta deixava-a sempre irritada. Quando seria o momento certo? Já tinha 15 anos não era uma criança!

Nesta altura, usava umas calças pretas justas e um top castanho. Tinha cortado o cabelo para se sentir mais leve e por achar que estava comprido demais. Calçava umas botas pretas e usava o colar deixado pela mãe.

O radar estava quase pronto, apenas faltavam alguns retoques e podia testá-lo. Segundo o que lera, os aparelhos para calibrarem correctamente, tinham de ser testados primeiro para ver o que ainda faltava fazer.

Um dia, Ikinah chamou-a á Sala do Lago Mágico para que visse uma coisa. O Lago Mágico ficava num tanque dentro de uma sala no Templo Principal. A sala não era muito grande, apenas com uma pequena janela redonda que projectava um fio de luz para o centro onde se encontrava o lago, que não era mais do que uma pequena poça de água sempre calma, mas com as palavras certas, podia servir para ver acontecimentos distantes, fossem do passado ou do presente, nunca do futuro por ser demasiado incerto.

- O que me queria mostrar, Mestra?- Perguntou Julie entrando na sala seguida por Ikinah.

Esta respondeu apontando para o lago:

- Olha.-

Julie aproximou-se. A superfície da água brilhava quando Ikinah pousou a mão sobre ela. Depois dissipou-se, deixando ver a imagem de um rapaz, com o cabelo espetado vestido de vermelho e azul junto ao mar.

Olhou para Ikinah e perguntou:

- Mestra, está a mostrar-me imagens do meu pai em Vegeta?-

Ikinah respondeu:~

- Julie, este que estás a ver não é o teu pai, mas o teu irmão Songoku na Terra.-

Julie arregalou os olhos. Era mesmo parecido com o seu pai. Sorriu. Depois perguntou:

- Porque me está a mostrar isto? Pensava que só ia conhecê-lo daqui a 5 anos.-

Ikinah respondeu depois de fazer a imagem desaparecer:

- Queria que o visses para poderes saber como ele é antes de partires à sua procurar. Assim, não precisas de percorrer o planeta inteiro. Basta que fixes a sua cara.-  

Julie fez um trejeito e disse:

- Mas Mestra, bastava-me procurar alguém que fosse parecido com o meu pai ou perguntar se alguém o conhecia não era preciso mostrar-me a sua cara.-

Ikinah corou de atrapalhação. Disse apenas:

- Tens razão.-

Riram-se durante um bocado. Depois Ikinah fez um ar sério. Olhou para Julie e convidou-a para um passeio pelo jardim. Ele aceitou r acabaram sentadas no banco debaixo da árvore que era o local preferido de toda a gente para descansar mas também para conversar sobre assuntos difíceis. Ikinah voltou a olhar seriamente para Julie antes de falar:

- Minha querida, quero que saibas que não te mostrei a imagem do teu irmão para que soubesses como ele é.- Fez uma pausa e continuou:

- Bom… o que eu quero dizer é que não te mostrei o teu irmão apenas para soubesses como ele é, mas por outro motivo.- Respirou fundo, olhou em frente e prosseguiu:

- Mostrei-to porque acho que deves saber ele derrotou o Friezer aquele que destruiu o planete do teu pai há muito tempo e também é ele que tem protegido o planeta Terra ao longo destes anos. A imagem que viste é de um treino para mais uma batalha. Ele acabou de se recuperar de um problema no coração.-

Julie ficou em choque. As lágrimas começaram a cair-lhe pela cara á medida que se apercebia da responsabilidade que teria quando encontrasse o irmão. Abraçou-se a Ikinah que a consolou. Depois de se acalmar, perguntou:

- Mestra, se ele é assim tão forte para que preciso eu de encontra-lo? Ele pareceu não precisar de ajuda.-

Ikinah sorriu e respondeu:

- Minha querida, não se trata apenas de lhe pedir para proteger o Universo também é uma questão de reunião familiar e descobrir como é que a tua missão se pode conjugar com a dele uma vez que são semelhantes.-

Julie estava confusa. Ikinah voltou a sorrir.

- Estás a ver porque é que eu te digo que ainda é cedo?- Comentou.

Julie corou ligeiramente. Agora, percebia porque se tinha de concentrar nos treinos e terminar o radar.      
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana

terça-feira, 4 de junho de 2019

A Guerreira Perdida- Parte 2- III

Olá
Aqui fica o capitulo de hoje.
Espero que gostem.
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III

Sentou-se na cama e abriu o envelope. Tirou uma folha dobrada e um pendente de preta com o símbolo da Lua Branca gravado. Depois de o colocar, desdobrou a folha e leu o seu conteúdo:

Minha querida filha,

Se estás a ler esta carta é porque não tive tempo de te contar a história da nossa família pessoalmente.

A nossa família nasceu ao mesmo tempo da Família Real da Lua Branca. Durante gerações, fomos os Conselheiros Reais de vários soberanos da Lua. Assistimos a guerras mas também a muitos momentos de paz. Com eles, chorámos e rimos mas também aprendemos. Aprendemos uma técnica de manipulação de energia que nos permite ter controlo sobre os elementos da natureza: A Técnica dos Quatro Elementos. Aprendemos essa técnica não só para proteger o Universo e a Lua Branca mas também porque faz parte da nossa missão enquanto Guardiões do Dragão. Segundo consegui perceber junto da Mestra Ikinah, durante muitas gerações, todas as Conselheiras Reais têm tido a missão de proteger as Bolas de Cristal que concedem desejos.

Na verdade, a nossa missão é garantir que essas bolas não caiam em mãos erradas e que o poder do Dragão Sagrado é bem usado. Mas, ao longo do tempo, muitos foram aqueles que cobiçavam o seu poder, por isso foi dividido em 7 esferas que foram enviadas para longe, sendo que a 8ª, a que mantém o equilíbrio, deve ser deixada com o Guardião, mas para garantir que não seria encontrada por alguém com más intenções, foi escondida pelos nossos antepassados algures no Universo. Eu já procurei várias vezes mas sem sucesso. Cabe-te a ti protegê-la bem como às outras esferas.

Por feliz coincidência, o teu pai contou-me que enviou o seu filho mais novo, teu irmão, para um planeta longínquo chamado Terra e é nesse planeta que se encontram o resto das esferas.

Depois de saber informações sobre as esferas, pesquisei sobre o teu irmão. Segundo o que teu pai me disse, ele chamava-se Kakarotto no seu planeta, mas parece que na Terra ele adoptou o nome de Songoku.

Agora, é contigo querida filha. Completa a missão da nossa família e encontra o teu irmão, penso que ele te poderá ajudar na tua jornada.

Boa Sorte.

A tua mãe que te ama,

Lunis.

As lágrimas corriam pela cara de Julie quando terminou de ler a carta. Estava confusa, precisava de tempo para digerir a informação. Só tinha uma certeza: tinha de acabar o radar e os treinos se queria partir na jornada. Essa era a única condição que a Mestra Ikinah lhe ia impor. Ainda era cedo para se aventurar. Sentia falta da mãe. Queria que ela ali estivesse para a orientar, mas tinha a Mestra Ikinah que fazia esse trabalho igualmente bem. Tinha-se deitado na cama e, daí a pouco, estava a dormir.

Um leve bater na porta fê-la despertar. Incapaz de se mexer e meio ensonada, respondeu com um sim indiferente. A porta abriu-se e Ikinah entrou. Aproximou-se da cama e sentou-se na beira. Acariciou os cabelos de Julie que se virou e pousou a cabeça no seu colo. Olhou-a com olhos tristes mas confiantes. Depois, abraçou-a inesperadamente e recomeçou a chorar. Ikinah envolveu-a nos seus braços e consolou-a no silêncio do quarto onde o único ruido eram os soluços de Julie.

Ficaram assim durante algum tempo, até Julie se acalmar e a largar mas ainda com os olhos húmidos. A Mestra voltou a consolar a Discípula limpando-lhe as lágrimas com a ponta da túnica. Depois deste momento, Julie mostrou a carta a Ikinah que não pareceu surpreendida. Julia não a julgou. Fora para a proteger que não dissera nada. Olhou em frente antes de falar:

- Sabes, quando soube da missão da tua família, eu era apenas uma aprendiza. Só mais tarde é que me apercebi da importância e do tamanho da responsabilidade que estava a ser depositada naquelas mulheres.-

Fez uma pausa. Julie sentou-se ao lado de Ikinah que continuou:

- Durante muito tempo, a missão foi mantida em segredo para proteger os envolvidos como os próprios soberanos da Lua Branca, mas muitas vezes ele sabiam ou porque tinham pesquisado durante os seus treinos ou porque presenciaram algum ritual ligado à missão.-

Fez nova pausa e Julie perguntou num fio de voz:

- Que tipo de rituais?-

Ikinah olhou-a e sorriu antes de responder:

- Não precisas de saber isso agora. Com o tempo, vais descobrir.-

Abraçaram-se novamente. Depois, antes de sair, Ikinah disse:

- Foca-te agora nos treinos e depois eu conto-te tudo quando chegar a altura.-

Quando a porta se fechou, Julie ainda permaneceu sentada na cama com o envelope na mão. As dúvidas permaneciam na sua mente, mas sabia que ainda era cedo para as esclarecer. A única certeza que tinha era que tinha de continuar a treinar e a estudar para ser capaz de levar a cabo a sua missão.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana
 

segunda-feira, 3 de junho de 2019

A Guerreira Perdida- Parte 2- II

Olá
Aqui fica mais um capitulo.
Espero que gostem.
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II

Julie estava sentada na cama a olhar para um pergaminho. Era um projecto de construção do Radar Holográfico para encontrar as 8 Bolas de Cristal.

Usava, agora, um fato de camurça castanho-claro, com botas a condizer. O seu longo cabelo preto estava apanhado numa trança que lhe percorria as costas. Não era nem muito alta nem muito baixa. Estava bem para a idade. 12 Anos. Sim já passaram dois anos desde o início do seu treino e parecia que nada mudara. Pelo menos em Manah. Os edifícios e os jardins continuavam os mesmos de sempre com os seus canteiros floridos e as suas colunas estilo romano.

As Sacerdotisas também continuavam iguais, com as suas longas vestes brancas e pulseiras douradas. Calçavam sempre as mesmas sandálias de pano gastas nos pés.

Os pensamentos de Julie foram subitamente interrompidos por um leve bater na porta do seu quarto, que foi abrir depois de pousar o pergaminho. Era Ikinah. Tinha um ar preocupado apesar de o conseguir disfarçar com um sorriso meigo. Usava um longo vestido branco, sandálias de pano, pulseiras douradas e o cabelo apanhado numa trança como o de Julie mas estava virada de lado. Usava, ainda, por ser a Sacerdotisa-Mor, uma tiara dourada simples na cabeça.

Sentou-se junto de Julie na cama, o que fez esta última estranhar a sua atitude. Normalmente, Ikinah nunca se sentava com ela no quarto ficava à porta e chamava-a para um passeio ou para uma sessão de treino.

Mas naquele dia era diferente, havia alguma coisa de muito importante a passar-se para Ikinah tomar aquela atitude. Já tinha presenciado várias situações graves e alarmantes mas nunca nenhuma que implicava a vinda de Ikinah até ao seu quarto e ainda para mais para se sentar na sua cama e segurar ambas as mãos com força. Esta atitude já não era nova: tinha-a presenciado na noite em que lhe anunciou o desaparecimento dos pais. E, tal como naquela ocasião, Ikinah anunciou olhando-a fundo nos seus olhos:

- Julie, minha querida, aquilo que te vou dizer é muito difícil para ambas mas tens de entender que é para teu bem e segurança.-

Julie abanou a cabeça confusa, mas continuou a ouvir a sua Mestra que continuou aconchegando as mãos de Julie nas suas:

- A Rainha contactou-me através do Lago Mágico. Por ter violado parte das regras de conduta de Sacerdotisa-Mor, vou ser presente ao Conselho Mágico que irá decidir se continuo ou não como Sacerdotisa-Mor.-

Julie ficou chocada com o anúncio, apertou as mãos da Mestra, olhou-a no fundo dos seus olhos e pediu-lhe quase implorando:

- Quero ir consigo. Deixe-me defendê-la! Eu posso dizer que o fez para nos proteger! For favor!-

Ikinha respondeu:

- Não. Isto é algo que tenho de resolver sozinha. Preciso que tomes conta de tudo até eu voltar.-

Julie insistiu:

- Por favor, Mestra!- As lágrimas corriam-lhe pela cara quando acrescentou a soluçar: - Não a quero perder!-

Ikinah abraçou-a e disse:

- Não te preocupes, não me vais perder.-

E, com um gesto, saiu do quarto deixando Julie deitada na cama e lavada em lágrimas.


Durante o resto do dia, Julie esteve ansiosa pelo resultado do Julgamento do Conselho Mágico. Pelo que lera, quando alguém á presente a esse julgamento, pode ser levado da Ordem Sagrada se for uma Sacerdotisa e perder os seus poderes não podendo voltar a fazer parte de nenhum órgão importante do Sistema Mágico. Todos estavam cientes que Ikinah apenas fizera aquilo para proteger e salvar a Rainha, mas nem sempre as decisões eram favoráveis.

No final do dia, uma nave aterrou no hangar de Manah. Julie estava à espera para ver quem sairia dela. Quando a porta se abriu, as lágrimas corriam-lhe pela cara ao constatar que Ikinah estava de volta. Correu para abraçar a sua Mestra que lhe disse que, por causa da sua boa acção, fora perdoada por ter usado os seus poderes sem autorização.

Nessa noite, celebraram todos juntos numa grande festa. Tudo estava bem e Julie pôde voltar aos seus treinos e projectos.


Estava um dia lindo como não se via há muito tempo. O céu estava azul e o sol brilhava, entrando em pequenos raios dourados pelas frestas da janela do quarto de Julie.

Este não era muito grande. Era virado a sul daí que a janela estivesse sempre entreaberta para não deixar entrar demasiada claridade. A pequena divisão era constituída por uma cama, encostada a uma parede, uma mesa e uma cadeira. Tinha, também, uma arca aos pés da cama onde guardava as suas roupas.

Em cima, para além do amontoado de livros e pergaminhos, havia, ainda, um sem-número de objectos desde lápis, canetas, borrachas, frascos de tinta e uns globos reluzentes que serviam de candeeiro.

A cama era de madeira como todo o resto da mobília excepto um pequeno candeeiro a gás em cima da mesa que era de metal. Estreita e tinha uma colcha de retalhos de várias cores e uma almofada de penas branca.

De um dos lados do quarto, havia uma porta que dava para uma zona de banhos, pelo que Julie não precisava de ir à casa de banho pública das Sacerdotisas que ficava do outro lado do edifício.

Em cima da cama, estava o pergaminho com o projecto do radar e Julie estava deitada ao lado dele com a cara enfiada na almofada. Não sabia quanto tempo tinha passado. Apenas que estava ali há horas a olhar para aquele projecto.

Estava perdida nos seus pensamentos quando um bater de porta a traz de volta para a realidade. Levanta-se e vai abrir. Do outro lado, está uma figura baixa, vestida com uma túnica azul-clara, com longos cabelos brancos soltos e um colar com o símbolo de Manah. Não usava pulseiras por isso não era Sacerdotisa. Mas usava as mesmas sandálias. Tinha uma cara ossuda e enrugada, parecida com a da mãe, mas mais velha. Entrou no quarto com uma expressão sorridente. Sentou-se na borda da cama de modo a não amachucar o pergaminho, que Julie pousou na mesa. Sentou-se na cadeira. A mulher sorriu e olhou-a com os seus olhos pretos curiosos. Foi então que se lembrou quem era aquela mulher ao olhá-la: era a sua avó Ondine, mãe da sua mãe.

Julie nunca convivera muito com a avó. Sempre fora Ikinah a ocupar-se dos seus treinos e dos seus estudos mas também era com ela desabafava. Apenas vira Ondine aquando da chegada da Família Real a Manah. As memórias de infância com a avó eram poucas. Mas naquele momento, era como se aquelas memórias escassas nunca tivessem existido e Julie sempre tivesse estado com ela.

Julie quebrou o silêncio constrangedor entre elas:

- Então, o que te traz por cá, avó?-

Ondine olhou-a novamente com ternura. Respondeu com uma voz calma e serena:

- Estava por perto e resolvi vir contar-te uma história e dar-te uma coisa.-

Julie estava confusa mas ao mesmo tempo curiosa por saber o que a avó tinha para lhe contar. Debruçou-se na cadeira com muito interesse.

Ondine ficou admirada com tanta atenção por parte da neta que começou a falar:

- Sabes, quando a tua mãe tinha a tua idade também tinha vontade se ser a melhor e de conquistar o mundo.-

Sorriu ao lembrar-se das brincadeiras de Lunis quando era pequena. Continuou:

- Quando ela conheceu Bardock, eu opus-me aos seus encontros. Não queria que a minha filha se aliasse a um homem que era um soldado.   Achei um risco. Mas não me quis ouvir e ficou com ela na mesma.-

Sorriu novamente. Julie continuava atenta. Ondine continuou:

- Depois vieste tu e eu tive de aceitar: eras minha neta e não tinhas culpa das atitudes da mãe.-

Fez uma pausa, levantou-se e foi até à porta aberta. Fez sinal a Julie com o dedo para que a seguisse. Quando chegaram cá fora, levou uns segundos a habituar-se à claridade. A permanência no quarto em semi- escuridão fê-la ficar encandeada. Saíram para o jardim. Á medida que caminhava, Ondine ia falando:

- Mas não foi sobre a tua mãe que vim falar-te.-

Julie fez um ar surpreendido. A avó continuou:

- Vim falar-te do teu pai e do seu planeta de origem.-

Estavam as duas sentadas num banco no jardim à sombra de uma árvore. Exactamente o mesmo sítio onde ela e Ikinah costumavam ficar longas horas a conversar. Nesse momento, Julie sentiu uma certa nostalgia. Era como se o tempo tivesse parado para, de alguma forma, recuperar momentos entre avó e neta.

Depois de respirar um pouco do cheiro perfumado das flores, Ondine prosseguiu:

- O teu pai era de uma raça de guerreiros, conhecidos como Saiyans ou Guerreiros do Espaço. Eram uma civilização muito avançada mas também muito rígida no que tocava ao poder.- Fez uma pausa e continuou:

- Muitos povos no universo diziam que eles eram bárbaros mas quem lá ia via um povo preocupado uns com os outros e extremamente afável.-

Olhou para as flores antes de continuar:

- Como todos os soldados, o teu pai era um bom combatente mas também um bom chefe de família.-

Julie abriu olhos de espanto:

- Ele tinha uma família antes da minha mãe?-

Ondine sorriu e respondeu:

- Sim, tinha. Uma mulher e dois filhos.-

Por aquela é que Julie não esperava. Ondine retomou o discurso:

- Mas infelizmente a família foi separada quando o planeta foi destruído.-

Julie perguntou:

- Separada como?-

Ondine respondeu:

- Bardock e a mulher, Gine, enviaram um dos filhos para um planeta longínquo, enquanto o outro já fora enviado numa missão.-

Julie parecia esclarecida. Ondine rematou:

- Agora, já sabes. Tens dois irmãos algures que tens de encontrar.-

Olharam uma para a outra e desataram a rir com sinceridade e espontaneidade. Ficaram assim durante algum tempo até Ondine tirar do bolso do vestido um envelope com o nome de Julie. Entregou-lho dizendo:

- Aqui, a tua mãe conta-te mais pormenores da história.-

Julie aceitou o envelope. Agradeceu a oferta à avó e o tempo que passaram juntas.

Levantou-se e foi para o quarto ler a carta da mãe.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana