segunda-feira, 3 de junho de 2019

A Guerreira Perdida- Parte 2- II

Olá
Aqui fica mais um capitulo.
Espero que gostem.
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II

Julie estava sentada na cama a olhar para um pergaminho. Era um projecto de construção do Radar Holográfico para encontrar as 8 Bolas de Cristal.

Usava, agora, um fato de camurça castanho-claro, com botas a condizer. O seu longo cabelo preto estava apanhado numa trança que lhe percorria as costas. Não era nem muito alta nem muito baixa. Estava bem para a idade. 12 Anos. Sim já passaram dois anos desde o início do seu treino e parecia que nada mudara. Pelo menos em Manah. Os edifícios e os jardins continuavam os mesmos de sempre com os seus canteiros floridos e as suas colunas estilo romano.

As Sacerdotisas também continuavam iguais, com as suas longas vestes brancas e pulseiras douradas. Calçavam sempre as mesmas sandálias de pano gastas nos pés.

Os pensamentos de Julie foram subitamente interrompidos por um leve bater na porta do seu quarto, que foi abrir depois de pousar o pergaminho. Era Ikinah. Tinha um ar preocupado apesar de o conseguir disfarçar com um sorriso meigo. Usava um longo vestido branco, sandálias de pano, pulseiras douradas e o cabelo apanhado numa trança como o de Julie mas estava virada de lado. Usava, ainda, por ser a Sacerdotisa-Mor, uma tiara dourada simples na cabeça.

Sentou-se junto de Julie na cama, o que fez esta última estranhar a sua atitude. Normalmente, Ikinah nunca se sentava com ela no quarto ficava à porta e chamava-a para um passeio ou para uma sessão de treino.

Mas naquele dia era diferente, havia alguma coisa de muito importante a passar-se para Ikinah tomar aquela atitude. Já tinha presenciado várias situações graves e alarmantes mas nunca nenhuma que implicava a vinda de Ikinah até ao seu quarto e ainda para mais para se sentar na sua cama e segurar ambas as mãos com força. Esta atitude já não era nova: tinha-a presenciado na noite em que lhe anunciou o desaparecimento dos pais. E, tal como naquela ocasião, Ikinah anunciou olhando-a fundo nos seus olhos:

- Julie, minha querida, aquilo que te vou dizer é muito difícil para ambas mas tens de entender que é para teu bem e segurança.-

Julie abanou a cabeça confusa, mas continuou a ouvir a sua Mestra que continuou aconchegando as mãos de Julie nas suas:

- A Rainha contactou-me através do Lago Mágico. Por ter violado parte das regras de conduta de Sacerdotisa-Mor, vou ser presente ao Conselho Mágico que irá decidir se continuo ou não como Sacerdotisa-Mor.-

Julie ficou chocada com o anúncio, apertou as mãos da Mestra, olhou-a no fundo dos seus olhos e pediu-lhe quase implorando:

- Quero ir consigo. Deixe-me defendê-la! Eu posso dizer que o fez para nos proteger! For favor!-

Ikinha respondeu:

- Não. Isto é algo que tenho de resolver sozinha. Preciso que tomes conta de tudo até eu voltar.-

Julie insistiu:

- Por favor, Mestra!- As lágrimas corriam-lhe pela cara quando acrescentou a soluçar: - Não a quero perder!-

Ikinah abraçou-a e disse:

- Não te preocupes, não me vais perder.-

E, com um gesto, saiu do quarto deixando Julie deitada na cama e lavada em lágrimas.


Durante o resto do dia, Julie esteve ansiosa pelo resultado do Julgamento do Conselho Mágico. Pelo que lera, quando alguém á presente a esse julgamento, pode ser levado da Ordem Sagrada se for uma Sacerdotisa e perder os seus poderes não podendo voltar a fazer parte de nenhum órgão importante do Sistema Mágico. Todos estavam cientes que Ikinah apenas fizera aquilo para proteger e salvar a Rainha, mas nem sempre as decisões eram favoráveis.

No final do dia, uma nave aterrou no hangar de Manah. Julie estava à espera para ver quem sairia dela. Quando a porta se abriu, as lágrimas corriam-lhe pela cara ao constatar que Ikinah estava de volta. Correu para abraçar a sua Mestra que lhe disse que, por causa da sua boa acção, fora perdoada por ter usado os seus poderes sem autorização.

Nessa noite, celebraram todos juntos numa grande festa. Tudo estava bem e Julie pôde voltar aos seus treinos e projectos.


Estava um dia lindo como não se via há muito tempo. O céu estava azul e o sol brilhava, entrando em pequenos raios dourados pelas frestas da janela do quarto de Julie.

Este não era muito grande. Era virado a sul daí que a janela estivesse sempre entreaberta para não deixar entrar demasiada claridade. A pequena divisão era constituída por uma cama, encostada a uma parede, uma mesa e uma cadeira. Tinha, também, uma arca aos pés da cama onde guardava as suas roupas.

Em cima, para além do amontoado de livros e pergaminhos, havia, ainda, um sem-número de objectos desde lápis, canetas, borrachas, frascos de tinta e uns globos reluzentes que serviam de candeeiro.

A cama era de madeira como todo o resto da mobília excepto um pequeno candeeiro a gás em cima da mesa que era de metal. Estreita e tinha uma colcha de retalhos de várias cores e uma almofada de penas branca.

De um dos lados do quarto, havia uma porta que dava para uma zona de banhos, pelo que Julie não precisava de ir à casa de banho pública das Sacerdotisas que ficava do outro lado do edifício.

Em cima da cama, estava o pergaminho com o projecto do radar e Julie estava deitada ao lado dele com a cara enfiada na almofada. Não sabia quanto tempo tinha passado. Apenas que estava ali há horas a olhar para aquele projecto.

Estava perdida nos seus pensamentos quando um bater de porta a traz de volta para a realidade. Levanta-se e vai abrir. Do outro lado, está uma figura baixa, vestida com uma túnica azul-clara, com longos cabelos brancos soltos e um colar com o símbolo de Manah. Não usava pulseiras por isso não era Sacerdotisa. Mas usava as mesmas sandálias. Tinha uma cara ossuda e enrugada, parecida com a da mãe, mas mais velha. Entrou no quarto com uma expressão sorridente. Sentou-se na borda da cama de modo a não amachucar o pergaminho, que Julie pousou na mesa. Sentou-se na cadeira. A mulher sorriu e olhou-a com os seus olhos pretos curiosos. Foi então que se lembrou quem era aquela mulher ao olhá-la: era a sua avó Ondine, mãe da sua mãe.

Julie nunca convivera muito com a avó. Sempre fora Ikinah a ocupar-se dos seus treinos e dos seus estudos mas também era com ela desabafava. Apenas vira Ondine aquando da chegada da Família Real a Manah. As memórias de infância com a avó eram poucas. Mas naquele momento, era como se aquelas memórias escassas nunca tivessem existido e Julie sempre tivesse estado com ela.

Julie quebrou o silêncio constrangedor entre elas:

- Então, o que te traz por cá, avó?-

Ondine olhou-a novamente com ternura. Respondeu com uma voz calma e serena:

- Estava por perto e resolvi vir contar-te uma história e dar-te uma coisa.-

Julie estava confusa mas ao mesmo tempo curiosa por saber o que a avó tinha para lhe contar. Debruçou-se na cadeira com muito interesse.

Ondine ficou admirada com tanta atenção por parte da neta que começou a falar:

- Sabes, quando a tua mãe tinha a tua idade também tinha vontade se ser a melhor e de conquistar o mundo.-

Sorriu ao lembrar-se das brincadeiras de Lunis quando era pequena. Continuou:

- Quando ela conheceu Bardock, eu opus-me aos seus encontros. Não queria que a minha filha se aliasse a um homem que era um soldado.   Achei um risco. Mas não me quis ouvir e ficou com ela na mesma.-

Sorriu novamente. Julie continuava atenta. Ondine continuou:

- Depois vieste tu e eu tive de aceitar: eras minha neta e não tinhas culpa das atitudes da mãe.-

Fez uma pausa, levantou-se e foi até à porta aberta. Fez sinal a Julie com o dedo para que a seguisse. Quando chegaram cá fora, levou uns segundos a habituar-se à claridade. A permanência no quarto em semi- escuridão fê-la ficar encandeada. Saíram para o jardim. Á medida que caminhava, Ondine ia falando:

- Mas não foi sobre a tua mãe que vim falar-te.-

Julie fez um ar surpreendido. A avó continuou:

- Vim falar-te do teu pai e do seu planeta de origem.-

Estavam as duas sentadas num banco no jardim à sombra de uma árvore. Exactamente o mesmo sítio onde ela e Ikinah costumavam ficar longas horas a conversar. Nesse momento, Julie sentiu uma certa nostalgia. Era como se o tempo tivesse parado para, de alguma forma, recuperar momentos entre avó e neta.

Depois de respirar um pouco do cheiro perfumado das flores, Ondine prosseguiu:

- O teu pai era de uma raça de guerreiros, conhecidos como Saiyans ou Guerreiros do Espaço. Eram uma civilização muito avançada mas também muito rígida no que tocava ao poder.- Fez uma pausa e continuou:

- Muitos povos no universo diziam que eles eram bárbaros mas quem lá ia via um povo preocupado uns com os outros e extremamente afável.-

Olhou para as flores antes de continuar:

- Como todos os soldados, o teu pai era um bom combatente mas também um bom chefe de família.-

Julie abriu olhos de espanto:

- Ele tinha uma família antes da minha mãe?-

Ondine sorriu e respondeu:

- Sim, tinha. Uma mulher e dois filhos.-

Por aquela é que Julie não esperava. Ondine retomou o discurso:

- Mas infelizmente a família foi separada quando o planeta foi destruído.-

Julie perguntou:

- Separada como?-

Ondine respondeu:

- Bardock e a mulher, Gine, enviaram um dos filhos para um planeta longínquo, enquanto o outro já fora enviado numa missão.-

Julie parecia esclarecida. Ondine rematou:

- Agora, já sabes. Tens dois irmãos algures que tens de encontrar.-

Olharam uma para a outra e desataram a rir com sinceridade e espontaneidade. Ficaram assim durante algum tempo até Ondine tirar do bolso do vestido um envelope com o nome de Julie. Entregou-lho dizendo:

- Aqui, a tua mãe conta-te mais pormenores da história.-

Julie aceitou o envelope. Agradeceu a oferta à avó e o tempo que passaram juntas.

Levantou-se e foi para o quarto ler a carta da mãe.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana

      

  

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