sábado, 14 de novembro de 2020

Outra Nota

 Olá

Bem sei que isto tem andado quieto. Mas é porque ainda não decidi que história hei-de publicar. Se uma fanficition ou algo meu. 

No entretanto, podem sempre ler ou reler o que já foi publicado.

Bjs e até breve,

Joana  

terça-feira, 8 de setembro de 2020

 Olá 

Serve esta mensagem apenas para informar que, em breve, irei publicar outra história.

Bjs

Joana 

terça-feira, 28 de julho de 2020

Excluídos- Artur Boas Noites

Olá 
Hoje, trago-vos o último dos excluídos. 
Espero que gostem. 
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Artur Boas-Noites

Sonha-se desde que o mundo é mundo. Desde que existem pessoas. Desde que existe imaginação.

Os sonhos são aqueles momentos em que estamos só connosco e onde tudo é possível. É por isso que é preciso que haja alguém que tome conta deles. Que os distribua pelas pessoas certas depois de uma análise diária e aprofundada das suas mentes, dos seus desejos mais profundos.

Há muito tempo, havia um caçador de sonhos e de desejos que os recolhia em pó por todo o mundo e reunia-os num só local. Uma pequena casa nas nuvens feita de pó de estrelas e de gotas de chuva.

Lá dentro, um laboratório com frascos e utensílios para misturar os sonhos. Todos na dose certa, os sonhos e os pesadelos, senão é uma desgraça! Se um pesadelo é misturado a mais, as pessoas ficam confusas e podem acordar maldispostas e rabugentas.

Estas são as condições essenciais para se ser um Guardião dos Sonhos. Assim era a vida de João Pestana. Um homem baixo, vestido com as cores da noite de luar, cabelo da cor do céu de Verão e olhos da cor do mar. Todos os dias, vestia-se de sol e ia analisar as vontades e desejos mais profundos das pessoas. Os chamados sonhos acordados. Depois, era só anotar no seu caderno de notas e procurar o pó da estrela certa. Não era fácil, mas o Grande Livro dos Sonhos dava-lhe todas as indicações que precisava. Durante todos aqueles anos, recolhera os desejos das pessoas e escrevia-os naquele livro. Mesmo passados quase 1000 anos ainda escrevia nele. Havia sempre qualquer coisa que era preciso acrescentar, novos desejos, novos sonhos, novas estrelas. Só as mais brilhantes deixavam os melhores sonhos. As das sombras traziam os pesadelos.

A receita era simples: meia dose de estrelas brilhantes e uma pequena dose de estrelas sombrias. Tudo dentro do mesmo frasco que era cuidadosamente colocado dentro do saco do João Pestana para ser finalmente espelhado por cima de todas as casas do mundo para que todos tivessem bons sonhos.

Até aquela altura, João Pestana sempre trabalhara sozinho, mas era chegado o momento de ter alguém que o ajudasse. A idade também chegava às criaturas dos sonhos. Assim, foi falar com a Fada Morgana, a directora da Escola dos Sonhos para que o aconselhasse sobre quem poderia ser a melhor pessoa para o ajudar.

Morgana era alta de cabelo louro e olhos azuis. Vestia um vestido de estrelas e sapatos de cristal. João Pestana foi encontra-la no seu gabinete na Escola dos Sonhos. Era uma sala ampla, com uma janela para a rua e uma secretária. Ele sentou-se na cadeira em frente á dela e contou-lhe o seu problema. Depois de pensar durante um bocado, Morgana disse:

-Precisas de um assistente, não haja dúvida e eu sei quem poderão ser os candidatos. Segue-me.-

Foi atrás dela até uma sala onde estavam vários rapazes sentados vestidos com o uniforme da escola. Um fato cinzento com uma estrela ao peito.

-Estes são os melhores alunos da escola dos sonhos.- Informou Morgana. – Escolhe aquele que achares mais qualificado.-

João Pestana franziu o sobrolho:

- E como faço isso? Não posso chegar aqui e simplesmente escolher como se fossem objectos.-

Morgana concordou. Pensaram durante um bocado e João Pestana exclamou:

- Já sei! Vou fazer um teste! Aquele que fizer o sonho mais feliz fica com o lugar.-

Ela concordou. Assim fizeram. Reuniram todos os candidatos numa outra sala da escola com balcões e todo o equipamento necessário para fazer bons sonhos.

-Têm uma hora para fazer os sonhos. Aquele que fizer o mais feliz é o meu assistente.- Declarou João Pestana.

A prova começou.

Os alunos reuniram os ingredientes que João Pestana lhes dera. Todos queriam impressionar e fazer o sonho que lhes desse o lugar de assistente.

No entanto, todos os alunos estavam concentrados em seguir a receita á risca e nem se lembraram do mais importante. Quando a prova terminou, João Pestana e Morgana recolheram os frascos com os sonhos preparados pelos candidatos. Destaparam-nos e espalharam-nos para os testar. O pó saía dos frascos e formava uma nuvem de estrelas que ficava a pairar sobre as cabeças deles antes de desaparecer. Durante esse tempo, era possível ver o que cada um tinha feito.

Brinquedos, carros, roupas, festas, coisas materiais compunham os sonhos perfeitos. Todos com os mesmos sorrisos que costumava ver durante o dia. Falsos e sem vida.

Foi então que João Pestana reparou num rapaz de estatura média, cabelo preto e olhos da mesma cor. Vestido com o uniforme da escola dos sonhos, que espreitava pela porta, muito curioso com o que se estava a passar. Olhou para Morgana e perguntou:

- Quem é aquele rapaz? Parece curioso e aventureiro.-

Morgana respondeu com um ar indiferente:

- É o Artur. Não é dos nossos melhores alunos, mas sempre teve um espírito rebelde.-

João Pestana sorriu. Ele gostava de espíritos rebeldes. Tinham sonhos mais felizes. Aproximou-se dele e perguntou sorrindo:

-Não queres fazer a prova também?-

Artur encolheu-se. Hesitou antes de responder:

- Gostava muito, mas a Directora acha que ainda não estou preparado.-

João Pestana fez uma expressão surpresa. Depois, disse:

- Bom, agora sou eu que te estou a pedir que faças a prova. Aceitas?-

Artur sorriu e respondeu:

- Aceito.-

João Pestana conduziu-o até á sala da prova. Os outros olharam-no com um ar surpreendido e curioso. Perante o olhar incrédulo de Morgana, João Pestana anunciou:

- Vamos ter um novo candidato. O Artur.- Olhou para ele e acrescentou: - Podes começar.-

O rapaz dirigiu-se ao balcão e leu com atenção a lista dos ingredientes. Depois, pegou nos frascos, abriu-os e deitou o conteúdo para um almofariz onde moeu até obter um pó dourado fino. De seguida, juntou-lhe uma pitada de pó de pesadelo e meteu-o num outro frasco que entregou a João Pestana.

Este recolheu-o cuidadosamente e espalhou-o por cima da sua cabeça. A nuvem de pó formou-se e nela apareceu um jardim com flores de várias cores a algumas árvores. Debaixo das árvores, grupos de crianças brincavam enquanto outras corriam por entre as flores. A luz do sol enchia tudo de cor. Os seus sorrisos eram tão genuínos que João Pestana se comoveu. Até Morgana disfarçou uma lágrima ao canto do olho. Depois, desfez-se e voltou para o frasco. João Pestana não precisou de ver mais sonhos. A sua decisão estava tomada.

- É com muita alegria que anuncio o meu assistente. O Artur.-

Todos ficaram surpresos, até Morgana, embora já tivesse uma ideia do que ia acontecer. Acrescentou:

- Quando se faz um sonho, o mais importante não é o seu conteúdo mas aquilo que nos faz sentir. Os sonhos são momentos em que podemos ser o que quisermos. E o Artur mostrou exactamente o que procurava.-

Partiram nesse dia para casa de João Pestana.

No caminho, perguntou-lhe:

- Posso saber o teu nome todo? Se vais ser meu assistente, deves ter um nome que fique na memória.-

Artur respondeu:

- O meu nome completo é Artur Boas-Noites.-

João Pestana sorriu.

- É um óptimo nome.-

Chegaram a casa de João Pestana mesmo a tempo da hora de dormir. A oportunidade para Artur Boas-Noites mostrar o que valia, agora numa situação real. Conduziu-o até ao seu laboratório. Artur ficou maravilhado. Já tinha ouvido falar daquele sítio na escola, mas nunca pensou que fosse tão impressionante. Não era muito grande, mas ainda assim acolhedor. Tinha um balcão de madeira e uma grande colecção de frascos com pós de estrela diferente. Também tinha páginas com notas espalhadas um pouco por todo o lado e, no meio, num suporte de madeira, o Grande Livro dos Sonhos. Artur dirigiu-se a ele, mas foi impedido por João Pestana.

- Primeiro, segues as notas dos papéis, depois logo pesquisas no livro. Não queiras fazer tudo logo no primeiro dia.-

Artur assentiu com a cabeça. Foi para a frente do balcão e leu as notas que estavam nos papéis ali perto. Depois, pegou nos pós de estrelas e misturou-os cuidadosamente. Por fim, João Pestana colocou-os no seu saco e saiu para os distribuir.

Durante o tempo que se seguiu, Artur Boas-Noites ajudou João Pestana com as preparações dos sonhos. Mas, por mais que gostasse do que fazia, sentia que lhe faltava qualquer coisa. Ver os pós de estrelas a misturarem-se e coloca-los dentro dos frascos era uma coisa, mas sair para os espalhar pelo mundo ou recolher informações durante o dia, era outra. Cada vez que o seu Mestre saía, ele ficava a imaginar como seria andar a recolher a analisar a informação sobre os desejos e as vontades das pessoas. O seu Mestre costumava contar-lhe que essa tarefa não era fácil, uma vez que cada pessoa tem desejos diferentes e que estes variam consonante estão mais contentes ou mais tristes. É preciso estar atento a todos estes pormenores e saber analisá-los muito bem antes de tomar notas.

-Com a informação que tenho, acho que consigo, Mestre. Deixe-me ir uma vez que seja, por favor! Assim, posso aprender mais e, quem sabe, fazer sonhos mais felizes.- Pedia, de vez em quando, Artur.

Porém, a resposta de João Pestana era sempre a mesma:

- Ainda é muito cedo para isso. Quando chegar a altura, logo virás comigo.-

Mas a altura certa não chegava e Artur começava a achar que nunca chegaria. Até que, um dia, João Pestana veio falar com ele.

-Artur, estive a pensar e acho que está na altura de vires comigo.-

Artur ficou contente. Perguntou, entusiasmado:

- A sério, Mestre? Posso mesmo ir?-

João Pestana sorriu e respondeu:

- Sim, podes. Prepara o teu saco. Partimos esta noite.-

Artur Boas-Noites foi logo arrumar o seu saco, feliz e entusiasmado por ir, finalmente, conhecer o mundo e o lugar onde eram depositados os sonhos que fazia.

João Pestana deslocava-se numa nuvem de pó de estrela. Era tão fina que parecia que voava. Artur Boas-Noites apoiou-se numa das pontas da nuvem que partiu imediatamente. Atravessou o céu estrelado a uma grande velocidade. Depois, percorreu as montanhas e os campos até chegar á cidade. As luzes dos prédios faziam lembrar as estrelas mas mais brilhantes. Artur estava fascinado com tudo. Era a primeira vez que via o mundo, por isso achava tudo maravilhoso.

-Concentra-te no trabalho. Primeiro, espalhas os sonhos, depois podemos dar uma volta para apreciares a paisagem.- Disse-lhe João Pestana.

Artur assentiu e a viagem continuou. Passado pouco tempo, pousaram em cima de um telhado. A noite estava calma e silenciosa como as noites devem ser. De vez em quando, soprava uma brisa que os aconchegava. Desceram da nuvem e foram directamente ás janelas da casa. Era um prédio com vários andares pelo que começaram por cima e foram descendo.

João Pestana mostrou-lhe como se fazia. Primeiro, encolheram, graças a um pó mágico, até ficarem do tamanho de um pirilampo. Depois, era só espalhar os sonhos por cima das cabeças das pessoas adormecidas. Artur acompanhou todo o processo e foi tomando notas para não se esquecer de nada.

Depois de espalharem os sonhos por toda a cidade, passaram às seguintes. João Pestana tinha uma lisa de todas as cidades e localidades com pessoas do mundo e um itinerário que era preciso seguir. Artur também tomou nota disso, mesmo sabendo que depois João Pestana lhe desse uma cópia de tudo.

Concluída a tarefa, voltaram para casa para preparar mais sonhos e a recolha de informações no dia seguinte. Só podiam dormir quando todos também estivessem senão os sonhos não seriam felizes.

Na manhã seguinte, Artur voltou a acompanhar João Pestana, desta vez com a sua roupa de dia, para recolher informações sobre os desejos que os ajudavam a fazer os sonhos. Não era uma tarefa tão fácil quanto parecia. Era preciso estar atento a tudo o que acontecia durante o dia para depois se seleccionar os momentos mais marcantes.

- Estás a ver?- Perguntou João Pestana certa vez quando foram recolher informação. – Aquele gosta de comer bolos e o outro de ouvir música, já aquele ali prefere tirar fotografias.- 

Artur tomava nota de tudo o que o seu Mestre lhe dizia e depois quando chegasse a casa, a preparação dos sonhos era mais fácil.

E assim se foram passando os dias, até que houve um que mudou tudo.

Nesse dia, estava calor. Era Verão. Os sonhos estão mais brilhantes. É aquela altura do ano em que andamos mais sonolentos e por isso sonha-se mais, o que significa mais trabalho para João Pestana e Artur Boas-Noites.

-Detesto esta altura!- Queixava-se o Mestre. – Quando acho que vem aí uma folga é quando há mais trabalho!- Isto nunca pára!-

Artur gostava de fazer os sonhos do Verão. Davam para perspectivar o resto do ano mas também para fazer balanços sobre o que correra menos bem. Havia sempre um desejo por cumprir. Mas era para isso que eles existiam, para os depositar na mente para mais tarde se concretizarem, o que acontecia na maior parte das vezes.

Saíram como sempre para espalharem os sonhos. Na volta, Artur dera pela falta do seu caderno de notas e voltou atrás para o ir buscar. João Pestana sempre lhe dissera para não olhar para trás depois de cumprida a tarefa, mas ele não conseguiu evitar.

Da janela de uma casa, vislumbrou um vulto de uma rapariga. Era loura de olhos azuis e vestia um vestido simples florido. Não conseguia dormir, então viera á janela tomar um pouco de ar fresco da noite.

Ao vê-la, Artur sentiu um aperto no peito e quase perdeu o equilíbrio a voar. Queria comtempla-la durante toda a noite, mas João Pestana logo o chamou e ele foi-se embora dali tão depressa como apareceu. No entanto, o aperto no peito não desapareceu. Cada vez que pensava na rapariga dos olhos azuis, parecia que o mundo ia desabar.

A partir daquele dia, Artur nunca mais foi o mesmo. Distraía-se com facilidade a preparar os sonhos e as notas eram tiradas á pressa. Sempre que saíam, queria ficar mais um pouco para procurar uma certa casa onde morasse uma certa rapariga. João Pestana fez logo o diagnóstico daquela estranha doença que o afligia: amor. Artur estava irremediavelmente apaixonado por aquela rapariga.

Um dia, sem que ele notasse, foi falar com Morgana. Esta riu-se quando lhe contou.

-É perfeitamente natural que isso aconteça. Ele está na idade!- Disse-lhe.

João Pestana estava surpreendido. Nunca pensou que Morgana ficasse contente por saber que o seu aprendiz estivesse apaixonado por uma rapariga humana.

Acrescentou num tom mais sério:

- Mas sendo humana, temos um grande problema.-

João Pestana concordou. Toda a gente sabia que uma criatura dos sonhos não se podia apaixonar nem ficar amigo de um humano, seria o fim do segredo dos sonhos.

-Preciso de arranjar uma solução. Por isso vim pedir ajuda.- Disse João Pestana. O seu olhar era suplicante.

Morgana comoveu-se com a sua preocupação. O tempo de convivência com Artur fizera com que ele o visse como um filho.

-Deixa-me ver o que posso fazer.- Disse ela. – Deve haver alguma coisa. Vem cá daqui a alguns dias. Nessa altura, dir-te-ei o que fazer.-

João Pestana agradeceu.

Voltou para casa ainda apreensivo, mas não podia dizer nada a Artur para não o preocupar. Por isso, entrou com o seu sorriso habitual no laboratório.

Durante os dias que se seguiram, Morgana e João Pestana procuraram uma solução para Artur. Não queriam que ele deixasse de ser uma criatura dos sonhos mas também não podiam impedir o seu amor. Era uma situação complicada.

Entretanto, Artur aproveitava para sabe mais sobre a sua amada. Sempre que podia, ia visitá-la a casa transformado em pirilampo ou aparecia-lhe em sonhos. Era nessa altura que estavam junto. Conversavam, passeavam e namoravam. Eram felizes.

João Pestana tinha cada vez mais pena de o deixar ir, mas não o podia impedir. O sentimento que Artur tinha pela rapariga, que mais tarde soube que se chamava Ana, era verdadeiro e crescia de dia para dia. As suas noites eram passadas com ela e os seus dias a pensar nela.

Até que um dia, Morgana apareceu na casa de João Pestana com uma solução. Uma poção para Artur beber e se transformar em humano, mas também apagaria todas as suas memórias e nunca mais poderia regressar. Se ela a bebesse, transformava-se numa criatura dos sonhos e passaria a viver com ele para sempre. João Pestana ganharia dois assistentes e já não se sentira tão sozinho.

A decisão não era fácil. Um deles teria de abdicar de tudo para poder ser feliz. Deu-lhes um tempo para pensar. «Três dias no máximo, depois têm de me dizer o que decidiram.» Dissera Morgana.

Artur e Ana pensaram muito durante os três dias dados por Morgana. Nenhum dos dois queria deixar o seu mundo para trás, mas o seu amor falou mais alto.

Então, passados três dias, Artur comunicou a sua decisão a Morgana e foram ao encontro de Ana, que também tomara a sua. Ao chegarem á sua janela, ela estava á espera deles.

- Decidi que vou viver contigo no mundo dos sonhos.- Disse Ana a chorar. – Não me importo de apagar as minhas memórias humanas se for para ficar contigo.-

Artur não queria acreditar. Estava muito feliz por poder finalmente estar com a sua amada para sempre.

Então, Ana bebeu a poção. Uma luz rodeou-a e ela transformou-se num pirilampo. Voaram de volta a casa.

Passado pouco tempo, Artur Boas-Noites e Ana Madrugada, o seu novo nome, casaram e viveram felizes para sempre.

Fim

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E pronto.

Mais uma vez, espero que gostem.

Bjs 

Joana 

  

 

 

 

        


segunda-feira, 20 de julho de 2020

Excluídos- A Carta

Olá 
Ainda continuo com os textos excluídos. 
Desta vez, uma história sobre alguém que encontrou uma carta.
Espero que gostem.
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A Carta

Entrei no bar. O ar quente aconchegou-me. Estava uma noite fria e só me apetecia relaxar.

Fui para uma mesa ao canto, daquelas que atraem amigos o desconhecidos que começam por desabafar as suas mágoas meio bêbados e depois ou adormecem ou saem aos ziguezagues. Naquela noite, esperava uma amiga. Tínhamos uma espécie de tradição: todos os dias dos namorados íamos aquele bar. Enquanto os casais se deleitavam com filmes românticos e escapadinhas, nós reuníamo-nos para celebrar a nossa solteirice. Depois de várias relações falhadas estava na altura de nos concentrar em nós mesmas. Mulheres independentes que não precisam de homens para serem felizes e realizadas.

A mesa que escolhera ficava encostada a uma parede acolchoada e gasta. Era ladeada por bancos também acolchoados. Sentei-me e tirei o casaco castanho, deixando-o à mostra o vestido preto de manga comprida. Ajeitei o cabelo ruivo com madeixas louras e aconcheguei as pernas por baixo da mesa, forradas com collants bordô e sapatos de veludo altos e da mesma cor que o vestido.

O empregado apareceu no momento em que acendi o cigarro e fiquei a ver o fumo pairar à minha volta. Tinha tentado várias maneiras de largar aquele vício, mas parecia que me controlava. A cada golfada de químicos do cigarro e explosão do fumo, parecia que a tensão desaparecia subitamente do meu corpo, restando apenas uma carcaça desprovida de emoções. «Aquilo fazia-me mal.» Pensei. «Tinha mesmo de deixar, mas neste momento serve de consolo».

Pedi uma margarita de Martini com sumo de morango. Uma bebida simples mas sofisticada. O ideal para mim. Enquanto esperava, fui olhando em redor. Gostava de olhar para a decoração dos bares. Para os candeeiros altos e mesas de madeira com rebordos de metal, para os quadros com fotografias de pessoal famoso e pinturas abstractas, para o balcão corrido onde o barman preparava as bebidas e servia os clientes que se iam sentando. Para a colecção de garrafas semivazias por trás dele. Whisky velho, gin tónico, Vodka e outro sem número de bebidas que eram despejadas em copos de vidro e depois entornadas pelas gargantas secas e frias dos clientes.

Dei mais uma golfada no cigarro. Recostei-me no banco. Nesse momento, a minha bebida foi pousada à minha frente por um empregado de avental e vestido de preto. Agradeci-lhe. Dei um pequeno gole que deixou a marca do meu batom vermelho no bordo. Limpei-o com um ar indiferente. O meu olhar deu mais voltas pelo bar e voltou à mesa onde estava. O cinzeiro, o suporte dos guardanapos e o meu copo. Também havia marcas na mesa de cinza, comida e algo indecifrável.

Foi, então, que reparei em algo que nunca tinha reparado mas que poderia ter estado ali há muito tempo, mas não deixava de ser invulgar. Preso entre o tampo da mesa e parede, estava um envelope. Apaguei o cigarro no cinzeiro imediatamente. Não queria estragar aquele pedaço de papel. Cuidadosamente, desentalei-o. Era um envelope de carta e tinha um nome escrito com uma letra meio retorcida mas que dava para decifrar: «Robert».

Com a curiosidade a queimar a ponta dos meus dedos e cérebro, abri o envelope com o mesmo cuidado que o tirara do sítio onde estava. Lá dentro, uma folha dobrada em 4. Tirei-a e desdobrei-a. Era uma carta, mas não uma qualquer, era uma carta de amor. Tinha corações feitos á mão mas o texto estava escrito à máquina. Comecei a lê-la:

14 De Maio de 1957

Querido Robert,

Espero que esteja tudo bem contigo.

Comigo, continua tudo na mesma. A Judy continua internada e a quinta dos meus pais continua a dar lucro. Não sabia que a agricultura também dava para pagar tratamentos e medicamentos.

Mas não foi para falar sobre mim nem da minha irmã que te escrevi. Foi para falar de nós. Se bem te lembras, da última vez que falámos disseste-me para te esquecer, que a nossa relação não ia ter futuro porque éramos de mundos diferentes. Eu do campo e tu da cidade. Uma latifundiária e um jornalista «que combinação ridícula!» disseste na altura. Já lá vão dois anos. Dois anos que partiste sem olhar para trás e sem dar uma notícia. Não precisava que falasses de ti. Uma carta a perguntar pela saúde da minha irmã Judy chegava!

Este tempo tem sido muito duro para mim. Não há um dia que não me lembre de ti. Dos nossos passeios pelo campo, do teu riso, dos teus beijos e carícias. O meu coração ainda bate da mesma forma quando penso naquela tarde de Verão em que te vi pela primeira vez. Tinhas acabado de chegar para umas férias mas tudo o que encontraste foi uma aventura. Ainda tenho a flor que deste. Aquela branca, lembras-te? Foste apanhá-la no meio da seara dourada. Disseste que era a última da Primavera. Depois, pegaste-me ao colo e levaste-me até ao celeiro onde nos entregamos de corpo e alma ao desejo.

Desde que partiste que nunca houve outro homem na minha vida. Nem sequer o velho Sam que o meu pai me queria impor. Aquilo não era um casamento era um negócio.

Espero que um dia nos possamos voltar a ver. Talvez aí me expliques porque foste embora.

Se receberes esta carta, responde. Se não, atira-a para um lado qualquer ou queima-a, tanto faz Só não queimes aquilo que vivemos porque essas memórias serão eternas.

Para sempre tua,

Sandie.

- Então, o que estás a ler?- Uma voz fez-me voltar à realidade. Era a Betty. Já tinha chegado e sentara-se à minha frente.

Baixei a folha e olhei-a nos olhos. Eram verdes como sempre. A cara redonda. Mas os elementos encaixavam todos em harmonia. Os olhos, a boca e o nariz. Trazia um vestido de noite simples preto de manga comprida com bordados. Por baixo, devia ter os collants cinzentos e as botas castanhas. A maquilhagem era pouca já que os seus olhos eram suficientes para realçar o rosto.

Pedira o seu habitual cocktail de frutos vermelhos com gin e uns aperitivos de queijo que mordiscava quando me interrompeu.

-Então?- Perguntei como só naquele momento tivesse notado a sua presença. – Chegate há muito tempo?-

Betty entrelaçou uma madeixa do seu cabelo louro curto entre os dedos da mão direita enquanto tirava um aperitivo com a mão esquerda. Olhou-me com um ar divertido mas sarcástico ao mesmo tempo. Aquela pergunta estava respondida. Fis um trejeito. Ela comentou:

- Ainda não me respondeste.-

Olhei para o pedaço de papel e respondi-lhe com um sorriso irónico:

- Algo interessante que encontrei entalado na mesa.-

Betty riu-se, depois soltou uma gargalhada sonora. Fiz-lhe sinal para que se acalmasse. Ainda estávamos num local público e a bebida ainda não era muita. Calou-se, depois exclamou:

- Vá lá, Jo! Esperas mesmo que eu acredite que encontraste algo interessante num bar como este? Olha à tua volta, a coisa mais interessante que vais encontrar aqui são folhetos de publicidade enganosa ou o menu dos aperitivos.-

Suspirei. Tinha de escolher as palavras certas. A Betty era a minha melhor amiga desde os tempos da escola. Partilhávamos tudo: receios, ansiedades, e, por vezes, até os namorados, por isso ela estava mais que habituada às minhas loucuras. Pousei a folha em cima da mesa depois de desviar os copos e o pacote de aperitivos. Olhei-a mais uma vez e disse:

- Eu sei que é difícil de acreditar, mas encontrei mesmo algo interessante.- Apontei para a folha e ela olhou.- Isto é uma carta de amor de há mais de 60 anos que foi aqui deixada por alguém chamado Sandie para outra pessoa chamada Robert. Também achei estranho ao início mas depois de ler fiquei com vontade de saber mais sobre os seus intervenientes.-

Betty voltou a rir-se. Desta vez com menos ironia. Perguntou:

- E como tencionas encontra-los? Isso já foi há tanto tempo que já devem ter morrido.-

Respondi:

- Sim, mas podemos imaginar.- Voltei a tirar um cigarro. Betty repreendeu-me:

- Vá lá! Prometeste que ias deixar de fumar! Dá cá isso!- Acrescentou: - Devíamos ter ido a outro lado, os bares são sempre propícios para isto.- Dei-lhe o maço ainda que com alguma relutância. Ela amachucou-o e guardou-o na mala para mais tarde deitar fora. Depois daquele breve ritual, perguntou:

- Então, o que achas?-

Betty olhou para a folha com um ar neutro. Ler nunca fora o seu forte. Muito menos numa Sexta à noite em que podia estar a divertir-se com a melhor amiga e esquecer os problemas. Depois olhou para mim. Respondeu secamente:

- Não acho nada de especial.- Começou. – Quer dizer, é uma carta de amor e depois?-

Fiz um trejeito. Aquela conversa não ia levar a lado nenhum. Já estava encerrada mesmo antes de ter começado. Sempre fora assim, desde os tempos da escola, quando o assunto não lhe interessava, não valia a pena insistir. Curiosamente, não fora assim com os estudos. Conseguimos tirar gestão empresarial e agora éramos empresárias bem-sucedidas. Acabei por desistir da carta. Dobrei-a e metia-a novamente no envelope.

Voltou para o mesmo sítio. Depois de pagarmos e de acabarmos a nossa pequena refeição, saímos do bar em alegre cavaqueira até à próxima etapa da noite: a dança.

Nunca mais mencionámos a carta encontrada entre a mesa e a parede de um bar.

Fim

 

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E pronto. 

Mais uma vez, espero que gostem. 

Bjs 

Joana 

 

 


segunda-feira, 6 de julho de 2020

Excluídos- Megafone

Olá
Mais uma vez, deixo-vos com um texto da colecção dos excluídos.
Desta vez, algo para reflectir, ou não. Fica ao vosso critério.
Espero que gostem.
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Megafone

-Para que serve um megafone?- Perguntou a rapariga de mini-saia, t-shirt com um coração, sandálias, rosto comprido e olhar brincalhão. Uma adulta em ponto médio. Tinha 16 anos me ainda estava na escola. Chamava-se Sandra.

-Serve para levantar a voz, para nos fazermos ouvir mais alto.- Respondeu Mónica a amiga vestida mais ou menos da mesma maneira. Só os penteados eram diferentes: uma com cabelo preto, olhos da mesma cor, apanhado num carrapito. A outra de cabelo louro e olhos azuis, apanhado numa trança virada para a frente.

Sandra fez um ar indiferente perante a resposta da amiga. Ripostou:

- Então, se serve para levantar a voz, para nos fazer ouvir porque é que ainda há vozes que não são ouvidas?-

Mónica estava surpreendida:

- O que queres dizer?-

Sandra respondeu num tom sério, muito diferente do que normalmente usava para falar com os seus colegas e amigos na escola:

- Quero dizer que o mundo está um caos. A humanidade está obcecada com a perfeição, mesmo sabendo que não existe. – Fez uma pausa, respirou fundo e continuou:

- Desde a beleza ao ambiente, andamos todos desesperados, o que leva a que tomemos decisões pouco pensadas e que nos deixemos levar por ideias que não são as mais ‘ideais’, passo a redundância.- Acrescentou: - Extremos que se cruzam e com os quais temos de lidar todos os dias.-

Mónica interrompeu-a apenas para dizer:

- Concordo, mas como se pode fazer com que essas vozes sejam ouvidas? Não estás a pensar que ir para a rua gritar com um megafone vai ajudar, pois não?-

Sandra olhou para a amiga e retomou o discurso:

- Claro que não! É preciso muito mais! Para que essas vozes mudas sejam ouvidas é preciso mais que discursos bonitos em encontros de políticos que só porque têm poder acham que podem mandar em tudo, até no que se pensa. É preciso mais que imagens em que a câmara está tão em cima da cara das pessoas que quase lhes vemos os restos de comida nos dentes ou os pêlos do nariz.-

Mónica deu uma risada. O discurso da amiga era entusiasmante. Sandra continuou:

- O que o mundo precisa é de espontaneidade. Naturalidade. Rebeldia. Hoje em dia temos de ousar ser diferente para fazer realmente a diferença e não porque nos ‘obrigam’ a ser diferentes.- Acrescentou: - Olha, como o anime.-

Mónica ficou surpreendida novamente:

- O que é que tem o anime tem a ver com mudar o mundo?-

Sandra respondeu:

- Ajuda a pensar nos caos que referi. Mostra o mundo tal como ele é: cheio de defeitos e complicações e embora pareça uma maneira simples, fica sempre aquela ‘semente’ plantada nas nossas mentes e espíritos. Traz á tona temas ‘sensíveis’ mas importantes. Mostra-nos aquilo que muitas vezes queremos esquecer ou esconder: os nossos limites e as nossas fraquezas mas também nos ensina a ultrapassá-los ou, pelo menos, a viver com eles.-

Mónica sorriu:

- Muito bem dito!-

Sandra também sorriu.

Depois, encaminharam-se para a aula pois a campainha já tinha tocado.

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   E pronto. 

Mais uma vez, espero que gostem.

Bjs

Joana 


segunda-feira, 29 de junho de 2020

Excluídos- O Boneco de Barro

Olá 
Aqui fica mais um texto daqueles excluídos. Desta vez, resolvi trazer-vos um conto que imaginei na infância mas só agora é resolvi passar para o papel. 
Espero que gostem.
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O Boneco de Barro

Era uma vez um boneco. Uma escultura em barro feita a partir de um bloco de massa castanha cuidadosamente moldada na roda de um oleiro já idoso mas ainda com muita habilidade. Os salpicos de terra húmida tingiam-lhe o avental de cabedal preto e parte da roupa por baixo de castanho. Algum endurecia, outro escorria para as calças pretas e terminava na ponta dos sapatos. Já o fazia há tanto tempo que perdera a conta aos anos. Herdara a habilidade do pai, que a ganhara do avô e assim por diante. Era um trabalho duro e penoso, especialmente porque a idade já não lhe permita muita coisa, mas tinha orgulho nele.

Cada vez que uma escultura ficava pronta, metia-a numa caixa de madeira para secar um pouco. Depois, ia ao forno até endurecer completamente. Retirava-a com todo o cuidado, deixava-a arrefecer um pouco antes de lhe voltar a pegar para dar os últimos retoques. As marcas da roupa, os olhos, o nariz e a boca. Sempre com expressões diferentes, uns a sorrir, outros tristes, outros espantados. Por fim, juntava-a aos outros prontos para serem vendidos.

Anexa à oficina, o homem de cabelo grisalho e olhos claros, tinha uma pequena loja onde vendia as suas obras. Com grandes estantes pintadas de branco que contrastavam com os bonecos todos da mesma cor perfilados em cima delas com a etiqueta do preço presa a uma perna. Pareciam prisioneiros que, após serem vendidos, eram libertados mas por pouco tempo, já que terminavam sempre dentro de um armário numa qualquer sala de estar.

De entre todos os bonecos na loja, havia um que era diferente. Não gostava de ter sempre a mesma cor. Tinha uma expressão séria, neutra. Olhava para o infinito como se quisesse alcançar alguma coisa. Era o último de uma fila. A mais escondida que ninguém via. Tinha sido lá posto por causa da sua expressão. «Expressões mais alegres vendem-se melhor» dizia o oleiro. O boneco não era nem muito alto nem muito baixo, o boneco. Representava um rapaz. Um camponês. De calças, camisa, sapatos, chapéu, cara, cabelo e até os olhos eram castanhos. Sentia-se triste por ser só de uma cor. Porque é que tenho de ter só uma cor? Pensava para os seus botões castanhos. Gostava de ter mais cores. Cada vez que olhava para a montra das outras lojas pelos espaços deixados entre os outros bonecos, e via todas aquelas cores, imaginava como seria se o seu chapéu fosse verde ou azul. As suas calças vermelhas, a sua camisa branca ou os olhos pretos ou amarelos. Queria ser colorido.

Podia ser que, assim, chamasse mais a atenção e fosse posto à frente dos outros na prateleira. A sua expressão ficaria mais alegre e já podia ser vendido.

No entanto, os outros bonecos diziam-lhe que era melhor ser castanho. «Assim, toda a gente sabe quem somos» Diziam uns. «Mostra a nossa origem» Acrescentavam outros. Havia ainda quem o encorajasse a mostrar outra cara. «Se quiseres, eu ensino-te a ter uma expressão mais alegre» Dizia um dos da sua fila. Mas acabavam sempre por deitá-lo a baixo e deixa-lo ainda mais triste. «Se continuas assim, nunca serás vendido nem farás parte da decoração de alguém». Acrescentavam. Já estava a ficar farto dos seus comentários.  

Sempre que se via sozinho, punha-se a pensar em formas de sair dali. Sentia que, como estava, não queria estar. Foi depois de muito pensar que resolveu sair da loja para passear um bocado.

Uma noite, depois de a loja fechar, o boneco de barro pôs o seu plano em prática. De tanto observar a loja e os seus recantos, já os memorizara e sabia de cor todos os segredos. Levantou-se da caixa de madeira, que era para onde iam durante a noite alguns bonecos para endurecerem mais um pouco mas também para não ocuparem tanto espaço nas prateleiras visto que, à noite, não era preciso estarem expostos, com cuidado para não acordar os outros, saltou da bancada de pedra e foi até à porta, mas a maçaneta estava muito alta e, por mais que ele saltasse, não conseguia lá chegar. Então, subiu para cima de um banco ali perto com um almofada com as molas meio soltas e saltou o mais que pôde até este lhe dar balanço suficiente para chegar à maçaneta de metal e abrir a porta. Ficou surpreendido por não ter acordado ninguém com o barulho. Ainda houve alguns que se mexeram, mas não deram por ele sair.  

Assim que se viu lá fora, o ar frio da noite soprou-lhe ao de leve pelas rachaduras finas do corpo e arrepiou-o. Não estava habituado a andar na rua. Começou a caminhar pela rua que lhe pareceu gigante, comparada com a que via da janela da loja. Não era fácil ser um boneco tão pequeno. A rua era estreita e escura o que fazia com que parecesse ainda mais assustadora. De vez em quando, ouvia alguns barulhos e parava meio assustado. Encostava-se à parede de um prédio à espera que passasse, mas, na maior parte das vezes, eram apenas carros que passavam ao longe ou gatos que miavam e que saltavam por cima dos telhados das casas.

Não sabia quanto tempo tinha andado, mas não devia ter sido muito pois a rua parecia-lhe sempre a mesma. Caminhou mais um pouco, passando por outras lojas onde os bonecos e olhavam com surpresa e curiosidade. Foi andando até que parou junto a uma loja de antiguidades. Subiu pelo rodapé do chão até à janela da montra por onde espreitou. Lá dentro, apesar da semi-escuridão, conseguia ver os pratos com flores, os bules de chá com paisagens campestres, as caixas de madeira pintadas e até espelhos cheios de recortes na moldura. Também viu um conjunto de palhaços de porcelana coloridos. A sua expressão era tão animada que ele sorriu também.

Foi então que viu algo que o deixou maravilhado. No meio dos palhaços e das loiças, estava uma boneca. Era de porcelana branca e representava uma dama antiga. Tinha um vestido às flores cor-de-rosa que dançavam com o movimento da saia, e um chapéu com abas grandes a condizer. Usava o cabelo preto apanhado numa trança e tinha os olhos de um azul que fazia lembrar o céu. Estava numa prateleira junto a outras peças, mas ela sobressaía. Parecia um anjo.

O boneco arregalou os olhos com tanta beleza. Nunca tinha visto nada parecido. Sentiu-se a flutuar. Queria alcança-la, mas o vidro da montra impedia-o. Ela apercebeu-se da sua presença pois ele não parava de bater no vidro como se quisesse entrar. Sorriu. Aproximou-se mais da montra até a sua cara se esborrachar no vidro. Queria comtempla-la melhor. A boneca saiu da prateleira e, quase como um anjo que desliza pelo ar, aproximou-se do vidro e olhou-o de perto. Ele sentiu-se a corar, embora fosse tudo castanho e não desse para ver a cor das bochechas. Encostou uma mão ao sítio onde ela encostara a sua. Ficaram a olhar-se durante algum tempo. Por momentos, pareceu que o vidro desaparecera assim que com a rua, as lojas, o mundo. Restavam apenas eles, envolvidos pelo seu amor. Os seus lábios tocaram-se num beijo enternecido.

Mas, de repente, o sonho desfez-se. Ouviu um barulho. Sem se aperceberem, o sol já tinha nascido. Tinham ficado toda a noite a olhar-se. O boneco tinha de se despachar a voltar para a loja antes que o oleiro ou os outros dessem pela sua falta. Apressou-se a descer da montra e a ir embora, mas no seu olhar estava a promessa de se voltarem a ver.

Começou a andar no sentido que achava que era o certo para chegar à loja do oleiro, mas, tal como na noite anterior, a rua, agora com mais movimento, parecia-lhe ainda maior e mais assustadora. Não sabia por onde ir. Estava perdido e assustado. Só lhe restava encostar-se a uma parede e esperar que o oleiro desse pela sua falta e o viesse buscar. Mas, na loja do oleiro, há muito que o boneco fora substituído por outro. Não sabia se tinha andado muito ou se alguma vez voltaria a ver a boneca de porcelana.

Passaram-se horas, dias que se transformaram em semanas e talvez meses ou anos, não sabia, e ninguém apareceu para o recolher. Parece que ninguém deu pela minha falta. Pensou. Uma lágrima começou a correr-lhe pela cara, depois outra até que toda a rua ficou cheia das suas lágrimas. Só então se apercebeu de que começara a chover. Os bonecos não têm sentimentos. São as pessoas que lhes põem. Costumava dizer muitas vezes o oleiro, de cada vez que arrumava as prateleiras ou que aparecia um cliente. Seria mesmo assim? Então, porque é que sentia aquele aperto no peito? Porque é que, quando viu a boneca de porcelana se sentiu a flutuar que o resto do mundo não existia? Afinal, os bonecos também sentem!

De repente, uma voz trouxe-o de voltar à realidade. Era de homem, mas não era do oleiro. Esta era mais jovial. Não conseguia ver bem por causa da chuva, e porque a sua cara estava meio enlameada por ter estado tanto tempo no chão húmido, mas pareceu-lhe ver a silhueta de um homem alto, vestido com um fato elegante e meio careca, sendo o pouco cabelo á volta da cabeça castanho-claro. Já o tinha visto ao pé da loja de antiguidades nas muitas vezes que conseguira espreitar pela prateleira ou quando estava na caixa de madeira. Devia ser o dono. Estava com outros homens que deviam ser os seus empregados. Aproximou-se da parede onde estava o boneco. Ia-lhe dando com o sapato se este não tivesse roçado ao de leve na parede. Apercebendo-se disso, o homem baixou-se para ver o que lhe bateu no pé. Quando viu o boneco, apanhou-o para ver melhor. Olhou-o a toda a volta. Ainda estava em bom estado, apesar de ter algumas rachaduras e estar meio derretido por causa da chuva. Precisava só de uns pequenos retoques e estava pronto para ser exibido na loja.

Virou-se para um dos empregados e disse, mostrando-lhe o boneco:

-Este ficava muito bem ao pé de uma boneca de porcelana que temo lá na loja. O seu par partiu-se em mil bocados há uns tempos e foi impossível de arranjar. Só precisa de um pouco de cor e de uns arranjos simples e fica como novo. Vou levá-lo.- Acrescentou, olhando para a loja em frente: - É impressionante o que se deita fora hoje em dia. Já ninguém tem respeito pelos bonecos.- Estavam perto da loja do oleiro.

O empregado olhou para o boneco e disse:

- Mas é feito de barro. Não acha estranho estar a juntar um de cada material?-

O homem de fato olhou para o rapaz de avental e respondeu:

- E isso importa?- O rapaz fez um trejeito. Acrescentou: - Além disso, eu pago-te para venderes não para dares a tua opinião.-

O rapaz encolheu-se.

Enfiou o boneco no bolso e foi para a loja. Quando lá chegou, foi para a sua oficina de restauro. Pousou-o numa bancada corrida de madeira e sentou-se, depois de despir o casaco elegante e pôr o avental de trabalho, a arranja-lo. Primeiro, limpou-o e poliu-o com a ajuda de uma lixa muito fina para não o danificar muito. Tinha de estar no mais perfeito estado para poder ser exposto e, eventualmente, vendido. Depois, reparou as rachas e voltou a moldar-lhe a parte da cara que estava derretida pela chuva, acrescentando mais barro, o que fez sobressair ainda mais as feições do boneco.

Quando achou que já estava arranjado, foi buscar as tintas e os pincéis para o pintar. Um boneco tão bonito não podia ser exibido assim, precisava de cor.

Terminado o trabalho, o boneco não parecia o mesmo. A pele castanha ganhou uma nova cor. Meio rosada, até as suas bochechas finalmente mostravam a sua cor. Para além da pele, o chapéu ficou preto, os sapatos escureceram o castanho, as calças ficaram pretas, a camisa branca e os olhos escuros com um toque de amarelo. Com as novas cores, até a sua expressão parecia mais alegre.

O homem sorriu orgulhoso do seu trabalho. Deixou que o boneco secasse durante um bocado e depois levou-o para a loja. Colocou-o na prateleira ao pé da boneca de porcelana. Assim que o viu com as suas novas cores, a boneca sorriu. Ele corou mostrando, mais uma vez, o rubro das suas bochechas.

Como estava na primeira fila, e tinha muitas cores, como nunca tinha estado, chamava muito a atenção. Finalmente, o boneco estava a ter o reconhecimento que merecia. Ao olhar para os bonecos, o dono da loja sentiu algo de especial. Era como, de repente, lhe estivesse a agradecer. Esse sentimento fez com que o homem desse ordens específicas aos empregados para que se alguém quisesse levar aqueles bonecos, tinha de levar o par ou não havia negócio. Mas todos os clientes queriam comprar apenas um dos bonecos. «O par é demasiado caro.» Diziam uns. «Não podemos levar um e depois vimos cá buscar o outro?» Perguntavam outros. Assim, para todos, quer o dono da loja quer os empregados respondiam sempre da mesma maneira: «Lamento, mas ou leva o par ou não leva nenhum, são as regras para estes bonecos.»

 Assim foram passando os dias. E em todos eles o afecto que o dono da loja tinha pelo par de bonecos ia crescendo. Sempre que olhava para eles lembrava-se da sua juventude. Do tempo em que conhecera a sua mulher e de como esse amor lhe fazia falta. Algumas vezes, era apanhado com uma lágrima no canto do olho por algum empregado que ia a passar para repor o stock e ele logo se recompunha, assegurando que estava tudo bem cada vez que lhe perguntavam.

Um dia, entrou na loja um jovem casal. Eram recém-casados e estavam à procura de algo que ficasse bem no móvel da sala de estar da casa que acabaram de comprar. Queriam algo que lhes lembrasse do amor, mas que fosse, ao mesmo tempo, diferente de tudo o que já viram.

 Andaram pela loja, mas nada lhes prendeu a atenção. Até que, quando estavam a sair, desanimados por não terem encontrado o que procuravam uma vez que aquela era a última loja de bairro que viam e porque a mulher tinha decidido que, caso não encontrassem nada que valesse a pena iam a um armazém maior, o empregado foi buscar ao armazém, uma vez que o dono da loja tinha tanta afeição pelos bonecos que os levara para a cave da loja para que ninguém os pudesse comprar sem cumprir as condições impostas, o par de bonecos que estavam numa das prateleiras. Chamou-os. O casal voltou atrás para os admirar melhor. Olharam um para o outro e sorriram. Tinham encontrado precisamente aquilo que andavam à procura. O empregado meteu os bonecos dentro de uma caixa de madeira e embrulhou-os. O casal despediu-se satisfeito.  

No fim do dia, o dono da loja foi fechar as contas. Ao passar pelas prateleiras para ver se tinham vendido muito, deu pela falta do par de bonecos. Virou-se para o empregado e perguntou:

- Olha lá, onde está o par de bonecos? Porque não estão no armazém?-

O empregado ficou um pouco nervoso e hesitou antes de falar, mas lá acabou por responder:

- Sabe…É que esteve aqui um casal jovem que andava à procura de algo para decorar a casa e como não viram nada, iam-se embora, mas eu lembrei-me dos bonecos e mostrei-os. Eles gostaram tanto que quiseram levar os dois. – Acrescentou: -Nem se importaram de pagar mais.-

O dono da loja sorriu.

-Fizeste bem.- Disse. -Aqueles dois já mereciam um lugar para serem felizes.-

O empregado ficou mais aliviado por não ter levado um raspanete. Acabaram de fechar as contas e foram para casa.

 

Nessa noite, em casa do casal, no móvel da sala de estar, que tinha uma vitrina, o boneco de barro e a boneca de porcelana estavam mais felizes que nunca. Finalmente tinham encontrado um lugar onde podiam desfrutar ao máximo do seu amor e eram o cento das atenções ao mesmo tempo. Sempre que recebiam visitas, o jovem casal fazia questão de os mostrar com orgulho.   

E assim continuaram por muitos e muitos anos.

Fim

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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs 
Joana 

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Excluídos- A Vizinha do 3º Esquerdo

Olá 
Durante as próximas vezes que aqui vier, irei publicar textos excluídos. De jornais, concursos e outros. Aqueles que mandei para algum lado mas que não foram escolhidos por este ou aquele motivo. 
Agora, podem lê-los aqui. 
O da semana passada, foi apenas o primeiro. 
Aqui fica o segundo.
Espero que gostem. 
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A vizinha do 3º Esquerdo

«A vizinha do 3º esquerdo está apaixonada». Comentavam as moradoras mais antigas das janelas para quem quisesse ouvir. «Ai sim? Por quem?» Perguntavam as outras do outro lado. «Pelo novo inquilino do 1º Direito».

A rapariga de que se falava chamava-se Guida era solteira, magrita, com o cabelo castanho-claro e olhos da mesma cor. Usava quase sempre roupa colorida excepto quando vinha do escritório onde trabalhava como contabilista, mas toda a gente dizia que tinha nascido para a costura, tal era a forma como as roupas ficavam depois de lhe passarem pelas mãos, não havia arranjo que ela não soubesse fazer.

Já tinha ganho o prémio para a melhor roupa do bairro num concurso que decorreu há uns meses organizado pela associação de moradores.

Já o rapaz chamava-se Fernando, também era solteiro e bem-parecido. Tinha o cabelo preto e os olhos da mesma cor. Vestia-se sempre de forma simples. Devia ser por trabalhar numa loja de retalhos. Recentemente, mudara-se para o prédio da Rua das Hortenses por ser barato, mas também para estar mais perto do seu novo emprego: um café.

Abrira-o ali perto. Há muito tempo que o retalho não era para ele. Sempre sonhara em ter o seu próprio negócio e a oportunidade apareceu mais depressa do que esperava, quando o Sr Alfredo lhe propôs ficar com o estabelecimento onde antes tinha a mercearia. «Aquilo está uma miséria, precisa de obras urgentes.» Dissera-lhe. «Ainda bem que és tu que ficas com ele, podes dar-lhe uma nova vida e, quem sabe, trazer novas pessoas aqui para o bairro.»

E assim aconteceu. Mal abriu o café, começaram a chover clientes, sobretudo estrangeiros que parava para admirar a decoração e provar os petiscos.

Foi no dia da abertura que conheceu Guida. Entrou pela porta como um anjo. Trazia um vestido florido e sandálias. «O sol que estava lá fora veio cá para dentro» Pensou assim que a viu.

Ela também não lhe ficou indiferente. A partir daquele dia, passaram a encontrar-se depois da hora do fecho do café. Mas, depois, cada um seguia para a sua casa. Ela no 3º esquerdo e ele no 1º direito.

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E pronto. 

Mais uma vez, espero que gostem.

Bjs

Joana   


quinta-feira, 18 de junho de 2020

Excuídos- A Mala do Viajante

Olá
Já lá vai algum tempo desde a última vez que aqui escrevi.
Sabem, os últimos tempos têm sido de bloqueio mas também de abertura de horizontes.
A vida ficou suspensa mas agora já é hora de retomar.
Por isso, hoje proponho uma viagem, mas especificamente a de uma mala.
Deixo-vos com um texto recente, para reflectir e para imaginar.
Espero que gostem.
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A Mala do Viajante
Um personagem de sobretudo apeou-se na estação de comboios. É um homem não muito alto, de cabelo castanho-escuro e chapéu de feltro preto. Não se lhe distingue a cor dos olhos. Nem sequer há pistas sobre o que levará vestido debaixo do sobretudo. Provavelmente, umas calças pretas, sapatos castanhos, camisola azul e camisa branca. Sempre gostara de cores discretas, nada de grandes extravagâncias. A única que lhe era conhecida era a de viajar.
Levava uma mala. Era castanha de couro, daquelas antigas que se encontram em feiras ou lojas de antiguidades. Por fora, estava cheia de carimbos e selos de vários lugares do mundo. Dentro dela, as memórias desses tempos de aventura. Europa, Ásia, América. Todos os continentes lhe trouxeram algo de extraordinário. A subida mais alta, a travessia do deserto mais quente ou do mais vasto oceano.
Naquele momento, ia voltar a casa. Ao Velho Continente, mais precisamente á sua Inglaterra de que tanto gostava. Ao seu velho apartamento nos arredores de Londres, com a sua varanda virada a sul para receber mais luz do sol. Às suas plantas, á saleta, cozinha e ao escritório onde escrevia as suas aventuras. Há muito tempo que publicava as suas histórias num jornal local, mas sempre tivera a ambição de algo maior, se calhar por isso viajava tanto.
O comboio surgiu na plataforma. A porta da carruagem abriu-se e ele entrou. Sentou-se junto da janela para ver a paisagem. Pousou a mala entre as pernas. Era mais confortável do que estar a pô-la na bagageira por cima do banco. Olhou para ela.
Aquela mala cumprira bem a sua missão. Já estivera perdida, quase rota ou queimada. Já fora confundida com uma arma de destruição maciça por espiões, com droga por terroristas ou simplesmente por outra igual mas com o fecho ainda funcional. Aquele já estava frouxo. Tinha-lhe posto duas correias de couro á volta para ver se segurava melhor mas o peso das memórias era tanto que eles cediam sempre que era cheia com mais um objecto ou recordação.
Tinha o escritório cheio de recordações de todos os sítios por onde andara. Já começava a ser pequeno, mas as memórias tinham sempre espaço.
De repente, lembrou-se onde encontrara a mala. No sótão da casa dos avós entre umas caixas e outras coisas. Devia te uns 5 ou 6 anos na altura, mas ficou fascinado com a mala. Ainda estava vazia de selos, mas já tinha tanto para contar. Foi adquirida por um comerciante de malas que a vendera a outro e depois ao dono da loja que a vendeu ao seu avô que, por sua vez, a usou e depois a esqueceu no sótão para depois vir o neto e encontra-la de novo.
Quando lha ofereceram, alguns anos mais tarde, pelo seu 18º aniversário, nem quis acreditar. Começou logo a descobrir o mundo com ela e, por cada sítio, um selo autocolante. A partir daí, a colecção foi ficando maior e hoje em dia, parece um museu.
Depois de tanto viajar, estava pronta para ser devolvida ao sótão e esperar que alguém a veja e queira ir novamente em busca de aventuras.
O comboio parou na estação que já lhe era familiar. As memórias e a paisagem fizeram com que nem desse pelo tempo passar e parecesse que a viagem ficara mais curta, quando na verdade atravessara quase a Europa toda. Pegou na mala e desceu da carruagem, pronto para voltar ao ponto de partida.
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E pronto. 
Mais uma vez, espero que gostem. 
Bjs
Joana 

quinta-feira, 12 de março de 2020

A Guerreira Perdida- Parte 6- Prólogo

Olá
Aqui fica o epílogo da história.
Espero que gostem.
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Parte 6- Epílogo

A aventura continua

Passou um ano desde que venceram a Equipa Omega. O General e os seus homens fugiram logo a seguir a Julie ter sido salva. Surya foi deixada para trás inconsciente e levada para a casa da Bulma onde foram reparadas as suas partes mecânicas e restabelecidas as outras. As suas memórias foram restauradas e agora era uma nova aliada.

Julie passara a viver com Sogoku e a família e ele seguira o conselho da irmã para passar mais tempo com a família e sentia-se muito bem com isso, nunca pensara que estar com eles fosse igualmente bom.

De vez em quando, Broly vinha visitá-los. Tinham decidido ficar nos arredores pois o planeta Vampa era muito irregular. A sua relação com Chirai estava mais profunda.

Tudo estava calmo e feliz, mas nunca se sabe quando é que a próxima aventura pode começar.


Fim
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 E pronto, assim termina mais uma história.
Mais uma vez, espero que gostem.
Em breve, haverá mais.
Bjs
Joana