Olá
Fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
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VI
Recuperação
Tive
alta passado uns dias. Quando entrámos em casa, já não parecia tão
desconhecido. Era como se nunca tivesse saído dali. Subi as escadas com alguma
dificuldade mas sempre apoiada em Margaret e Charles. Deitei-me na cama ainda
bastante debilitada. Margaret aconchegou-me e saiu pouco depois.
Na
semiobscuridade, enquanto observava as silhuetas dos móveis, uma angústia
invadiu-me o corpo e o espírito. Só queria desaparecer. Como ele fizera. Talvez
para se afastar de mim ou apenas porque precisava de um tempo sozinho. Nunca
teria a resposta. Ao mesmo tempo, estava triste com o que acontecera. O único
elo de ligação entre nós fora quebrado.
Virei-me
para a parede branca e vazia como a minha mente naquele momento. Era como se
começasse de novo. Fechei os olhos e tentei dormir, mas as imagens de alguns
momentos passados com ele continuavam a ser um incómodo. Estava quase a
ultrapassa-los e a entrar no sono, quando um toque estridente soou perto de mim.
Com alguma dificuldade, olhei para a mesa-de-cabeceira. O meu telemóvel estava
a vibrar. «Quem será a esta hora?» Pensei quase de imediato. Apoiei-me na borda
da cama para conseguir chegar ao outro lado. Acendi a luz da mesa-de-cabeceira
e peguei no telemóvel. Quando li o nome que aparecia no ecrã, arregalei os
olhos. Pressionei o botão de atender.
«Está? És tu, Harley?» Perguntou uma voz
familiar do outro lado.
Respondi
num tom arrastado e sonolento:
-Sim,
sou eu. Quem fala?-
A
voz respondeu:
«Não me reconheces? Sou eu, a Ivy! Liguei
para saber como estás. Soube o que aconteceu. As notícias correm depressa por
aqui.»
Só
depois de dizer o nome é que me apercebi que não estava a sonhar. A minha amiga
e algumas vezes companheira de crime, Poison
Ivy, estava a ligar-me. Há muito tempo que não falava com ela. A última vez
tinha sido provavelmente antes da noite com o Joker, não me lembrava bem.
Voltei
a responder com o mesmo tom de voz:
-Ivy…Que
bom ouvir-te! Estou melhor, obrigada. Vim para casa da Margaret, a directora da
prisão onde o conheci. Descobri que estava grávida mas acabei por perder o
bebé.-
Do
outro lado, não obtive resposta. Devia estar a processar o que acabara de
ouvir.
-Ivy…-
Disse hesitante -Estás aí?-
De
repente, pareceu despertar dos seus pensamentos e respondeu:
«Sim, estou! Desculpa, estava distraída!»
Revirei
os olhos. A conversa continuou:
-Como
é que estás? E como é que soubeste de tudo?-
Hesitou
antes de responder. Respirou fundo e disse:
«Na prisão sabe-se tudo. Começa com boatos e
depois vem a confirmação.» Acrescentou: «Pensei que estivesse a sofrer por causa do rapto, mas pelo que ouço a
situação é bem mais séria»
Fiquei
confusa. Claro que estava a sofrer por causa da minha perda! O desaparecimento
dele já pouco me importava mas aquela informação apanhara-me de surpresa.
Perguntei:
-Rapto?
Qual rapto? Ele simplesmente desapareceu quando acordei! Só deixou um bilhete
com um símbolo esquisito a dizer que voltava mas até agora nada.-
Ivy
respondeu:
«Pelos vistos, não te contaram bem a história
ou então drogaram-te bem porque o Joker foi raptado nessa noite.»
Não
consegui responder. Sentia um misto de choque e alívio. Alívio por saber que
não me tinha deixado por sua vontade e choque por saber como tinha acontecido.
Respirei fundo e perguntei, desta vez com um tom mais claro:
-Como…é
que isso aconteceu? E porquê? Quem te contou, quero saber tudo, não me escondas
nada!-
Senti
o seu respirar do outro lado antes de responder:
«Não sei muita coisa, mas pelo que ouvi,
parece que havia um grupo chamado Asas de Cristal que andava há algum tempo
atrás dele. E aquela noite foi a oportunidade que esperavam.» Fez uma pausa
e continuou: «Depois, foi só pôr o plano
em prática. Drogaram-vos e levaram-no.»
Pensei
imediatamente no bilhete n quarto de hotel e não hesitei em perguntar. Ela
respondeu:
«Deve ter aproveitado que ele ainda estava
meio consciente para o obrigarem a escrever esse bilhete»
Comecei
a ficar cansada e tive de desligar, mas antes despedimo-nos e combinámos um
encontro para falarmos melhor, no dia seguinte quando ela saísse da prisão. A
pena tinha sido reduzida por bom comportamento. Depois de pousar o telemóvel e
de me deitar, estava ainda a digerir toda aquela informação. Agora tudo fazia
sentido. A mensagem estranha, o facto de não me lembrar de nada daquela noite.
Precisava de descobrir o que se passara e para isso tinha de voltar a ser a Harley Quinn. Adormeci pouco depois.
Na
manhã seguinte, acordei com energia renovada. Era como se nunca tivesse estado
mal, como se todas as minhas mazelas nunca tivessem existido. Levantei-me e
arranjei-me para sair. Resolvi vestir a Harley mais discreta, não queria chocar
a família de Margaret. Quando chegasse ao local do encontro logo me
transformaria por completo. Por agora, só uns calções curtos, um top vermelho
de alças e uns ténis gastos. Sem maquilhagem nem cabelo pintado. Desci as
escadas já com o saco que trouxera na mão. Pousei-o perto da porta e fui para a
cozinha onde Margaret e a família já estavam a tomar o pequeno-almoço. Quando
me viram, sorriram. Servi-me de café e de pão. Comemos em silêncio. Não
esperava que me fizessem perguntas. Provavelmente já sabiam as respostas.
Acabei de comer e saí da cozinha em direcção á porta. Peguei n saco. Ninguém
tentou deter-me. Ouviram, com certeza a conversa de ontem á noite. Abri a porta
e saí da casa. O ar fresco da manhã limpou-me os pulmões. Olhei para a rua
deserta, ainda coberta por alguma neblina matinal e depois para o telemóvel
onde estava a mensagem com o local do encontro com a Ivy.
De
repente, senti uma presença atrás de mim. Virei-me e vi Margaret. Estava
especada na ombreira da porta com um ar que parecia indiferente, mas eu sabia
que estava preocupada. Como se me dissesse: «Tens a certeza? Ainda podes voltar
atrás». Encarei-a com um sorriso sarcástico e de desafio ao mesmo tempo.
Acenei-lhe e continuei o meu caminho deixando para trás a casa que me acolhera.
Ser
a Harleen tinha sido bom, mas estava na hora de voltar a ser a Harley.
Até para a semana
Bjs
Joana