Olá
Fica o capitulo da semana.
Espero que gostem.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
IV
Família
A
expressão na cara de Charles e Lucy era de surpresa e choque ao mesmo tempo.
Olharam para Margaret á procura de apoio. Lucy mexeu-se ligeiramente no sofá.
Charles forçou um sorriso na minha direcção e depois levantou-se, levando
Margaret atrás até á cozinha. Uma vez lá, não consegui ouvir o que conversavam
mas certamente devia ser constrangedor para eles terem ido para ali.
-O
que é que te deu?- Exclamou Charles.- Trazes para aqui uma criminosa sem a
nossa permissão e esperas que a recolhamos de braços abertos?!-
Margaret
tentou ripostar, mas Charles adiantou-se:
-Ainda
por cima grávida!- Acrescentou, resmungando: -E só pode ser daquele cúmplice
dela!-
Ele
pegou-lhe nas mãos e olhou-a nos olhos num misto de espanto e alguma
consternação.
-Há
quanto tempo é que sabes?- Perguntou com voz suave, parecendo mais calmo.
Margaret respondeu quase de imediato:
-Soube
antes de vir para aqui.- A sua voz soou quase como um sussurro. Acrescentou:
-Foi ela que me ligou desesperada. Não pude dizer que não. Não depois de a
encontrar naquele quarto de hotel.-
O
olhar dele pareceu mais compreensivo. Largou as mãos e voltaram para a sala
onde Lucy ficara comigo em silêncio. Margaret anunciou:
-A
Harleen vai ficar o tempo que precisar connosco. Agora, vamos descansar que as
emoções foram mais que muitas.- Dei-lhe a mão como uma mãe e uma filha. Um
olhar neutro foi-me dirigido.
Subimos
as escadas para o andar de cima. Atravessámos um corredor e chegámos á porta do
quarto de hóspedes. Margaret abriu a porta. O quarto não era grande mas dava
para acolher uma pessoa. Tinha uma cama rectangular encostada a uma parede, um
armário de roupa, uma janela para o jardim e uma secretária próxima. Sentei-me
na cama e pus a mão no ventre. Tinha outra vida que precisava de mim.
-Ficas
aqui até decidirmos o que fazer. Por agora, descansa.- Disse Margaret. Saiu e
fechou a porta.
Sozinha,
na semi-escuridão, o pequeno candeeiro de tecto iluminava pouco. Preparei-me
para dormir. Senti uma pontada na barriga que rapidamente desapareceu. «Deve
ser normal» pensei. «O meu corpo ainda se está a habituar a esta nova
realidade.» Deitei-me e aconcheguei-me a cama era confortável. Recostei a
cabeça na almofada. Estava tão cansada que mal conseguia pensar. Adormeci de
imediato.
…
Na
manhã seguinte, acordei zonza mas descansada. Dormira como há muito tempo não o
fazia. Nos últimos tempos, dormitava, sempre á espera que ele aparecesse. Às
vezes, chegava a ficar noites inteiras acordada. Sempre á espera, mas nunca
acontecia. Nem um bilhete, uma mensagem, nada. Simplesmente desaparecera.
Sentei-me na cama e senti uma pontada na barriga, mais uma. Desta vez um pouco
mais forte. Depois, algo húmido e quente entre as pernas. Em pânico,
destapei-me e vi uma pequena mancha de sangue no lençol.
Rapidamente,
levantei-me e saí do quarto. Desci as escadas, ainda descalça. Fui encontrar
Margaret e Lucy na cozinha. Sorriram quando me viram mas logo mudaram a
expressão. A minha cara estava branca. As lágrimas corriam-me pela cara. Nem me
apercebera que estava a chorar. Margaret olhou para mim e foi a correr chamar
Charles que ainda se estava a levantar. Desceram em passo apressado. Foi buscar
o carro e seguimos para o hospital. N caminho, encostei-me a Lucy que me
acariciou a cabeça. Aquilo acalmou-me.
Quando
chegámos ao hospital, apenas Margaret e Lucy me acompanharam. Charles ficou na
recepção a tratar das burocracias e depois na sala de espera. Á medida que iam
empurrando a cadeira de rodas onde me sentaram assim que entrámos, as luzes e o
corredor iam ficando mais turvos. Até as vozes pareciam murmúrios.
Entrámos
na sala de ecografias. A enfermeira deitou-me na maca. Passado pouco tempo,
apareceu outra mulher vestida de branco. Era a médica. Pediu á enfermeira para
preparar o aparelho. Depois, passou um pouco de gel na minha barriga, senti o
frio do gel. No ecrã, apareciam imagens imperceptíveis a preto e branco. A
médica olhou para mim e sorriu. Retribui-lhe ainda que timidamente. Depois do
exame, pediu-nos que fossemos para o seu gabinete. Um espaço mais reservado com
uma mesa, um computador e uma estante com meia-dúzia de bibelôs. Sentámo-nos. A
médica olhou para mim e depois para Margaret. Sempre com um ar sério. Olhou
para as folhas com os meus exames e disse, quebrando o silêncio:
-Harleen,
está grávida de três semanas mas é uma gravidez de risco.- Fez uma pausa e
continuou:
-Durante
o exame, detectei um ligeiro descolamento da placenta o que poderá explicar as
dores que tem sentido.- Fez nova pausa. Voltou a olhar para os exames e para
mim como se eu tivesse algo muito grave. Acrescentou:
-Esta
perda de sangue foi só um aviso. Poderão repetir-se, o que pode ter
consequências mais graves. Recomendo, por isso, repouso absoluto e nada de
esforços. Vai tomar também estas vitaminas para reforçar o sistema imunitário.
A ausência de descanso e o stress também contribuem para esta situação.-
Entregou-me
um frasco e as indicações de toma.
Saímos
do hospital e fomos directos para casa. Quando chegámos, fui logo para o
quarto. Estava perante um dilema muito difícil. Tinha de escolher entre o meu
filho e o homem da minha vida.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Até para semana
Bjs
Joana
Sem comentários:
Enviar um comentário