sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Asas de Cristal- IV- Família

 Olá

Fica o capitulo da semana. 

Espero que gostem.

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IV

Família

A expressão na cara de Charles e Lucy era de surpresa e choque ao mesmo tempo. Olharam para Margaret á procura de apoio. Lucy mexeu-se ligeiramente no sofá. Charles forçou um sorriso na minha direcção e depois levantou-se, levando Margaret atrás até á cozinha. Uma vez lá, não consegui ouvir o que conversavam mas certamente devia ser constrangedor para eles terem ido para ali.

-O que é que te deu?- Exclamou Charles.- Trazes para aqui uma criminosa sem a nossa permissão e esperas que a recolhamos de braços abertos?!-

Margaret tentou ripostar, mas Charles adiantou-se:

-Ainda por cima grávida!- Acrescentou, resmungando: -E só pode ser daquele cúmplice dela!-

Ele pegou-lhe nas mãos e olhou-a nos olhos num misto de espanto e alguma consternação.

-Há quanto tempo é que sabes?- Perguntou com voz suave, parecendo mais calmo. Margaret respondeu quase de imediato:

-Soube antes de vir para aqui.- A sua voz soou quase como um sussurro. Acrescentou: -Foi ela que me ligou desesperada. Não pude dizer que não. Não depois de a encontrar naquele quarto de hotel.-

O olhar dele pareceu mais compreensivo. Largou as mãos e voltaram para a sala onde Lucy ficara comigo em silêncio. Margaret anunciou:

-A Harleen vai ficar o tempo que precisar connosco. Agora, vamos descansar que as emoções foram mais que muitas.- Dei-lhe a mão como uma mãe e uma filha. Um olhar neutro foi-me dirigido.

Subimos as escadas para o andar de cima. Atravessámos um corredor e chegámos á porta do quarto de hóspedes. Margaret abriu a porta. O quarto não era grande mas dava para acolher uma pessoa. Tinha uma cama rectangular encostada a uma parede, um armário de roupa, uma janela para o jardim e uma secretária próxima. Sentei-me na cama e pus a mão no ventre. Tinha outra vida que precisava de mim.

-Ficas aqui até decidirmos o que fazer. Por agora, descansa.- Disse Margaret. Saiu e fechou a porta.

Sozinha, na semi-escuridão, o pequeno candeeiro de tecto iluminava pouco. Preparei-me para dormir. Senti uma pontada na barriga que rapidamente desapareceu. «Deve ser normal» pensei. «O meu corpo ainda se está a habituar a esta nova realidade.» Deitei-me e aconcheguei-me a cama era confortável. Recostei a cabeça na almofada. Estava tão cansada que mal conseguia pensar. Adormeci de imediato.

Na manhã seguinte, acordei zonza mas descansada. Dormira como há muito tempo não o fazia. Nos últimos tempos, dormitava, sempre á espera que ele aparecesse. Às vezes, chegava a ficar noites inteiras acordada. Sempre á espera, mas nunca acontecia. Nem um bilhete, uma mensagem, nada. Simplesmente desaparecera. Sentei-me na cama e senti uma pontada na barriga, mais uma. Desta vez um pouco mais forte. Depois, algo húmido e quente entre as pernas. Em pânico, destapei-me e vi uma pequena mancha de sangue no lençol.

Rapidamente, levantei-me e saí do quarto. Desci as escadas, ainda descalça. Fui encontrar Margaret e Lucy na cozinha. Sorriram quando me viram mas logo mudaram a expressão. A minha cara estava branca. As lágrimas corriam-me pela cara. Nem me apercebera que estava a chorar. Margaret olhou para mim e foi a correr chamar Charles que ainda se estava a levantar. Desceram em passo apressado. Foi buscar o carro e seguimos para o hospital. N caminho, encostei-me a Lucy que me acariciou a cabeça. Aquilo acalmou-me.

Quando chegámos ao hospital, apenas Margaret e Lucy me acompanharam. Charles ficou na recepção a tratar das burocracias e depois na sala de espera. Á medida que iam empurrando a cadeira de rodas onde me sentaram assim que entrámos, as luzes e o corredor iam ficando mais turvos. Até as vozes pareciam murmúrios.

Entrámos na sala de ecografias. A enfermeira deitou-me na maca. Passado pouco tempo, apareceu outra mulher vestida de branco. Era a médica. Pediu á enfermeira para preparar o aparelho. Depois, passou um pouco de gel na minha barriga, senti o frio do gel. No ecrã, apareciam imagens imperceptíveis a preto e branco. A médica olhou para mim e sorriu. Retribui-lhe ainda que timidamente. Depois do exame, pediu-nos que fossemos para o seu gabinete. Um espaço mais reservado com uma mesa, um computador e uma estante com meia-dúzia de bibelôs. Sentámo-nos. A médica olhou para mim e depois para Margaret. Sempre com um ar sério. Olhou para as folhas com os meus exames e disse, quebrando o silêncio:

-Harleen, está grávida de três semanas mas é uma gravidez de risco.- Fez uma pausa e continuou:

-Durante o exame, detectei um ligeiro descolamento da placenta o que poderá explicar as dores que tem sentido.- Fez nova pausa. Voltou a olhar para os exames e para mim como se eu tivesse algo muito grave. Acrescentou:

-Esta perda de sangue foi só um aviso. Poderão repetir-se, o que pode ter consequências mais graves. Recomendo, por isso, repouso absoluto e nada de esforços. Vai tomar também estas vitaminas para reforçar o sistema imunitário. A ausência de descanso e o stress também contribuem para esta situação.-

Entregou-me um frasco e as indicações de toma.

Saímos do hospital e fomos directos para casa. Quando chegámos, fui logo para o quarto. Estava perante um dilema muito difícil. Tinha de escolher entre o meu filho e o homem da minha vida.       

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E pronto.

Mais uma vez, espero que gostem.

Até para semana

Bjs

Joana 


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