Olá
Aqui o capitulo desta semana.
Excecionalmente á Segunda.
Espero que gostem.
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IX
Revelação
-Harleen…-
Uma voz ecoava ao longe. -Harley…- Parecia mais perto, cada vez mais perto. Aos
poucos, comecei a voltar a mim. Abri os olhos devagar. Ivy estava ao meu lado
com um ar preocupado, aflito mesmo. Nunca a tinha visto assim. Das poucas
pessoas que se preocupavam verdadeiramente comigo, ela e Margaret deviam as
únicas. Olhei em volta. Ainda estava no quarto do motel. Tenti levantar-me mas
senti a cabeça pesada e Ivy impediu-me.
-Estás
bem?-Perguntou. -Precisas de alguma coisa? Eu posso ligar á Margaret ou podemos
ir ao hospital!- A sua expressão era mesmo de aflição genuína. Fiquei comovida
com aquela atitude. Tranquilizei-a:
-Está
tudo bem, foi só um mal-estar, nada de mais. Devem ser as sequelas do aborto e
este calor também não ajuda.- Tentei aligeirar a situação, mas ela continuava
preocupada. Dei-lhe a mão. Estava a tremer. Olhei-a com ternura, como se
dissesse: «Está mesmo tudo bem, já passou.»
Ela pareceu acalmar-se. Perguntou hesitante:
-Podes
explicar-me o que aconteceu? Se não te lembras não faz mal. De repente, vejo-te
perto do computador e depois desmaias, tens de perceber que não é muito
normal.-
Não
lhe consegui responder. Estava confusa e precisava de um tempo para me
recuperar. Ela afastou-se, compreensiva. Deixei-me ficar deitada um pouco mais.
Ainda sentia a cabeça pesada e precisava de descansar.
Fechei
os olhos e tentei dormir. Flaches de memória apareciam na minha mente. Alguns
daquela noite, outros anteriores e não me deixavam dormir. Abri os olhos e
levantei-me, farta de tudo aquilo. Fui á casa de banho passar o rosto por água.
Ao sair, procurei Ivy com os olhos. Encontrei-a na varanda do quarto a fumar
erva com um olhar distante. Quando ficava assim, era porque estava preocupada.
Aproximei-me timidamente. Sentei-me na sua frente numa das cadeiras de latão.
Era desconfortável mas dava para estar durante pouco tempo. O ar quente da
tarde conseguia ser pior. Ela olhou-me com um ar indiferente enquanto repelia
golfadas de fumo pela boca e pelo nariz. O cheiro da erva queimada impregnava o
ar. Senti-me desconfortável. Normalmente, costumava gostar daquele cheiro e
também pedia uma passa, mas por causa de tudo o que acontecera, deixara de
gostar dessas coisas. Era como se recomeçasse. O silêncio que se instalara era
constrangedor, quase ofensivo. Tinha de dizer alguma coisa ou iria enlouquecer.
Respirei fundo e quebrei-o:
-Não
te precisas de ficar preocupada, eu estou bem. Mas obrigada por tudo a sério!-
Sorri,
ainda que meio forçado. Ela apagou o cigarro naquele instante e abraçou-me com
os olhos ligeiramente húmidos, numa mistura de ressaca por causa da droga e de
comoção. Também me vieram as lágrimas aos olhos. Depois, agarrou-me pelos
braços e disse:
-Nunca
mais me faças uma destas, ouviste! Se te acontecesse alguma coisa, nem sei o
que faria!-
Num
impulso, beijei-a. Depois, voltámos a abraçarmo-nos. Entre risos e lágrimas,
fomos para o quarto. Fizemos amor até nos faltar o fôlego.
…
Não lhe podia
perguntar. Ia parecer idiota e completamente descabido. Além disso, não estava
era da sua natureza. Tinha de esperar que ela contasse alguma coisa ou, pelo
menos, desse uma pista. Toda aquela conversa começava a irritá-lo. E para
tornar tudo mais estranho, sentia que devia explicações á Harley, como se ela
fosse a sua namorada ou alguém com quem ele se importasse. Nunca se importou
verdadeiramente, ela era apenas uma ferramenta, um troféu, que gostava de
exibir aos outros criminosos e, ás vezes, até ao Batman. «Que idiota! Como se
aquela doida merecesse a tua consideração!» Pensou. No entanto, aquilo
perseguia-o, tinha de deixar aqueles pensamentos ou iria tornar-se nalgo que
não queria: uma pessoa amargurada e sentimental. Ela afastou-se, parecia que ia
sair do armazém. Sem olhar para trás, apenas disse com sarcasmo:
-Vou tratar de
uns assuntos. Não saias daí.-
…
-Agora,
já me podes responder ou ainda estás hesitante?- Perguntou Ivy, olhando-me com
ternura. Encostei a cabeça ao seu peito, tão quento como o meu. Os nossos
corpos ainda estavam unidos como um só. Sorri-lhe antes de responder. Ainda
estava hesitante, mas já me sentia preparada. Apesar disso, queria escolher bem
as palavras, não eram lembranças fáceis. Faziam parte de uma altura da minha
vida que preferia esquecer. Uma altura em que pensava que sabia tudo sobre o Joker ou sobre mim, mas estava enganada.
Respirei fundo, sentei-me na cama. Ela acompanhou-me:
-Tudo
o que te vou contar só pode ficar entre nós, ninguém pode saber, percebeste? Se
contas a mais alguém nunca mais te falo, é sério!- Ivy olhou-me no fundo dos
meus olhos. Aquela promessa seria cumprida. Continuei:
-Quando
fui para o orfanato, conheci uma rapariga chamada Samantha Watson. Tal como eu,
ela também era alvo de insultos e humilhações por parte dos outros miúdos e até
das freiras.- Respirei um pouco e retomei: -Nessa altura, defendíamo-nos uma á
outra e éramos grandes amigas. Foi o que me salvou.- Acrescentei: -Isso e os
estudos. Éramos as melhores alunas da escola do orfanato e por isso conseguimos
ir para uma boa faculdade estudar aquilo que sempre quisemos: Psicologia.
Queríamos entender a mente daqueles que nos maltrataram e, assim, talvez
perceber melhor o mundo.- Fiz uma pausa. Tentava conter as lágrimas. Ivy segurou-me
nas mãos para me dar força. Senti-me melhor e prossegui:
-Tudo
corria bem até ela se ter começado a dar com gente perigosa. Um grupo chamado
Asas de Cristal do qual o Joker fazia
parte. Na altura, eram um grupo pequeno que praticava pequenos roubos de jóias,
dinheiro e às vezes carros. Sempre tentei demovê-la a deixa-los. Aquilo não era
vida para ela! Estávamos a acabar a formação, íamos escolher um estágio,
tínhamos um futuro risonho á nossa frente!- Voltei a respirar fundo. Retomei o
discurso:
-Mas
ela estava cada vez mais obcecada com aquilo, sobretudo com o Joker. Já fazia planos de casar e ter
filhos com ele! E como os iria ensinar a ser como o pai! A sua loucura levou-a
a faltar às aulas e a afastar-se de mim. As poucas vezes que a via tinha um
olhar vazio, sem vida, estava quase sempre sob o efeito de drogas ou álcool,
mas o pior não era isso! Estava cada vez mais parecida com ele!- Fiz uma pausa.
As lágrimas de culpa e de raiva corriam-me pela cara. Ivy abraçou-me, como se
dissesse: «Não precisas de contar mais
nada» mas eu olhei-a determinada e prossegui, tinha de lhe contar tudo:
-Uma
noite, estava a voltar para o dormitório, quando recebi uma chamada dela a
dizer que ia participar num assalto a um armazém de armas e que, provavelmente
nunca mais nos iriamos ver. Nessa altura, abandonara o seu nome e assumira a
identidade de Às. Desliguei o
telefone e fui a correr para o dormitório, estava assustada pelas duas. Peguei
no telemóvel e liguei para o Batman.
Na altura, não sabia que era o Bruce Wayne. Tinha sido apanhada numa confusão e
salva por ele em tempos, e ele dera-me um cartão com o contacto caso fosse
precisar. Acabei por perdê-lo com o tempo mas ainda tenho o número no meu
telemóvel esquecido. Liguei-lhe e dei-lhe as informações sobre o assalto no
armazém, sem mencionar o nome da minha amiga.- Fiz outra pausa. Continuei:
-Mais
tarde, soube que tinha sido apanhada pelo Batman
e ido para o hospital-prisão. O que ela passou lá foi horrível. A Margaret
contou-me que os sintomas dela eram parecidos com os do Joker mas mais descontrolados. No inicio, não aceitava os
tratamentos, andava sempre instável e não compareceu á maior parte das
audiências em tribunal. Queria saber quem a tinha denunciado. Não contara a
ninguém acerca do assalto, excepto a mim.- Respirei fundo e prossegui:
-Quando
saiu da prisão, foi á minha procura mas eu já tinha saído da faculdade e estava
a ingressar num estágio, exactamente na mesma prisão onde ela estivera. Soube
pelas notícias que tinha havido um acidente durante uma perseguição policial a
um grupo de assaltantes ao Banco De Gothan. Ela estava lá bem como o Joker. O carro onde seguiam despistou-se
e foi contra um camião que transportava gasolina. Houve uma grande explosão.
Ele conseguiu fugir mas ela foi dada como morta.- Voltei a respirar fundo e
finalizei o discurso:
-O
Joker foi preso e lavado para o hospital-prisão
onde eu estava a fazer o estágio e o resto já sabes.-
Olhei
para ela com lágrimas nos olhos. Ivy estava chocada com o que ouvira. Agora,
tudo lhe fazia sentido. Era uma história de vingança.
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Até para a semana.
Bjs
Joana
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