sexta-feira, 9 de maio de 2025

A Sonata da Rosa Branca- Parte 5- Epílogo

 Olá 

Fica o epílogo da história. 

Espero que gostem. 

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Parte 5

Melodias do Futuro

Epílogo

Voxy e Kari saíram do edifício da editora. Nesse momento, Estefânia ia para o escritório. 

Apertou a gabardina enquanto Kari segurava no guarda-chuva e se encaminhavam para o carro onde Odete as esperava. Estava um dia chuvoso. Tinham ido negociar os temas da edição do disco. Desta vez, os prazos não eram apertados. Voxy tinha todo o tempo para compor e gravar os temas que queria para o álbum. No final, enviaria tudo para a editora que só tinha de o distribuir pelo país e pelo mundo. 

Chegaram a casa sorridentes. Foram para a sala do piano. Voxy ficara com uma série de ideias depois de ouvir algumas peças da mãe. Fizeram uma pausa para o almoço, mas tiveram de comer dentro de casa por causa da chuva que começara a cair mais intensamente. 

...

No fim do dia, Estefânia resolveu passar numa florista perto do escritório e comprar um ramo de rosas vermelhas. 

a chuva caía ainda com alguma intensidade. Estefânia estacionou o carro á porta de casa, num telheiro. Saiu com alguma dificuldade por causa do piso escorregadio. Os sapatos de salto alto não ajudavam, mas também por causa do guarda-chuva e das flores. Avançou até á porta, meio atrapalhada e com medo de escorregar. Introduziu a chave, segurando as flores na outra mão e entrou. 

Carlos e Gonçalo ainda não tinham chegado. Pousou as flores e tirou os sapatos. O guarda-chuva deixou-o num balde na entrada depois de fechar a porta. Foi para a cozinha arranjar as flores. Escolheu uma jarra elegante que pôs na entrada. 

Pouco depois, chegaram os rapazes que não ficaram indiferentes ás mudanças. 

- Que lindas flores!- Admirou Carlos quando entrou. Estefânia abraçou-o e beijou-o. 

- Para vos agradar.- Disse, depois de o largar. 

Carlos sorriu e voltaram a beijar-se. Foram interrompidos por Gonçalo que queria ir jantar. 

...

Voxy e Kari estavam felizes. O novo disco era um sucesso e já tinham marcada uma turnê, primeiro pela Europa e depois pelo Mundo. 


E assim, a melodia de um futuro brilhante e feliz começou a tocar. 



Fim

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E pronto. 

Termina assim mais uma história. 

Conto com vocês para a próxima. 

Mais uma vez, espero que tenham gostado tanto de a ler como eu gostei de a escrever.  

Vemo-nos por aí. 


A Sonata da Rosa Branca- Parte 4- Capitulo 11

 Olá 

Eis o último capitulo! Para a semana, será o epílogo. 

Espero que gostem. 

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XI

A fila para comprar bilhetes para o concerto de regresso de Voxy ocupava quase o centro comercial inteiro. As vendas online esgotaram em pouco segundos, por isso a única alternativa era a bilheteira do centro comercial. 

Carlos pôs-se na fila para satisfazer o capricho da mulher que parecia uma adolescente que espera pelo concerto de uma banda pop. Depois daquele fim-de-semana, nunca mais tinham feito nada a dois. 

A fila foi andando e quando chegou a vez deles, tiveram de comprar para camarote, a plateia já estava esgotada. Melhor ainda! Exclamou Estefânia. Assim, não teremos ninguém à nossa frente e estamos mais à vontade. 

...

Durante os dias que se seguiram, Voxy terminou a composição da mãe e, no dia do concerto, estava mais ansiosa que nunca. 

Na manhã do espetáculo, Voxy quis ir ao cemitério. Soprava uma brisa fresca, mas não a afetou. Não só por estar de casaco, mas também porque se sentia mais leve, mais segura. O carro parou á porta e só ela saiu. Quis ir sozinha. Era um momento só dela e da mãe. Aproximou-se da campa. Branca com os nomes dos pais gravados. Passou os dedos pela pedra fria e depois pousou a pregadeira da rosa ao pé da pedra. Tirou outra do bolso do casaco, que exibiu orgulhosa. Comprou-a quando saiu com a terapeuta pela cidade. Precisava daquilo para começar de novo. As lágrimas corriam-lhe pela cara. 

- Obrigada, mãe. Por tudo o que me ensinaste. Obrigada por esta música que hoje vou apresentar ao mundo e obrigada, sobretudo, por nunca teres desistido de mim. Por teres sempre acreditado quando mais ninguém o fez. Por me teres dado força para seguir em frente.- 

Limpou as lágrimas e sorriu. Um sorriso genuíno pela primeira vez. Tão cheio de luz que até o sol espreitou por entre as nuvens. 

Voltou para o carro onde a família a esperava. Ainda tinha um último ensaio para fazer. O vestido para passar e só depois ia para o auditório. 

...

Nessa noite, Gonçalo saiu para ir ter com uns amigos ao centro comercial. Tinham combinado jantar e depois iam ao cinema. 

Estefânia e Carlos ainda estavam a escolher a roupa e quando ela finalmente se decidiu, o marido já estava á espera para sair. Tinha um vestido simples de alças azul-escuro, com uma flor á frente. Sandálias de salto alto, uma mala pequena e algumas joias. Já Carlos vestia um fato cinzento e sapatos pretos. 

Foram de carro para o auditório. Como ainda era cedo, jantaram num restaurante ali perto. Quando chegaram, a fila para entrar ainda era pequena á porta do auditório pelo que não tiveram grandes atropelos. 

Sentaram-se confortavelmente no camarote que ficava logo acima do palco. A sala começou a encher pouco depois, já se ouviam o murmúrios habituais antes de começar o espetáculo. Passado pouco tempo, as luzes da plateia baixaram e as do palco acenderam. 

Voxy surgiu acompanhada por uma salva de palmas, sendo as mais entusiasmadas as de Estefânia. Tinha um elegante vestido azul-claro tal como na primeira vez que tocara em público. Na frente, a nova rosa branca brilhava no seu peito. Odete e Kari estavam sentadas no camarote logo abaixo do de Estefânia e Carlos. 

Dirigiu-se ao microfone instalado em frente ao piano. Ajustou-o e começou o discurso:

- Boa Noite.- Os aplausos soaram na sala novamente.- Antes de começar, gostaria de agradecer a vossa presença. Sei que foi um pouco repentino, mas os artistas, ás vezes, têm destas coisas.- Pequenas gargalhadas soaram. Continuou:

- A peça que vou apresentar tem um significado muito especial para mim.- As lágrimas começaram a correr-lhe pela cara á medida que falava: - Desculpem, estou emocionada.- Respirou fundo e continuou:

- Fez esta semana 5 anos que partiu uma das mais talentosas e admiráveis pianistas do nosso tempo. A nossa querida Carolina Heart.- Aplausos soaram novamente. - Eu admirava-a muito, não só como artista, mas como mulher e sobretudo como mãe.- A plateia voltou a aplaudir. - Por isso, esta peça é uma homenagem a ela, mas também a todos os que me acompanharam.- 

Voltaram a soar os aplausos. Voxy agradeceu. Sentou-se ao piano, limpou as lágrimas e começou a tocar. As mãos ainda lhe tremiam, mas soube disfarçar de maneira que só a avó e Kari notaram. 

Estefânia sentia-se embalada por aquela melodia tão suave. O discurso de Voxy comovera-a, a admiração que tinha pela mãe era a mesma que ela tinha pela filha. De repente, pareceu-lhe ouvir a voz de Clara na sua mente. A voz ia ficando cada vez mais nítida. Dizia-lhe que estava bem e que tinha gostado muito de ser sua filha, apesar do pouco tempo que tiveram. Sentiu as lágrimas a correm-lhe pela cara. 

Quando o concerto acabou, toda a plateia aplaudiu de pé. Incluindo Estefânia, ainda de lágrimas nos olhos. As luzes foram-se acendendo. Voxy veio a palco para uma vénia final. Olhou para Estefânia e sorriu. Esta sentiu-se a corar. 

...

Quando chegou a casa, Estefânia foi ao quarto de Clara. Pegou na fotografia em cima da mesa de cabeceira, beijou-a e apertou-a contra o peito. Obrigada por tudo. Murmurou. 

...

Voxy, Kari e Odete chegara a casa com a sensação de dever cumprido. Voxy sentia-se feliz e mais motivada para continuar a compor e a tocar. Subiram para os quartos. Nessa noite, todas dormiram felizes. 



Fim da 4ª Parte

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E pronto. Este foi o último capitulo! 

Mais uma vez, espero que gostem. 

Até para a semana. 



segunda-feira, 5 de maio de 2025

A Sonata da Rosa Branca- Parte 4- Capitulo 10

 Olá 

Fica o capitulo desta semana.

Espero que gostem. Já são os últimos capítulos! 

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X

Ao regressar ao escritório, Carla felicitou-a. Estefânia sentia-se como antes. Não, melhor que nunca! A adrenalina do tribunal ainda mexia consigo. Abraçou a amiga, feliz por ter retomado a sua vida. 

Foi para o gabinete encerrar o caso e preparar-se para a defesa do próximo. 

...

Odete sorriu.

-Um título bonito, porém, um pouco triste.- 

Voxy esboçou um sorriso. 

-Reflete o que sinto.- 

Abraçaram-se. Largaram-se e Voxy voltou ao piano. Queria afinar todos os detalhes para ter a certeza que nada lhe escapara. Agora que voltara a tocar, não queria outra coisa. 


...
No fim do dia, voltou para a receber felicitações em casa. A família estava novamente unida. 
...
Os ensaios foram interrompidos para jantar. Voxy, Odete e Kari estavam felizes por terem conseguido superar as suas inseguranças. Convidaram Felícia mas esta recusou dizendo que tinha outro compromisso mas agradeceu o convite. 

O jantar foi no jardim. Voxy estava feliz. Sorria como se fosse a primeira vez. Aquele ambiente calmo fazia-lhe bem. 

Depois do jantar, Voxy foi para o pé da piscina. Raramente fora usada. Tanto ela como a mãe e até a irmã e o pai não eram bons nadadores. A única memória que tinha daquele lugar foi de uma vez a mãe ter saltado lá para dentro vestida e tentado nadar mas o peso da roupa não a deixou fazer grande coisa. Riu-se ao pensar nisso. Olhou para a superfície calma da água que refletia o luar como um espelho. sempre teve curiosidade em saber como era a água. Já tinha sentido em salpicos mas não era a mesma coisa. Descalçou-se e mergulhou os pés. Estava fria ao início, mas depressa a sensação aconchegante chegou. Kari aproximou-se. Odete retirou-se. estava a ficar frio e ainda se constipava. Foi para a sala. 

- Sabes...- Começou Voxy. - Nunca pensei sentir-me tão leve.- 
Levantou-se e começou a andar pela borda da piscina. - Com a terapia, sinto que posso voltar aos palcos e enfrentar o público.- 

Kari sorriu, mas advertiu-a. Conhecia-a demasiado bem. Sabia da sua mania de querer apressar tudo. ~

- Ouviste o que a Dra disse. Não podes apressar as coisas, mesmo que tenhas feito progressos, ainda é cedo para pensar em concertos. - 

Voxy sentou-se e ripostou:
- Não estou a apressar! Só estou a seguir o seu curso natural.- 

Kari riu-se. Uma brisa fria soprou e obrigou-as a voltar para dentro de casa. Depois de secar os pés, Voxy juntou-se a Kari e à avó na sala de estar. 
...
No dia seguinte, o céu acordou cinzento e ameaçar chover. Estefânia saiu para o escritório, levando o guarda-chuva. Meteu-se no carro e arrancou. No caminho, passou por um edifício alto de vários andares que nunca tinha reparado, apesar de passar todos os dias naquela rua. Devia ir distraída. Numa das paredes, estava um cartaz que cobria na totalidade com a fotografia de Voxy. Devia ser mais recente que aquelas que tinha visto na internet. O seu ar era sereno, apesar da expressão neutra. Ficou a admirara-la enquanto o semáforo não abria. Depois, seguiu caminho. 

...
Os ensaios começavam cedo. Enquanto Voxy tocava, Kari e a avó sentavam-se a ouvir. Felícia já só vinha de vez em quando, pois achava que Voxy já estava mais confiante e não precisava tanto da sua presença. 

A música inundava a sala e parecia embalar todos nas suas notas. Kari lembrava-se bem daquela sensação. O piano parecia parte do seu corpo. Vira-a muitas vezes em dueto com a mãe e a sensação acompanhava-a sempre. 
Quando terminou, a música ainda ecoava na sala. Sem se aperceberem, era quase hora do almoço. Como estava a chover, comeram na sala de refeições. 

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O dia de Estefânia voltou a ser bastante atarefado. Depois da sessão em tribunal, voltou ao escritório onde teria uma série de processos para dar seguimento, visto que voltara a ser requisitada. Não pôde almoçar fora com Carla porque começara a chover a meio do dia, então comeram qualquer coisa na cantina. 
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Depois do almoço, Voxy resolveu telefonar à editora para a informar que o próximo concerto estava para breve, bem como o CD e já podiam começar a divulga-los. Era a primeira vez que dava ordens tão cedo. Normalmente, só depois do lançamento de um «single» é que começavam a preparar o resto. Os hábitos estavam a mudar. Quando desligou, disse a Kari:
- Podes começar a promover os concertos de apresentação na internet. Deixa um pouco de suspense para os fãs ficarem curiosos. - 

- Vou já tratar disso.- Respondeu. 

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Quando chegou a casa, Estefânia encontrou Carlos novamente na cozinha. Desta vez, resolveu ajudar pois a atrapalhação era grande. 
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 O site de Voxy tinha sido ideia de Kari bem como as suas páginas nas redes sociais. Até a avó ficou surpreendida. «Se queres ser reconhecida hoje em dia, tens de ter uma conta numa rede social» Explicou Kari. Voxy nunca ligara à internet, só que queria saber da música. 

Naquele momento, Kari elaborava um texto para anunciar o lançamento do álbum e a realização do concerto de apresentação. Voxy editara vários CDs ao longo da sua breve carreira, mas sempre com o aval da mãe. Este era o primeiro que editava a solo. 
O anuncio dizia o seguinte:
«Concerto Especial de Voxy Haert Smith. Dia 24 de Setembro no Auditório de Lime» 

Voxy queria uma divulgação rápida mas discreta, ainda assim consentiu que se colocasse um cartaz gigante na editora e outro perto do auditório, mas mais pequeno. 
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- É verdade! Mãe, aquela pianista que tu gostas vai dar um concerto no dia 24. Vi um cartaz perto do auditório esta manhã e alguns colegas comentaram na faculdade e estavam a dizer que iam e que os bilhetes estavam à venda no site e no centro comercial. Achei que ias gostar de saber.- Comentou Gonçalo. 

Estefânia agradeceu ao filho pela informação. Foi ao quarto buscar o computador portátil. Sorriu. A distância entre ela e o filho estava a dissipar-se. Abriu-o na página de fãs de Voxy no Instagram e lá estava a notícia em letras garrafais e cheia de emojis de caras felizes e corações. Olhou para Carlos e disse: 
- Vamos comprar bilhetes.- 
Carlos revirou os olhos, embora não tivesse outra alternativa. 
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E pronto. 
Mais uma vez, espero que gostem. 
Até para semana.