sexta-feira, 9 de maio de 2025

A Sonata da Rosa Branca- Parte 4- Capitulo 11

 Olá 

Eis o último capitulo! Para a semana, será o epílogo. 

Espero que gostem. 

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XI

A fila para comprar bilhetes para o concerto de regresso de Voxy ocupava quase o centro comercial inteiro. As vendas online esgotaram em pouco segundos, por isso a única alternativa era a bilheteira do centro comercial. 

Carlos pôs-se na fila para satisfazer o capricho da mulher que parecia uma adolescente que espera pelo concerto de uma banda pop. Depois daquele fim-de-semana, nunca mais tinham feito nada a dois. 

A fila foi andando e quando chegou a vez deles, tiveram de comprar para camarote, a plateia já estava esgotada. Melhor ainda! Exclamou Estefânia. Assim, não teremos ninguém à nossa frente e estamos mais à vontade. 

...

Durante os dias que se seguiram, Voxy terminou a composição da mãe e, no dia do concerto, estava mais ansiosa que nunca. 

Na manhã do espetáculo, Voxy quis ir ao cemitério. Soprava uma brisa fresca, mas não a afetou. Não só por estar de casaco, mas também porque se sentia mais leve, mais segura. O carro parou á porta e só ela saiu. Quis ir sozinha. Era um momento só dela e da mãe. Aproximou-se da campa. Branca com os nomes dos pais gravados. Passou os dedos pela pedra fria e depois pousou a pregadeira da rosa ao pé da pedra. Tirou outra do bolso do casaco, que exibiu orgulhosa. Comprou-a quando saiu com a terapeuta pela cidade. Precisava daquilo para começar de novo. As lágrimas corriam-lhe pela cara. 

- Obrigada, mãe. Por tudo o que me ensinaste. Obrigada por esta música que hoje vou apresentar ao mundo e obrigada, sobretudo, por nunca teres desistido de mim. Por teres sempre acreditado quando mais ninguém o fez. Por me teres dado força para seguir em frente.- 

Limpou as lágrimas e sorriu. Um sorriso genuíno pela primeira vez. Tão cheio de luz que até o sol espreitou por entre as nuvens. 

Voltou para o carro onde a família a esperava. Ainda tinha um último ensaio para fazer. O vestido para passar e só depois ia para o auditório. 

...

Nessa noite, Gonçalo saiu para ir ter com uns amigos ao centro comercial. Tinham combinado jantar e depois iam ao cinema. 

Estefânia e Carlos ainda estavam a escolher a roupa e quando ela finalmente se decidiu, o marido já estava á espera para sair. Tinha um vestido simples de alças azul-escuro, com uma flor á frente. Sandálias de salto alto, uma mala pequena e algumas joias. Já Carlos vestia um fato cinzento e sapatos pretos. 

Foram de carro para o auditório. Como ainda era cedo, jantaram num restaurante ali perto. Quando chegaram, a fila para entrar ainda era pequena á porta do auditório pelo que não tiveram grandes atropelos. 

Sentaram-se confortavelmente no camarote que ficava logo acima do palco. A sala começou a encher pouco depois, já se ouviam o murmúrios habituais antes de começar o espetáculo. Passado pouco tempo, as luzes da plateia baixaram e as do palco acenderam. 

Voxy surgiu acompanhada por uma salva de palmas, sendo as mais entusiasmadas as de Estefânia. Tinha um elegante vestido azul-claro tal como na primeira vez que tocara em público. Na frente, a nova rosa branca brilhava no seu peito. Odete e Kari estavam sentadas no camarote logo abaixo do de Estefânia e Carlos. 

Dirigiu-se ao microfone instalado em frente ao piano. Ajustou-o e começou o discurso:

- Boa Noite.- Os aplausos soaram na sala novamente.- Antes de começar, gostaria de agradecer a vossa presença. Sei que foi um pouco repentino, mas os artistas, ás vezes, têm destas coisas.- Pequenas gargalhadas soaram. Continuou:

- A peça que vou apresentar tem um significado muito especial para mim.- As lágrimas começaram a correr-lhe pela cara á medida que falava: - Desculpem, estou emocionada.- Respirou fundo e continuou:

- Fez esta semana 5 anos que partiu uma das mais talentosas e admiráveis pianistas do nosso tempo. A nossa querida Carolina Heart.- Aplausos soaram novamente. - Eu admirava-a muito, não só como artista, mas como mulher e sobretudo como mãe.- A plateia voltou a aplaudir. - Por isso, esta peça é uma homenagem a ela, mas também a todos os que me acompanharam.- 

Voltaram a soar os aplausos. Voxy agradeceu. Sentou-se ao piano, limpou as lágrimas e começou a tocar. As mãos ainda lhe tremiam, mas soube disfarçar de maneira que só a avó e Kari notaram. 

Estefânia sentia-se embalada por aquela melodia tão suave. O discurso de Voxy comovera-a, a admiração que tinha pela mãe era a mesma que ela tinha pela filha. De repente, pareceu-lhe ouvir a voz de Clara na sua mente. A voz ia ficando cada vez mais nítida. Dizia-lhe que estava bem e que tinha gostado muito de ser sua filha, apesar do pouco tempo que tiveram. Sentiu as lágrimas a correm-lhe pela cara. 

Quando o concerto acabou, toda a plateia aplaudiu de pé. Incluindo Estefânia, ainda de lágrimas nos olhos. As luzes foram-se acendendo. Voxy veio a palco para uma vénia final. Olhou para Estefânia e sorriu. Esta sentiu-se a corar. 

...

Quando chegou a casa, Estefânia foi ao quarto de Clara. Pegou na fotografia em cima da mesa de cabeceira, beijou-a e apertou-a contra o peito. Obrigada por tudo. Murmurou. 

...

Voxy, Kari e Odete chegara a casa com a sensação de dever cumprido. Voxy sentia-se feliz e mais motivada para continuar a compor e a tocar. Subiram para os quartos. Nessa noite, todas dormiram felizes. 



Fim da 4ª Parte

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E pronto. Este foi o último capitulo! 

Mais uma vez, espero que gostem. 

Até para a semana. 



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