Aqui fica o capítulo de hoje.
Espero que gostem.
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IX
Levantou-se, acendeu a luz da secretária, abriu uma
gaveta e tirou de lá duas tias de papel que pareciam ingressos. Mostrou-os a
Bunny dizendo:
- São bilhetes para a exposição da Myo na galeria de
arte contemporânea.-
Ao vê-los,Bunny lembrou-se de ir á mala de mão.
Tirou de lá dois ingressos iguais:
- Ela deu-mos quando esteve no Japão. Foi assim que
me convenceu a vir.- Gonçalo ficou atrapalhado. Acabou por confessar:
- Bom… na véspera da partida, ela deu-me estes
bilhetes e disse-me que também te ia dar uns para te tentar convencer a vir.
Depois acrescentou que, se isso não desse resultado, para te telefonar a dizer
que tinha dois bilhetes para a exposição e que, se tu não viesses, ela ia ficar
muito desapontada.-
Soltaram uma gargalhada ao aperceberem-se do esquema
de Myo para os juntar.
- Não a podemos culpar.- Disse Bunny entre
gargalhadas.- Afinal, ela só quis ajudar.- Depois olhou para os bilhetes.- E
agora? O que fazemos?- Perguntou.
Gonçalo pegou nos bilhetes e rasgou-os. Bunny,
atónica, exclamou:
- O que estás a fazer? Assim ficamos sem bilhetes!-
Gonçalo sorriu. Voltou a mexer na gaveta que tinha
deixado aberta e tirou um envelope com os nomes de ambos na frente. Entregou-o
a Bunny: quando o abriu, nem quis acreditar. Lá dentro, estavam dois bilhetes,
mas não eram uns bilhetes vulgares. Tratava-se de convites para a inauguração
da exposição.
- Incluem lugares reservados na primeira fila da
conferência de imprensa que ela vai dar depois da festa de inauguração. Disse
que ia haver uma surpresa para nós.- Acrescentou Gonçalo. Bunny levantou-se e
abraçou-o sem se aperceber que o lençol onde estava embrulhada caíra. Rapidamente
desfez o abraço e correu a cobrir-se, mas Gonçalo beijou-a antes de se cobrir
totalmente. Deixaram-se cair novamente na cama. O envelope caíra no chão ao
lado da roupa.
A exposição de Myo era daí a dois dias pelo que
durante o tempo que se seguiu, o jovem casal aproveitou para passear, fazer
compras e namorar. Eram as férias de Gonçalo por isso podiam passar mais tempo
juntos. Entretanto, Bunny conseguiu emprego numa loja perto do sítio onde
Gonçalo trabalhava o que fazia com que se viessem todos os dias à hora do
almoço e viessem juntos para casa.
- Não sabia que Nova Iorque tinha tanta variedade de
lojas.- Bunny estava maravilhada. No Japão, também havia muitas lojas mas em Nova
Iorque era diferente. Gonçalo olhava para ela, fascinado e sorria. Deu-lhe um
grande beijo na face que a fez corar. Continuaram o passeio e foram ter ao
sítio onde, meses antes, ele lhe tinha anunciado a mudança.
- Foi aqui que tudo começou.- Recordou Bunny com
amargura. Abraçaram-se. O sol começava a pôr-se entre os prédios cobrindo o céu
de tons laranja e amarelo que, a pouco e pouco, iam passando a azul- escuro.
Nesse
momento, o telemóvel de Gonçalo tocou. Desfizeram o abraço para el atender. Era
Myo e queria saber se queriam ir jantar a casa dela. Aceitaram. Só precisavam
de pousar as compras e depois iam directamente para lá. Combinaram para daí a
uma hora.
Chegaram a casa de Myo um pouco antes da hora
marcada. O apartamento de Myo era mis pequeno que o de Gonçalo, mas ainda assim,
acolhedor. Entraram para a sala e Bunny ficou maravilhada com a mobília simples
e com as esculturas espalhadas um pouco por todo o lado. Percorreu a divisão
com o olhar. A sua atenção prendeu-se numa escultura tapada com um pano branco
em cima de uma mesa. Perguntou o que era e Myo respondeu-lhe com mistério na
voz:
- É uma surpresa. Só revelarei na exposição. Agora
vamos comer que eu tenho fome e calculo que vocês também.-
Comeram na pequena mesa da sala, um guisado de peixe
e legumes. Myo não comia carne. – Decidi deixar de comer carne quando vim para
cá.- Explicou- Mas se quiseres, posso mandar vir qualquer coisa com carne para
ti, Bunny. Digo isto porque o Gonçalo já se habituou a comer o que eu como.
Embora em casa dele coma carne.- Bunny sorriu e respondeu que gostava da comida
e não era preciso incomodar-se. Com o tempo iria habituar-se.
Depois do jantar, Bunny ajudou Myo a tirar a mesa,
enquanto Gonçalo ajudava a lavar a loiça. Terminadas as tarefas de cozinha,
sentaram-se nos puffs da sala. Myo
não achava piada a sofás. ‘Caprichos de artista’, disse e riram-se.
A conversa prolongou-se animadamente até ser bem
perto da meia-noite, altura em que Bunny e Gonçalo decidiram que já era hora de
irem para casa. Agradeceram a Myo o jantar e a noite maravilhosa. Ela retribuiu
com um sorriso e um beijo sonoro na bochecha de cada um.
Não precisaram de andar muito uma vez que a casa de
Myo era perto da de Gonçalo. Quando chegaram, foram logo deitar-se exaustos.
Bunny aninhou-se nos braços de Gonçalo e sorriu, feliz por estar ao lado de
quem amava.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom Feriado.
Bjs
Joana