segunda-feira, 30 de abril de 2018

Crónicas de uma rapariga singular- IX

Olá
Aqui fica o capítulo de hoje.
Espero que gostem.
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IX

Levantou-se, acendeu a luz da secretária, abriu uma gaveta e tirou de lá duas tias de papel que pareciam ingressos. Mostrou-os a Bunny dizendo:

- São bilhetes para a exposição da Myo na galeria de arte contemporânea.-

Ao vê-los,Bunny lembrou-se de ir á mala de mão. Tirou de lá dois ingressos iguais:

- Ela deu-mos quando esteve no Japão. Foi assim que me convenceu a vir.- Gonçalo ficou atrapalhado. Acabou por confessar:

- Bom… na véspera da partida, ela deu-me estes bilhetes e disse-me que também te ia dar uns para te tentar convencer a vir. Depois acrescentou que, se isso não desse resultado, para te telefonar a dizer que tinha dois bilhetes para a exposição e que, se tu não viesses, ela ia ficar muito desapontada.-

Soltaram uma gargalhada ao aperceberem-se do esquema de Myo para os juntar.

- Não a podemos culpar.- Disse Bunny entre gargalhadas.- Afinal, ela só quis ajudar.- Depois olhou para os bilhetes.- E agora? O que fazemos?- Perguntou.

Gonçalo pegou nos bilhetes e rasgou-os. Bunny, atónica, exclamou:

- O que estás a fazer? Assim ficamos sem bilhetes!-

Gonçalo sorriu. Voltou a mexer na gaveta que tinha deixado aberta e tirou um envelope com os nomes de ambos na frente. Entregou-o a Bunny: quando o abriu, nem quis acreditar. Lá dentro, estavam dois bilhetes, mas não eram uns bilhetes vulgares. Tratava-se de convites para a inauguração da exposição.

- Incluem lugares reservados na primeira fila da conferência de imprensa que ela vai dar depois da festa de inauguração. Disse que ia haver uma surpresa para nós.- Acrescentou Gonçalo. Bunny levantou-se e abraçou-o sem se aperceber que o lençol onde estava embrulhada caíra. Rapidamente desfez o abraço e correu a cobrir-se, mas Gonçalo beijou-a antes de se cobrir totalmente. Deixaram-se cair novamente na cama. O envelope caíra no chão ao lado da roupa.

A exposição de Myo era daí a dois dias pelo que durante o tempo que se seguiu, o jovem casal aproveitou para passear, fazer compras e namorar. Eram as férias de Gonçalo por isso podiam passar mais tempo juntos. Entretanto, Bunny conseguiu emprego numa loja perto do sítio onde Gonçalo trabalhava o que fazia com que se viessem todos os dias à hora do almoço e viessem juntos para casa.

- Não sabia que Nova Iorque tinha tanta variedade de lojas.- Bunny estava maravilhada. No Japão, também havia muitas lojas mas em Nova Iorque era diferente. Gonçalo olhava para ela, fascinado e sorria. Deu-lhe um grande beijo na face que a fez corar. Continuaram o passeio e foram ter ao sítio onde, meses antes, ele lhe tinha anunciado a mudança.

- Foi aqui que tudo começou.- Recordou Bunny com amargura. Abraçaram-se. O sol começava a pôr-se entre os prédios cobrindo o céu de tons laranja e amarelo que, a pouco e pouco, iam passando a azul- escuro.

 Nesse momento, o telemóvel de Gonçalo tocou. Desfizeram o abraço para el atender. Era Myo e queria saber se queriam ir jantar a casa dela. Aceitaram. Só precisavam de pousar as compras e depois iam directamente para lá. Combinaram para daí a uma hora.

Chegaram a casa de Myo um pouco antes da hora marcada. O apartamento de Myo era mis pequeno que o de Gonçalo, mas ainda assim, acolhedor. Entraram para a sala e Bunny ficou maravilhada com a mobília simples e com as esculturas espalhadas um pouco por todo o lado. Percorreu a divisão com o olhar. A sua atenção prendeu-se numa escultura tapada com um pano branco em cima de uma mesa. Perguntou o que era e Myo respondeu-lhe com mistério na voz:

- É uma surpresa. Só revelarei na exposição. Agora vamos comer que eu tenho fome e calculo que vocês também.-

Comeram na pequena mesa da sala, um guisado de peixe e legumes. Myo não comia carne. – Decidi deixar de comer carne quando vim para cá.- Explicou- Mas se quiseres, posso mandar vir qualquer coisa com carne para ti, Bunny. Digo isto porque o Gonçalo já se habituou a comer o que eu como. Embora em casa dele coma carne.- Bunny sorriu e respondeu que gostava da comida e não era preciso incomodar-se. Com o tempo iria habituar-se.

Depois do jantar, Bunny ajudou Myo a tirar a mesa, enquanto Gonçalo ajudava a lavar a loiça. Terminadas as tarefas de cozinha, sentaram-se nos puffs da sala. Myo não achava piada a sofás. ‘Caprichos de artista’, disse e riram-se.

A conversa prolongou-se animadamente até ser bem perto da meia-noite, altura em que Bunny e Gonçalo decidiram que já era hora de irem para casa. Agradeceram a Myo o jantar e a noite maravilhosa. Ela retribuiu com um sorriso e um beijo sonoro na bochecha de cada um.

Não precisaram de andar muito uma vez que a casa de Myo era perto da de Gonçalo. Quando chegaram, foram logo deitar-se exaustos. Bunny aninhou-se nos braços de Gonçalo e sorriu, feliz por estar ao lado de quem amava.
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom Feriado.
Bjs
Joana
 

 

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Crónicas de uma rapariga singular- VIII

Olá
Aqui fica o último capítulo desta semana.
Espero que gostem.
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VIII

A viagem decorreu sem problemas. Quando o avião aterrou, o coração de Bunny parecia que ia saltar-lhe pela boca. Olhou em volta à procura de Myo. Tinha-lhe telefonado na véspera a dizer que vinha e ela ficou de a ir buscar ao aeroporto.

De repente, reparou em alguém que lhe acenava vigorosamente. Era Myo. Dirigiu-se para a ela e abraçou-a. Depois, Myo ajudou-a com a mala e puseram-se a caminho da casa de Gonçalo. O coração de Bunny batia desesperado e as mãos tremiam-lhe. Myo acalmou-a:

- Não te preocupes. Vai correr tudo bem.- Saiu do carro e Bunny seguiu-a. Tirou a mala do porta-bagagens e encaminhou-se para o prédio. Não precisou de tocar à campainha pois a porta estava aberta. Entrou e chamou o elevador. Uma vez lá dentro, carregou no botão com o número 2. Quando chegou ao andar seleccionado, saiu e dirigiu-se à porta que dizia ‘Gonçalo Chiba’. Bateu suavemente.

Do outro lado, Gonçalo estava sentado no sofá, quando ouviu um leve bater na porta. Pensando tratar-se de Myo, levantou-se um pouco contrariado e foi abrir. Assim que abriu a porta, uma rapariga loura de olhos azuis brilhantes e enormes, vestida com um vestido salmão simples saltou-lhe para o colo e beijou-o fogosamente. A mala foi arrastada para dentro e a porta fechou-se.

Ainda no seu colo e desfazendo o beijo, Bunny segredou-lhe ‘Aceito!’. Voltaram a beijar-se e foram andando até ao quarto de Gonçalo. Na penumbra, dois corpos saciavam a sua fome de amor.

- Se aceitares todas as minhas propostas assim, então tenho de te fazer mais.- Disse Gonçalo, num misto de êxtase e surpresa.

- Não foi fácil.- Confessou Bunny aninhando-se no peito liso e quente dele. – Mas com a ajuda de todos, consegui compreender o que era realmente importante.- Beijou-o antes de continuar:

- Acabei por decidir aceitar e aqui estou. Pronta para começar uma nova vida contigo.-

Abraçaram-se e no momento em que trocavam mais um beijo, o telemóvel de Bunny tocou. Ela levantou-se relutante e foi procurar o saco onde o tinha no meio da roupa que estava espalhada pelo chão do quarto. Conseguiu encontrá-lo. Era a mãe. Atendeu:

- Está, mãe?- Fernanda respondeu do outro lado da linha:

- Olá, Bunny. Então, fizeste boa viagem, filha?-

Bunny respondeu:

- Fiz, sim, obrigada. Já estou em casa do Gonçalo. A Myo levou-me. Ela foi-me buscar ao aeroporto.-

A mãe respondeu:

- Ainda bem que correu tudo bem. Sê feliz, filha. Adoro-te.-

As lágrimas corriam-lhe pela cara. Despediu-se emocionada:

- Obrigada, mãe. Manda beijos para o pai e para o Chico e diz-lhes que os adoro e a ti também. Adeus!-

- Adeus, filha.- Despediu-se Fernanda e desligou o telefone.

As lágrimas ainda caíam quando Gonçalo a abraçou. Entre soluços, Bunny olhou-o. Ele sorria. Encostou a cabeça no seu ombro e murmurou:

- Ainda agora cheguei e já estou cheia de saudades deles.-

Abraçou-se ainda mais e recomeçou a chorar. Depois, ela deitou-se na cama enquanto Gonçalo foi à cozinha. Voltou de lá com duas chávenas de chocolate quente. Ela sentou-se na cama e aceitou a bebida. Gonçalo sentou-se a seu lado e ela encostou novamente a cabeça ao seu ombro largo.

- Ao fim de tantos anos continuo a ser uma choramingas.- Disse Bunny limpando as lágrimas. Gonçalo esboçou um sorriso suave e aconchegou-a contra si, enquanto pousava a chávena em cima da secretária ao lado da cama.

- Mas é assim que gosto de ti.- Disse, entretanto, beijando-lhe o alto da cabeça.

Continuaram abraçados até Gonçalo se lembrar de algo.
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
   

  

 

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Crónicas de uma rapariga singular- VII

Olá
Aqui fica mais um capítulo.
Espero que gostem.
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VII

Na manhã seguinte, ainda os raios de sol não entravam pela janela do quarto, já Bunny saíra de casa em direcção ao templo.

Quando lá chegou, encontrou Rita no mesmo sítio onde a deixara no dia anterior. Olhou para ela e sorriu. Nesse instante, começaram a chegar as outras. Estavam todas ansiosas por ouvir a decisão de Bunny. Rita contara-lhes tudo pelo telefone. Sentaram-se ao lado umas das outras. Bunny, então, anunciou:

- Depois de ouvir as opiniões da minha mãe, da Rita e da Myo e de reflectir bastante, tomei uma decisão. Decidi que vou morar com o Gonçalo para Nova Iorque. Parto daqui a dois dias.-

Sorriu e mostrou os bilhetes de avião. Todas se levantaram e abraçaram-se. Desfeitos os abraços e dadas as felicitações, Joana com a sua veia festiva, sugeriu:

- E se fizéssemos uma festa de despedida?- Riram-se e concordaram. Passaram o dia juntas a pensar como poderiam preparar a festa. Combinaram para a véspera da partida.

Os dias passaram depressa. Chegou a véspera da partida. Tal como combinado, encontraram-se no templo. A festa durou o resto do dia. Entre risos, lágrimas e abraços, todas se despediram de Bunny e prometeram ir visitá-la quando pudessem.

No dia da partida, Bunny guardava as últimas roupas na mala. Depois de a fechar, olhou em volta. A casa trazia-lhe muitas recordações. E eram essas recordações que ia levar consigo. Despediu-se da casa e do bairro. Cá fora, o táxi esperava-a. Colocou o anel e o colar que Gonçalo lhe dera e entrou no carro. Este segiu para o aeroporto.

Quando lá chegou, estavam todos á sua espera. Os pais, o irmão e as meninas. Saiu do táxi e correu a abraçá-los. Rita sorriu e deu-lhe a sua habitual reprimenda mas desta vez com lágrimas nos olhos:

- Sempre atrasada, Bunny Tsukino!- Abraçou-a. As lágrimas corriam pela cara de Bunny. As outras abraçaram-se por cima.

Depois, Rita disse limpando as lágrimas:

- Vamos ter muitas saudades tusas cabeça de vento!-

Voltaram a abraçar-se. De repente, ouviu-se o altifalante anunciar o voo de Bunny. Abraçaram-se uma última vez e Bunny gritou enquanto se dirigia para a porta de embarque:

- Adeus amigas! Adeus mãe, adeus pai e adeus Chico! Nunca vos esquecerei! Até breve!-

Atirou um beijo para o ar e entrou na porta de embarque.
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bjs
Joana

  

 

terça-feira, 24 de abril de 2018

Crónicas de uma rapariga singular- VI

Olá
Aqui fica o capítulo de hoje.
Espero que gostem.
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VI

De volta ao hotel, Bunny fechou-se no quarto e não conseguiu evitar as lágrimas. Porque é que era sempre tudo tão difícil? Quando pensava que já estava tudo bem, aparecia sempre alguma coisa no caminho! Mas desta não era um inimigo era um emprego.

Nesse momento, bateram à porta. Foi abrir. Era a Rita. Fechou a porta e entrou. Rita quebrou o silêncio:

- Queres contar-me o que se passa? Vieste logo para aqui sem dizer nada. Fiquei preocupada. Aconteceu alguma coisa durante o jantar? Vocês chatearam-se?-

Bunny abraçou-se a ela a chorar. Ficaram assim durante algum tempo. Depois de se recompor, Bunny então respondeu:

- Rita, o que aconteceria se o Fernando quisesse mudar para o estrangeiro? Estarias disposta a ir com ele? Quer dizer, estarias disposta a largar tudo para estar com ele?-

Rita admirou-se com aquela pergunta. Pensou um pouco, sorriu e disse:

- Se fosse para estar sempre ao seu lado, não hesitaria nem por um segundo. Mesmo que isso implicasse deixar as pessoas de quem mais gosto. Para mim, o mais importante seria a minha felicidade.-

Bunny sorriu. Rita compreendera que estavam a falar dela, Bunny, e de Gonçalo. Acrescentou:

- Decidas o que decidires, terás sempre o meu apoio.-

Abraçaram-se mais uma vez antes de se despedirem para irem dormir.

As semanas em Nova Iorque passaram a correr. Nos últimos dias, Bunny não falara com Gonçalo. No dia da partida, Myo é que as levou ao aeroporto. Bunny não ia suportar outra despedida sabendo que, se decidisse não voltar, nunca mais o veria.

De volta a casa, Bunny foi recebida com grande entusiasmo pelos pais e até pleo irmão. Apesar de já ter a sua própria casa, Bunny gostava sempre de passar algum tempo no seu antigo lar com a família. A mãe, que reparara na sua apreensão, chamou-a à parte:

- Querida, tens andado muito estranha desde que voltaste. O que se passa? Há alguma coisa que queiras contar-me?-

Bunny anuiu. Sabia que não conseguia esconder nada da mãe. Respirou fundo e disse:

- O Gonçalo convidou-me para morar com ele em Nova Iorque.-

A mãe sorriu:

- Mas isso é óptimo! Não era o que tu querias? Eu bem sei o que sofreste durante a sua ausência. E aceitaste?-

Bunny respondeu hesitante:

- Fiquei de pensar no assunto. E não tenho feito outra coisa!- Agarrou a mão da mãe:

- Não sei o que decidir! A minha vida está toda aqui! Vocês, as meninas! Não sei se consigo largar tudo e ir embora assim sem mais nem menos!- Começou a chorar.

A mãe abraçou-a:

- Tomes a decisão que tomares, eu vou estar sempre aqui para te apoiar. Podes contar comigo. Afinal, sou tua mãe.-

Bunny enxugou as lágrimas e murmurou:

- Obrigada, mãe.-

Passados uns meses, Bunny recebeu a notícia que Myo vinha passar um tempo ao Japão e decidiu ir visitá-la. Ficou alojada no antigo apartamento de Gonçalo por isso foi fácil encontra-la. Myo abriu-lhe a porta sorridente como sempre:

- Entra, estou a fazer café, és servida?-

Bunny aceitou e foram para a varanda. Myo disse que o café tomado ao ar livre sabia sempre melhor. Instalou-se um silêncio desconfortável que foi quebrado por Myo:

 - Já soube da proposta.- Começou. Bunny supôs que tivesse sido Gonçalo a contar-lhe. Myo continuou:

- Sabes, quando resolvi mudar para a América também me custou muito. Ao princípio, é sempre difícil adaptarmo-nos a um país novo com uma língua e costumes diferentes, mas depressa nos habituamos porque com o passar do tempo, acabamos por entrar na rotina e esquecemos o que deixámos para trás.-

Sorriu e continuou:

- De vez em quando tinha saudades do meu país e da minha família mas estava a segir o meu sonho e a fazer aquilo que mais gostava e isso deu-me forças para continuar e nunca desistir.-

Voltaram para dentro pois começava a soprar um vento fresco. Myo terminou de falar depois de pousar a chávena de café na bancada da cozinha. Bunny fez o mesmo:

- Quando soube da proposta, recordei esses tempos difíceis, mas depois lembrei-me do apoio que tive da família e dos amigos.- Acrescentou:

- O único conselho que te posso dar foi o mesmo que a minha tia me deu na altura: segue o teu coração, ás vezes há que ouvir o coração e deixar que ele fale pela nossa cabeça.-

Bunny olhou para o relógio. Era quase hora de jantar e estava a anoitecer. Sem se aperceber, passara o resto da tarde com Myo. Tinha de ir. Despediu-se já à porta, agradecendo:

- Obrigada, Myo. Foste uma grande ajuda.-

Myo retribui-lhe o agradecimento, sorrindo:

- De nada. Só quis ajudar.-

Antes de sair, Myo entregou-lhe dois impressos:

- Daqui a pouco tempo, vou inaugurar a minha primeira exposição. Estão aqui dois bilhetes. Um para ti e outro para o Gonçalo. Gostaria imenso que pudesses estar presente. Era muito importante para mim. Se decidires ir, diz-me qualquer coisa.-

Bunny agradeceu e saiu. Ao sair, respirou o ar frio da rua. O vento passou-lhe ao de leve pela saia. Sentiu um arrepio. Fechou o casaco. O tempo estava a mudar. Em breve seria Outono. De repente, uma mão pousa-lhe no ombro. Era a Rita. Caminharam juntas até ao templo. Sentaram-se na entrada como tantas vezes faziam.

- Então, já decidiste o que vais fazer?- Bunny olhou-a com um ar reprovador. Rita mudou rapidamente de tom:

- Não te quero pressionar! Só queria saber se já tinhas tomado uma decisão.-

Bunny retraiu-se antes de responder. A sua voz soou como se pedisse desculpas:

- Ainda não.- Admitiu. Depois acrescentou olhando para o céu. As primeiras estrelas da noite começavam a aparecer:

- Estive com a Myo e ela disse-me para seguir o meu coração. O que ainda me deixou mais confusa.-

Rita sorriu e fez a sua habitual expressão de compreensão:

- Eu sei o quanto deve ser difícil para ti estar longe de nós, mas sei também que estar longe dele ainda é mais duro.-

Olharam-se. Rita acrescentou num tom conclusivo:

- Conhecendo-te como conheço, sei que apesar de não quereres admitir já tens uma decisão tomada.-

Bunny sorriu. De facto, já tinha tomado uma decisão. Levantou-se e disse:

- Obrigada, Rita.- Dirigiu-se às escadas do templo. Antes de partir, acrescentou:

- Reúne as outras aqui amanhã. Quero comunicar-lhes a minha decisão.-

E foi-se embora.          
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom Feriado.
Bjs
Joana

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Crónicas de uma rapariga singular-V

Olá
Aqui fica o primeiro capitulo da semana.
Espero que gostem.
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V

Bunny desfez o beijo, muito atrapalhada e corada. Limpou as lágrimas e afastou-se virando as costas a Gonçalo, que permaneceu no mesmo ligar ainda com um ar surpreendido. O ambiente era constrangedor. Por fim, Bunny decidiu virar-se e encarar Gonçalo. Os seus olhos azuis, brilhantes por causa das lágrimas, cruzaram-se com os de Gonçalo. Aquela cena fez-lhe recordar o dia em que fora a casa dele pedir-lhe explicações para o súbito rompimento da relação. Os sentimentos estavam à flor da pele. Havia tanta coisa que queria perguntar-lhe, a começar pelo facto de não lhe ter escrito ou ligado durante um mês. A sua boca mexeu-se tentando encontrar as palavras certas. Por fim, conseguiu dizer:

- Eu quis fazer-te uma surpresa. Por isso vim até aqui com as outras. Mas já vi que não foi boa ideia, por isso vou-me embora.-

Avançou para a porta, mas antes de a conseguir abrir, Gonçalo abraçou-a, fazendo-a largar a maçaneta e afastar-se da porta. Myo fez sinal às outras para que os deixassem a sós. Abriu a porta e disse-lhes que fossem para o carro dela, porque as levaria ao hotel uma vez que aquela hora não havia táxis.

Gonçalo murmurou ao ouvido de Bunny:

- Adorei a surpresa. Estava cheio de saudades.- Desta vez foi ele que a beijou.

Nesse momento, Myo chamou para irem e Bunny teve de o largar. Quando ia a sair, Gonçalo agarrou-a pelo braço.

- Amanhã ligo-te para combinarmos qualquer coisa.- Ela assentiu e saiu.

Já lá em baixo, entrou no carro de Myo e este seguiu para o hotel. Quando chegaram, agradeceram a Myo e entraram pela porta giratória.

Depois de jantar, subiram para os quartos. Bunny trancou a porta e foi lavar os dentes. Depois sentou-se na cama descalça. A mala pousada numa cadeira perto da entrada do quarto. Olhou para ela com o olhar distante. Não conseguia deixar de pensar no que acontecera em casa do Gonçalo. Mergulhada nestes pensamentos, deitou-se e ficou a olhar o tecto branco do quarto. Daí a pouco adormeceu.

Na manhã seguinte, acordou com o toque do telemóvel. Levantou-se meio ensonada e foi atender. Era Gonçalo.

- Bom dia, Serenity.- Disse ele do outro lado doa linha. Ela corou. – Bom dia. Há muito tempo que não me chamavas por esse nome.- A última vez tinha sido algures no passado, não se lembrava bem. A conversa continuou:

- O que queres fazer hoje?- Bunny pareceu atrapalhada, mas logo se recompôs:

- Tinha pensado em ir passear com as outras por aí e talvez pedir à Myo para nos levar uma que não conhecemos bem a cidade e ela pode –nos indicar os melhores sítios para visitar.-

Gonçalo então sugeriu:

- Hoje é o meu dia de folga por isso pensei que podíamos passar o dia juntos.-

Por mim pode ser. Vens-me buscar daqui a meia hora no hotel central? Estarei na recepção.-

- Muito bem. Até logo. – Gonçalo desligou o telefone.

Entusiasmada, foi arranjar-se. Vestiu umas calças de ganga e uma t-shirt com uma lua. Calçou umas sandálias e foi tomar o pequeno-almoço. As outras já estavam à sua espera. Depois do pequeno-almoço, Bnny foi para a recepção esperar por Gonçalo e as outras foram com ela para não esperar sozinha.

Daí a pouco, apareceram dois carros. De um saiu Gonçalo e do outro Myo. Bunny ficou surpreendida, mas Rita esclareceu:

- Combinámos um passeio com a Myo. Ela sabia que ias querer estar com o Gonçalo por isso organizou uma excursão á cidade para nós.-

Bunny agradeceu a Myo e entrou no carro de Gonçalo. O casal começou, então, o seu passeio pela cidade de Nova Iorque. Foram à galeria de arte contemporânea, almoçaram numa esplanada n Central Park, tiraram fotografias junto à Estátua da Liberdade.

No fim do dia, já à porta do hotel, combinaram um jantar romântico. Despediram-se com um ‘até logo’. Bunny passou o resto da tarde a arranjar-se para o jantar. Vestira o vestido azul-claro que trouxera e fizera um elaborado penteado no alto da cabeça com vários ondangos e duas pequenas madeixas. Pintou os lábios de vermelho e pôs um pouco de rímel nas pestanas. Pegou numa pequena bolsa que condizia com o vestido, onde colocou a prenda para Gonçalo, entre outras coisas. Calçou as sandálias de salto alto e saiu do quarto.

Quando chegou lá a baixo, olhou para o relógio do telemóvel. Ainda era cedo. Sentou-se num sofá da recepção. Passado um bocado, um empregado veio ter com ela e entregou-lhe uma rosa vermelha. Com ela vinha um bilhete. Abriu-o e leu-o: ‘Vem para a porta.’ Ela assim fez e arregalou os olhos com o que vira quando foi para a porta: parada à frente da porta do hotel estava uma limusine preta. A porta abriu-se e de lá sai um rapaz com um smoking. Pegou-lhe na mão. Ela sorriu e entraram no carro. No caminho, Gonçalo não pôde deixar de elogiar Bunny:

- Estás linda.- Ela corou. Estavam sentados frente-a-frente nos bancos corridos da limusine. Acrescentou:- Mas acho que ficavas ainda melhor com isto.- Estendeu-lhe uma caixinha comprida forrada a veludo preto.

Ela abriu-a e surpreendeu-se. Lá dentro, estava um fio de prata com um pendente, também de prata, em forma de estrela. Tirou-o da caixa e colocou-o ao pescoço. Ele sorriu:

- Fica-te muito bem.- Bunny mudou-se para o lado de Gonçalo a fim de lhe agradecer com um beijo.

Chegaram ao restaurante. Era o mais caro da cidade. Bunny estava maravilhada. Entraram e foram conduzidos à mesa previamente reservada. Sentaram-se. Bunny não pôde deixar de comentar:

- Deixa-me adivinhar: foi a Myo que preparou tudo isto.-

Gonçalo assentiu e disse:

- Sim, ela convenceu-me a reservar mesa neste restaurante.- Acrescentou:

- E também a alugar a limusine.-

Bunny interrogou-se como iriam pagar, mas Gonçalo tranquilizou-a:

- Não te preocupes. A Myo conhece o gerente.- Explicou-lhe que, quando a Myo ali chegou ia muito aquele restaurante por a tia ser amiga do gerente.

A seguir ao jantar, foram passear de mãos dadas e sentaram-se num banco virado para o Central Park. As luzes iluminavam tudo fazendo com que a cidade parecesse uma enorme árvore de Natal.

- Tem sido fantástico ter-te aqui. – Começou Gonçalo. Bunny corou. Depois, foi até à mala e tirou o porta-chaves que tinha feito. Estendeu-o a Gonçalo e disse:

- Fiz isto para ti como forma de simbolizar a nossa relação. Não é grande coisa, mas espero que gostes.-

Gonçalo abraçou-a e beijaram-se. Depois, ela disse:

- É lindo, obrigado.-

Guardou-o e voltaram a abraçar-se. Ficaram assim durante algum tempo, até Gonçalo a largar. Pegou nas mãos de Bunny e apertou-as contra as suas. O seu ar era sério:

- Tenho algo para te dizer.- Começou a ficar nervoso. Foi directo ao assunto:

- Recebi uma proposta de trabalho.- Bunny continuou atenta. – É uma proposta de trabalho efectiva.- Bunny perguntou:

- Isso quer dizer que foste contratado? – Ela sabia que Gonçalo tinha ido fazer um estágio numa empresa e, pelos vistos, tinham gostado do seu trabalho. Gonçalo assentiu. Ela congratulou-o:

- Muitos parabéns.- Disse, mas calou-se pois sentis que a conversa ainda não terminara:

- É exactamente sobre isso que quero falar contigo, mas ainda não tive coragem. E agora acho que chegou o momento.- Respirou fundo, largou as mãos e disse:

- A proposta implica que venha viver para aqui definitivamente.-

Bunny percebeu finalmente. As lágrimas começaram a cair-lhe pela cara:

 - Então e eu? E nós? Como é que vai ser? Eu não aguento ficar longe de ti! E tu sabes! Não imaginas como foi duro para mim aquele mês.-

Abraçou-o. As lágrimas molhavam a camisa de Gonçalo. Sem desfazer o abraço, Gonçalo continuou:

- É por isso que quero que venhas morar comigo.- Ela levantou a cabeça e olhou-o incrédula:

- Estás a dizer para largar tudo e vir morar contigo na América?-

Ele assentiu mais uma vez. Ela, nervosa, exclamou:

- Então e a minha família? Os meus amigos? Queres que deixe tudo assim de repente? Não sei se consigo. Tenho de pensar melhor sobre o assunto.-

Gonçalo beijou-a e disse:

- Não tens de decidir já. Vou dar-te todo o tempo que precisas. Quando decidires diz-me alguma coisa. Eu compreenderei seja o que for que decidires.-

Bunny ficou apreensiva. Não sabia o que fazer: por um lado, queria estar com Gonçalo, por outro não queria deixar a família e os amigos. Tinha de decidir depressa, pois não ia haver uma segunda oportunidade.
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bjs
Joana
 

 

 

  

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Crónicas de uma rapariga singular-IV


Olá
Aqui fica mais um capítulo da fic.
Espero que gostem.
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IV

Myo sorriu. O seu sorriso fez lembrar a Bunny o de Gonçalo. Sorria sempre que se surpreendia com alguma coisa. Nisso eram parecidos.

Passado o choque inicial, e já mais calma, Bunny perguntou olhando para as folhas de chá a flutuarem na chávena:

- Então…. Moras com o Gonçalo? O que é que fazes aqui? Porque é que ele nunca me contou que tinha uma irmã?-

Myo soltou uma risada. Bunny corou ao aperceber-se que estava a ser indelicada. Myo não se mostrou ofendida. Respondeu-lhe com a maior naturalidade:

- Quando eu nasci, o Gonçalo tinha 3 anos, por isso não difícil para ele habituar-se á ideia de ter uma irmã mais nova.- Fez uma pausa durante a qual terminou o chá e, com a ajuda de todas, arrumaram a cozinha. Depois foram para a sala, onde a conversa foi retomada:

- Durante a nossa infância, éramos muito chegados. No entanto, mostrávamos interesses diferentes. O Gonçalo pela natureza, como sabes, e eu pelas artes, mais especificamente por escultura.- Olhou para Bunny que sorriu. Continuou:

- Acho que foi por uma influência da nossa mãe, que era escultora. Eu gostava de admirar as obras dela, mas também o atelier onde trabalhava.- As lágrimas vieram-lhe aos olhos ao lembrar-se. Limpou-as rapidamente e continuou:

- Tudo corria bem até ao dia do acidente. Nós fomos levados para o hospital em estado muito grave. O Gonçalo tinha perdido a memória com o choque, mas eu não. Durante o tempo em que estivemos no hospital, eu tentei reavivar-lhe a memória mas sem resultado. Foram dias muito angustiantes. Entretanto, os médicos contactaram a família mais próxima e apenas conseguiram que uma tia nos viesse buscar, passado muito tempo. Ela levou-nos para a sua casa e cuidou de nós até o Gonçalo ter acabar o secundário e entrar na faculdade. Nessa altura, eu já tinha o sonho de ir estudar para a América. Como a minha tia conhecia gente cá que tinha uma escola de belas artes, levou-me com ela e inscreveu-me nessa escola. Custou-me muito deixar o meu irmão sozinho, mas queria cumprir o meu sonho. Durante muito tempo, mantivemos contacto, mas depois deixamo-nos de falar. Mais tarde, soube que vinha para cá estudar. Nem podia acreditar que ia ver o meu irmão passados tantos anos. Há muito tempo não o abraçava e foi reconfortante ver que estava bem. 

Bunny ficou comovida com a história. Não fazia ideia que Gonçalo tinha passado por tanto. Ficaram todas. Myo quebrou o silêncio mais uma vez:

- Querem ver a casa? Não é muito grande, mas dá para fazer uma visita guiada.-

Todas concordaram. Levantaram-se e Myo começou a visita.

- Aqui já conhecem. É a sala e ali é a cozinha.- Indicou, sorrindo.

- Sigam-me.- Disse ela de seguida. Foram por um pequeno corredor até chegarem a uma porta que dava para à casa de banho. Continuaram e foram dar a outra porta. Myo abriu-a e entraram. Era uma divisão média, com uma cama encostada a uma das paredes, uma janela que dava para a rua, uma estante com livros e um armário de roupa. Era o quarto de Gonçalo. Ao pé da cama, havia, ainda uma secretária. Em cima dela, estava uma fotografia emoldurada. Bunny olhou para a fotografia e as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Rita consolou-a. Era uma fotografia dela com Gonçalo. Fora tirada no dia da partida durante um passeio. Myo aproximou-se:

- Foi assim que te conheci. Fiquei muito feliz por saber que ele tinha encontrado uma rapariga tão gentil e carinhosa.-

Bunny corou de agradecimento. As outras sorriram porque sabiam que era verdade. Ficaram em silêncio a olhar para a fotografia. Até que, de repente, Myo lembrou-se de algo:

- Com tanta conversa, esqueci-me de perguntar quem são estas raparigas que vieram contigo e o que te traz por cá.-

Bunny ficou um pouco atrapalhada:

- Bom, antes de mais deixa-me apresentar as minhas amigas: Rita, Joana, Maria e Amy. Eu quis fazer uma surpresa ao Gonçalo e elas vieram comigo para me apoiar.-

Myo voltou a sorrir e disse:

- É bom ter amigas que nos apoiem nos momentos importantes.- Depois lembrou-se de outra coisa:

- Ainda não respondi a outra das perguntas da Bunny!- Corou e apressou-se a responder:

- Eu moro no fundo da rua, mas de vez em quando gosto de vir dar um jeitinho à casa. Não que precise, porque o Gonçalo é bastante organizado, mas ás vezes precisa de toque feminino.-

Saíram do quarto e voltaram à sala. Então, Bunny voltou a perguntar:

- Onde está o Gonçalo? Eu sei que já devia feito esta pergunta há mais tempo, mas com a conversa esqueci-me.-

Myo respondeu:

- Deve estar a chegar. Se quiserem podem esperar aqui. Ele vai ficar contente de vos ver. Especialmente a ti, Bunny.-

Bunny estava hesitante. Rita incentivou-a:

- Vá lá fica! Ele vai ter uma grande surpresa!- 

Quando Bunny estava prestes a pronunciar-se, ouve-se um barulho de chaves vindo do lado de fora. Uma delas entra na fechadura e abre a porta com um clique. Um rapaz alto, de cabelo preto, olhos claros, calças castanhas, sapatos a condizer e camisa clara entra no apartamento com uma pasta de trabalho que pousa na mesa do hall de entrada juntamente com as chaves e fecha a porta. Chama com a voz doce:

- Myo, estás aí?-

Esta responde-lhe:

- Sim, estou na sala com umas amigas.-

Gonçalo estranha. Não é costume a irmã trazer amigas para a sua casa sem avisar. Dirige-se á sala. Os seus olhos azuis arregalam-se de surpresa. Ainda consegue perguntar:

- O que fazes aqui?-

Mas a única resposta que recebe é um abraço em lágrimas que lhe molham a camisa e um beijo enternecido de Bunny.
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
 

 

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Crónicas de uma rapariga singular- III

Olá
Tal como prometido, aqui fica mais um capítulo.
Espero que gostem.
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III

Na manhã seguinte, e tal como haviam combinado, o pai de Bunny foi levá-la ao aeroporto. Entre despedidas emocionadas e conselhos, ela foi ao encontro das amigas e, daí a pouco tempo, embarcaram.

O avião aterrou, passadas algumas horas e o aviso de chegada foi dado. Bunny dormitava no banco com a cabeça encostada ao vidro da janela. Rita deu-lhe um abanão e ela acordou sobressaltada:

- O que se passa?- perguntou atrapalhada.

- Já chegámos, tonta! Adormeceste!- respondeu Rita ajudando-a a sair da fila de lugares com as outras.

Uma vez cá fora, e já depois de terem recolhido as malas, foram à procura de um táxi. Amy chamou-o porque, como é sabido, é a única que sabe falar inglês. Disse ao motorista para ir para o hotel e o táxi arrancou. No caminho, foram vendo as avenidas largas e cheias de gente, os anúncios de néon que faziam publicidade a artigos de luxo, como jóias, carros ou perfumes. Olhavam todas maravilhadas.

O hotel ficava numa rua próxima do centro da cidade. Era um edifício alto como todos os que havia em Nova Iorque. O táxi parou à porta e elas desceram, depois de serem ajudadas com as malas. Entraram pela porta giratória e dirigiram-se à recepção. Mais uma vez foi Amy quem fez o check-in . Os quartos ficavam no 3º andar, pelo que foram de elevador.

A 1ª porta era o quarto de Bunny. Depois eram os quartos das outras. Cada uma entrou no seu. O quarto era amplo e tinha uma grande janela de onde se via a cidade. A cama era larga e tinha lençóis brancos dos hotéis. Tinha, também, uma mesa com uma cadeira. Em cima da mesa, a habitual publicidade. Anexa ao quarto, estava a casa de banho. Bunny pousou as malas e atirou-se para a cama. A viagem tinha sido longa e ela estava esgotada. Precisava de descansar. Fechou os olhos e adormeceu.

Acordou, passado um bocado com um leve bater na porta. Levantou-se e, a cambalear, foi ver quem era. Rita apareceu do outro lado. Atrás dela, vinham as outras.

- Podemos entrar?- perguntou. Bunny respondeu:

- Claro! Entrem.- Entraram e ela fechou a porta. Instalaram-se todas pelo quarto. Rita sentou-se na cadeira junto à mesa, Amy e Joana à beira da cama e Maria no chão. Bunny sentou-se perto de Amy. Rita quebrou o silêncio:

- Agora que estamos instaladas, podíamos ir explorar a cidade.-

Joana acrescentou:

- É uma boa ideia!- Ouvi dizer que as lojas em Nova Iorque são demais!-  

Amy contrapôs:

- Eu acho que devíamos deixar a Bunny decidir. Afinal, foi ela que quis vir.- Todas concordaram. Maria perguntou:

- Então, Bunny o que decides? Onde queres ir 1º?-

Bunny ficou pensativa. Levantou-se, foi até ao sítio onde estava o casaco e tirou do bolso um papel dobrado. Era a morada do Gonçalo. Ele dera-lha antes de partir no caso de acontecer alguma coisa. Apertou-o contra o peito e disse:

- Quero ir ver o Gonçalo.-

Foi Rita quem falou:

- Está bem, mas não seria melhor vermos a cidade 1º? Nunca viemos cá podíamos aproveitar! E depois logo íamos a casa dele.-

Todas concordaram.

Ajeitaram a roupa e saíram do hotel. Amy chamou um táxi que as levou a todos os lugares turísticos. Estava um fim de tarde magnífico. Depois, voltaram ao táxi e Bunny deu o papel ao motorista para que as levasse aquela morada. O carro seguiu e parou junto a um bloco de apartamentos altos. Era o prédio onde morava o Gonçalo. Saíram do táxi, depois de Amy pagar, e dirigiram-se para o prédio.

O coração de Bunny batia disparado quando chegaram perto da porta da casa. A placa dizia «Gonçalo Chiba». Havia hábitos que ele fizera questão de manter, mesmo estando longe. O nome na porta era um deles. Bunny tocou à campainha. Um momento depois, a porta abriu-se e, para surpresa de todas, apareceu uma rapariga. Era parecida com Gonçalo mas tinha os olhos castanhos. Vestia uma roupa leve constituída por uns calções e uma t-shirt. Bunny ficou atrapalhada:

- Desculpe, enganamo-nos na porta. Deve ser outro apartamento.-

Quando se iam embora, a rapariga veio à porta e começou a gritar:

- Esperem!- Bunny voltou para trás e as outras seguiram-na.

Bunny, ainda um pouco nervosa, perguntou engolindo em seco:

- É aqui que mora o Gonçalo?-

A rapariga respondeu com um sorriso:

- Sim é aqui. Por favor entrem.-

Elas entraram. O apartamento não era muito grande, tinha o tamanho certo para um rapaz viver sozinho. Pelo menos assim pensava Bunny.

- Querem alguma coisa? Posso oferecer um chá e uns bolinhos. São comprados mas são muito bons.-

Elas aceitaram. Sentaram-se na mesa da cozinha que se ligava à sala por uma porta em arco. A sala tinha um sofá, uma janela com varanda e uma mesa com a televisão. No tecto estava um candeeiro simples.

A rapariga sentou-se com elas depois de servir o chá. Resolveu quebrar aquele silêncio desconfortável que se tinha instalado:

- Espero que esteja tudo do vosso agrado.- Elas assentiram. Depois olhou para a Bunny:

- Tu deves ser a Bunny. O Gonçalo falou-me muito de ti. E eu sempre tive curiosidade em conhecer-te.- Bunny sorriu e perguntou com um ligeira raiva a crescer-lhe no peito:

- E tu quem és? E como conheces tão bem o Gonçalo?-

A rapariga ficou surpreendida. Respondeu-lhe com toda a calma:

- Cabeça a minha! Esqueci-me de me apresentar! Eu sou a Myo a irmã mais nova do Gonçalo.-

Todas ficaram surpreendidas. Desde quando é que o Gonçalo tinha uma irmã? E porque é que nunca lhes contara nada? Mais importante: porque escondeu ela isto de Bunny?-
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Até amanhã.
Bjs
Joana
        

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Crónicas de uma rapariga singular- II

Olá
Tal como prometido, aqui fica mais um capitulo da minha fic.
Espero que gostem.
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II

Quando chegou a casa, foi logo para o quarto preparar a mala. Não podia ser uma muito grande, uma vez que só iam ficar duas semanas. Pedira á Amy que tratasse das reservas e dos bilhetes pois, como é sabido, e a Rita fez questão de lhe lembrar antes de se despedirem, ela não percebe nada disso. Também lhe pediu para ver como estaria o tempo nos EUA. Queria ter a certeza que levava a roupa certa.

Estava tão distraída no que ia levar que nem se apercebeu que a mãe entrara no quarto.

- Então, já trataste de tudo com as tuas amigas? Elas concordaram?-

Bunny sorriu.

- Sim. Elas concordaram.- Acrescentou: - Estou ansiosa por conhecer a cidade! Dizem que é tao grande como a nossa!-

Fernanda olhou para a filha. Nunca a tinha visto assim. Estava feliz e confiante! Nem parecia a mesma Bunny! Tantas vezes a vira a chorar pelos cantos por causa do Gonçalo, que, afinal, só conhecera uma vez ainda Bunny andava no liceu. Não pôde evitar as lágrimas e o sorriso ao mesmo tempo. Bunny olhou para ela surpreendida:

- Está tudo bem, mãe?-

Fernanda limpou as lágrimas e tranquilizou-a:

- Está tudo bem. Sou só eu que estou com saudades antecipadas.-

Abraçaram-se. Depois, Fernanda saiu do quarto de modo a deixar Bunny fazer a mala à vontade.

Bunny recomeçou de onde tinha ficado. Foi ao armário procurar uma mala de viagem. Ao remexer nas caixas, houve uma que lhe chamou a atenção. Tirou-a para cima da cama. Abriu-a e fez uma expressão de choque e alegria ao mesmo tempo. Dentro da caixa estavam os sapatos de cristal que Gonçalo lhe oferecera na primeira vez que soubera do seu aniversário. Aqueles sapatos tinham-na metido num belo sarilho! Suspirou ao lembrar-se. Naquela altura, era tão jovem e inocente! Fechou a caixa e voltou a guardá-la no armário. Não ia levar más recordações para a América.

Quando estava a arrumar a caixa, reparou noutra ao lado. Tirou-a e abriu-a. Era o medalhão de Saior Moon Eterna. O coração amarelo com asas brancas. Há muito tempo que não o usava. A última vez fora há 2 anos contra a Galáxia. ‘ Não vou precisar disto.’ Pensou. ‘A Sailor Moon não será precisa durante bastante tempo.’ Fechou a caixa e guardou-a junto à dos sapatos. Não queria que nada perturbasse a sua viagem.

Nesse momento, o telemóvel começou a tocar. Era o toque de mensagem. Foi ver e era a Amy a dizer que já tinha reservado o avião e o hotel. Partiriam no dia seguinte bem cedo. O tempo não seria muito diferente daquele que se fazia sentir no Japão, visto estarem no Verão. Mas, ainda assim, deveria levar um casaco para a noite.

Agradeceu a mensagem e continuou a fazer a mala. Colocou roupa mais ligeira mas também um casaco como recomendara Amy.

A pensar no encontro romântico, tinha decidido levar o vestido que usara quando saíra pela primeira vez com o Gonçalo, mas já estava muito gasto e de certeza que já estava farto dele. Por isso decidiu que ia levar um azul. Claro de saia curta e uns sapatos a condizer.

Fechou a mala mesmo a tempo do jantar. Desceu as escadas e foi para a cozinha onde estava o resto da família, incluindo Luna, que se tinha transformado numa gata normal, à sua espera para começar a comer. Durante a refeição, o pai de Bunny não pôde evitar perguntar-lhe quando seria a viagem. Quando lhe respondeu que seria no dia seguinte, ele ia entornando a colher da sopa:

- Amanhã!? Não podias ter marcado para mais tarde? E a que horas tens de estar no aeroporto?-

Bunny pensou um pouco antes de responder:

- Queria que fosse o mais rápido possível. Combinei com as meninas por volta das 7.30. O voo é às 9.00 horas. Por isso, temos de estar cedo para dar tempo de fazer o check-in. Mas não te preocupes eu apanho um táxi não há necessidade de te levantares tão cedo para me levares.-

O pai contrapõe:

- Não senhora! Eu levo-te! É a primeira vez que vais para fora e eu quero despedir-me como deve ser. Quanto tempo vais lá ficar?-

Ela respondeu:

- Duas semanas. Mas se tudo correr bem, pode ser que prolongue para mais uma.-

A seguir, ainda ficaram um pouco a conversar e a ver televisão. Depois Bunny subiu. Precisava de dormir bem para enfrentar a viagem do dia seguinte.  
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Até amanhã.
Bjs
Joana