Aqui fica o primeiro capitulo da semana.
Espero que gostem.
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V
Bunny desfez o beijo, muito atrapalhada e corada.
Limpou as lágrimas e afastou-se virando as costas a Gonçalo, que permaneceu no
mesmo ligar ainda com um ar surpreendido. O ambiente era constrangedor. Por
fim, Bunny decidiu virar-se e encarar Gonçalo. Os seus olhos azuis, brilhantes
por causa das lágrimas, cruzaram-se com os de Gonçalo. Aquela cena fez-lhe
recordar o dia em que fora a casa dele pedir-lhe explicações para o súbito
rompimento da relação. Os sentimentos estavam à flor da pele. Havia tanta coisa
que queria perguntar-lhe, a começar pelo facto de não lhe ter escrito ou ligado
durante um mês. A sua boca mexeu-se tentando encontrar as palavras certas. Por
fim, conseguiu dizer:
- Eu quis fazer-te uma surpresa. Por isso vim até
aqui com as outras. Mas já vi que não foi boa ideia, por isso vou-me embora.-
Avançou para a porta, mas antes de a conseguir
abrir, Gonçalo abraçou-a, fazendo-a largar a maçaneta e afastar-se da porta.
Myo fez sinal às outras para que os deixassem a sós. Abriu a porta e disse-lhes
que fossem para o carro dela, porque as levaria ao hotel uma vez que aquela
hora não havia táxis.
Gonçalo murmurou ao ouvido de Bunny:
- Adorei a surpresa. Estava cheio de saudades.-
Desta vez foi ele que a beijou.
Nesse momento, Myo chamou para irem e Bunny teve de
o largar. Quando ia a sair, Gonçalo agarrou-a pelo braço.
- Amanhã ligo-te para combinarmos qualquer coisa.-
Ela assentiu e saiu.
Já lá em baixo, entrou no carro de Myo e este seguiu
para o hotel. Quando chegaram, agradeceram a Myo e entraram pela porta
giratória.
Depois de jantar, subiram para os quartos. Bunny
trancou a porta e foi lavar os dentes. Depois sentou-se na cama descalça. A
mala pousada numa cadeira perto da entrada do quarto. Olhou para ela com o
olhar distante. Não conseguia deixar de pensar no que acontecera em casa do
Gonçalo. Mergulhada nestes pensamentos, deitou-se e ficou a olhar o tecto
branco do quarto. Daí a pouco adormeceu.
Na manhã seguinte, acordou com o toque do telemóvel.
Levantou-se meio ensonada e foi atender. Era Gonçalo.
- Bom dia, Serenity.- Disse ele do outro lado doa
linha. Ela corou. – Bom dia. Há muito tempo que não me chamavas por esse nome.-
A última vez tinha sido algures no passado, não se lembrava bem. A conversa
continuou:
- O que queres fazer hoje?- Bunny pareceu
atrapalhada, mas logo se recompôs:
- Tinha pensado em ir passear com as outras por aí e
talvez pedir à Myo para nos levar uma que não conhecemos bem a cidade e ela
pode –nos indicar os melhores sítios para visitar.-
Gonçalo então sugeriu:
- Hoje é o meu dia de folga por isso pensei que
podíamos passar o dia juntos.-
Por mim pode ser. Vens-me buscar daqui a meia hora
no hotel central? Estarei na recepção.-
- Muito bem. Até logo. – Gonçalo desligou o
telefone.
Entusiasmada, foi arranjar-se. Vestiu umas calças de
ganga e uma t-shirt com uma lua.
Calçou umas sandálias e foi tomar o pequeno-almoço. As outras já estavam à sua
espera. Depois do pequeno-almoço, Bnny foi para a recepção esperar por Gonçalo
e as outras foram com ela para não esperar sozinha.
Daí a pouco, apareceram dois carros. De um saiu
Gonçalo e do outro Myo. Bunny ficou surpreendida, mas Rita esclareceu:
- Combinámos um passeio com a Myo. Ela sabia que ias
querer estar com o Gonçalo por isso organizou uma excursão á cidade para nós.-
Bunny agradeceu a Myo e entrou no carro de Gonçalo.
O casal começou, então, o seu passeio pela cidade de Nova Iorque. Foram à
galeria de arte contemporânea, almoçaram numa esplanada n Central Park, tiraram
fotografias junto à Estátua da Liberdade.
No fim do dia, já à porta do hotel, combinaram um
jantar romântico. Despediram-se com um ‘até logo’. Bunny passou o resto da
tarde a arranjar-se para o jantar. Vestira o vestido azul-claro que trouxera e
fizera um elaborado penteado no alto da cabeça com vários ondangos e duas
pequenas madeixas. Pintou os lábios de vermelho e pôs um pouco de rímel nas
pestanas. Pegou numa pequena bolsa que condizia com o vestido, onde colocou a
prenda para Gonçalo, entre outras coisas. Calçou as sandálias de salto alto e
saiu do quarto.
Quando chegou lá a baixo, olhou para o relógio do
telemóvel. Ainda era cedo. Sentou-se num sofá da recepção. Passado um bocado,
um empregado veio ter com ela e entregou-lhe uma rosa vermelha. Com ela vinha
um bilhete. Abriu-o e leu-o: ‘Vem para a
porta.’ Ela assim fez e arregalou os olhos com o que vira quando foi para a
porta: parada à frente da porta do hotel estava uma limusine preta. A porta
abriu-se e de lá sai um rapaz com um smoking.
Pegou-lhe na mão. Ela sorriu e entraram no carro. No caminho, Gonçalo não pôde
deixar de elogiar Bunny:
- Estás linda.- Ela corou. Estavam sentados
frente-a-frente nos bancos corridos da limusine. Acrescentou:- Mas acho que
ficavas ainda melhor com isto.- Estendeu-lhe uma caixinha comprida forrada a veludo
preto.
Ela abriu-a e surpreendeu-se. Lá dentro, estava um
fio de prata com um pendente, também de prata, em forma de estrela. Tirou-o da
caixa e colocou-o ao pescoço. Ele sorriu:
- Fica-te muito bem.- Bunny mudou-se para o lado de
Gonçalo a fim de lhe agradecer com um beijo.
Chegaram ao restaurante. Era o mais caro da cidade.
Bunny estava maravilhada. Entraram e foram conduzidos à mesa previamente
reservada. Sentaram-se. Bunny não pôde deixar de comentar:
- Deixa-me adivinhar: foi a Myo que preparou tudo
isto.-
Gonçalo assentiu e disse:
- Sim, ela convenceu-me a reservar mesa neste
restaurante.- Acrescentou:
- E também a alugar a limusine.-
Bunny interrogou-se como iriam pagar, mas Gonçalo
tranquilizou-a:
- Não te preocupes. A Myo conhece o gerente.-
Explicou-lhe que, quando a Myo ali chegou ia muito aquele restaurante por a tia
ser amiga do gerente.
A seguir ao jantar, foram passear de mãos dadas e
sentaram-se num banco virado para o Central Park. As luzes iluminavam tudo
fazendo com que a cidade parecesse uma enorme árvore de Natal.
- Tem sido fantástico ter-te aqui. – Começou Gonçalo.
Bunny corou. Depois, foi até à mala e tirou o porta-chaves que tinha feito.
Estendeu-o a Gonçalo e disse:
- Fiz isto para ti como forma de simbolizar a nossa
relação. Não é grande coisa, mas espero que gostes.-
Gonçalo abraçou-a e beijaram-se. Depois, ela disse:
- É lindo, obrigado.-
Guardou-o e voltaram a abraçar-se. Ficaram assim
durante algum tempo, até Gonçalo a largar. Pegou nas mãos de Bunny e apertou-as
contra as suas. O seu ar era sério:
- Tenho algo para te dizer.- Começou a ficar
nervoso. Foi directo ao assunto:
- Recebi uma proposta de trabalho.- Bunny continuou
atenta. – É uma proposta de trabalho efectiva.- Bunny perguntou:
- Isso quer dizer que foste contratado? – Ela sabia
que Gonçalo tinha ido fazer um estágio numa empresa e, pelos vistos, tinham
gostado do seu trabalho. Gonçalo assentiu. Ela congratulou-o:
- Muitos parabéns.- Disse, mas calou-se pois sentis
que a conversa ainda não terminara:
- É exactamente sobre isso que quero falar contigo,
mas ainda não tive coragem. E agora acho que chegou o momento.- Respirou fundo,
largou as mãos e disse:
- A proposta implica que venha viver para aqui
definitivamente.-
Bunny percebeu finalmente. As lágrimas começaram a
cair-lhe pela cara:
- Então e eu?
E nós? Como é que vai ser? Eu não aguento ficar longe de ti! E tu sabes! Não
imaginas como foi duro para mim aquele mês.-
Abraçou-o. As lágrimas molhavam a camisa de Gonçalo.
Sem desfazer o abraço, Gonçalo continuou:
- É por isso que quero que venhas morar comigo.- Ela
levantou a cabeça e olhou-o incrédula:
- Estás a dizer para largar tudo e vir morar contigo
na América?-
Ele assentiu mais uma vez. Ela, nervosa, exclamou:
- Então e a minha família? Os meus amigos? Queres
que deixe tudo assim de repente? Não sei se consigo. Tenho de pensar melhor
sobre o assunto.-
Gonçalo beijou-a e disse:
- Não tens de decidir já. Vou dar-te todo o tempo
que precisas. Quando decidires diz-me alguma coisa. Eu compreenderei seja o que
for que decidires.-
Bunny ficou apreensiva. Não sabia o que fazer: por
um lado, queria estar com Gonçalo, por outro não queria deixar a família e os
amigos. Tinha de decidir depressa, pois não ia haver uma segunda oportunidade.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bjs
Joana
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