segunda-feira, 23 de abril de 2018

Crónicas de uma rapariga singular-V

Olá
Aqui fica o primeiro capitulo da semana.
Espero que gostem.
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V

Bunny desfez o beijo, muito atrapalhada e corada. Limpou as lágrimas e afastou-se virando as costas a Gonçalo, que permaneceu no mesmo ligar ainda com um ar surpreendido. O ambiente era constrangedor. Por fim, Bunny decidiu virar-se e encarar Gonçalo. Os seus olhos azuis, brilhantes por causa das lágrimas, cruzaram-se com os de Gonçalo. Aquela cena fez-lhe recordar o dia em que fora a casa dele pedir-lhe explicações para o súbito rompimento da relação. Os sentimentos estavam à flor da pele. Havia tanta coisa que queria perguntar-lhe, a começar pelo facto de não lhe ter escrito ou ligado durante um mês. A sua boca mexeu-se tentando encontrar as palavras certas. Por fim, conseguiu dizer:

- Eu quis fazer-te uma surpresa. Por isso vim até aqui com as outras. Mas já vi que não foi boa ideia, por isso vou-me embora.-

Avançou para a porta, mas antes de a conseguir abrir, Gonçalo abraçou-a, fazendo-a largar a maçaneta e afastar-se da porta. Myo fez sinal às outras para que os deixassem a sós. Abriu a porta e disse-lhes que fossem para o carro dela, porque as levaria ao hotel uma vez que aquela hora não havia táxis.

Gonçalo murmurou ao ouvido de Bunny:

- Adorei a surpresa. Estava cheio de saudades.- Desta vez foi ele que a beijou.

Nesse momento, Myo chamou para irem e Bunny teve de o largar. Quando ia a sair, Gonçalo agarrou-a pelo braço.

- Amanhã ligo-te para combinarmos qualquer coisa.- Ela assentiu e saiu.

Já lá em baixo, entrou no carro de Myo e este seguiu para o hotel. Quando chegaram, agradeceram a Myo e entraram pela porta giratória.

Depois de jantar, subiram para os quartos. Bunny trancou a porta e foi lavar os dentes. Depois sentou-se na cama descalça. A mala pousada numa cadeira perto da entrada do quarto. Olhou para ela com o olhar distante. Não conseguia deixar de pensar no que acontecera em casa do Gonçalo. Mergulhada nestes pensamentos, deitou-se e ficou a olhar o tecto branco do quarto. Daí a pouco adormeceu.

Na manhã seguinte, acordou com o toque do telemóvel. Levantou-se meio ensonada e foi atender. Era Gonçalo.

- Bom dia, Serenity.- Disse ele do outro lado doa linha. Ela corou. – Bom dia. Há muito tempo que não me chamavas por esse nome.- A última vez tinha sido algures no passado, não se lembrava bem. A conversa continuou:

- O que queres fazer hoje?- Bunny pareceu atrapalhada, mas logo se recompôs:

- Tinha pensado em ir passear com as outras por aí e talvez pedir à Myo para nos levar uma que não conhecemos bem a cidade e ela pode –nos indicar os melhores sítios para visitar.-

Gonçalo então sugeriu:

- Hoje é o meu dia de folga por isso pensei que podíamos passar o dia juntos.-

Por mim pode ser. Vens-me buscar daqui a meia hora no hotel central? Estarei na recepção.-

- Muito bem. Até logo. – Gonçalo desligou o telefone.

Entusiasmada, foi arranjar-se. Vestiu umas calças de ganga e uma t-shirt com uma lua. Calçou umas sandálias e foi tomar o pequeno-almoço. As outras já estavam à sua espera. Depois do pequeno-almoço, Bnny foi para a recepção esperar por Gonçalo e as outras foram com ela para não esperar sozinha.

Daí a pouco, apareceram dois carros. De um saiu Gonçalo e do outro Myo. Bunny ficou surpreendida, mas Rita esclareceu:

- Combinámos um passeio com a Myo. Ela sabia que ias querer estar com o Gonçalo por isso organizou uma excursão á cidade para nós.-

Bunny agradeceu a Myo e entrou no carro de Gonçalo. O casal começou, então, o seu passeio pela cidade de Nova Iorque. Foram à galeria de arte contemporânea, almoçaram numa esplanada n Central Park, tiraram fotografias junto à Estátua da Liberdade.

No fim do dia, já à porta do hotel, combinaram um jantar romântico. Despediram-se com um ‘até logo’. Bunny passou o resto da tarde a arranjar-se para o jantar. Vestira o vestido azul-claro que trouxera e fizera um elaborado penteado no alto da cabeça com vários ondangos e duas pequenas madeixas. Pintou os lábios de vermelho e pôs um pouco de rímel nas pestanas. Pegou numa pequena bolsa que condizia com o vestido, onde colocou a prenda para Gonçalo, entre outras coisas. Calçou as sandálias de salto alto e saiu do quarto.

Quando chegou lá a baixo, olhou para o relógio do telemóvel. Ainda era cedo. Sentou-se num sofá da recepção. Passado um bocado, um empregado veio ter com ela e entregou-lhe uma rosa vermelha. Com ela vinha um bilhete. Abriu-o e leu-o: ‘Vem para a porta.’ Ela assim fez e arregalou os olhos com o que vira quando foi para a porta: parada à frente da porta do hotel estava uma limusine preta. A porta abriu-se e de lá sai um rapaz com um smoking. Pegou-lhe na mão. Ela sorriu e entraram no carro. No caminho, Gonçalo não pôde deixar de elogiar Bunny:

- Estás linda.- Ela corou. Estavam sentados frente-a-frente nos bancos corridos da limusine. Acrescentou:- Mas acho que ficavas ainda melhor com isto.- Estendeu-lhe uma caixinha comprida forrada a veludo preto.

Ela abriu-a e surpreendeu-se. Lá dentro, estava um fio de prata com um pendente, também de prata, em forma de estrela. Tirou-o da caixa e colocou-o ao pescoço. Ele sorriu:

- Fica-te muito bem.- Bunny mudou-se para o lado de Gonçalo a fim de lhe agradecer com um beijo.

Chegaram ao restaurante. Era o mais caro da cidade. Bunny estava maravilhada. Entraram e foram conduzidos à mesa previamente reservada. Sentaram-se. Bunny não pôde deixar de comentar:

- Deixa-me adivinhar: foi a Myo que preparou tudo isto.-

Gonçalo assentiu e disse:

- Sim, ela convenceu-me a reservar mesa neste restaurante.- Acrescentou:

- E também a alugar a limusine.-

Bunny interrogou-se como iriam pagar, mas Gonçalo tranquilizou-a:

- Não te preocupes. A Myo conhece o gerente.- Explicou-lhe que, quando a Myo ali chegou ia muito aquele restaurante por a tia ser amiga do gerente.

A seguir ao jantar, foram passear de mãos dadas e sentaram-se num banco virado para o Central Park. As luzes iluminavam tudo fazendo com que a cidade parecesse uma enorme árvore de Natal.

- Tem sido fantástico ter-te aqui. – Começou Gonçalo. Bunny corou. Depois, foi até à mala e tirou o porta-chaves que tinha feito. Estendeu-o a Gonçalo e disse:

- Fiz isto para ti como forma de simbolizar a nossa relação. Não é grande coisa, mas espero que gostes.-

Gonçalo abraçou-a e beijaram-se. Depois, ela disse:

- É lindo, obrigado.-

Guardou-o e voltaram a abraçar-se. Ficaram assim durante algum tempo, até Gonçalo a largar. Pegou nas mãos de Bunny e apertou-as contra as suas. O seu ar era sério:

- Tenho algo para te dizer.- Começou a ficar nervoso. Foi directo ao assunto:

- Recebi uma proposta de trabalho.- Bunny continuou atenta. – É uma proposta de trabalho efectiva.- Bunny perguntou:

- Isso quer dizer que foste contratado? – Ela sabia que Gonçalo tinha ido fazer um estágio numa empresa e, pelos vistos, tinham gostado do seu trabalho. Gonçalo assentiu. Ela congratulou-o:

- Muitos parabéns.- Disse, mas calou-se pois sentis que a conversa ainda não terminara:

- É exactamente sobre isso que quero falar contigo, mas ainda não tive coragem. E agora acho que chegou o momento.- Respirou fundo, largou as mãos e disse:

- A proposta implica que venha viver para aqui definitivamente.-

Bunny percebeu finalmente. As lágrimas começaram a cair-lhe pela cara:

 - Então e eu? E nós? Como é que vai ser? Eu não aguento ficar longe de ti! E tu sabes! Não imaginas como foi duro para mim aquele mês.-

Abraçou-o. As lágrimas molhavam a camisa de Gonçalo. Sem desfazer o abraço, Gonçalo continuou:

- É por isso que quero que venhas morar comigo.- Ela levantou a cabeça e olhou-o incrédula:

- Estás a dizer para largar tudo e vir morar contigo na América?-

Ele assentiu mais uma vez. Ela, nervosa, exclamou:

- Então e a minha família? Os meus amigos? Queres que deixe tudo assim de repente? Não sei se consigo. Tenho de pensar melhor sobre o assunto.-

Gonçalo beijou-a e disse:

- Não tens de decidir já. Vou dar-te todo o tempo que precisas. Quando decidires diz-me alguma coisa. Eu compreenderei seja o que for que decidires.-

Bunny ficou apreensiva. Não sabia o que fazer: por um lado, queria estar com Gonçalo, por outro não queria deixar a família e os amigos. Tinha de decidir depressa, pois não ia haver uma segunda oportunidade.
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E pronto.
Mais uma vez espero que gostem.
Bjs
Joana
 

 

 

  

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