sexta-feira, 21 de março de 2025

Sonata da Rosa Branca- Parte 4- Capitulo 3

 Olá 

Fica o capitulo da semana. 

Espero que gostem.

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III

Percorreu o pequeno corredor que separava a zona das escadas do resto da casa. Nunca se sentira tão determinada. Caminhava em passos apressados, mas firmes para não perder o foco.

Atravessou o chão de tábuas lisas e depois a tijoleira fria. Entrou na sala de estar e foi ao encontro de Kari. Aproximou-se, timidamente. Sentou-se perto dela e disse, de repente, fazendo-a assustar-se:

- Está bem, ganhaste. Vou acompanhar-te a casa da avó, mas que fique claro que só o faço por tua causa. –

Kari sorriu. Perguntou:

- Tens a certeza? Tu própria disseste que não querias reatar a relação com o resto da família. –

Voxy olhou de relance para o ecrã da televisão e depois para Kari.

- Sim, tenho. Por ti, acho que vale a pena. –

Kari continuava admirada. Gostava da atitude decidida da irmã.

- O jantar estava muito bom! – Elogiou Estefânia.

Carlos sorriu. Estava satisfeito com a sua conquista. No fim da refeição, também se dispôs a arrumar a cozinha. Estefânia e Gonçalo estavam estupefactos. Retiraram-se para a sala.

Antes de ir dormir, Estefânia foi ao quarto de Clara, mas, ao contrário das outras vezes, hesitou bastante antes de abrir a porta. Como se alguém na sua mente lhe dissesse para não o fazer. Ainda assim, rodou a chave e este abriu com um clique.

Acendeu a luz do teto e foi ao armário. Abriu-o. As roupas, os sapatos e os acessórios estavam todos arrumados tal como a filha os deixara. Tirou uma camisola de gola alta bordeaux que usara na última festa de Natal. Foi há 5 anos, mas parecia que tinha sido há mais tempo. Ainda podia sentir o odor da filha. Abraçou-a como se a abraçasse. De repente, bateram á porta. Arrumou a camisola e fechou o armário. Seguiu o marido até ao quarto.

Á noite, Voxy subiu para o quarto. Quando Bertha chamou para jantar, apenas Kari apareceu. A irmã estava cansada e comia mais tarde. Depois de jantar, subiu para ver como estava. Foi encontrá-la vestida para dormir, sentada no banco ao pé da janela a olhar para o jardim. Tinha a rosa na mão.

- Lembras-te? – Perguntou Voxy de repente. – A mãe costumava ir para o jardim quando se sentia em baixo. Dizia que o luar e a água da piscina a acalmavam. –

KAri não tinha aquela memória presente, mas supôs que fosse verdade.

 - Sim, claro! – Respondeu quase forçadamente. – Voltava sempre mais serena e a sua música saía melhor. –

Voxy levantou-se. Abriu a janela. O ar fresco da noite entrou pelo quarto. Saiu para a varanda. Sentiu o chão frio de azulejo nos pés descalços. Pôs as mãos no parapeito de ferro forjado. Suspirou. A memória era falsa. A mãe nunca fez aquilo, depois de ela nascer. Só se lembrava da uma história que ela contava de quando estava grávida, mas nunca achou que fosse verdade.

- Tinha apenas 3 anos, mas já era um génio da música. Todos me diziam que devia ter herdado o talento da mãe, apesar de nunca acreditar muito nisso. –

Prosseguiu:

- Durante bastante tempo, comparavam-me constantemente com ela. Depois de cada espetáculo, havia sempre quem comentasse: «Devias tocar mais como a tua mãe» ou «Tocas bem, mas falta-te a alegria que ela transmite» -

Voltou para junto de Kari depois de fechar a janela.

- Depois do acidente, todas aquelas vozes se calaram. Já não havia ninguém para comparar. A pressão estava toda do meu lado. – As lágrimas começaram a correr-lhe pela cara – Quando regressámos a casa, só queria desparecer. – Limpou as lágrimas e prosseguiu:

- E agora, este convite inesperado de alguém que nos virou as costas quando mais precisávamos, fez-me voltar a sentir essa pressão. –

Recomeçou a chorar.

Kari também tinha lágrimas nos olhos. Abraçaram-se. Vai correr tudo bem. Murmurou-lhe. 

 

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E pronto.

Mais uma vez, espero que gostem.

Até para a semana.


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