sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

A Sonata da Rosa Branca- Parte 1- Capitulo 2

 Olá 

Aqui fica o capitulo da semana da minha história.

Espero que gostem.

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II

Estefânia e Carlos

Estefânia era uma mulher de estatura média. Tinha o cabelo preto e olhos castanhos. Alegre, extrovertida, mas também prática e racional. Qualidades que herdara do pai.

Era recém-licenciada em Direito quando foi trabalhar para a firma de advogados do pai. Desde pequena que tinha contacto com os tribunais. Com apenas 6 anos, foi á sua primeira sessão de julgamento. Gostava de ficar na sala de audiências onde fingia que presidia a um grande julgamento. A mãe ainda a incentivou a seguir-lhe os passos no ensino, mas o Direito e a emoção dos tribunais falaram mais alto.

Namorava um rapaz, também recém-licenciado, mas em Arquitectura, chamado Carlos. «Lingrinhas, mas ajuizado» Dissera o pai quando ela o apresentou.

 O pai de Estefânia, Jorge, era um homem amável e vivaz. Advogado de profissão e casado há mais de 30 anos com Maria Hortense, tinha o cabelo castanho, da mesma cor e um bigode farto. Pela aparência, ninguém diria que era um dos melhores advogados do país, mas um operário fabril.

Já a mãe, professora primária, era uma mulher alegre sempre com um sorriso. Usava o cabelo apanhado num carrapito, muito típico daquela geração. Viviam numa casa nos arredores da cidade, de dois andares e um pequeno quintal.

Jorge tinha uma pequena firma de advogados da qual se orgulhava muito, mas dizia sempre que o seu maior orgulho era a família. E não era para menos. A filha tinha terminado o curso de Direito com mérito, assegurando um estágio com apenas 20 anos.

Logo no primeiro dia, fez questão de marcar a sua posição. «Não quero que me tratem de forma diferente só porque sou filha do chefe.» afirmou.  Foi-lhe mostrado o local de trabalho. Um cubículo com um telefone e meia dúzia de papéis em cima de uma mesa com pernas de metal. Deram-lhe uma cadeira almofadada com rodas nas pontas das pernas para se sentar. Era desconfortável, mas habituou-se depressa.

-Este é o gabinete dos estagiários. - Disse o pai. – As tuas tarefas são simples: levas cafés, tiras fotocópias, mas não mexes nos processos. - Acrescentou: - Isso fica para mais tarde quando ganhares experiência, até poderás ter um gabinete maior.-

Estefânia sorriu entusiasmada.

Carlos começara a trabalhar num atelier de arquitetura. Um professor gostara dos seus projetos e conseguira um estágio para ele.

Os pais eram ambos operários numa fábrica de conservas e foi com muita dificuldade que lhe conseguiram pagar os estudos, que ele soube recompensar formando-se com distinção numa área que era a sua paixão. Sempre gostara de desenhar, especialmente á vista, e sobretudo prédios e casas.  Ainda conseguiu arranjar uma rapariga decente, como lhe dissera a mãe.

 

Os primeiros meses foram de adaptação, mas com o passar do tempo, a rotina foi-se tornando um hábito. Ainda assim, conseguiam conciliar o namoro. Sobretudo ao fim de semana.

Naquela altura, a maior parte dos jovens gostava de sair á noite. Por isso quando saiu do trabalho juntamente com Carla, a melhor amiga, ligou para Carlos a convidá-lo. Ainda havia poucos telemóveis, eram um bem raro, mas Estefânia conseguiu convencer o a pai a dar-lhe um. Com a desculpa de se manter contactável quando estava fora. Também conseguiu um para Carlos e Carla com esta desculpa. Por vezes conseguia ser bem persuasiva.

-Vá lá! - Insistiu. - Amanhã, é fim-de-semana, temos de aproveitar! -

Acabou por aceitar, embora contrariado. Mais uma vez a sua persuasão era surpreendente. Desde que se conheceram. Devia ter sido isso que o atraíra nela. A sua atitude forte e resiliente de virar uma situação a seu favor.

O bar estava quase vazio quanto chegaram. Ficava perto do sítio onde as raparigas trabalhavam por isso não foi difícil de localizar. Percorreram aquelas ruas demasiadas vezes pois vinham ali desde os tempos da faculdade quando queriam relaxar depois de mais uma noitada a estudar para os exames.

Fora lá o primeiro encontro de Estefânia e Carlos. Conheceram-se na festa de recepção ao caloiro. Não foram praxados porque a faculdade onde estavam era contra essas práticas, mas faziam uma pequena festa de confraternização. Estefânia é que foi falar com ele. O miúdo no canto da sala que não conhecia ninguém. Já na altura, ela parecia envolver toda a gente. Em parte, graças a Carla que levara a tudo o que era festa. Eram amigas desde o liceu e foram as duas para a mesma faculdade e curso. Naquela altura, não ligou muito. Era mais uma que se vinha meter com ele por ser magrinho e usar óculos. Mas depois, dava por si a pensar nela. No seu sorriso cativante e na maneira como dançava. Tinha de arranjar coragem e convidá-la para sair. Mas era tímido e inseguro, quem tomou a iniciativa foi ela. Exatamente o que estava a acontecer agora.

 

Sentaram-se ao balcão e pediram uma bebida para cada um. O local era acolhedor, com o seu balcão corrido de madeira, meio gasto com marcas de copos e bebidas e até cinzas de cigarro. Bancos altos e quadros com recortes de jornal de prémios e fotografias de famosos que lá tinham estado e deixaram a sua marca. Estefânia reconheceu uma das fotografias, a de Carolina Heart a famosa pianista que por lá passara com um então namorado para beber uma cerveja.

Mais à frente, por entre mesas e cadeiras, havia uma mesa de snooker com alguns homens á volta acompanhados por copos e garrafas de cerveja e um pouco de tabaco.

Gostavam de vir ali porque o ambiente era calmo e nunca fechava muito tarde. Naquela altura, bebiam sempre o mesmo. Um copo de gin com gelo ou uma margarita acompanhada com alguns aperitivos salgados. Tudo para passar um bom bocado.

  Saíram do bar já a noite ia longa. Estava calma e eles não tinham bebido muito. Foram andando à rua onde Carla morava. Despediram-se e ela subiu até casa.

O casal voltou para trás pois o apartamento onde moravam ficava do outro lado. Quando chegaram, foram aos beijos para o quarto. Livraram-se da roupa á medida que se aproximavam da cama, onde o amor e o desejo tomaram conta dos seus corpos e mentes.  Estefânia encostou a cabeça ao peito quente de Carlos, que lhe beijou o alto da cabeça. De repente, Estefânia disse:

-Sabes, tenho andado a pensar. – Olhou para ele que lhe sorriu. Beijaram-se e ela continuou depois: - E se nos casássemos? -  Ficou surpreendido. Não esperava uma proposta tão repentina. Namoravam há quase 2 anos e estavam a viver juntos para não terem muitas despesas. Nunca tinha pensado nessa possibilidade, mas agora que as vidas de ambos estavam estabilizadas, porque não? Sorriu e disse: «Está bem». Estefânia soltou um risinho e beijaram-se novamente.

Casaram pouco depois de serem promovidos nos respectivos trabalhos e de terem uma casa maior. Tiveram uma cerimónia discreta, só com amigos e familiares próximos, mas divertida e feliz. Estefânia escolheu um vestido simples, mas que deixou Carlos extasiado.

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Mais uma vez, espero que gostem. 

Bom fim-de-semana. 

Bjs 

Joana

 


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