Olá
Aqui fica o capitulo da semana da minha história.
Espero que gostem.
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II
Estefânia e Carlos
Estefânia
era uma mulher de estatura média. Tinha o cabelo preto e olhos castanhos.
Alegre, extrovertida, mas também prática e racional. Qualidades que herdara do
pai.
Era
recém-licenciada em Direito quando foi trabalhar para a firma de advogados do
pai. Desde pequena que tinha contacto com os tribunais. Com apenas 6 anos, foi
á sua primeira sessão de julgamento. Gostava de ficar na sala de audiências
onde fingia que presidia a um grande julgamento. A mãe ainda a incentivou a
seguir-lhe os passos no ensino, mas o Direito e a emoção dos tribunais falaram
mais alto.
Namorava
um rapaz, também recém-licenciado, mas em Arquitectura, chamado Carlos.
«Lingrinhas, mas ajuizado» Dissera o pai quando ela o apresentou.
O pai de Estefânia, Jorge, era um homem amável
e vivaz. Advogado de profissão e casado há mais de 30 anos com Maria Hortense,
tinha o cabelo castanho, da mesma cor e um bigode farto. Pela aparência,
ninguém diria que era um dos melhores advogados do país, mas um operário
fabril.
Já
a mãe, professora primária, era uma mulher alegre sempre com um sorriso. Usava
o cabelo apanhado num carrapito, muito típico daquela geração. Viviam numa casa
nos arredores da cidade, de dois andares e um pequeno quintal.
Jorge
tinha uma pequena firma de advogados da qual se orgulhava muito, mas dizia
sempre que o seu maior orgulho era a família. E não era para menos. A filha
tinha terminado o curso de Direito com mérito, assegurando um estágio com
apenas 20 anos.
Logo
no primeiro dia, fez questão de marcar a sua posição. «Não quero que me tratem
de forma diferente só porque sou filha do chefe.» afirmou. Foi-lhe mostrado o local de trabalho. Um
cubículo com um telefone e meia dúzia de papéis em cima de uma mesa com pernas
de metal. Deram-lhe uma cadeira almofadada com rodas nas pontas das pernas para
se sentar. Era desconfortável, mas habituou-se depressa.
-Este
é o gabinete dos estagiários. - Disse o pai. – As tuas tarefas são simples:
levas cafés, tiras fotocópias, mas não mexes nos processos. - Acrescentou: -
Isso fica para mais tarde quando ganhares experiência, até poderás ter um
gabinete maior.-
Estefânia
sorriu entusiasmada.
Carlos
começara a trabalhar num atelier de
arquitetura. Um professor gostara dos seus projetos e conseguira um estágio
para ele.
Os
pais eram ambos operários numa fábrica de conservas e foi com muita dificuldade
que lhe conseguiram pagar os estudos, que ele soube recompensar formando-se com
distinção numa área que era a sua paixão. Sempre gostara de desenhar,
especialmente á vista, e sobretudo prédios e casas. Ainda conseguiu arranjar uma rapariga
decente, como lhe dissera a mãe.
Os
primeiros meses foram de adaptação, mas com o passar do tempo, a rotina foi-se
tornando um hábito. Ainda assim, conseguiam conciliar o namoro. Sobretudo ao
fim de semana.
Naquela
altura, a maior parte dos jovens gostava de sair á noite. Por isso quando saiu
do trabalho juntamente com Carla, a melhor amiga, ligou para Carlos a
convidá-lo. Ainda havia poucos telemóveis, eram um bem raro, mas Estefânia
conseguiu convencer o a pai a dar-lhe um. Com a desculpa de se manter
contactável quando estava fora. Também conseguiu um para Carlos e Carla com
esta desculpa. Por vezes conseguia ser bem persuasiva.
-Vá
lá! - Insistiu. - Amanhã, é fim-de-semana, temos de aproveitar! -
Acabou
por aceitar, embora contrariado. Mais uma vez a sua persuasão era
surpreendente. Desde que se conheceram. Devia ter sido isso que o atraíra nela.
A sua atitude forte e resiliente de virar uma situação a seu favor.
O
bar estava quase vazio quanto chegaram. Ficava perto do sítio onde as raparigas
trabalhavam por isso não foi difícil de localizar. Percorreram aquelas ruas
demasiadas vezes pois vinham ali desde os tempos da faculdade quando queriam
relaxar depois de mais uma noitada a estudar para os exames.
Fora
lá o primeiro encontro de Estefânia e Carlos. Conheceram-se na festa de recepção
ao caloiro. Não foram praxados porque a faculdade onde estavam era contra essas
práticas, mas faziam uma pequena festa de confraternização. Estefânia é que foi
falar com ele. O miúdo no canto da sala que não conhecia ninguém. Já na altura,
ela parecia envolver toda a gente. Em parte, graças a Carla que levara a tudo o
que era festa. Eram amigas desde o liceu e foram as duas para a mesma faculdade
e curso. Naquela altura, não ligou muito. Era mais uma que se vinha meter com
ele por ser magrinho e usar óculos. Mas depois, dava por si a pensar nela. No
seu sorriso cativante e na maneira como dançava. Tinha de arranjar coragem e
convidá-la para sair. Mas era tímido e inseguro, quem tomou a iniciativa foi
ela. Exatamente o que estava a acontecer agora.
Sentaram-se
ao balcão e pediram uma bebida para cada um. O local era acolhedor, com o seu
balcão corrido de madeira, meio gasto com marcas de copos e bebidas e até
cinzas de cigarro. Bancos altos e quadros com recortes de jornal de prémios e
fotografias de famosos que lá tinham estado e deixaram a sua marca. Estefânia
reconheceu uma das fotografias, a de Carolina Heart a famosa pianista que por
lá passara com um então namorado para beber uma cerveja.
Mais
à frente, por entre mesas e cadeiras, havia uma mesa de snooker com alguns homens á volta acompanhados por copos e garrafas
de cerveja e um pouco de tabaco.
Gostavam
de vir ali porque o ambiente era calmo e nunca fechava muito tarde. Naquela
altura, bebiam sempre o mesmo. Um copo de gin com gelo ou uma margarita acompanhada com alguns
aperitivos salgados. Tudo para passar um bom bocado.
Saíram do bar já a noite ia longa. Estava
calma e eles não tinham bebido muito. Foram andando à rua onde Carla morava.
Despediram-se e ela subiu até casa.
O
casal voltou para trás pois o apartamento onde moravam ficava do outro lado.
Quando chegaram, foram aos beijos para o quarto. Livraram-se da roupa á medida
que se aproximavam da cama, onde o amor e o desejo tomaram conta dos seus
corpos e mentes. Estefânia encostou a
cabeça ao peito quente de Carlos, que lhe beijou o alto da cabeça. De repente,
Estefânia disse:
-Sabes,
tenho andado a pensar. – Olhou para ele que lhe sorriu. Beijaram-se e ela
continuou depois: - E se nos casássemos? -
Ficou surpreendido. Não esperava uma proposta tão repentina. Namoravam
há quase 2 anos e estavam a viver juntos para não terem muitas despesas. Nunca
tinha pensado nessa possibilidade, mas agora que as vidas de ambos estavam
estabilizadas, porque não? Sorriu e disse: «Está bem». Estefânia soltou um
risinho e beijaram-se novamente.
…
Casaram
pouco depois de serem promovidos nos respectivos trabalhos e de terem uma casa
maior. Tiveram uma cerimónia discreta, só com amigos e familiares próximos, mas
divertida e feliz. Estefânia escolheu um vestido simples, mas que deixou Carlos
extasiado.
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Mais uma vez, espero que gostem.
Bom fim-de-semana.
Bjs
Joana
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