Olá
Trago-vos o capitulo da semana que encerra a primeira parte da história.
Espero que gostem!
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III
O
primeiro ano de casamento pode ser complicado. A rotina e o amor nem sempre se
conjugam. Apesar de se conhecerem há bastante tempo, Carolina e Heitor
demoraram algum tempo a adaptar-se à vida de casados. As constantes viagens
fizeram com que se vissem menos do que queriam, mas quando estavam juntos era
sempre como se fosse a primeira vez.
A
única pressão que sentiam era para terem filhos. «Um filho alegra uma casa e
traz estabilidade ao casamento» dizia-lhe a mãe, Odete. E Carolina
pacientemente respondia-lhe que o seu casamento não era como o dela que teve de
nascer para conseguir mantê-lo ainda que fosse tudo fachada. Os pais Odete e
Roberto nunca tiveram sentimentos verdadeiros um pelo outro. Apenas se toleravam.
O casamento deles era um negócio de benefícios para ambos em termos de poder e
dinheiro, nada mais. Ela fora uma forma de segurar esse poder. Agora, a mãe
queria a mesma coisa para a filha. Com certeza pensava que Heitor, tal como o
marido, também tinha as suas escapadelas, mas Carolina assegurava que não. Nem
no tempo de adolescentes Heitor sequer pensava em estar com outras mulheres que
fossem ela. Teve as suas aventuras, mas não passaram disso. Devaneios da
juventude que já passaram.
A
gravidez não acontecia por falta de tentativas. Os abortos espontâneos eram
constantes e Carolina sentia-se cada vez mais deprimida, mas Heitor estava
sempre ao seu lado e nunca a deixou esmorecer.
«A
doença de que padece provoca lesões no útero e isso dificulta a fixação dos
óvulos nas paredes» Explicou o médico depois de mais uma ida ao hospital por
causa de um sangramento.
-Não
existe nada que se possa fazer, Doutor? - Perguntou Carolina desesperada.
Heitor
segurou-lhe a mão, confortando-a. Também estava frustrado com a situação.
-Bom,
existe uma possibilidade, mas é arriscada. - Começou o médico.
Caroline
olhou-o no fundo dos olhos.
-Eu
faço o que for preciso, nem que me custe a vida. –
Estava
disposta a tudo. Mesmo que tenha ponderado outras hipóteses como a adoção, nada
lhe tirava a sensação de ter um ser a crescer dentro de si. Queria essa
experiência nem que fosse uma única vez.
O
médico assentiu. Conseguia perceber o forte desejo do casal em ser pais e por
isso iam levar até ao fim.
-Muito
bem…- Continuou – Vamos recorrer a uma inseminação artificial e depois
colocamos um reforço nas paredes do útero de modo a permitir que o óvulo se
fixe. Depois, é só esperar. – Acrescentou: - No entanto, não existem garantias
que venha a ser eficaz e pode ser extramente pensoso para a Carolina. –
Concluiu: - É um tratamento experimental que pode ter consequências
desconhecidas. –
Carolina
olhou para o marido. O olhar dele deu-lhe a força que precisava. Se era a única
maneira, então iam avançar.
…
O
primeiro ano de casados de Estefânia e Carlos foi passado a trabalhar e a
redecorar a casa nova. Planeavam alargar a família e tinham de ter tudo pronto
para quando essa altura chegasse, o que não demorou muito tempo. Foi durante um
jantar que Estefânia deu a notícia. Carlos ficou de lágrimas nos olhos. Quando
contou aos futuros avós, também ficaram muito contentes.
-Há-de
ser um rapaz lindo e saudável. - Disse o futuro avô cheio de orgulho.
-É
melhor não criar muitas espectativas ou podem sair-te ao lado. - Aconselhou
Estefânia, acariciando o ventre ainda liso mas que iria crescer e tornar-se
desconfortável.
Durante
a gravidez, Estefânia esteve de licença e iria continuar nos primeiros meses.
Carlos esteve a seu lado sempre bem como a mãe e Carla.
…
A
notícia da gravidez de Carolina chegou certo dia depois de várias fertilizações
falhadas. Deixaram todas em segredo para não criar demasiadas expectativas.
-Está
de 3 semanas e bem fixo. - Anunciou o médico depois de a examinar.
Heitor abraçou-a a chorar, mas o momento de
alegria logo se transformou em preocupação. O bebé tinha desenvolvido, ou parecia
estar a desenvolver a mesma doença da mãe o que tornou a gravidez de risco.
Carolina foi forçada a parar a sua carreira e ficar de repouso absoluto. Os
seus dias eram passados na varanda de casa a olhar para o jardim, numa zona
resguardada e para o ventre a crescer. Lágrimas de alergia e esperança
caíam-lhe pela cara. Heitor fazia questão de estar presente em todos os
momentos importantes. Também parara a carreira para apoiar a mulher, o que
muito desagradou aos pais, mas agradou aos sogros, principalmente a Odete.
Quando
não estava na varanda, passeava pelo jardim e até molhava os pés na piscina.
Passava perto da sala do piano e, de vez em quando, não resistia a tocar alguma
coisa enquanto a barriga ainda lhe permitia. Depois, passou a ler a compor
através da imaginação, anotando tudo num caderno de capa castanha.
…
Quando
Clara nasceu, toda a família veio dar-lhe as boas-vindas. Estefânia e Carlos
estavam felizes. Deram-lhe o nome da avó de Estefânia como homenagem.
-É
muito bonito da tua parte. Ela ficaria muito feliz. - Disse a mãe.
Estefânia
sorriu acariciando a recém-nascida nos seus braços.
…
As
contrações começaram logo de manhã. Ainda faltava uma semana para o parto, mas
Carolina não estava a aguentar. Foi logo encaminhada para a clínica onde tinha
agendado tudo.
Depois
de várias horas, que foram penosas para ela, os médicos decidiram fazer
cesariana. A filha do casal nasceu prematura e foi para uma incubadora.
Carolina ainda estava fraca do parto, mas conseguiu vê-la de relance.
O
médico veio cá fora dar a notícia e a alegria de uns foi quase desilusão de
outros. O pai de Carolina, Roberto, estava convencido que era um rapaz e que
havia de ter o seu nome.
Mais
tarde, com Carolina no quarto, não deixou de opinar sobre o nome embora ninguém
estivesse com disposição para isso.
-Se
não é Roberto, pode ser Roberta. - Comentou, mas o casal já tinha decidido que
nome lhe ia dar.
-Vai
chamar-se Voxy.- Anunciou Carolina para surpresa de todos.- Sonhei com este
nome há muito tempo. Antes pareceu-me absurdo, mas agora faz sentido. -
Roberto
teve de se conformar.
Carolina
teve alta passado pouco tempo, mas Voxy teve de ficar mais algumas semanas. O
seu estado era frágil e inspirava cuidados redobrados. Todos os dias os pais
iam visitá-la.
…
Quando
Estefânia regressou a casa, os avós apareceram com muitas prendas para a bebé.
Todos queriam pegar-lhe e tirar fotografias.
…
Carolina
e Heitor foram buscar a filha depois de quase um mês de internamento. Foi a
primeira vez que a mãe lhe pegou. O seu corpo pequeno e frágil exigia que
estivesse sempre alerta.
Foram
recebidos em festa. Toda a família estava presente e ficaram muito admirados
quando Roberto anunciou com orgulho a neta, apesar de não concordar muito com o
nome.
…
Dois
anos após o nascimento de Clara, nasceu Gonçalo o tão desejado rapaz.
Infelizmente, Jorge já não pôde ver o neto, pois falecera um ano antes.
Com a família maior, mudaram para uma vivenda
com um quintal onde as crianças podiam brincar.
…
Kari
apareceu na vida de Voxy um ano após o seu nascimento. Era órfã e o casal
resolveu adoptá-la depois de visitarem um lar de crianças. Andava sempre atrás
deles e rapidamente se afeiçoaram á menina de olhos castanhos e cabelo escuro.
Logo
a seguir ao parto, Carolina foi operada e retiram-lhe o sistema reprodutor que
já estava muito danificado pelo esforço de ter acolhido Voxy. Ficou uns meses
de repouso antes de começar a amamentar e cuidar da filha. Afeiçoou-se muito a
ela e protegia-a de tudo, era o seu tesouro mais precioso.
A
chegada de Kari veio animá-la ainda mais e dar a Voxy uma irmã com quem
brincar. Podia não ter vindo de si, mas era como se tivesse. As duas eram
inseparáveis. Adoravam brincar no jardim e tocar piano. Era Kari quem lembrava
a irmã de usar as proteções para o sol cada vez que saíam de casa o que descansava
os pais.
…
Clara
e Gonçalo também tinham uma relação próxima, o que era normal entre irmãos.
Adoravam meter-se em todo o tipo de aventuras para desespero dos pais. Mas
todos estavam felizes.
Fim
da Primeira Parte
E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana
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