sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

A Sonata da Rosa Branca- Prólogo

 Olá 

Bom Ano a todos! Já lá vai algum tempo desde da última vez que escrevi! 

Para celebrar os 10 anos de blog, vou publicar, todas as semanas, uma história original. 

Espero que gostem. 

Aviso: esta história pode conter linguagem um pouco 'pesada' ou abordar assuntos 'sensíveis' pelo que recomendo a leitura apenas a pessoas que tenham mais de 16 anos. 

Fica o prólogo. 

Mais uma vez, espero que gostem. 

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A Sonata da Rosa Branca

Prólogo

«As melodias que unem também podem separar., mas quando unem é para sempre.» Leu Voxy num dos muitos livros de autoajuda que lhe deram aquando da morte dos pais, como se isso conseguisse amenizar a dor. Já ouviu dizer que muita gente recorria a esta literatura quando passa por uma grande perda ou doença. No caso dela, era ambas.

Acabara de perder os pais, duas das pessoas mais importantes da sua vida e lidava com uma doença da qual se sabia muito pouco.

Quanto ao livro, estava relacionado com música e perda. «Pensei que podia ajudar» disse-lhe alguém de cuja cara não se conseguia lembrar. Talvez pelo embate violento ou consequência da doença, o que é certo é que ultimamente não conseguia identificar a fisionomia de ninguém, salvo a irmã mais nova Kari e a ama Bertha, cuja presença era frequente enquanto estava internada. Só se lembrava que estivera no hospital por causa da irmã. Contara-lhe com toda a calma e paciência que a caracterizavam o motivo de estar ali. As imagens da noite do acidente eram vagas e confusas, mas com as explicações de Kari conseguia que ficassem um pouco mais nítidas.

Pouco depois do acidente e da alta hospitalar, dedicara-se à leitura. Sobretudo de romances, mas também teve de ler alguns dos outros nem que fosse para dizer que estavam a funcionar quando na verdade só a deixavam mais confusa e frustrada.

O lugar que adotara para a leitura era um canto do seu quarto. Virado para a janela num banco. O único contacto com o mundo já que odiava a tecnologia, apesar de a irmã lhe ter criado uma página na Internet onde publicava todas as notícias relacionadas com os seus espetáculos. Nunca ligava, mas ficava feliz quando as salas enchiam e a irmã lhe dizia que tinha sido graças á divulgação nas redes socais.

 

Bateram à porta no instante em que estava prestes a entrar no clímax da história. Isso irritava-a. Era sempre interrompida na melhor parte! Nos ensaios de piano, era a mesma coisa! Quando chegava à parte que lhe interessava, era a pausa para comer ou para ir dormir. Bem sabia que o descanso e as refeições eram importantes, mas queria poder praticar um pouco mais até que achasse que era altura de parar.

Pousou o livro e foi ver quem era.

Uma mulher de uniforme cinzento apareceu à porta. Vinha dizer que o jantar estava pronto e que podia descer. Lá estavam as pausas a estragar tudo! Com um revirar de olhos, seguiu a mulher para o andar de baixo.

 

 

Era Verão. Uma família resolvera aproveitar o bom tempo para passear e fazer um piquenique no campo. Uma rapariga corria descalça pela relva. Os cabelos esvoaçavam à medida que avançava. Quase parecia flutuar entre as ervas frescas que lhe acariciavam os pés.

Corria em direção ao resto da família. Um casal e um rapaz sentados à sombra de uma árvore com uma toalha e loiça de piquenique. Quando ela chegou, começaram logo a devorar os pacotes de batatas fritas e as sandes trazidas de casa.

O homem levantou-se e foi buscar a máquina fotográfica à mochila. Todos se posicionaram e sorriram. O flache disparou e a fotografia ficou gravada no pequeno ecrã da máquina digital.

De repente, toda a cena de desvaneceu. A escuridão tomou conta de tudo. Gritos, flaches de luz de carros e uma linha vital a alisar apareceram. «Clara!» gritou uma voz «Clara, não!» tentou alcançá-la, mas já estava longe.

 

Estefânia acordou em pânico. Estava a suar em bica. Carlos também se sobressaltou e acalmou-a. Tinha sido mais um pesadelo. Um de entre muitos.

 

 

 

 


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