Olá
Bom Ano a todos! Já lá vai algum tempo desde da última vez que escrevi!
Para celebrar os 10 anos de blog, vou publicar, todas as semanas, uma história original.
Espero que gostem.
Aviso: esta história pode conter linguagem um pouco 'pesada' ou abordar assuntos 'sensíveis' pelo que recomendo a leitura apenas a pessoas que tenham mais de 16 anos.
Fica o prólogo.
Mais uma vez, espero que gostem.
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A
Sonata da Rosa Branca
Prólogo
«As
melodias que unem também podem separar., mas quando unem é para sempre.» Leu
Voxy num dos muitos livros de autoajuda que lhe deram aquando da morte dos
pais, como se isso conseguisse amenizar a dor. Já ouviu dizer que muita gente
recorria a esta literatura quando passa por uma grande perda ou doença. No caso
dela, era ambas.
Acabara
de perder os pais, duas das pessoas mais importantes da sua vida e lidava com
uma doença da qual se sabia muito pouco.
Quanto
ao livro, estava relacionado com música e perda. «Pensei que podia ajudar»
disse-lhe alguém de cuja cara não se conseguia lembrar. Talvez pelo embate
violento ou consequência da doença, o que é certo é que ultimamente não
conseguia identificar a fisionomia de ninguém, salvo a irmã mais nova Kari e a
ama Bertha, cuja presença era frequente enquanto estava internada. Só se
lembrava que estivera no hospital por causa da irmã. Contara-lhe com toda a
calma e paciência que a caracterizavam o motivo de estar ali. As imagens da
noite do acidente eram vagas e confusas, mas com as explicações de Kari
conseguia que ficassem um pouco mais nítidas.
Pouco
depois do acidente e da alta hospitalar, dedicara-se à leitura. Sobretudo de
romances, mas também teve de ler alguns dos outros nem que fosse para dizer que
estavam a funcionar quando na verdade só a deixavam mais confusa e frustrada.
O
lugar que adotara para a leitura era um canto do seu quarto. Virado para a
janela num banco. O único contacto com o mundo já que odiava a tecnologia,
apesar de a irmã lhe ter criado uma página na Internet onde publicava todas as
notícias relacionadas com os seus espetáculos. Nunca ligava, mas ficava feliz
quando as salas enchiam e a irmã lhe dizia que tinha sido graças á divulgação
nas redes socais.
Bateram
à porta no instante em que estava prestes a entrar no clímax da história. Isso
irritava-a. Era sempre interrompida na melhor parte! Nos ensaios de piano, era
a mesma coisa! Quando chegava à parte que lhe interessava, era a pausa para
comer ou para ir dormir. Bem sabia que o descanso e as refeições eram
importantes, mas queria poder praticar um pouco mais até que achasse que era
altura de parar.
Pousou
o livro e foi ver quem era.
Uma
mulher de uniforme cinzento apareceu à porta. Vinha dizer que o jantar estava
pronto e que podia descer. Lá estavam as pausas a estragar tudo! Com um revirar
de olhos, seguiu a mulher para o andar de baixo.
…
Era
Verão. Uma família resolvera aproveitar o bom tempo para passear e fazer um
piquenique no campo. Uma rapariga corria descalça pela relva. Os cabelos
esvoaçavam à medida que avançava. Quase parecia flutuar entre as ervas frescas
que lhe acariciavam os pés.
Corria
em direção ao resto da família. Um casal e um rapaz sentados à sombra de uma
árvore com uma toalha e loiça de piquenique. Quando ela chegou, começaram logo
a devorar os pacotes de batatas fritas e as sandes trazidas de casa.
O
homem levantou-se e foi buscar a máquina fotográfica à mochila. Todos se
posicionaram e sorriram. O flache disparou e a fotografia ficou gravada no
pequeno ecrã da máquina digital.
De
repente, toda a cena de desvaneceu. A escuridão tomou conta de tudo. Gritos,
flaches de luz de carros e uma linha vital a alisar apareceram. «Clara!» gritou
uma voz «Clara, não!» tentou alcançá-la, mas já estava longe.
Estefânia
acordou em pânico. Estava a suar em bica. Carlos também se sobressaltou e
acalmou-a. Tinha sido mais um pesadelo. Um de entre muitos.
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