Olá
Esta semana, acaba a terceira parte da história.
Espero que gostem.
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III
A clínica para onde Voxy foi ficava no sopé de uma
montanha. Naquela altura do ano, apenas se via neve nas zonas mais altas, mas o
frio era rigoroso. Por isso, quando saiu do hospital e se mudou para a casa
autónoma, acendeu a lareira que, através de uma conduta, aquecia a casa toda.
Tinha consultas todos os dias com a Dra Felicia Jones
que foi terapeuta da mãe antes de nascer. Mas parecia que não estava a
funcionar. Voxy continuava com um olhar distante e neutro e não respondia aos
estímulos da Dra. Passava a maior parte do tempo sentada numa cadeira de
baloiço no alpendre da casa a comtemplar a vista que misturava neve e pedras.
Kari colocara-lhe um xaile que era da mãe para que não apanhasse frio. As mãos
demoraram mais tempo a sarar desta vez, pelo que ainda as tinha ligadas.
- Estou preocupada, Bertha. Há quase 2 anos que
estamos aqui e ela continua tão distante! –
Bertha olhou-a com ternura.
-Sim, também me preocupa. Fisicamente, está a
melhorar, mas por dentro continua muito fragilizada. –
Kari apertou as mãos contra o peito para evitar
chorar, mas Bertha segurou-as no meio das suas, permitindo que chorasse o que
quisesse. «Não sei se aguentará muito mais. O médico recomendou passar aqui
uma longa temporada, mas parece que que não está a resultar». Pensava. Kari
olhou-a e Bertha confortou-a.
- Vai correr tudo bem, vai ver. Desde que nos tenha a
seu lado, a Voxy vai recuperar e voltar melhor que nunca. –
Kari limpou as lágrimas, abraçaram-se e sussurrou:
- Espero que sim. –
Os dias seguintes foram desesperantes e pensosos para
Voxy. Uma profunda depressão estava a apoderar-se dela e isso refletia-se na
sua saúde física. Depois de tirar as ligaduras, as mãos ainda lhe tremiam, mais
do que na outra vez. Houve dias em que não conseguia segurar nos talheres para
comer.
Desde que fora para ali, nunca mais se aproximara de
um piano. Havia um numa das salas da clínica. Ainda foram lá por insistência de
Kari. Sentou-se, mas bastou pousar as mãos nas teclas para estas lhe começarem
a tremer e sair a chorar desesperadamente. A música e o piano traziam-lhe
lembranças demasiado dolorosas.
…
O dia da partida de Estefânia e da família de casa da
mãe foi muito emotivo. Ainda ficaram mais uma semana e depois voltaram para a cidade
com a promessa de voltarem quando as circunstâncias e o tempo forem outras.
Estavam em pleno Inverno e a praia tornara-se cinzenta. Despediram-se e
seguiram para casa.
…
Voxy continuava angustiada, apesar das sessões de
terapia e dos esforços de Kari para a manter ocupada. Tanto uma como outra não
estavam a aguentar aquele convívio forçado. Estava constantemente a insistir
que tocasse ou que falasse na mãe. Era pior que a terapeuta! De todas as vezes,
Voxy fugia para o seu refugio na casa da montanha. Queria ficar sozinha. Era a
sua maneira de lidar com a dor.
Um dia, depois de mais uma consulta, a Dra Felicia
chamou Kari e Bertha á parte. Tinha um ar sério e preocupado.
- Gostava de vos trazer boas notícias, mas o facto é
que não as tenho. A Voxy continua a não querer colaborar na terapia e a
depressão tende a agravar-se. – Concluiu:
- Por isso, dadas as circunstâncias, não me resta
outra alternativa a não ser mandá-la para casa. Quem sabe se num ambiente mais
familiar ela possa recuperar mais rapidamente. –
Kari e Bertha concordaram. Depois de lhe contarem,
Voxy também concordou. Aquele ambiente estava a sufocá-la. Partiram no dia
seguinte com os primeiros raios de sol.
Fim
da 3ª Parte
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