segunda-feira, 21 de abril de 2025

Sonata da Rosa Branca- Parte 4- Capitulo 8

 Olá 

Mais uma vez, esta semana o capitulo vem mais cedo. 

Espero que gostem.

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VIII


No caminho para o hospital, Estefânia pensava: Porque é que não me contaram mais cedo? É minha mãe, bolas! Se bem que no dia do acidente, também não a chegaram a avisar, mas a situação era completamente diferente. A mãe só os conseguiu ver em casa. 

Quando chegou, saiu do carro e passou pela porta como um disparo. Foi ao balcão da recepção e perguntou pela mãe. Indicaram-lhe a última porta ao fundo do corredor. A porta estava entreaberta. Alguém lá tinha estado antes. Talvez o médico. Bateu ao de leve e, depois de ouvir um entre, empurrou-a suavemente. Maria Hortense estava sentada numa cadeira ao pé da cama. Tinha um roupão de linho por cima da camisa de noite. Olhava pela janela larga do quarto, iluminada pela luz suave do sol. Tinha um ar sereno. 

Estefânia aproximou-se e ela sorriu. 

...

A terapeuta chegou depois do almoço. Odete mandara um avião para a ir buscar à Suíça. Bertha abriu-lhe a porta e indicou-lhe a sala de estar. Odete não precisou de lhe dizer nada pois a Dra já sabia do que se tratava. Aquilo era apenas uma formalidade. Foi de imediato ao quarto de Voxy. 

Como sempre, estava a ler. Sentou-se e esperou que terminasse. Quando pousou o livro, Voxy olhou para a terapeuta. Estava tal e qual como a conhecera na Suíça. Uma mulher elegante, vestida com uma saia até ao joelho, blusa branca e sapatos de salto alto. O cabelo era comprido, castanho, a tinha olhos verdes. 

Voxy quebrou o silêncio:

- Há quanto tempo, Dra.- 

Felícia olhou por cima dos óculos redondos e respondeu:

- Pois é, já lá vai algum tempo desde a Suíça. Mas, ao contrário de lá, parece-me que agora está mais disposta a colaborar.- 

Voxy revirou os olhos:

- Sim, naquela altura ainda não me conseguia exprimir como queria. Tinha sido muito recente e ainda me custava a assimilar. Hoje também me custa, mas penso que já consigo falar sem receios.- 

Felícia falou num tom neutro, próprio de uma psicóloga:

- Dadas as circunstâncias, é muito natural, mas não a culpo por isso. Bem pelo contrário, acho que muito corajoso da sua parte, que queira falar sobre um assunto tão pessoal e delicado.- 

Voxy tinha uma expressão indiferente. Sabia perfeitamente qual era a situação, não precisava que lhe repetissem. 

Felícia, então, explicou como seria a terapia. Primeiro, alguma conversa de circunstância, depois uns passeios pelo jardim e, mais tarde, se ela quisesse, pela cidade. Por fim, começaria a reaproximação ao piano e à música. 

...

- Então, o que aconteceu? Disseram-me que tinhas tido um acidente! - Começou Estefânia.

A mãe olhou para ela e revirou os olhos. 

- Lá estão as pessoas com os seus exageros! Por isso é que não queria que soubesses! Não foi nada demais! Estava a consertar umas coisas lá em casa, desequilibrei-me e caí.  O primo Abel, já sabes como ele é, quando me viu no chão, entrou em pânico e chamou uma ambulância.- 

Estefânia sentou-se em frente á mãe. Ripostou:

- Porque é que não me avisaste? Tive de saber pela Carla!- 

Maria Hortense respondeu num tom sereno:

- Não te disse nada para não te preocupar. Só estou cá por precaução. Daqui a pouco tenho alta e já posso voltar para casa.- 

Estefânia ripostou:

- Não vais para casa coisa nenhuma! Ficas em minha casa até te sentires melhor. Não quero que faças a viagem assim. Além disso, aqui estás mais acompanhada.- 

Mari Hortense, ainda tentou contestar, mas Estefânia não lhe deu hipótese. Quando mais precisara, ela esteve lá para cuidar deles, agora estava na hora de retribuir. 

...

A consulta terminou ao fim do dia. Antes de sair, Kari chamou a Dra à parte e perguntou-lhe como achava a irmã. Ela respondeu:

- Apesar do trauma, está a reagir bem. Ela ainda é muito nova, vai superar, mas, mesmo assim, precisa de toda a ajuda possível.- 

Kari sorriu. 

- Obrigada. Dra.- 

...

Mal chegaram a casa, Estefânia instalou a mãe no quarto de Clara. Apesar de lhe custar, era o único quarto vago. Depois, telefonou ao primo Abel para avisar que trouxera a mãe para e que ia lá passar um tempo. Também telefonou a Carla a dizer que ia passar o resto do dia em casa. 

Ao final da tarde, chegou Carlos e depois Gonçalo. Estefânia foi recebê-los. Ambos estavam surpreendido com ela em estar em casa àquela hora. Contou-lhes que a mãe estava lá e que ia ficar durante um tempo. 

- Eu soube pela Carla hoje de manhã.- Contou a Carlos. 

Gonçalo decidiu que ouvira o suficiente e foi para o quarto. 

- Antes de sair do hospital, estive a falar com o médico. Ele disse-me que ela já lá estava há uma semana e nunca quis chamar ninguém. Até o meu primo, depois de alguma insistência, ligou para o escritório e, como eu não estava, quem atendeu foi a Carla.- 

Carlos perguntou:

- Mas é grave?- 

Estefânia fez um ar sério. Respondeu:

- Não, porque o Abel chegou a tempo. Segundo o que ele me contou, ela estava a mudar uma lâmpada em cima de um escadote, quando se desequilibrou e caiu. Foi uma sorte não ter partido nada nem batido com a cabeça.- 

Carlos voltou a falar:

- Bem, um desequilíbrio de vez em quando toda a gente tem. O que é que o médico te disse exatamente que o Abel não te conseguiu explicar?-

Estefânia respondeu:

- Parece que foi um princípio de AVC, porque quando o Abel chegou, ela estava desorientada, mal falava ou balbuciava coisas sem sentido e uma parte do corpo não mexia.- 

Carlos abraçou a mulher e sussurrou-lhe:

- Não te preocupes, vai correr tudo bem.- 

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E pronto.

Mais uma vez, espero que gostem.

Até para a semana. 

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