Aqui fica mais um capitulo da primeira parte.
Espero que gostem.
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II
Depois de terminar os treinos e antes de voltar a
Lua Branca, Lunis foi até à zona médica ver o novo doente. Tinha ficado curiosa
em relação a ele. Nunca tinha visto outros seres para além da Aliança do
Millennium apenas ouvira falar e lera nos livros do Templo.
Atravessou o corredor deserto e semiescuro. Quando
chegou à porta da enfermaria onde ele estava, hesitou um pouco. O seu coração
começou a bater aceleradamente. Rodou a maçaneta e entrou. Percorreu o longo
corredor de camas até chegar aquela onde estava o Guerreiro do Espaço.
Abeirou-se dela e pôs-se a admirar a sua esbelta figura adormecida e cheia de
ligaduras.
Não era nem muito alto nem muito baixo, tinha várias
cicatrizes pelo corpo, o que demonstrava que já passara por muito apesar de
parecer que não tinha mais que a idade dela. Por baixo do lençol, podia distinguir
a sua musculatura bem desenvolvida. Tinha o cabelo preto espetado e dormia
confortavelmente na cama. De repente, algo caiu para o lado. Era a sua cauda.
Um membro castanho e peludo. Já tinha ouvido histórias de como os Guerreiros do
Espaço podiam adquirir mais poder através das suas caudas quando olhavam
directamente para a lua. A energia libertada reagia com a sua e fazia com que
se transformassem em macacos gigantes que muito facilmente perdiam o controlo.
A única forma de voltarem a si era através da remoção da cauda.
Curiosa como era, resolveu testar essa teoria. Assim
não corriam o risco de ver o Templo e todas as suas imediações destruídas.
Aproximou-se do sítio de onde pendia a cauda. Pegou-lhe ao de leve. Era macia e
suave. Bem diferente do que imaginara. Bastou-lhe um simples puxão para que ela
caísse. O Guerreiro, sentindo algo, abriu os olhos e perguntou num tom de voz
fraco, mas audível por Lunis:
- Quem está aí? Mostra-te!-
Ela levantou-se muito timidamente e até com um ar um
pouco assustado. Foi novamente para a cabeceira da cama e respondeu num fio de
voz:
- Chamo-me Lunis e sou Discípula da Sacerdotisa-
Mor.- Apressou-se a acrescentar:
- Estou a treinar para ser Conselheira Real da Lua e
peço desculpa por te ter incomodado mas fiquei curiosa.-
Encolheu-se como se esperasse uma reprimenda, mas
tudo o que ouviu foi uma risada fraca. Voltou à posição inicial e viu que o
Guerreiro estava a sorrir. Sentiu-se a corar. Ele parou de rir. Ficaram a
olhar-se durante um bocado. Os seus olhos pretos eram penetrantes mas meigos ao
mesmo tempo. Quase como se vissem através dela. Depois, lembrou-se que tinha de
voltar e apressou-se a ir para a saída. Foi impedida por ele que a agarrou no
pulso e lhe disse antes de ela sair a correr:
- Chamo-me Bardock. Vem ver-me mais vezes.-
Lunis sentiu-se novamente a corar e sai dali para o
hangar o mais depressa que conseguiu.
…
A partir daquele dia, Lunis passou a visitar Bardock
todos os dias a seguir aos treinos. Mesmo quando Serenity também ia ela fazia
questão de o ver. E, com o passar do tempo, a amizade tornou-se cada vez mais
profunda e ia-se transformando em algo mais.
A cada dia, Lunis levava algo diferente para fazer
com Bardock: lia-lhe livros da Biblioteca, contava-lhe como estavam a correr os
treinos. Em troca, ele contava-lhe mais sobre o seu planeta e a família que
deixara para trás. Sempre que falava deles, os seus olhos enchiam-se de
lágrimas. Lunis consolava-o sempre com palavras de afeição.
Quando Bardock já se sentia em condições para sair do
quarto, Lunis levava-o a passear pelos jardins do Templo e, por vezes, faziam
alguns exercícios para treinar os músculos. No final de cada passeio, havia
sempre mais uma ligadura para tirar e Bardock is ficando cada vez melhor. Lunis
estava feliz com a sua recuperação mas ao mesmo tempo invadia-a uma angústia
por ter de o deixar ir embora quando estivesse totalmente recuperado. Mas
Bardock parecia não querer separar-se dela. Não tinha sítio para onde ir uma
vez que o seu planeta tinha sido destruído e o paradeiro dos seus filhos era
desconhecido. Por isso, decidiu ficar em Manah até saber exactamente o que
fazer a seguir. Esta decisão deixou Lunis muito feliz. O sentimento que nutriam
um pelo outro crescia a cada dia e um dia mostrou-se.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Bjs
Joana
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