quinta-feira, 23 de maio de 2019

A Lenda da Lua Branca- Parte 7- XX

Olá
Aqui fica o último capitulo desta fanfiction.
Espero que gostem.
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XX

A porta da nave abriu-se e Ikinah saiu escoltada pela Guarda Real que a conduziu ao campo de batalha.

Com a batalha, Lua Branca estava diferente: todo o seu esplendor tinha desaparecido. A atmosfera estava mais pesada e espessa. As ruas estavam desertas, as casas destruídas. Havia um silêncio sinistro no ar.

Ikinah e a sua escolta caminhavam a passo lento e pesado, através das ruinas do que outrora tinha sido a mais bela e poderosa cidade de todo o Universo. Caminharam mais um pouco até chegarem ao campo de batalha. O silêncio era terrível.

A um canto, de pé, estava uma figua alta vestida com um fato de combate e uma capa. Era Endimyon. Assim que o viu, Ikinah, correu para ele. Não precisou de perguntar nada pois Endimyon respondeu logo:

- Está na Sala de Reuniões. Siga-me.-

Fez sinal aos soldados para que dispersassem e depois a Ikinah para que o seguisse. Quando chegaram à porta da Sala de Reuniões, Ikinah pediu a Endimyon:

- Majestade, a partir daqui sou eu quem trata deste assunto.- E entrou na sala.

Serenity estava de pé na varanda da Sala de Reuniões com Rini ao seu lado. Tinha um olhar vazio, sem vida. Triste, como se tivesse perdido o esplendor, como o planeta. Olhava em frente sem ver nada. Tinha as mãos no peito.

Nem se apercebeu quando Ikinah entrou e fechou a porta atrás de si. Só sentiu a sua presença quando esta se aproximou da varanda. Num gesto repentino, a Rainha virou-se para a Sacerdotisa-Mor de Manah, abraçou-a e começou a chorar. Era a primeira vez que Serenity chorava. Nunca ninguém a vira chorar, nem sequer a filha. Só Ondine no dia em a sua mãe desaparecera.

Quando conseguiu acalmar-se, largou Ikinah e entraram na sala, Sentaram-se numa ponta da mesa e Rini deitou-se no colo da mãe, enquanto Serenitty lhe acariciava a cabeça. Ficaram em silêncio durante algum tempo, até este ser quebrado por Serenity:

- Mestra, agradeço a sua vinda apesar da neutralidade de Manah.-

Ikinah respondeu:

- Não tens de agradecer, Majestade. Afinal para além de seres minha Rainha, és também uma amiga muito querida e uma das minhas melhores discípulas, que pediu ajuda numa altura de crise.-

Passada a parte dos agradecimentos, Serenity continuou o seu discurso, não deixando de acariciar a filha que permanecia no seu colo:

- Mestra, chamei-a aqui porque, como sabe a situação é muito grave, a técnica falhou e alguns dos membros do Exército Negro conseguiram escapar e a Lunis…- as lágrimas vieram-lhe aos olhos ao lembrar-se do sacrifício da amiga.

- Mas não foi para lhe descrever a situação que a chamei. Chamei-a porque é a única que me pode ajudar neste momento.-

Ikinah perguntou:

- Majestade, o que é que me estás a tentar pedir?-

Serenity respirou fundo, olhou para Rini e depois para Ikinah e disse:

- Acredite que não foi fácil tomar esta decisão, mas tive de o fazer, pelo bem da Lua Branca e do Universo. Vou usar a técnica mais uma vez.-

Ikinah estava perplexa. Ripostou:

- Serenity, isso é muito arriscado! Não vale a pena sacrificares assim a tua vida só para vingares Lunis! Ela escolheu o seu destino para que tu continuasses a proteger toda a gente! Não deixes que o seu sacrifício seja em vão! Pensa nas tuas filhas! O que lhes vai acontecer se a técnica falhar novamente?-

Serenity respondeu:

- É aí que entra. Preciso que leve a Princesa para Manah para junto da irmã e que cuide delas como tem cuidado de Julie.-

Ikinah ainda tentou ripostar, mas a Rainha estava decidida, apenas disse conformada:

- Muito bem, como queiras. Tentarei cumprir esta missão o melhor que souber.-

Depois de Rini se levantar, Serenity e Ikinah levantaram-se também, apertaram as mãos, saíram da Sala de Reuniões e encaminharam-se para o campo de batalha onde Endimyon as esperava.


Entretanto, não muito longe dali, as Princesas Negras e as suas Guardiãs reuniam-se para reorganizar uma estratégia. Estavam sentadas dentro da nave da Lua Negra em círculo no chão e tinham apenas as projecções holográficas como guia, uma vez que todos os outros materiais tinham ficado no Palácio Negro.

Icy estava furiosa por ter perdido grande parte do seu exército, ainda mais por não ter conseguido cumprir o seu plano. Pela primeira vez desde o desaparecimento da sua mãe, tinha chorado.

Antes de a reunião começar, quando iam a caminho do local da nave, Icy não aguentou o choque e desatou a chorar. As irmãs consolaram-na. As Guardiãs ficaram surpresas porque até ali a sua Mestra nunca tinha mostrado sentimentos verdadeiros. Foi ali num caminho escuro e deserto que puderam testemunhar o real sofrimento da Princesa. Perante aquele cenário, fizeram um juramento de nunca mais se separarem das Princesas e que as ajudariam a vingar-se do Exército Real.

-Temos de estar preparadas se a Rainha usar a técnica outra vez.- Disse Icy.

Estava de pé, virada para a janela da nave. As outras continuavam sentadas.

Virou-se e continuou o discurso:

- Bem sei que estamos no limite mas temos de arriscar. Não podemos baixar a guarda só porque estamos em minoria.-

Falava com uma voz suave. Quem a ouvisse pensaria tratar-se de Serenity e não de Icy. Normalmente, a sua voz era mais áspera e fria e não tão delicada como naquele momento.

Todos viam o quão difícil era para Icy superar tudo aquilo. Mesmo sabendo do risco que corria, não desistia e continuava a lutar mesmo que isso significasse ser absorvida e perder os seus poderes.

Depois de ter reflectido um pouco, Icy fez sinal ao seu pequeno exército e às suas irmãs que se levantaram e a seguiram até ao andar superior da nave. Subiram um pequeno conjunto de escadas que conduziam a uma pequena sala de reuniões. Sentaram-se em redor da mesa que havia ao centro. Icy retomou o discurso desta vez com a voz habitual:

- Nesta altura, já foram discutidas e decididas todas as grandes estratégias de batalha.- Fez uma pausa e retomou:

- Desde os primeiros tempos que a Lua Branca e a Lua Negra estão em guerra. E já muitos sacrifícios foram feitos. Este foi só mais um.- Voltou a levantar-se e a dirigir-se para a janela, onde terminou o discurso, retomando o tom de voz suave:

- Por isso, por mais que doa, por mais difícil que seja a situação, o importante é não desistir de lutar até ao fim. Mesmo quando isso significa perdermos todos os nossos poderes.-

Acrescentou:

- A reunião está terminada. Vamos voltar à batalha.- Saíram da sala.


Entretanto, no campo de batalha, Serenity resumia a sua mini-reunião com Ikinah a Endimyon e Aron que concordaram com a estratégia embora o General Aron, tal como Ikinah, achasse a segunda tentativa da Técnica dos Quatro Elementos fosse arriscada.

Anunciada a estratégia ao Exército Real, todos se puseram em guarda à espera do Exército Negro. Enquanto esperava, Serenity voltou a transformar-se em Guerreira da Lua. Depois desse momento, Rini abraçou a mãe e perguntou-lhe:

- Vamos voltar a ver-nos?-

Serenity sorriu e respondeu:

- Claro que sim, minha querida. Prometo. Espera por mim em Manah com a tua irmã. Eu e o vosso pai iremos lá ter.-

As despedidas foram interrompidas pelo riso de Icy vindo de cima de um monte de ruinas do Palácio da Lua que foi acompanhado por um breve discurso com um tom de ironia:

- Majestade, como vês a tua técnica falhou. Nem todo o Exército Negro foi derrotado.- Acrescentou com a mesma ironia um pouco provocadora:

- Vamos ver se desta vez consegues fazer melhor.-

Estas palavras foram a ‘gota de água’ para Serenity: reuniu todo o Exército Real à sua volta e disse:

- Protejam-me minhas Guardiãs. Vou usar a técnica outra vez e posso precisar de vocês a qualquer momento.-

As Guardiãs dispuseram-se em círculo tal como Serenity tinha ordenado. Endimyon estava a seu lado e Aron na retaguarda.

E, mais uma vez, Serenity levantou os braços e fez aparecer uma bola de energia que voltou a erguer-se no céu.

Entretanto, Ikinah levava a Princesa para a sua nave junto ao campo de batalha. Assim que entraram, esta descolou de imediato.

Cá em baixo, no campo de batalha, Serenity apontava a energia para as Princesas Negras e as suas Guardiãs mais uma vez. Mas tal como acontecera da primeira vez, a energia foi desviada pelas Princesas Negras, que foram eliminado os membros do Exército Real. Um a um todos os elementos do Exército Real iam sendo eliminados até chegar a Serenity, Endimyon e Aron.

Quando as Princesas Negras estavam prestes a eliminar os seus pais, Rini gritou da nave:

- Não! Mãe! Pai! Ikinah, deixe-me sair, tenho de os salvar!-

Ikinah tentou demovâ-la:

- Não, Princesa é muito perigoso! Não vás! Podes ser eliminada também!-

Mas Rini estava determinada e implorou a Ikinah já com lágrimas a correrem-lhe pela cara:

- Por favor, Ikinah! São os meus pais! Não posso abandoná-los quando mais prcisam de mim!-

Ao ver a Princesa a chorar, Ikinah viu, momentaneamente, a cara de Lunis quando se sacrificou e compreendeu a aflição dela, mas não podia desobedecer a uma ordem da Rainha.

Então, abriu a janela da nave e invocou outra bola de energia. Rini perguntou:

- O que está a fazer?-

Ikinah respondeu:

- A minimizar os estragos.-

Depois, num gesto contínuo, direccionou a bola para o Exército Negro eliminando-o. Um enorme feixe de luz atravessou toda a superfície da Lua Branca.

Quando finalmente se desvaneceu, não havia sinais do Exército Negro. Os corpos de Serenity e Endimyon jaziam sem forças no chão.

A batalha tinha finalmente chegado ao fim.

 

Fim da 7ª Parte
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E pronto.
Mais uma vez, espero que gostem.
Para a próxima, começa uma nova.
Bjs
Joana

 

       

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